08 outubro 2005

P1a: preconceitos sem ibope [1/3]

Abaixo, um resumo da primeira parte da palestra do Dr Plausível sobre a preconceitada toda.

« Jendia, 'preconceito' é palavrão. E já faz um tempo. Os mais mencionados – o 'de gênero' e 'de raça' – ganham todo o ibope mas, por outro lado, abundam, florescem e medram sem peias ou freias o preconceito contra a feiúra e o contra a burrice – preconceitos estes muito mais insidiosos, daninhos e generalizados. Tá cheio de gente atacando o racismo e o sexismo, mas nada se diz sobre o burricismo ou o feiurismo, q são valorizados e tomados como prova de bom-senso. Nunca se vê gente bonita defendendo o direito de ser feio, ou gente inteligente se misturando com gente burra. Vem um e diz "beleza é fundamental" e recebe de gente burra louros de poeta. Vem outro e diz "não suporto gente burra" e todos a sua volta meneiam suas caras feias.

« Êta aporréia.

« Dir-se-ia q o maior motivo pra isso é q, bom, 99% da humanidade é burra ou feia, ou burra E feia. Mas ué? Preconceito contra minorias não pode, mas ¿contra maiorias pode? Porque desse quase ninguém se salva. HAHAHAHAHAHA

« Dizem q opinião é q nem cu: todo mundo tem um. Preconceito, então, é q nem peido: todo mundo todo dia solta vários em público mas ninguém admite. »

continua...

4 comentários:

Pracimademoá disse...

Essa analogia com cu, opinião e peidos é brilhante. Oscar Wilde ou Bernard Shaw deveriam ter dito algo assim.

Todavia...

A hipoplausibilose não é criticada e até ridicularizada aqui, exatamente como se faz com a burrice?

Pode até não ser isso que acontece aqui, mas que parece, parece.

Aliás, eu me pergunto que diferença poderia haver, sob o ponto de vista de um especialista, entre a hipoplausibilose e a burrice. Onde acabaria uma e começaria a outra?

Alguém que ri às bandeiras despregadas e chega a contagiar aeroportos, como faz o Dr. Plausível diante de situações hipoplausibiléticas, não estaria simplesmente se jubilando com a impressão de própria superioridade em relação a quem manifesta deficiência? E por quê se jubila? Sente-se menos miserável por tabela ao contemplar a inferioridade dos outros?

Seria, então, o blogue de Pabel (o trio) um caso flagrante de pei... digo, preconceito?

Permafrost disse...

Ah, q pena. Parece q vc não leu o texto q escrevi especificamente em resposta a uma pergunta sua sobre a diferença entre plausibilidade e inteligência. Mas ná de ser nada não. Vc pode lê-lo aqui: http://drplausivel.blogspot.com/2005/02/e-o-doutor-ficou-srio-de-repente.html.

Espero q as inquietudes q ora se apoderam de seu ser possam ser dirimidas pela calma luz por trás das doutorais gargalhadas...

:•)

Permafrost disse...

Completando a resposta:

O vírus da hipoplausibilose só ataca obras, não pessoas. A hipoplausibilose não tem nada a ver com burrice. Tem mais a ver com má fé, com preguiça física e mental, com gente na profissão errada e com falta de crítica e auto-crítica. O Dr Plausível nunca ri da doença em si (seria como rir da sífilis), mas da pose de quem acha q suas obras não precisam de tratamento. E, verdade seja dita, da complacência de quem consome obras hipoplausibiléticas.

O doutor ri porque só há duas maneiras de tratar essas pessoas: ignorando-as ou, na impossibilidade disso, rindo delas pra lhes mostrar q tem outros q sabem de sua má fé, preguiças, &c e sabem de seu real valor.

Bom, o doutor tbm ri de tristeza; então não dá pra tirar um base...

Oscar Wilde disse...

"It doesn't have to be true to be plausible."

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