Já tava na hora de falar de homeopatia aqui.
O Plausuto de Prata 2012 vai pro filme holandês
A Caça (“
Jagten”), de Thomas Vinterberg. Não tem absolutamente NADA à ver com homeopatia. Não se menciona produtos homeopático no filme; nenhum personagem toma bolinhas branca; em cena nenhuma aparece nada q siquer remotamente lembre ou referencie ou sugira homeopatia. Si vc quiser esquecer por duas horas de q existe homeopatia sobre a face da Terra, veja
A Caça, q ainda tem a vantagem de ser um excelente filme: não é qqer um q ganha o Plausuto de Prata, não, viu; precisa tomar muito xarope.
O filme narra um episódio na vida dum cara q trabalha numa pré-escola. Uma aluninha duns 4 ou 5 anos conta ä diretora q o cara lhe mostrou seu colossal caralho túrgido e latejante. À partir daí a vida do cara é progressivamente destruída. Òbviamente, a garota não disse “colossal caralho túrgido e latejante”; ela disse “pipi apontando pra cima”. O motivo por quê ela disse isso é excruciante (
Hell has no fury like a little girl scorned.) e as várias etapa do martírio vão se ramificando por todos lado num crescendo de histeria coletiva. Si vc tá pensando em trabalhar com crianças –ou com senhoras hipoplausibilética–, veja antes esse filme.
Vale lembrar q
A Caça NÃO é um filme sobre homeopatia, tá?
Mas ¿que cargas d’água deu neste blogue de falar de homeopatia, q NÃO aparece no filme?
Ok, já vou explicar. É q sesdia nosso eduzinte doutor viu o filme, e tbm sesdia um leitor mencionou homeopatia nos comentário. Nada à ver, uma coisa com a outra. Mas vcs já conhecem nosso humanista, não? Si ele pensasse mais lateralmente, viraria do avesso. Ele mesclou o filme e a menção do leitor, e de repente sacou por quê existe homeopatia. Si vc entender tbm, de quebra vc vai poder extrapolar o raciocínio doutoral pra outras idéia maluca da humanidade.
A homeopatia é um fenômeno lingüístico concretizado através dum ritual.
Não; homeopatia não funciona. Sim; ela é uma babaquice tremenda. Não; não é de psicolingüística e efeito placebo q o doutor tá falando. Ele tá falando de como a idéia da homeopatia surgiu e por quê ela faz tanto sucesso entre o populacho prepedeuta.
Os produto homeopático são feito assim, ó: o homeopata pega uma certa quantidade de substância ativa –sei lá, 10 ml de xarope, só pra exemplificar– e aí ele mistura em 1 litro d’água, fazendo uma diluição de 1 pra 10
2. Aí ele chacoalha, chacoalha, chacoalha até ter certeza de q o xarope tá totalmente diluído. Aí ele pega 10 ml desse líquido e mistura em mais 1 litro d’água e chacoalha, chacoalha, chacoalha &c, fazendo uma diluição de 10
4; aí ele pega *esse* líquido e mistura em *mais* 1 litro d’água &c &c &c e faz isso isso um total de 30 vezes. Ou seja, aqueles 10 ml de xarope terminam diluído à um fator de 1 pra 10
60: 1 molécula de xarope pra cada sesqui-quaqui-decaqui-cuncaqui-sentaqui-xupaquilhão de moléculas de água. ¿Sabe qtos átomo tem no universo visível? 10
80. Qdo ele termina as 30 diluições e tem em mãos um litro de produto homeopático, uma coisa de q ele pode ter certeza quase absoluta é q nesse litro não há siquer uma única molécula de xarope. Xarope é o homeopata.
HAHAHAHAHAHAHA
Mas ¿quê tem isso à ver com lingüística? E ¿quê tem isso à ver com o filme, meudeusdocéu?
Ok, ok; já tamos chegando lá. Olha o q acontece na cabeça do homeopata qdo ele faz a primeira diluição de 1 pra 100: ele pensa “Hmm… Aqui tem xarope.” Qdo ele termina a segunda diluição, será 1 parte de xarope pra cada 10 mil partes d’água. Ele pega um litro da mistura e pensa “Hmm… Belo xarope.” Ao terminar a terceira diluição, qdo é 1 parte de xarope pra cada milhão de partes d’água, ele pensa “Hmm… Xarope do bom, hem.” ¿Quê tá acontecendo? À medida em q a diluição prossege, a palavra ‘xarope’ passa à se referir à cada vez menos xarope na realidade, mas a palavra continua intacta. Ou seja, com o passar do tempo, a palavra ‘xarope’ é potencializada, pois –na cabeça inepta do homeopata– o poder da diluição é cada vez maior, já q a *palavra* vai se referindo à quantidades cada vez menor. A palavra ‘xarope’ continua ali: ela não vai sumir NUNCA, embora o xarope em si já tenha sumido. Ao fim do processo, ela é quase mágica; na cabeça do homeopata, a palavra empresta “existência” à algo q não existe. O processo tornou impossível pensar naquela água sem pensar em xarope.
Qdo fizeram as conta e ficaram sabendo a verdade, os homeopata inventaram q a água tem “memória”, q ela irônicamente retém o *efeito* do xarope, apesar de não sobrar vestígio dele. HAHAHAHAHAHA Na verdade, o efeito do xarope tá é no rótulo, q diz (caso alguém tenha esquecido) “XAROPE”. A palavra nunca vai embora. Através da palavra, o nada “criou” algo.
Em
A Caça, acontece algo similar ao ritual lingüístico homeopático. Num momento de raiva, uma garotinha diz algumas palavrinha de cunho sexual, e por mais q a diretora, as mãe, os pai, a comunidade toda chacoalhem e chacoalhem, por mais q o cara negue e se defenda, as palavrinha não somem NUNCA. Pelo contrário: elas são potencializada pela inépcia dos adulto e por sua inclinação à crer no pior. As palavra se espalham e outras criança começam à contar histórias sexual com o cara, enquanto a imaginação dos adulto extrapola e eles passam à crer q as criança não tão contando tudo q sabem pois os próprio adulto não conseguem confrontar a própria lubricidade. Qdo a menina se dá conta do q desencadeou, ela tenta se desdizer; mas é tarde demais: as palavra “pipi apontando pra cima” emprestaram existência à algo q nunca existiu. Tornou-se impossível pensar no cara e na menina sem a intermediação dum colossal caralho túrgido e latejante.
Irônicamente, qdo tudo é desmentido, resta no cara a memória de ter sido violentamente rejeitado pela comunidade; não sumirá nunca, a memória do efeito q as palavra da menina causaram; pelo resto da vida, o cara será atormentado por seu martírio. As palavrinha dela nunca vão embora. Através das palavra, o nada “criou” algo.
E a questão é essa, não? Pois, assim como a denúncia dramática não resulta em culpa, tampouco a farfúncia homeopática resulta em cura. No tribunal popular assim como na ciência médica, não se pode deixar q a mediação das palavra crie delírios.
Agora quero ver si vc consegue ver
A Caça sem pensar em homeopatia.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
C.Q.D.