Alguns dias atrás, um leitor defendeu o “crescimento da economia”. Haja esperança, hein?
Basta o vírus da hipoplausibilose mostrar sua carinha, q nosso esterlino terapeuta se empapola duma comiseração quase avuncular pelo infectado. Pois ¿como é possível um animal racional defender uma balela tão patética? Nem preciso dizer q concordo com o doutor qdo declara q «o crescimento econômico é o aprendiz de feiticeiro Mickey em pânico vendo a proliferação de vassouras, q ele mesmo causou».
À primeira vista, o crescimento econômico parece bom e saudável. Pois ¿não é o pogréssio o q permite q mais e mais pessoas vivam bem e produtivamente? Durante o governo FHC, um dono de construtora conhecido meu sempre ralhava contra a política de moradia. Pra ele, um governo q não estimula a construção civil tbm não estimula o crescimento, pois «quem casa quer casa, e quem tem casa compra geladeira, fogão, movéis, telefone, todas essas coisas q
são a economia; ou seja, estimulando a construção civil, estimula-se toda a economia» até a fábrica de alfinetes Smith.
Mas o Dr Plausível ri às bandeiras despregadas de tudo isso: esse papo de crescimento da economia é tudo papagaiada hipoplausibilética. A economia não cresce: ela
aumenta. O “crescimento” da economia
depende da produção incansável de bebês pobres, q vão paulatinamente virando adultos e acumulando produtos. O problema da pobreza nunca vai ser solucionado pois o desenvolvimento depende da existência permanente dum lastro de população carente e esperançosa, e esta sempre será mais numerosa q o resto.
(Tbm sempre vai haver quem diga, “mas olha a Zoropa: o ‘crescimento’ da economia Zoropéia foi muito maior q o aumento populacional no continente Zoropeu”. O doutor sorri: “É claro, meu netinho, a Zoropa terceirizou a produção de bebês pobres pro terceiro mundo. HAHAHAHAHAHAHAHA” E eu adiciono: a Zoropa cinicamente disseminou desejos de consumo de produtos Zoropeus. Pois olhem bem pro Brasil, senhoras e senhores: quase nada do q dá dinheiro aqui foi criado aqui. Olhe a tua volta, minha senhora; veja se descobre algum produto q tenha sido idealizado, criado e desenvolvido no Brasil. Quase não os há. Olhe lá fora na rua, meu senhor; veja se encontra algo industrializado q não pague ou não tenha pago
royalties a zoropeus, zeuaenses ou japoneses.
No los hay. Tire a Zoropa do mapa e o terceiro mundo volta ao século XIX. Tire o terceiro mundo do mapa e a Zoropa abre falência. O terceiro mundo nunca vai ter um desenvolvimento comparável pois não há um quarto mundo a descobrir e explorar, e onde terceirizar os bebês.)
O pogréssio q se vê hoje foi unicamente em função do aumento populacional: tem cada vez mais gente suando a camisa pra comprar produtinhos cada vez mais padronizados e desbastados de longevidade. O único motivo de hoje haver mais gente “bem-sucedida” é q há mais gente no mundo, simplesmente.
E acho q todos sabemos o q significa, pra cada um de nós pessoalmente, o “crescimento” econômico: mais gente, mais apinhação, mais devastação, mais mediocridade, mais caos, mais desrespeito, mais arbitrariedade, mais barulho, mais epidemias, mais ignorantes, mais emporcalhação, mais desordem, mais canalhices, mais erros, mais cagadas homéricas, mais animais extintos, mais ruídos, mais calhordas, mais neuroses, mais congestionamentos, mais drogas, mais conflitos, mais invasões, mais propagandas, mais destruição, mais insanidade, mais desaforos, mais acidentes, mais esnobes, mais buzinaços, mais lixo, mais desflorestamento, mais baderna, mais ladroeira, mais cretinos, mais vícios, mais disputas, mais medos, mais sujeira, mais guerras, mais trapalhadas, mais incêndios, mais ocupação de terras, mais tráfico de animais, mais confusão, mais gritaria, mais sacanagens, mais arruaças, mais obscenidade, mais gente burra, mais rojões, mais divergências, mais mentiras, mais distância entre o Estado e o Povo.
O Dr Plausível, em sua benevolência de vovô, tem dó de gente.