Caros Srs Editores da Folha de São Paulo,
Foi com muita revolta q li vossa matéria de quinta-feira, 26 de fevereiro último, no caderno Cotidiano, sobre as chuvas em SP, matéria q me leva agora a denunciar publicamente a prefeitura desta cidade. São absurdos os desmandos, favoritismos e arbitrariedades desta administração no desempenho de suas atribuições supostamente democráticas. Tenho uma horta em meu quintal e dela tiro grande parte dos alimentos para minha família de 5 pessoas. Igual a mim, dezenas de milhares de moradores nas periferias têm hortas familiares; muitos desses horitcultores chegam a usufruir de seus produtos comercialmente. E não é preciso nenhum diploma universitário para saber que os horticultores precisamos de chuva regularmente. Ora, ¿que direito tem a prefeitura de enviar chuvas exclusivamente para trens e trânsito? ¿que prepotência avassaladora, que corrupção inominável leva um administrador público a arbitrar sobre a chuva – um recurso cada vez mais escasso – e privilegiar tão descaradamente um setor da comunidade, setor este q reconhecidamente polue, incomoda e atrasa a vida de todos, até mesmo sem a chuva? ¡Chega de conchavos com chuva! ¡Toró para todos, já!
Rodoanei Vialho
----
Numa cultura de desmandos e arbitrariedades, um jornal q se diz "de rabo preso com o leitor" encampou alegremente a imbecilidade sangue-de-barata da reforma ortográfica 2009 e se expõe ao ridículo-mor q a escrita duma língua pode alcançar: qdo, pra evitar mal-entedidos, a *ORTOGRAFIA* obriga o escritor a dizer algo diferente do tencionado.
23 comentários:
Muito bem observado...rs
Esses colegas racham minha cara de vergonha...
Gostei do Blog!
É a terceira vez que tento comentar aqui. Esse HaloScan, às vezes, enche o saco.
Seria melhor se houvesse um outra palavra.
Rain stops subway and traffic
Rain for subway and traffic
Mas, neologismo, no Brasil, é sinônimo de invencionismo e/ou burrice. Um pena.
Mas, de qualquer jeito, isso ficou coerente com a fonética da palavra.
Se não criar uma palavra diferente, tanto na escrita, como na pronúncia, o jeito é falar de outra maneira. Subterfúgio.
Acontece que "para" do verbo parar é paraxítona e "para" preposição é átona. A pronúncia é diferente. Essa reforma ortográfica foi de uma idiotice sem igual.
O Haloscan tem tido uns problemas mesmo.
Uma solução pra essa frase é:
"Chuvas param trânsito."
Mas aí é aquilo q disse: por causa da ortografia, vc tem q mudar o q queria dizer.
A Folha fez uma imbecilidade atroz. Agora quero ver voltar atrás. A patroa ouviu hoje um debate no rádio em q alguns dos responsáveis pela idiotice do acordo chegaram a dizer coisas como "o acordo não é ótimo mas é bom", e até "não é um acordo perfeito, e pode ser mudado"...
HAHAHAHAHAHAHA
Ok. Vai ter o Dicionário da Língua Portuguesa Versão 2009, depois o Dicionario da Lingua Portugueza Versao 2015, depois o Diccionariu da Lingua Purtugesa Versam 2030.
Ô traque de cérebro.
Na verdade a frase tem não duas mas três interpretações:
• após feriado, chuva pára trens e trânsito
• mandaram chuva pós-feriado especialmente para trens e trânsito
• após feriado para trens e trânsito, choveu
Legal. Essa terceira interpretação eu não tinha captado.
numtenho
E a pronúncia é diferente? Eu li em voz alta as três interpretações do Permafrost e não vi nenhuma diferença.
Não parece ser possível falar uma palavra sem enfatizar em uma das sílabas. Ou focamos no "Pa" ou no "Ra". Ou falamos "pára" ou "pará".
É a imprensa marrom!
Edmilson,
Na verdade, numtenho tá certo. A atonicidade de 'para' aparece na fala comum; além disso, ela é a causa de essa preposição ser contraída pra 'pra' ou 'pa' na fala. Isso não quer dizer q ela não possa ser enfatizada. É muito comum, qdo alguém tá falando só pra enrolar (político sendo entrevistado, por exemplo), enfatizar as preposições:
"Essa verba DÔ congresso vai PÁRA os gastos NÁ análise DÔS dados."
Isoladamente, 'para' e 'pára' têm a mesma pronúncia, como vc diz. Mas no discurso, a preposição é átona mesmo:
CHUva aPÓS feriAdo para TRENS e TRÂNsito [preposição]
CHUva aPÓS feriAdo PÁra TRENS e TRÂNsito [verbo]
Entendo, é algo mais sutil, e está relacionado ao contexto. À estrutura de acentuação sonora da frase, por assim dizer (se é que existe essa expressão).
Isso me lembrou a estrutura de uma música, em que você tem que perceber a acentuação pra identificar o tipo de compasso. Ok, viajei :P
Valeu pela explicação, permafrost. E numtenho, também.
Sensacional!!! Hiláriante!!!
Não tenho a mínima dúvida: até o último minuto para a transição passar a ser oficial, continuarei escrevendo como aprendi desde tenra idade. Tudo bem, quando eu era moleque apareceram mudanças mínimas e simples de serem incorporadas, como a supressão do acento circunflexo em "ele" (pronome), por exemplo. Foi fácil e fazia sentido. Mas aderir a uma palhaçada comercial para nos roubar dinheiro e ainda aplaudir é, no mínimo, muita falta de real entendimento sobre a "profundidade" do negócio, expressão que aliás combina perfeitamente com a coisa toda. E tem mais: a molecada, que já escreve um português com cara de venusiano ou coisa que o valha ( e não me refiro ao internetês, não, e sim a coisas como "asseitar", "voutar", etc.), vai boiar muito mais do que já bóia atualmente. Mas o máximo mesmo foi a professora de redação do meu menino exigir, sob pena de perda de pontos, que a classe toda escrevesse tudo imediatamente segundo a nova ortografia. Minha senhora, dê uma olhada na legislação e cuide-se para não levar um processo. Caxias!
Hilariante, sem acento. Escrevi "hilário", mas resolvi mudar para "hilariante", e esqueci de tirar o maldito acento.
Ei, ser indignado, conta mais sobre essa profa.
E não liga pro acento em 'hilariante'; se fosse por mim, poria acento em 'cafezinho' e grafaria a contração a+a (à) com trema (ä).
Claro que a pronúncia é diferente. Quando a palavra é átona ela é pronunciada junto com a que lhe segue, como se fosse "paratrens" que é muito diferente de "pára trens"
Nada disso estaria acontencendo se abolíssemos o português e adotássemos a língua de Shakespeare.
Barnabé,
Abolir o português e adotar o inglês, eu não diria. Diria enforcar os gramáticos e adotar o laissez-faire do inglês.
Enforcar os gramáticos! Ehh Muito bom. Mas os imortais, da academia de letras, nós cortamos a cabeça.
cabou?
Ah não. O doutor ainda tá ocupadíssimo tratando um caso gravíssimo de hipoplausibilose, infelizmente em sigilo absoluto. Depois ele volta.
melhor assim. suerte.
Tem que ser um caso muito grave mesmo para monopolizar a atenção do Dr. com tanta hipoplausibilose no mundo.
Caro Doutor,
Volte o mais rápido. Já estou sentindo falta das doses diárias de bom humor.
Abraços mineiros.
Patrícia
Demoá, é um caso complicadíssimo. E ele tá sofrendo: é tão sigiloso q nem gargalhada ele pode dar.
E obrigado, Patrícia. O doutor tá bastante ocupado mesmo. E ele se cansa fácil pois já tá entrado em anos. Talvez não sobreviva até o final deste século.
Retorno os abraços.
Postar um comentário
consulte o doutor