04 agosto 2005

Os fajutos, rádio novela

Ontem, ao ouvir pelo rádio uma tal de Simone Vasconcelos ser entrevistada numa CPI enquanto cagava, nosso elogiável luminar descambou a rir e logo descobriu q cagar e gargalhar são duas ocupações incompatíveis.

Após duas horas ouvindo o "questionamento" de cá e o "depoimento" de lá, o doutor se perguntava, "Ué, ¿essa gente não faz lição de casa?" E foi aí q a verdade estalou no elegante cérebro do Dr Plausível: toda aquela gente - os q perguntam, os q respondem, os q pairam, os q bundam - está ali apenas pra contemporizar o inabafável. Já q uma das muitas maracutaias submersas agora veio à tona na imprensa, é preciso queimar algum infeliz. Estão ali ganhando tempo enquanto nos bastidores se decide quem será sacrificado.

Mas a imprensa não vai se contentar com isso. Os cepeintes estão todos envolvidos na sagrada atividade de tirar o fiofó da reta. Quem tem culpa no cartório está ali pra tirar o fiofó da reta; quem não tem culpa está ali pra q não o confundam com quem quer tirar o fiofó da reta, e portanto também quer tirar o fiofó da reta. Mas a imprensa quer porque quer fiofó na reta, e não vai se satisfazer enquanto o próprio Lula não for humilhado em praça pública. ¿Tá pensando o quê? Peão tem q ralar.

O pior é q o script da CPI não se sustenta nem como drama nem como comédia. Ô escritorzinho fajuto. Duas horas é o máximo q o doutor escuta de "rêidjo daráma" de terceira.

01 agosto 2005

Realismo político

Já disse aqui q "em política, o Dr Plausível discorda e duvida de tudo, e portanto sempre tá com a razão". Às vezes, até chega a parecer aquele meteorologista q respondia toda indagação sobre o clima dizendo "vai chover" e, logicamente, sempre previa certo. Pouco depois da posse de Lula, nosso essencial doutor previu q ia chover; e choveu mesmo, só q muito antes do q achava. Leia aqui. Mas ¡longe de tomar partido! O doutor acha engraçadíssimo q política gere tanta controvérsia e sectarismo, mas mesmo assim eu não acredito q a cúpula petista sempre coniviu com a corrupção.

O PT conseguiu chegar à presidência depois q sua cúpula caiu na real e aceitou q as barafundas da política brasileira tão longe de ser um terreno favorável onde se possa plantar, cultivar e fazer frutificar ideais. A cúpula quis fazer uso dum recém-descoberto 'realismo político' e aí se ferrou de verde e amarelo. Pois nesse campo, os petistas ainda jogam com bola-de-meia. Acharam q tinham q fazer o jogo dos veteranos e agora engolem um gol atrás do outro.

São calouros e receberam o tratamento q todo calouro recebe: o trote.

Tão engraçado quanto o PT, é o povario q idealiza e apóia a oposição ao PT, insistindo q a governança deveria ser entregue a gente "experiente". Se não fossem tão ingênuos qto os peteiros, veriam q seu idealismo, qdo aplicado à política brasileira, tem conotações ocultas. Essas conotações, se expressas abertamente, seriam mais ou menos assim: "O principal é não desestabilizar o mercado. Portanto, o bom corrupto é o corrupto oculto. Pra se ocultar com eficiência, o corrupto tem q ser politicamente realista. Ora, realismo político não é coisa pra novato. O cara tem q ter crescido com isso, desde o berço vendo seu avô e seu pai corrompendo, subornando e lucrando ao ignorar a justiça e a decência. Realismo político se aprende com a experiência; não se pega duma hora prà outra."

Às vezes, ser simplesmente plausível não é suficiente.

31 julho 2005

A venalidade nua e crua

E ¿q tal esse sub-produto da CPI, essa moça q diz ter sido sondada pra posar nua prà Playboy?

QUA QUA QUA QUA QUA QUAAAAaaa

Qdo lhe contei do causo, o Dr Plausível se arrastou pra debaixo do sofá de tanto rir. Não é pelos dotes em si da moça (q aliás nosso educante cientista nunca viu mais gorda), mas pela tipicidade do gesto, seja lá de quem tenha partido.

É q, em matéria de mulher pelada, o Brasil é um caso totalmente à parte. Em outros países, mulher convidada a posar nua em revista tem um status pouco melhor q de prostituta. Na Playboy original, por exemplo, posam as coelhinhas garçonetes, atrizes pornô e afins. Às vezes, uma ou outra atriz-aberração - tipo Pamela Anderson - ganha a vida mostrando áreas menos bronzeadas da epiderme. Já no Brasil, absolutamente qualquer mulher jovem q ganha alguma notoriedade pode descolar uns trocados expondo as nádegas, os mamilos e pelos pubianos. São "grandes" atrizes da tela e do teatro, boas cantoras e cantoras sofríveis, jogadoras de basquete, vôlei e futebol, jornalistas, e agora... sub-secretárias de canalhas. Próxima da lista: Suzane Richthofen. QUAFQUAFQUAFQUAFQUAFQUAF

O q espanta um pouco é q a notoriedade parece ser o único passaporte para a nudez, e não o contrário. A julgar por isso, a decantada beleza da mulher brasileira deve ser uma enorme e ululante farsa ufanista, divulgada por aí pra fazer o brasileiro ficar contente com o pouco q tem. Pois, ¿cadê as outras?

Em contrapartida, vejam o caso da Xuxa. Se a mulher fica famosa por seus próprios meios, e depois se descobre q ela no começo da carreira posou nua pra ganhar uns trocados, aí não pode. HAHAHAHAHAHA

¡Ó crua vaidade, ó nua veleidade!

21 julho 2005

A plebe em sítio

Ontem, nosso epicêntrico doutor ficou sabendo q em outubro próximo vai ser realizado um plebiscito sobre o comércio e posse de armas de fogo.

Logicamente votaria contra as armas. Mesmo assim, não se furtou a umas risadinhas condescendentes. Pois ¿esse plebiscito não é engraçado? Pois ¿não se diz q o voto é "a arma do povo"? HOHOHOHO

E outra gracinha. O plebiscito é obrigatório; o povo será obrigado a votar nesse plebiscito. HAHAHAHAHA Ou seja, se vc não votar, alguma sanção o governo pode impor sobre sua liberdade ou seu conforto; e pra isso, o governo tem poder - um poder q em última análise emana do armamento bélico e repressor de q dispõe livremente. ¿Não é engraçado? Eu acho.

O Dr Plausível poderia se oferecer pra ensinar o governo a ser menos irônico; mas costuma manter-se distante de assuntos oficiais, pois não é bobo de se meter com gente armada.

21 junho 2005

O guia de quem se acha

Essa foi de matar pedra.

Nosso esmerado doutor é um fã incondicional de The Hitchhiker´s Guide to the Galaxy, do Douglas Adams. Já ouviu o programa de rádio da BBC, q originou toda a saga, já leu os livros, já tudo. Aliás, diga-se de passagem q, mesmo ao ser fã incondicional de alguém, o doutor permanece fiel a seus princípios plausibilógicos, pois é fã dum autor já falecido... Acontece q tbm eu sou fã dele, então sempre temos assunto pra conversar. Leia a seguir, uma parte uma transcrição de minha conversa de ontem com o Dr Plausível:

EU: ¿Vc já viu q saiu o filme do Hitchhiker's no Brasil?

ELE: Ah. Já estava esperando. Eu aguardei com um certo interesse a estréia do filme - só q já sabendo q alguém ia cagar em algum ponto do processo. pfâ... Mas outro dia li a crítica do Anthony Lane numa New Yorker q achei na rua, e fiquei mais animado.

EU: Olha, se lá ninguém cagou, não faltou quem cagasse aqui.

ELE: Ah é? HAHA! Eu já sabia q a evidência fecal não tardaria. E o q foi, desta vez?

EU: Bom, pra começar, eles preferiram manter a gafe no título traduzido da versão brasileira do livro.

ELE: Ah, claro! No Brasil, The Hitchhiker´s Guide to the Galaxy virou "O Guia do Mochileiro das Galáxias". HAR-HAR-HAR-HAR-HUÁ É hilariante a imprecisão desse pessoal...

EU: É, né? pois logo de cara, a dúvida se instala: ¿será q é um "guia do mochileiro" das galáxias, ou será q é um guia do "mochileiro das galáxias"? HA!

ELE: HAHAHAHAHAR-pfâ ¿Ou será q é um guia escrito por ou um mochileiro qqer q é das galáxias, ou será q é um guia de propriedade do único mochileiro em todas as galáxias? HARHARQUAR... Um boné véio, como se constata. pfu

EU: Aparentemente ninguém pensou em "Guia das Galáxias para Mochileiros".

ELE: Ou pior: se pensou, descartou. pfâfff... Foi como seria traduzir o Gay Guide to New York como o "Guia do Gay de Nova Iorque", como se fosse de propriedade dum gay nascido em Nova Iorque, e mais ninguém.

EU: Bom, é provável q os produtores brasileiros da tradução do filme tenham preferido respeitar os fãs brasileiros da tradução brasileira (com certeza não muitos) e portanto tenham mantido a bêtise do tradutor brasileiro. O fato é q resolvi dar um chego com a patroa num cinema e ver se valia a pena recomendar o filme pra vc ver. Mas já fui com um pé atrás, porque num texto de jornal sobre o filme, o nome "José Wilker" apareceu inexplicavelmente. Alguma coisa sobre dublagem...

ELE: Não creio no q ouço. ¿Fizeram uma versão dublada pra benefício do público infantil?

EU: Foi o q eu achei. Eu perguntei prà caixa do cinema se o filme era dublado, e ela disse "Não q eu saiba." Aí compramos os exorbitantes, entramos e... e...

ELE: E...?

EU: Vimos um total de 17 segundos de filme. Foi só a voz do JW soar q o cinema inteiro (aliás, uma mera sala de projeção num chópim), o cinema inteiro me ouviu ganir "¡Ah, nãão!" Levantamos e fomos embora. Aí perguntei pro porteiro qdo passava a versão legendada, e ele disse q essa é a única versão; só q o narrador é dublado pelo Zé Wil e a ação é legendada.

ELE: ¡¿¡QUÊ?!? ¡¡AAAAAAAAAAAAA-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ-HUÁ....!! ¡¡¡Virou um documentário da GNT!!! ¡E o Zé Wilker pra fazer o livro!...? ¡O Professor Emérito da Escola Victor Mature de Artes Contábeis!

EU: Colega do Tarcísio Meira...

ELE: Total miscasting. E a julgar pela tradução do título, vc fez muito bem em sair do cinema. ¡Q vergonha!

EU: ¡Q ridículo!

ELE: ¡Q engraçado! pfffffff-hâhâhâhâhâhâhâ....

EU: Não tem humor na voz, na dicção, na entonação, no timbre... e colocam o cara pra narrar o livro... Q perda de tempo...

ELE: E q desperdício de talento. ¿Onde é q esse pessoal tem essas idéias? Prêssionante... ¿Devolveram o dinheiro?

EU: Pelo menos isso.

ELE: Aí vc pode usar pra alugar o dvd qdo sair.

EU: É.

12 junho 2005

É bom ter um tipo de coisa assim de vez em quando

Nosso emulsificante doutor dá muita risada vendo tv. Mas às vezes aparece algo q presta. Ontem numa matéria na BBC sobre um concerto pacifista na Zoropa, eis q lhe aparece o Robert Plant (do Led Zeppelin) declarando seu apoio à causa pacifista com as seguintes palavras:

I´d say, don´t spend another dollar on weapons ... I mean, how many different ways of dying can there be?

E ¿não é q o Dr Plausível gostou?

09 junho 2005

¡Afunda, trouxa!

Mal ligou a tv pela primeira vez em meses, e o Dr Plausível já contribuiu pra purificar o ar de São Paulo com sua cristalina gargalhada.

¿Já viram um reclame de filme fotográfico em q um náufrago numa ilha deserta acha uma câmera e vai tirar uma foto de si mesmo? ¡Q trapalhada q esses reclameiros fizeram, hein? É prova de q a hipoplausibilose é um fenômeno global, visto q se trata dum anúncio importado.

No momento em q o náufrago vai se fotografar, uma equipe de resgate pendurada dum helicóptero aparece por trás dele, só pra aparecer na foto, e depois vai embora deixando o barbudo pra trás. Nesse ponto vem o slogan: "Com os filmes Fodak, todo mundo vai querer aparecer na foto." Até aí, tudo bem. Mas os reclameiros não resisitiram e quiseram melhorar uma piada q já estava boa. O desgraçado passa o resto de seus dias sozinho na ilha, febrilmente tirando uma foto após outra de si mesmo na esperança de q outra equipe de resgate apareça.

¡Êta tampa!

¿Será q ninguém da agência ou do cliente percebeu q assim a mensagem do anúncio fica exatamente o oposto do slogan: "Com os filmes Fodak, ninguém mais vai querer aparecer na foto."? HAR-HAR-HAR-HAR-HAR-HÓÓÓÓÓRRrrr

A tchurma de propagandengos q perdoe nosso exímio doutor; mas vá errar feio assim lá em Itaparica.

08 junho 2005

Careful with that axe, Gregory

Muitos leitores têm me perguntado sobre o paradeiro de nosso estimado Dr Plausível. E aqui vai a resposta. Nos últimos meses, o elucubrável doutor esteve rodando o mundo cumprindo uma agenda de vários congressos, simpósios, conferências e feiras de Plausibilética Avançada, como faz a cada dois anos. Ao todo foram 47 eventos e 11 participantes, contando os 9 da produção. Um sucesso sem precedentes. Se depois dessas palestras as moscas continuarem a empestar tanta gente, será porque não prestaram a mínima atenção.

E foi só botar o pé de volta em São Paulo e tomar um táxi q mais um taxista iluminou seu dia com a risada fulgurosa de nosso embasbacante humanista. Pois ¿não é q o rádio estava ligado na Antena 1 e passou um anúncio de (¡pasmem todos!) CDs de sucessos populares em canto gregoriano.

¡¿?!¡?¡!¿?¡!¡¿!¡?¿¡?¡!¿¡?!¿

¿uadafâc?

¡E faz o maior sucesso!

Diz q um produtor inglês chamado Frank Peterson teve a idéia de botar um coro masculino cantando em únissono músicas dos Beatles, da Celine Dion, Pink Floyd e o baralho a buatro, botar uma banda acompanhando e pronto: canto gregoriano.

Qta má fé, não?

Porque se juntar uns boludos pra entoar umas melodias fáceis em uníssono configura canto gregoriano, então qqer bando de marmanjos cantando samba em bar da Freguesia do Ó se qualifica. O produtor inglês devia ter aprendido com seus compatriotas do Monty Python. No "Crunchy Frog Sketch", o inspetor Praline avisa o fabricante de bombons de sapo: "I must warn you that in future you should delete the words 'crunchy frog', and replace them with the legend 'crunchy raw unboned real dead frog', if you want to avoid prosecution." Esses CDs deviam ser vendidos como "Grupo de homens fantasiados de monges cantando em uníssono arranjos pasteurizados de sucessos comerciais, com acompanhamento".

E digo mais: o objetivo mais nobre q pode almejar um pastiche desse quilate é causar risadas fulgurosas no Dr Plausível. Pra isso bastava um CD só, não cinco.

Mas parece infindável, a variedade deste mundo...

04 abril 2005

O ranço, o bolor e o mofo

Dia desses, levei a nosso esfuziante Dr Plausível algumas indagações sobre a irracionalidade embutida em diversos dogmas religiosos e muito me aprazei pelas risadas q inspirei. Tipo,

(1) ¿O q faz um muçulmano qdo viaja pro outro lado do mundo ao exato antípoda de Meca? ¿Ele fica desnorteado e reza de cabeça pra baixo?
(2) ¿Qual é a propriedade mística q falta ou sobra à carne de porco pra q um judeu não possa se alimentar dela?
(3) ¿Por que é q uma pessoa com escroto, pênis e mamilos magros pode rezar missa católica e uma pessoa com vagina, útero e mamilos gordos não pode?

É triste mas é verdade q já não há esperança de curar as religiões de suas hipoplausibiloses. O Dr Plausível ri, mas dum riso abnegado. Entre bufadas e escarroteios, ele explica num tom meio melancólico q as religiões mais bem sucedidas são justamente aquelas q têm mais regras e restrições, e q estas foram criadas e disseminadas qdo havia escrita mas não conhecimento, qdo havia tradições mas não ciência. Só podia dar nhaca, pois com tantas regras e restrições, fica óbvio q estas são um fim em si mesmo, ¿ora pois não?

Mas, ¡ó ranço dos ritos! ¡ó mofo das massas!, não há tratamento plausoterápico q resolva isso.

26 fevereiro 2005

Shakespeare acochambrado

Nosso expressivo Dr Plausível é um dos mais entusiásticos defensores, promotores ou enfatizadores da necessidade imperiosa de se cultivar, diversificar e sofisticar a cultura brasileira.

Porque, putzcarraldo, imitar é uma coisa q o brasileiro não faz bem.

Um dos filmes favoritos do Dr Plausível é Shakespeare apaixonado, q ganhou o Plausuto de Ouro no Festival Internacional de Cinema Plausível de 1999. Ele sempre o vê como Shakespeare in love, mas dois dias atrás estava a fim dumas risadas e viu uma versão dublada no canal TNT.

Pausa pra rir.

RARARARARAQUAHAHAHAQUA
HAKAKAKAKAKAcofQUAQUAQUA
QUAHAHAHAHARARARAKAKAKAK...&c

Mprêssionante.

Deu a exata impressão de q alguns adolescentes cariocas com vozes parecidas, malemolência, dicção ruim, zero em modulação vocal, nenhum senso dramático, compreensão nula e dialética inexistente juntaram-se pra se divertir fazendo teatrinho numa tarde nublada, e a idéia de dublar um filme surgiu, mais ou menos assim:

Tátchie: Êi, ¿puorhquiê quiea giêntchie num faij umae dublagein djium fíelmie?
Cadúâ: ¡Goashtêie! Marh ¿quie fielmie, puô?
Tátchie: Ah, sei lá, véi, shcólhi qualqué um aêa.
Berhnarhdjinhuô: ¿Qui tal o Tchietaníquie?
Alíecie: Ah nãoâ, si a gientchie fizé o Tchietaníquie, com cierhtêzae eu vo chorarhh.
Fielíepie: Tão vamo fazê o Cheiquishpíerapaixonáduâ.
Tátchie: ¡Maniêruô! Iêsse aiêa tchinha tuoduo pra dá cérhtuâ.

O resultado ficou uma gororoba de dar dó. Usaram uma tradução até q razoável pra uma encenação colegial. Mas qdo vc põe uma turma dessas pra falar contra o relógio, só pode virar uma maçaroca esvaziada, bisonha e platafórmica. Eles pegaram uma história cheia de subtextos, um texto repleto de minúcias e atuações carregadas de meandros, e simplesmente não viram nada além duma seqüência de palavras. Às vezes alguém dubla mais alto, às vezes mais triste ou mais alegre, e aí está. Foi como ler uma receita dum prato sofisticado, complexo e delicioso, e então jogar tudo num liqüidificador: ¿ué, não é a mesma coisa? - ¿não vai virar tudo bolo digestivo na barriga? Pobre povão brasileiro, q se vê bombardeado por produções estrangeiras esvaídas de sentido e significância por filtros desse quilate. Por isso é q o Dr Plausível ri mas também procura estimular o brasileiro a complexificar a própria cultura, refinando-a e aumentando seus riscos.

Mas ¡ó hirtos histriões! ¡ó chucro cheikspir!, ninguém é de ferro: nosso econômico doutor foi dormir rindo, acordou rindo e passou um dia agradabilíssimo recordando a inocente ignorância de sua vida pregressa.

15 fevereiro 2005

E o doutor ficou sério de repente...

Recentemente, um dos inúmeros leitores assíduos deste blogue perguntou a nosso estratosférico doutor qual é a diferença entre 'inteligente' e 'plausível'. Por alguma razão q me escapa, 'plausível' é comumente confundida com 'coerente', 'verossímil', 'consistente', 'honesto', 'justo'. Há até os leitores q —vítimas da escassez de unidades semânticas abstratas no português corrente e da confusão generalizada sobre o significado útil das existentes— mal-interpretam o atendimento humanitário prestado pelo bom doutor e conseqüentemente ¡nela não vêem benefício algum! Mas esta é a primeira vez q um leitor vai direto à fonte e se pergunta o q haverá de inteligente no plausível e o q de plausível no inteligente. Como se trata dum leitor daqueles q realmente prestam atenção e geralmente não dão bola fora ao comentar, fui perguntar ao próprio Dr Plausível q catso de distinção se pode fazer entre duas coisas tão díspares. Embasbacaram meu entediante cérebro as sábias palavras explicatórias do enlevante pensador —motivo pelo qual as resumo aqui:

Em português, 'inteligência' tem dois sentidos principais, digamos inteligência.1 e inteligência.2. A .1 expressa um fato, a .2 um juízo. Até mesmo um mongolóide pode ser chamado de 'inteligente.1' qdo essa palavra expressa o fato de q ele utiliza computações neuronais pra lidar com o mundo físico, por mais toscamente. Fala-se da inteligência.1 de macacos, golfinhos e cães, e pode-se até calcular o grau de inteligência.1 de formigas e lesmas. 'Inteligência' aqui é uma medida como 'distância' ou 'peso', e se aplica aos seres vivos. É a capacidade de inteligir, verbo este muito utilizado pelo doutor qdo volta de suas caminhadas filosóficas.

O outro sentido de 'inteligência' pretensamente expressa um valor absoluto. Qdo se diz q fulano é 'inteligente.2' ou 'muito inteligente.2', o sentido está mais pra 'arguto' ou 'perspicaz'. Digo 'pretensamente' no mesmo sentido em q palavras como 'distante' e 'pesado' pretensamente expressam valores absolutos. Por exemplo, o Manuel não consegue carregar uma mala e diz: "Tá muito pesado." O Joaquim fica intrigado: "¿Pesado como um trem, como uma montanha, ou como a Lua sobre a superfície de Urano?" E o Manuel esclarece: "Pesado como acima do peso q me permitiria carregá-lo." Do mesmo modo, diz-se q uma pessoa é 'inteligente.2' se seu grau de inteligência.1 lhe permite resolver um problema, e 'muito inteligente.2' se lhe permite resolvê-lo com uma facilidade acima do esperado.

Ora, assim como só pode haver distância onde há espaço, também só pode haver plausibilidade onde há inteligência.1 e comunicação de idéias. Por si só, um fato não tem como ser plausível ou implausível: só se pode diagnosticar a plausibilidade de relatos, crenças e teorias. Estes podem ser explícitos (como num filme) ou implícitos (como num slogan). Relatos, crenças e teorias são plausíveis se são contíguos à realidade, ou seja, se sua continuidade interna é semelhante à continuidade da realidade. Por exemplo, uma história em quadrinhos de ficção científica pode ser inverossímil, incoerente e desonesta. Mas ao mesmo tempo pode ser perfeitamente plausível, contanto q logo de início explicite a moldura mental em q vai se desenrolar e não saia dela: o q acontece num momento tem q levar ao q acontece depois (para a diferença entre 'coerente' e 'plausível', leia aqui). Igualmente com as crenças e teorias. A implausibilidade destas é tanto mais visível qto mais sua estrutura se aproxima da continuidade oleosa da ficção mal feita, daquela lubrificância em q toda questão incômoda escorrega e some.

Plausibilidade nada tem a ver com inteligência.2. Até mesmo um retardado pode produzir relatos ou ter crenças absolutamente plausíveis. No entanto, a detecção de implausibilidades (explícitas ou implícitas, próprias ou alheias), essa sim requer uma certa inteligência.2. No caso das implausibilidades próprias, sua eliminação requer não apenas inteligência.2 mas honestidade, humanismo, e em certos casos conhecimento cru e desentupido. Digo isso porque o q se vê em todas as frentes de comunicação são produtores de grande inteligência vomitando, regurgitando e cagando hipoplausibiloses aos borbotões —às vezes por desleixo, às vezes por desinteresse, mas também às vezes por pura má-fé. A reação de nosso essencial luminar aos efeitos da hipoplausibilose é, dado o poder dos midieiros, a única plausível: gargalhar, destrambelhar-se de rir da empáfia emocional, da petulância cultural e do bolor intelectual q toda essa gente sem escrúpulos, sem cuidado ou sem inteligência.2 pensa q está conseguindo esconder.

06 fevereiro 2005

A passeio com o doutor

Nosso educativo Dr Plausível sempre gostou de caminhar pelas ruas da cidade. É o q fazia regularmente antes de ficar aqueles meses em coma; e agora, caminhar é o q seu médico aconselha. Só q não dá. O coma foi causado pelas gargalhadas irreprimíveis, e pra andar pelas ruas sem gargalhar a cada quarteirão ele teria q morar no Japão, pra não entender os cartazes, anúncios, placas e vitrines.

Domingo passado, saí com ele a passeio e vi q realmente é difícil não rir. Vejam só:

Na vitrine dum restaurante chinês:

HOMENS - 6,00
MULHERES - 5,00
MARMITEX - 5,00

Ã?? ¿Será 'marmitex' alguma gíria chinesa pra homossexual? ¿Vamos regulamentar o casamento marmitex, o casamento vale-tudo enlatado em banho-maria? E se nosso econômico filantropo e eu entrássemos no chinês de mãos dadas e declarássemos nosso desejo por um almoço marmitex, ¿pagaríamos apenas R$10 em vez de R$12? ¡¡QUANG-QUANG-QUANG-QUANG-QUANG!!

No quarteirão seguinte, um bulbo luminoso à entrada dum bar anuncia

Aqui tem
BOHEMIA
Desde 1853

Ãã???? ¿Como é q é? ¿Aquele barzinho fuleiro existe há 150 anos? Cacilda!! E se fosse só esse, seria plausível. Mas acontece q trocentos outros barzinhos de SPaulo "existem" desde 1853. Alguém devia pesquisar pra saber o q fez o governo daquela época pra conseguir incentivar tanta gente a abrir botequins tão longevos.

Mais um quarteirão, e um autidór - q eu nem entendi o q anuncia - diz em letras garrafais

MULHERES, IGNOREM ESTE ANÚNCIO.

Ããã?????? E aí aparece a mensagem do autidór em letrinhas menorzinhas num canto. ¡¿Q é q é isso?! Parece coisa de amador esquizofrênico. Primeiro, q o cartaz pede às mulheres q ignorem algo q já leram até o fim, pois o resto do anúncio parece expediente. Segundo, q é impossível prestar atenção no resto da mensagem, com aquele trambolho lógico estatelado no meio do campo de visão. E por último, ¿quem é q vai ficar lendo letrinhas em autidór, minha gente? ¡Esse pessoal de propaganda parece q bebeu, sô!

O Dr Plausível já estava quase se arrastando pela calçada, qdo veio o golpe de misericórdia q me fez colocá-lo de olhos vendados num táxi e levá-lo de volta pra casa: numa banca um cartaz anuncia q, se vc fizer não sei o quê com o jornal Agora São Paulo, vc ganha um dicionário Michaelis Espanhol-Português. Na borda do cartaz, algum gênio de marketing colocou

PROMOÇÃO VÁLIDA A PARTIR DE 31/1 OU ENQUANTO DURAREM OS ESTOQUES

Ãããã???????? Esse pessoal deve viver num loop do espaço-tempo. Pois ¡¿como é q pode a promoção ser válida a partir daquela data ou até acabar o estoque?! KAKAKAKAKAKA!!

Meu, esses três últimos não são anúncios em cidadezinhas do interior, como aqueles no Anguished English do Lederer: são coisas de Sumpaulo, onde supostamente se encontra o melhor repositório de lógica, perspicácia e sagacidade deste país. Esse pessoal precisa urgententemente começar uma prolongada e exaustiva plausoterapia, pois se esse grau de hipoplausibilose nem é notado, deve ser porque o país está afundando na própria incontinência. Ainda por cima, simplesmente não podem continuar ameaçando assim o bem-estar de nosso efúlgeo doutor. É cruel demais. Aproveitam-se de sua mente epifânica pra minar seu frágil físico. Maldade.

19 janeiro 2005

Ingrêis é essenciar (2)

Tem um tal de "editau de selessão" rondando por aí, pretensamente tirando sarrito do Itamaraty ao fazer um linque mental entre a ortografia 'pobre' do brasileiro médio e o monoglotismo do Lula, prestando lip-service pra essa meléia toda sobre a necessidade ou não de diplomata falar inglês.

O Dr Plausível, como sóe ocorrer em situações hilariantes, hilariou-se.

Primeiro, porque a sátira do "editau" erra feio de alvo. O grande problema do ensino e prática de português não tem nada a ver com ortografia, q é uma questão mais dialetal do q de ensino. Faça o teste: ignore o dialeto ortográfico do texto, e vai ver q ele está muitíssimo bem escrito: todos os raciocínios estão bem concatenados, nada falta e nada sobra. A única razão pra o autor achar q estava satirizando alguma coisa é q entre os brasileiros letrados há uma mentalidade de rebanho q utiliza a ortografia como um ícone unificador e exclusor.

O texto seria mais a propósito se satirizasse outras deficiências dos usuários ignotos da língua - por exemplo, (1) qdo não conseguem escrever três idéias seguidas sem incorrer em non-sequiturs, incoerências, hipoplausibiloses e outros problemas de lógica e bom-senso; e (2) qdo as deficiências vocabulares e estruturais do próprio português são obstáculos contra a expressão de idéias novas. Leia o q já foi dito sobre isso neste blogue.

Segundo, porque nosso enlevado doutor acha tudo isso jogo de gandula. Pra quem já não está encaminhado, o curso do Instituto Rio Branco é q nem programa de calouros ou Casa dos Artistas – esses eventos usados pra promover aspirantes de segundo e terceiro escalão. Programas como a CdA ou o BBB foram criados porque as emissoras são rondadas diáriamente por aspirantes pouco talentosos enchendo o saco pra aparecer na tv como artistas. ¿Q fazer com toda essa gente? Cria-se um programa q os coloca em evidência pra ver se "pegam". Por outro lado, os artistas de real talento ou de robusto cartucho já vão dando lucro às emissoras e gravadoras desde a adolescência, e não precisam fazer provinhas.

O IRB, sinto dizê-lo, é quase a mesma coisa. Existe pra tentar pescar um ou outro aspirante entre os já cartuchados e sabidamente talentosos poliglotas. Além disso, assim como a maioria dos formados em CdA ou BBB saem da notoriedade pro anonimato em menos de um mês, também a maioria dos ditos "diplomatas" do IRB saem de lá pra virar auxiliar de sub-cônsul em países como a Ucrânia, onde só precisa do inglês pra entender filme legendado em ucraniano na tv a cabo. É triste mas é verdade. Pois lo que la naturaleza no da, Salamanca no presta.

Então ¿pra quê todo esse fuzuê? ¿Será q já não bolaram essa alteração na prova pra q a imprensa e o povão incauto associasse tudo ao célebre e mal-falado monoglotismo do braz-prez?

18 dezembro 2004

Refugo

Ontem fiquei horas acalmando o Dr Plausível. Ele ria, ria, ria, e eu perguntava o q era tão engraçado, e ele tentava falar, engasgava de rir, chorava de rir. Fiquei apavorado. Achei q ele ia entrar em coma de novo e aí eu não ia ter mais do q escrever. Só à tarde consegui entender. ¡Ele estava rindo depois de ler um artigo meu em outro blogue! ¡Quanta honra! Ele riu mais da parte em q, falando da pomposidade de quem se acha culto, comparei dois dicionários de sinônimos. Como não tenho nada mais pra dizer, transcrevo aqui o trecho q quase levou nosso doutor de volta à UTI:

POMPA É BOMBA
Comparem as introduções de dois dicionários de sinônimos, o inglês Thesaurus de bolso da Oxford e o brasileiro Houaiss de Sinônimos e Antônimos. Em número de verbetes, são quase análogos: o Oxford tem "150,000 alternative words", e o Houaiss tem "187.000 sinônimos".

Esta é minha tradução da introdução completa do Oxford:

"Um dicionário de sinônimos é feito para ajudar você a encontrar as palavras de que precisa para se expressar com mais eficácia e tornar seus escritos mais interessantes. Este dicionário foi elaborado para combinar o máximo de facilidade com o máximo de auxílio que seu pequeno formato possibilita. A gama de sinônimos e de outras informações incluídas aqui é mais ampla do que seria de se esperar num livro deste tamanho. Os verbetes estão dispostos em ordem alfabética, e a organização de cada verbete é simples e em grande parte auto-explicativa. Geralmente, você encontrará o que quer no verbete em que procurar, mas às vezes será necessário cruzar informações com outros verbetes se você precisar de antônimos, ou se você estiver procurando uma gama maior de palavras.

"Ao utilizar um dicionário de sinônimos, deve-se tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, nenhuma lista de sinônimos pode ser considerada 'completa'. Muitas listas poderiam ser estendidas - algumas quase indefinidamente. Considere, por exemplo, a variedade de palavras que poderíamos usar em lugar de (digamos) bom ou agradável. Em segundo lugar, raramente no inglês duas palavras são totalmente intercambiáveis. Os assim chamados sinônimos podem expressar nuances distintas de significado, ou pertencer a contextos diferentes, ou implicar em sinais diferentes sobre o escritor ou o leitor-alvo - e assim por diante. Espero, portanto, que este volume se torne um recurso útil, mas não somente como um repositório sem vida de "palavras para usar": minha principal esperança é que um dicionário de sinônimos - mesmo um pequeno como este - nos incite a pensar sobre a língua, e nos torne capazes de explorar mais profundamente nosso próprio conhecimento e compreensão de seus complexos processos."
Alan Spooner

Só isso. 280 palavras (na tradução).

Já a introdução do Houaiss, de Mauro de Salles Villar, estende-se por 4½ páginas. Não vou encher vosso saco. Só vou citar algumas partes, pra vcs sentirem o baque:

"Desde a Antigüidade os homens interrogam-se sobre a origem das palavras e sua significação. Heródoto, Platão, Aristóteles, Cícero, Lucrécio, Plutarco, Plotino, e os gramáticos Varrão (que codificou a gramática latina no século I a.C.), Sexto Festo e Nônio Marcelo estão entre aqueles que escreveram sobre tais questões. Foi, porém, Demócrito, pai da teoria atômica do universo e prógono das teorias de indestrutibilidade da matéria e da conservação de energia, quem primeiro registrou, pelo remoto século IV a.C, os fenômenos da polissemia (multiplicidade de sentidos numa só palavra ou locução) e da sinonímia (relação de sentido entre dois ou mais vocábulos ou locuções cuja significação é a mesma ou muito próxima)."

E dá-lhe parágrafos de rocambolices históricas. Mais adiante:

"A noção de SINÔNIMO é polissêmica, e sobre ela escreveu M. Tutescu (Précis de semantique française, Paris, Klincksieck, 1975, citado por D.A. Cruse) tratar-se da "relação semântica que mais tinta fez correr, a relação que o bom senso estima ser clara, mas que os lógicos não cessam de proclamar como martirizante". Sinônimos absolutos denominam-se aqueles capazes de se permutar em qualquer frase, pelo fato de denotarem e conotarem de modo igual a mesma realidade. (...) Na metaliguagem empregada pelos dicionários de tipo semasiológico, por seu lado, a cada unidade léxica deve equivaler uma paráfrase (...) cuja perfeição é medida em relação à sua maior ou menor possibilidade de se permutar em qualquer contexto com a unidade léxica definida."

E por aí vai. 2.400 palavras de chatice totalmente irrelevante pra 99,99% dos usuários do dicionário. É 'sinônimo perifrástico' pra cá, 'valor disfêmico' pra lá. Nenhum comentário simples, nenhuma frase inspiradora, nada além duma secura descritiva, um ar professoral, uma tentativa quase desesperada de mostrar q o assunto tá dominado e q o Houaiss não foi compilado de qqer jeito, não: ¡teve muita pesquisa, muito discernimento, muita seriedade! É tanta demonstração de erudição, tanta asserção de coerência, q até se desconfia o oposto: o Spooner, com sua simplicidade, parece gostar mais de filologia do q o Salles Villar.

É óbvio q não quero comparar a qualidade dos dois dicionários nem a erudição de seus redatores. Mas as perguntas q me faço tbm são óbvias: ¿Q motivo levaria um redator a achar necessário ou apropriado ou oportuno escrever algo q só 0,01% de seus usuários apreciariam devidamente? ¿Por que a editora consentiu a q o redator pavoneasse seus conhecimentos em lugar de servir ao público com uma introdução sucinta e animadora?

As respostas, só eles sabem. Mas arrisco q certamente têm algo a ver com a opinião q eles fazem dos leitores brasileiros, aqueles coitadinhos q precisam dum pouco mais de cultura, q mal sabem juntar três palavras corretamente. É justamente esse um dos principais motivos por que os coitadinhos não leiam mais: a pose do escritor, aquela pose arrebicada q não engana ninguém.

Sobre a introdução do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, melhor eu nem falar. Pra vcs terem uma idéia, tem nela uma palavra usada num sentido q ¡nem sequer consta no próprio dicionário!

13 dezembro 2004

¿De quem são os ovos de Colombo?

Esta é de matar de rir.

A suprema corte da Colômbia determinou q um marido é responsável por qqer filho de sua esposa, mesmo q o barrigudinho seja filho natural de outro homem. Leia aqui.

HAHAHAHAHAHAHA

O argumento é q o filho e as famílias envolvidas têm o direito de não saber da traição da mãe e de sua gestação adúltera. ¡Ah, façam-me o favor!

¡Pois esse pessoal não pensa! Uma coisa q aparentemente favorece a esposa é na verdade sua sentença de morte ou de desamparo. Pois vejam só. Eu, casado com fulana, tenho certeza de q ela me traiu com outro homem e teve um filho dele: o barrigudinho q está aí mamando de meu orçamento. ¿Q faço? Das duas, uma. Ou mato essa vadia desgraçada e seu filho da puta e fujo pro Brasil, ou simplesmente junto tudo q é meu e fujo pro Brasil.

QUAQUAQUAQUAQUAQUA

E ¿q dizer do filho? Lá pelas tantas, qdo ele faz 25 anos, a mãe num ataque de consciência decide revelar-lhe a verdade. O filho, q tinha o direito de não saber, logicamente tem por isso o direito de processar a mãe até o último centavo por lhe causar danos morais irreparáveis.

KAKAKAKAKAKAKAKA

As "supremas cortes" por aí estão dando vexame, hem? A dos EUA instalou o Arbusto na Casa Branca, a do Brasil está num chove-não-molha vergonhoso sobre o feto anencéfalo, e agora vem essa diretamente da Colômbia.

¡Casbófia das Protubálias!

11 dezembro 2004

O bloguipélago

Nosso empenhado Dr Plausível às vezes não tem absolutamente nada pra fazer. Tadinho. Fica ali na bergère no canto da sala relendo Darwin em voz alta, com seu sorriso Walter Brennan.

Mas outras vezes ele quer mais q sorrir, ele quer só rir (ugh!). Aí ele entra na internêta e surfa por blogues e blogues e mais blogues, rindo, gargalhando, casquinando e... e... ¿já notaram a humilhante escassez de verbos de rir no português?

Bem, voltando ao pô. Uma coisa q faz o Dr Plausível casquinar à tripa forra é ver como cada grupelho q junta mais de dez blogueiros se acha o mais iluminado, o mais influente, o mais genial e o mais central de todo o reino. ¡¡HAHAHAHAHA!! Ninguém nesses grupelhos percebe q está numa ilha q está num arquipélago: o bloguipélago. Há centenas de ilhas, e os habitantes de cada uma delas se acham os mais iluminados, influentes, geniais escritores e os mais promissores de toda a safra da inteligência brasileira: cada bloguilhota tem essa impressão de q "aqui, onde eu estou, é o lugar mais esclarecido da internêta." pffff

Os melhores blogues, de longe, são aqueles dos q têm um barquinho q nunca se atraca em nenhuma ilha: botes e jangadas q se cruzam no oceano, trocam algumas palavras, descem a âncora ao largo das praias, passeiam aqui e ali, e depois saem livres, se divertindo. Têm suas preferências, sim. Mas não se sentem agrupados. Já os bloguilhotas em suas ilhas são seres acossados e inseguros q se reconfortam mutuamente. Pois, pensem bem, meninos: só quem tem pavor de se afogar é q se fixa em ilhas, né?

Contra a hipoplausibilose não há vacina: só há tratamento. E demorado.

05 dezembro 2004

Uísque

Êi, ¿alguém aí era uma das outras 10 pessoas no cinema qdo nosso exigente Dr Plausível viu Whisky? ¡Como tem gente nesta cidade, hein! O doutor ficou impressionadíssimo q tanta gente tenha ido ver um filme totalmente plausível, cuidadoso e genial. O níver tá meiorando; a cada década q passa, mais e mais pessoas percebem a importância do detalhe. Já tem umas 20.

Não sei a opinião daquelas outras 10 pessoas, mas nosso envergadoiro entusiasta concedeu a Whisky o Selo de Garantia Dr Plausível, e com louvor.

Mas não é q o filme seja assim TOtalmente plausível. Aquela do cara triplicar a aposta na roleta dum cassino semi-vazio numa cidade uruguaya de veraneio durante o inverno foi abusar um pouco do... ãã... da sorte. Tinha lá uma boa razão de ser no enredo, mas mesmo assim... E nenhum dos atores nem passaria no vestibular prà Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Mas nesse filme em particular, isso é o de menos, já q a trama gira em torno da estolidez e do tédio. (Hmm... ¿Será por isso q só havia 10 gatos-pingados no cinema?)

Mas tem gente dizendo q esse é forte candidato ao Oscar de filme estrangeiro. É de matar, hem? ¡¡HAHAHAHAHA!! ¿Sabe quando ele vai ganhar um Oscar? Nunca! O pessoal da Academia vai achar chatérrimo. E ainda tem gente dizendo q ele é candidato porque é uma história sobre judeus. ¡¡HAHAHAHAHA!! Ao ver o Jacobo tendo sorte no cassino, vão querer é censurar o filme.

Tem gente q nem fazendo curso, né?

28 novembro 2004

Amanteigados, não!

Nosso estruturado Dr Plausível é realmente um cara pra lá de prafrentex. Ele não só é feminista (apesar de não-contumaz) mas também apóia todo e qqer capricho, desejo, mania ou legítimo anseio, contanto q protegido e vacinado contra o vírus da hipoplausibilose. Se vc quiser se sentar num formigueiro durante 3 horas sussurrando Manuel Bandeira e logo em seguida amputar vossa perna esquerda, fazer churrasco dela e oferecer o petisco à passarinho pros pobres, o doutor diz "Vá em frente. Só não venha me promover isso como cura prà sinusite." E olha q, dizendo assim, parece estapafúrdio, mas com certeza tem alguém no mundo q poderia ser convencido de q essa é realmente a cura prà sinusite. ¡¡HAHAHAHAHAHA!!

Agora vem a gueizada querer casamento gay. ¡¡HAQUAQUAQUAQUA!! A reação dos reacionários só podia ser a q foi e q é. E isso tudo é porque querem chamar alho de bugalho. É como (e já se disse isso várias vezes aqui) vc chamar margarina de manteiga só pra dizer q usa manteiga. Pois vejam só:

¿A união legalizada e regulamentada entre duas pessoas do mesmo sexo é um um conceito novo? É. ¿Está devidamente vacinado e protegido contra a hipoplausibilose? Está. Então pra que cacete (ops) ficar rechafurdando na mesma lama dum conceito antigo, estabelecido e até, digamos, rançoso? ¡Chama de outro nome!

E é pra q o pobrema seja resolvido o qto antes –e todos os gays e lésbicas possam ser felizes pra sempre numa união legalizada, regulamentada e plausível – q nosso eloqüente doutor oferece a todos, gratuitamente!, o belo, expressivo e plausível termo "parelhamento" pra substituir esse horrendo, inútil, polêmico e desgastado termo "casamento gay". É só chamar dum termo novo, é só aumentar o vocabulário do povaréu, q as coisas vão se ajeitando.

Assim, nos formulários do porvir, no ítem "estado civil", haverá mais duas opções: solteiro, estável, casado, parelhado, divorciado, desparelhado, viúvo.

Vejam q frases lindas de morrer:
-¿Vc quer se parelhar comigo?
-O q Deus parelhou, q ninguém desparelhe.
-Cara, esse é o teu terceiro parelhamento. ¿Qdo é q vai sossegar?
-¡Q parelha linda vcs fazem! ¡Feitos um pre outre!
-¡Mas essa biba não tem jeito mesmo, hem! ¡Só pensa em parelhamento!
-Nosso parelhamento já perdeu aquele encanto de antes.
-¡Não me parelho com essa fanchona mas nem morta!

E esse foi mais um serviço de vosso dedicado Dr Plausível.

26 novembro 2004

Nomencracia

Êi, ¿viram o barraco q está a Ucrânia? Vergonha, hem? O Dr Plausível já tinha avisado, "¡Vai dar urucubaca esse negócio!" Eu perguntei, "Mas ¿qual é o problema?" E a clarividência da resposta só poderia ter brotado do gigante cérebro desse visionário: "¿Como é q não vai dar xabu qdo os dois candidatos se chamam Viktor?"

Dá o q pensar, ¿não dá? ¡Imaginem a guerra civil em q teria mergulhado o Brasil se o Serra se chamasse Polvo!

24 novembro 2004

Frique chou

Aqui no Brasil, poucas pessoas sabem o q é o festival de música do canal Eurovision. Pouquíssimas sabem do EuroJunior, o festival pra crianças de entre 8 e 15 anos. E pouquizíssimas já sabem qual vai ser a nova frente de vendas da indústria de cosméticos. Nosso embasado Dr Plausível sabe as três coisas. Vodzêprucê, ¡ô cara informado!

Este ano ganhou o EuroJunior uma espanhola de 9 aninhos chamada María Isabel: uma artista nata, realmente impressionante, uma fúria no palco, uma voz de flamenco já pronta, um arraso total. A engraçadíssima letra da música vencedora - Antes muerta que sencilla (Antes morta q sem-graça) - foi allegedly escrita pela própria María Isabel. Segundo a ãã autora, a música fala dela mesma, de como é vaidosa, não sai na rua sem maquiagem e não liga pra o q dizem dela. Veja o vídeo e a letra. (Aviso: aos olhos brasileiros, vai parecer um freak show.)

Mas cá entre nós. À parte o seriíssimo e visível talento da moleca, o Dr Plausível só dá risada. Ano q vem, todas as cosmetarias vão lançar produtos pra pré-púberes. Afinal, as meninas também têm todo o direito de se sentir bem consigo mesmas e com seus corpinhos, não? ¡¡RARARARARA!! E o preconceito contra a feiúra das menininhas é muitíssimo mais sério q o contra a das adultas, não é? A crueldade infantil é notória, não é? E se as menininhas de 8 anos podem aumentar seu poder de sedução, melhorar sua auto-estima e potencializar seu diferencial de conquista, ¿por que não? Aprender desde cedo a cuidar de si seria bastante educacional, não? ¡¡pfffrrrRUÁRUÁRUÁRUÁffmmm!!

É pra facilitar a vida dessas crianças q a Lancôme vai lançar um creme hidratante infantil com o revolucionário mXL-09, q não agride a pele pré-púbere, justamente na época da vida em q ela precisa se preparar pràs grandes mudanças q virão... Já a BodyShop vai lançar o desfibrilador facial com glucomostóide de amendoim, o componente ativo nas pinturas faciais das crianças da tribo Finhoquós do Camboja.... E a Clinique vai apostar numa linha completa de cosméticos infantis de última geração q promete amenizar as marcas da idade, preservar a infantilidade da pele e permitir q as meninas brinquem, dancem, chorem e se lambuzem de chocolate sem perder o charme...

Haja saco.

¡E isso q nem falei dos cosméticos masculininhos!