Ei, ¿já viram essas muié emancipada, liberal, intelectualizada, &c q ficam tirando sarro, escrachando e arranhando as feministas? ¡¡HAHAHAHAHA!! ¡Coisa mais implausível, sô!
Nosso embevecente Dr Plausível não é um feminista contumaz. Mas nem é preciso ter faro pro vírus da hipoplausibilose pra sacar q absolutamente toda mulher ocidental de hoje tem muito q agradecer às feministas de ontem. A mulher ocidental de hoje pode votar, pode ter qqer emprego, pode ter propriedades, pode herdar e deixar herdeiros, pode fazer faculdade, &c &c, coisas q 150, 100 ou até 50 anos atrás eram reservadas às pessoas com duas bolas entre as pernas; e isso tudo só foi conseguido porque muita feminista teve q lamber sabão. Ajudou q houve progresso tecnológico, é verdade, mas se aquelas feministas não tivessem fincado o pé, hoje haveria carros, computadores, foguetes, micro-ondas e o escambau, mas as mulheres ainda não poderiam votar, ter empregos e propriedades, não poderiam herdar ou deixar herdeiros, nem fazer faculdade, &c &c. Ou ¿vcs acham q os homens iam dar tudo assim de mão beijada? Quem acha q sim está precisando se consultar com o Dr Plausível. ¡¡HAHAHAHA!!
Mas então ¿por que é q essas meia muié escracham as feminista? ¡Gente mais mal-agradecida! É exatamente como se os negros de repente dessem de xingar os abolicionistas. E as muié pensam q o trabalho das feministas já acabou, q já deu, q já tá bom. Como se, pros negros, já tivesse acabado o racismo. Êita. E aí ficam fazendo pouco, esculachando, chamando as feministas de mal-amadas, dando uma de q sabem mais. Êê, acorda!! Muita mulher q hoje escreve contra as feministas só sabe soletrar porque houve feministas q insistiram pra q ela aprendesse. Se depender dessas emancipetes, a mulher de amanhã não vai ter muito q agradecer às feministas de hoje. Porque ¡vai atrapalhar assim lá na casa do caralho! (Ops!)
21 novembro 2004
18 novembro 2004
As câmera nas câmara
Restabelecendo-se após seu prolongado coma, nosso elástico Dr Plausível não pode ter emoções fortes e deu de ficar zanzando pela casa procurando fios pra forrar, ceroulas pra cerzir e louça pra lavar. Às vezes, qdo precisa descansar dessas fatigantes tarefas, vê-se obrigado a assistir a algum programa sub-sináptico na tv; e é por isso q vez ou outra estaciona nos canais políticos.
Dia desses, lá estava nosso elegante pensador vendo uma sessão da câmara federal, qdo retumbou pela rua uma gargalhada como há muito não se ouvia no mundo. PLAAAH-QUA-QUA-QUA-QUA!! HAHAHAHA!! BLAS-BLA-BLA-BLA-BLA!!!
Não era pra menos. O doutor ficou intrigado por que a câmera teimava em focalizar uma pequena cena de cada vez e nunca abria um plano geral. Pouco a pouco, observando o q rolava à volta de quem tinha a palavra, o motivo disso foi ficando evidente. ¿Alguém aí já assistiu a esses canais por mais de 10 minutos? ¡Não admira q este país não vá prà frente! Aquilo é uma baderna permanentemente à beira do caos total. Há alguns microfones espalhados pelo plenário, e qdo um deputado tem a palavra pra (por ironia) levantar uma "questão de ordem", à volta dele ficam uns gatos-pingados de pé olhando pro nada, conversando, rindo. O deputado dirige a palavra ao presidente da câmara, (por ironia) Inocêncio de Oliveira, q fica sentado ali controlando os microfones, ladeado por dois ou três deputados de aparência totalmente enfastiada. Atrás do presidente, duas, três, às vezes quatro assessores de pé ficam ali desviando a atenção dele, enfiando papéis pra ele assinar, cochichando em seu ouvido, &c. Às vezes passa alguém por trás falando num celular. A câmera só focaliza ceninhas pequenas porque se mostrar o plano geral, deve ser deprimente: um monte de gente distribuída ao acaso num salão enorme, cada um cuidando de sua vida. HAHAHAHAHA!!
A maior gargalhada de nosso excelente doutor aconteceu qdo um deputado mineiro falava no púlpito sobre o perigo de dirigir na estrada de BH até sua cidade natal, e lá no finalzinho mandou ver uma pérola deste quilate: "E sendo hoje 16 de novembro, quero parabenizar minha Luciana belezinha q tanta alegria me dá. ¡Um beijo!" Abriu um sorriso de orelha a orelha e saiu de cena. ¡¡QUA-QUA-QUA-QUA-QUA!! ¡Impressionante, não? Dá até pra ver o nobre deputado negociando sua subida ao púlpito naquele dia,
"Pô, dá uma brechinha aí, ô Inocêncio, é o niversário da minha filhinha."
"Mas ¿vc vai falar do quê?"
"Ah, tem uma estrada lá q o pessoal tá me enchendo o saco pra falar..."
"Tão tá. Sobe lá depois do Fulano, q vai dar uma indireta prà sogra."
O mais engraçado mesmo é q vira e mexe tem alguém chamando aquela paçoca de "parlamento". ¡Ê, peraí, parlamento é coisa organizada! Isso é como chamar margarina de manteiga só pra dizer q vc come manteiga. Aquilo q o doutor viu na tv está mais prum parlapatório.
Mas não é curpa dos deputado. Eles são só as vítima de algum ataque de hipoplausibilose idealista q assolou os constituinte. Só pode ter sido isso. Pois ¿quem, em sã consciência, acharia plausível q uma câmara assim montada seria eficiente?
Dia desses, lá estava nosso elegante pensador vendo uma sessão da câmara federal, qdo retumbou pela rua uma gargalhada como há muito não se ouvia no mundo. PLAAAH-QUA-QUA-QUA-QUA!! HAHAHAHA!! BLAS-BLA-BLA-BLA-BLA!!!
Não era pra menos. O doutor ficou intrigado por que a câmera teimava em focalizar uma pequena cena de cada vez e nunca abria um plano geral. Pouco a pouco, observando o q rolava à volta de quem tinha a palavra, o motivo disso foi ficando evidente. ¿Alguém aí já assistiu a esses canais por mais de 10 minutos? ¡Não admira q este país não vá prà frente! Aquilo é uma baderna permanentemente à beira do caos total. Há alguns microfones espalhados pelo plenário, e qdo um deputado tem a palavra pra (por ironia) levantar uma "questão de ordem", à volta dele ficam uns gatos-pingados de pé olhando pro nada, conversando, rindo. O deputado dirige a palavra ao presidente da câmara, (por ironia) Inocêncio de Oliveira, q fica sentado ali controlando os microfones, ladeado por dois ou três deputados de aparência totalmente enfastiada. Atrás do presidente, duas, três, às vezes quatro assessores de pé ficam ali desviando a atenção dele, enfiando papéis pra ele assinar, cochichando em seu ouvido, &c. Às vezes passa alguém por trás falando num celular. A câmera só focaliza ceninhas pequenas porque se mostrar o plano geral, deve ser deprimente: um monte de gente distribuída ao acaso num salão enorme, cada um cuidando de sua vida. HAHAHAHAHA!!
A maior gargalhada de nosso excelente doutor aconteceu qdo um deputado mineiro falava no púlpito sobre o perigo de dirigir na estrada de BH até sua cidade natal, e lá no finalzinho mandou ver uma pérola deste quilate: "E sendo hoje 16 de novembro, quero parabenizar minha Luciana belezinha q tanta alegria me dá. ¡Um beijo!" Abriu um sorriso de orelha a orelha e saiu de cena. ¡¡QUA-QUA-QUA-QUA-QUA!! ¡Impressionante, não? Dá até pra ver o nobre deputado negociando sua subida ao púlpito naquele dia,
"Pô, dá uma brechinha aí, ô Inocêncio, é o niversário da minha filhinha."
"Mas ¿vc vai falar do quê?"
"Ah, tem uma estrada lá q o pessoal tá me enchendo o saco pra falar..."
"Tão tá. Sobe lá depois do Fulano, q vai dar uma indireta prà sogra."
O mais engraçado mesmo é q vira e mexe tem alguém chamando aquela paçoca de "parlamento". ¡Ê, peraí, parlamento é coisa organizada! Isso é como chamar margarina de manteiga só pra dizer q vc come manteiga. Aquilo q o doutor viu na tv está mais prum parlapatório.
Mas não é curpa dos deputado. Eles são só as vítima de algum ataque de hipoplausibilose idealista q assolou os constituinte. Só pode ter sido isso. Pois ¿quem, em sã consciência, acharia plausível q uma câmara assim montada seria eficiente?
11 novembro 2004
É pó, é powder, é o Vim no ralinho
Ei, ¿já notou q muitas canções não são mais q listas?
Alguns anos atrás um jornal paulistano com falta de assunto fez uma enquete com várias personalidades da música e outras artes, q responderam à pergunta "¿Qual a melhor canção brasileira?" ou algo assim. Qual não foi a surpresa do Dr Plausível qdo ganhou de lavada aquele monótono paradigma das letras-lista, "Águas de Março" (Tom Jobim) -setenta e oito ítens, um atrás do outro. O doutor achou engraçadíssimo q uma letra q não diz nada, num ritmo semi-hipnótico, sobreposto a uma harmonia q fica girando em círculos, tenha sido a mais citada entre os enquetados. Cada coisa, não? Como música, "Águas de março" é boa, mas pra ser a melhor canção brasileira teria q empilhar muita pedra.
Uma lista de ítens só é plausível se há algum propósito conteudista. Veja "Every breath you take" (Sting): é uma lista plausível exatamente por falar duma obsessão. É só usar o cucuruto –coisa q antigamente se fazia mais amiúde na mpb. Em "Conversa de botequim", por exemplo, Noel Rosa pedia ao garçom pra:
1 trazer
1a uma boa média
1b um pão com manteiga
1c um gardanapo
1d um copo d'água
2 fechar a porta
3 perguntar o resultado do futebol
4 parar de ficar limpando a mesa
5 pedir ao patrão
5a uma caneta
5b um tinteiro
5c um envelope
5d um cartão
6 trazer
6a um palito
6b um cigarro
7 pedir ao charuteiro
7a uma revista
7b um cinzeiro
7c um isqueiro
8 telefonar pra 344 333
8a pedir um guarda chuva
9 emprestar algum dinheiro
10 pendurar a despesa
O Rosa teve o bom senso de usar um contexto humourístikü: o fato de a letra ser na verdade uma lista de pedidos é exatamente pra mostrar q o freguês é um abusado. ¿Ou tou errado? Hoje parece q pra produzir um grande sucesso é só começar cada verso com a mesma palavra e terminar com alguma rima. HAHAHAHAHA ¡Bico! O único trabalho necessário é pesquisar num dicionário de rimas. ¡Ê preguiça mental, hem! Olha só "Águas de março":
é pau / é pedra / é o fim do caminho / é um resto de toco / é um pouco sozinho
e assim por diante
[total: 78 ítens]
q tem o mesmíssimo enredo q se fosse:
é um / é dois / é trezentos e nove / é duzentos e quatro / quatrocentos e seis
Isso é uma lista porque a ordem dos fatores não obedece a nenhum propósito semântico ou tramático: misture a ordem dos versos e o conteúdo continuará o mesmo. A ordem dos versos é imposta pelas rimas. ¡Q coisa mais sem nada, sô! Olha outra:
COMEÇAR DE NOVO (Ivan Lins, Vitor Martins)
começar de novo e contar comigo
vai valer a pena ter amanhecido
sem o ítem u-um
sem o ítem do-ois
sem o ítem trê-ês
sem o ítem quatroooo
sem o ítem cinco
sem o ítem se-eis
sem o ítem sete
sem o ítem oitoooo
Olha esta de nosso ministro da curtura:
SE EU QUISER FALAR COM DEUS (Gilberto Gil)
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que fazer assim
Tenho que fazer assado
Tenho que fazer aquilo
e assim por diante
[total: 25 ítens]
Essas duas ainda tinham um certo tino legal, tal como a sacadinha metafísica do Gil terminar dizendo "tenho q caminhar decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada do que eu pensava encontrar". Mas as letras mais recentes q são chamadinhas de geniais, ¡vou te contar! Que vergonha. Veja só:
À PRIMEIRA VISTA (Chico César)
quando o ítem um, blablabla
quando o ítem dois, blablabla
quando o ítem três, blablabla
quando o ítem quatro, blablaaaaaa
e assim por diante
[total: 12 ítens]
Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã
Oh! Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã
E esta outra, uma seqüência incoesa de imperativos agrupados pelas rimas:
DO IT (Lenine)
aconteceu o ítem um? faça isto
aconteceu o ítem dois? faça aquilo
aconteceu o ítem três? faça tal coisa
aconteceu o ítem quatro? faça tal outra coisa
e assim por diante
[total: 40 ítens]
¿Quié quié isso, minha gente? fábrica de salsicha? ¡¡HAHAHAHAHA!!
Mas não se engane o leitor: nosso esfíngico doutor tem um respeito quase serviçal por esses compositores. Só q eles fazem composições e composições; e o q o intriga é o gosto por esse tipo de maçaroca em série, essa repetitividade sintática, uma frase após a outra dizendo praticamente a mesma coisa. ¿Será dificuldade de concentração? ¿Déficit de atenção? ¿Será... alguma coisa na língua portuguesa?
Acho q é conseqüência do sucesso fácil. Outros compositores não se rendem assim tão fácil ao público. O Chico Buarque, por exemplo, tbm é um grande listador. Só q ele tem suficiente bom senso pra estruturar muitas de suas listas num todo entrelaçado q parece uma coisa só e muitas vezes não poderia aparecer em outra ordem. Quisera seguissem seu exemplo.
Mas, ¡ó prosaico paralelismo! ¡ó anáforas anencéfalas! ¿Q esperança?
Alguns anos atrás um jornal paulistano com falta de assunto fez uma enquete com várias personalidades da música e outras artes, q responderam à pergunta "¿Qual a melhor canção brasileira?" ou algo assim. Qual não foi a surpresa do Dr Plausível qdo ganhou de lavada aquele monótono paradigma das letras-lista, "Águas de Março" (Tom Jobim) -setenta e oito ítens, um atrás do outro. O doutor achou engraçadíssimo q uma letra q não diz nada, num ritmo semi-hipnótico, sobreposto a uma harmonia q fica girando em círculos, tenha sido a mais citada entre os enquetados. Cada coisa, não? Como música, "Águas de março" é boa, mas pra ser a melhor canção brasileira teria q empilhar muita pedra.
Uma lista de ítens só é plausível se há algum propósito conteudista. Veja "Every breath you take" (Sting): é uma lista plausível exatamente por falar duma obsessão. É só usar o cucuruto –coisa q antigamente se fazia mais amiúde na mpb. Em "Conversa de botequim", por exemplo, Noel Rosa pedia ao garçom pra:
1 trazer
1a uma boa média
1b um pão com manteiga
1c um gardanapo
1d um copo d'água
2 fechar a porta
3 perguntar o resultado do futebol
4 parar de ficar limpando a mesa
5 pedir ao patrão
5a uma caneta
5b um tinteiro
5c um envelope
5d um cartão
6 trazer
6a um palito
6b um cigarro
7 pedir ao charuteiro
7a uma revista
7b um cinzeiro
7c um isqueiro
8 telefonar pra 344 333
8a pedir um guarda chuva
9 emprestar algum dinheiro
10 pendurar a despesa
O Rosa teve o bom senso de usar um contexto humourístikü: o fato de a letra ser na verdade uma lista de pedidos é exatamente pra mostrar q o freguês é um abusado. ¿Ou tou errado? Hoje parece q pra produzir um grande sucesso é só começar cada verso com a mesma palavra e terminar com alguma rima. HAHAHAHAHA ¡Bico! O único trabalho necessário é pesquisar num dicionário de rimas. ¡Ê preguiça mental, hem! Olha só "Águas de março":
é pau / é pedra / é o fim do caminho / é um resto de toco / é um pouco sozinho
e assim por diante
[total: 78 ítens]
q tem o mesmíssimo enredo q se fosse:
é um / é dois / é trezentos e nove / é duzentos e quatro / quatrocentos e seis
Isso é uma lista porque a ordem dos fatores não obedece a nenhum propósito semântico ou tramático: misture a ordem dos versos e o conteúdo continuará o mesmo. A ordem dos versos é imposta pelas rimas. ¡Q coisa mais sem nada, sô! Olha outra:
COMEÇAR DE NOVO (Ivan Lins, Vitor Martins)
começar de novo e contar comigo
vai valer a pena ter amanhecido
sem o ítem u-um
sem o ítem do-ois
sem o ítem trê-ês
sem o ítem quatroooo
sem o ítem cinco
sem o ítem se-eis
sem o ítem sete
sem o ítem oitoooo
Olha esta de nosso ministro da curtura:
SE EU QUISER FALAR COM DEUS (Gilberto Gil)
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que fazer assim
Tenho que fazer assado
Tenho que fazer aquilo
e assim por diante
[total: 25 ítens]
Essas duas ainda tinham um certo tino legal, tal como a sacadinha metafísica do Gil terminar dizendo "tenho q caminhar decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada do que eu pensava encontrar". Mas as letras mais recentes q são chamadinhas de geniais, ¡vou te contar! Que vergonha. Veja só:
À PRIMEIRA VISTA (Chico César)
quando o ítem um, blablabla
quando o ítem dois, blablabla
quando o ítem três, blablabla
quando o ítem quatro, blablaaaaaa
e assim por diante
[total: 12 ítens]
Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã
Oh! Amara, dzaiá, soi, ei, dzaiá, zaia, aiii ingado, rã ã
E esta outra, uma seqüência incoesa de imperativos agrupados pelas rimas:
DO IT (Lenine)
aconteceu o ítem um? faça isto
aconteceu o ítem dois? faça aquilo
aconteceu o ítem três? faça tal coisa
aconteceu o ítem quatro? faça tal outra coisa
e assim por diante
[total: 40 ítens]
¿Quié quié isso, minha gente? fábrica de salsicha? ¡¡HAHAHAHAHA!!
Mas não se engane o leitor: nosso esfíngico doutor tem um respeito quase serviçal por esses compositores. Só q eles fazem composições e composições; e o q o intriga é o gosto por esse tipo de maçaroca em série, essa repetitividade sintática, uma frase após a outra dizendo praticamente a mesma coisa. ¿Será dificuldade de concentração? ¿Déficit de atenção? ¿Será... alguma coisa na língua portuguesa?
Acho q é conseqüência do sucesso fácil. Outros compositores não se rendem assim tão fácil ao público. O Chico Buarque, por exemplo, tbm é um grande listador. Só q ele tem suficiente bom senso pra estruturar muitas de suas listas num todo entrelaçado q parece uma coisa só e muitas vezes não poderia aparecer em outra ordem. Quisera seguissem seu exemplo.
Mas, ¡ó prosaico paralelismo! ¡ó anáforas anencéfalas! ¿Q esperança?
10 novembro 2004
O doutor tira o enfezado da reta
Pra evitar q nosso eclético doutor seja injustamente acusado de ter comparado islâmicos a baratas, é preciso esclarecer umas coisas. O Dr Plausível só disse q o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões apenas no aspecto q tanto o islamismo qto as baratas compartilham: a extraordinária capacidade de sobreviver em condições inóspitas. E se o leitor acha q expressar essa opinião é ofensivo, é porque ainda não ouviu a opinião de nosso empático terapeuta sobre as outras religiões originadas naquela terra infértil.
Só pra manter a discussão num apropriado nível entomológico, considere isto:
O cristianismo é o gafanhoto das religiões: de tempos em tempos, sem motivo aparente, o gafanhoto cristão vira uma praga q invade aos milhões uma região qqer do planeta, dizima sua cultura, devora suas riquezas e ainda fica fazendo aquele barulhinho irritante. Daqui a um século, os iraquianos poderão fazer coro com os africanos: "Antes tínhamos a terra e os cristãos tinham as bíblias. Agora temos as bíblias e eles têm a terra."
O judaísmo é a aranha das religiões: estende uma rede invisível em lugares estratégicos, e qqer inseto q entre em seu território tá ferrado. E ai de quem pisar num de seus oito calos.
Mais do q esclarecer esses pontos, é preciso deixar claro algo fundamental: o Dr Plausível, em seu entusiasmado ecumenismo, nunca poderá ser acusado de preconceito, uma vez q sempre insistiu q qqer vítima, absolutamente qqer vítima, da hipoplausibilose merece todo respeito, consideração e tratamento. Como sempre diz, "o bom de ser agnóstico são as gargalhadas". Mas essas gargalhadas são dirigidas ao vasto edifício erigido pela imbecilidade humana pra justificar algumas metáforas sobre o mundo natural, e não às humildes e ignorantes vítimas dessas religiões, q são convencidas a crer, matar e morrer em prol de tantas idéias implausíveis. A essas vítimas, o Dr Plausível só dirige seu mais compassivo sorriso Walter Brennan.
Só pra manter a discussão num apropriado nível entomológico, considere isto:
O cristianismo é o gafanhoto das religiões: de tempos em tempos, sem motivo aparente, o gafanhoto cristão vira uma praga q invade aos milhões uma região qqer do planeta, dizima sua cultura, devora suas riquezas e ainda fica fazendo aquele barulhinho irritante. Daqui a um século, os iraquianos poderão fazer coro com os africanos: "Antes tínhamos a terra e os cristãos tinham as bíblias. Agora temos as bíblias e eles têm a terra."
O judaísmo é a aranha das religiões: estende uma rede invisível em lugares estratégicos, e qqer inseto q entre em seu território tá ferrado. E ai de quem pisar num de seus oito calos.
Mais do q esclarecer esses pontos, é preciso deixar claro algo fundamental: o Dr Plausível, em seu entusiasmado ecumenismo, nunca poderá ser acusado de preconceito, uma vez q sempre insistiu q qqer vítima, absolutamente qqer vítima, da hipoplausibilose merece todo respeito, consideração e tratamento. Como sempre diz, "o bom de ser agnóstico são as gargalhadas". Mas essas gargalhadas são dirigidas ao vasto edifício erigido pela imbecilidade humana pra justificar algumas metáforas sobre o mundo natural, e não às humildes e ignorantes vítimas dessas religiões, q são convencidas a crer, matar e morrer em prol de tantas idéias implausíveis. A essas vítimas, o Dr Plausível só dirige seu mais compassivo sorriso Walter Brennan.
08 novembro 2004
A palestra do doutor
Alguns dias atrás, no auditório do Instituto Internacional para a Erradicação da Hipoplausibilose, o Dr Plausível proferiu uma palestra intitulada "O Fundamentalismo Islâmico e os Portadores de Pênis Alheios", transcrita abaixo:
"Toda religião pretende de algum modo padronizar o viver de seus seguidores, e para isso as religiões em grande parte se pleiteiam como conjuntos de regras. As regras religiosas são, por assim dizer, uma resposta pseudo-mística à imbecilidade humana. Não poderia ser diferente, pois para q qqer grupo heterogêneo de pessoas seja economicamente viável, é preciso haver regras q controlem as atividades de gente burra, desonesta ou mesquinha - ou seja, a maior parte da população, senão toda ela em algum momento. Qqer gerente ou supervisor num acesso de raiva (e muitos a qqer hora) concordaria com essa definição de 'regra'.
"Mas não é qqer tipo de regra q serve às religiões. C Nordberg-Schulz, em seu livro Genius Loci, citando fenomenólogos cujos nomes não recordo, demonstra q as características básicas das diversas religiões são influenciadas por aspectos geográficos dos locais onde se originaram. Por exemplo, as religiões monoteístas se originaram em locais amplos e pouco variados, onde se vê o céu de horizonte a horizonte - locais tais como o Oriente Médio, as geleiras Árticas e as tundras Asiáticas. Em contrapartida, as crenças politeístas se originaram em regiões acidentadas como a península Helênica, ou de muita vegetação como a Índia e os bosques europeus. Se as religiões são maneiras q os grupos encontraram de adaptar suas vidas às condições dos locais onde viviam, então pode-se dizer q uma religião q perdura num local está muito bem adaptada a ele e aos problemas sociais advindos das condições ali reinantes. Os problemas sociais são atenuados com regras, e embora as fábulas religiosas entretenham o povaréu, o q ele gosta mesmo é das regras derivadas dessas fábulas, se essas regras prometem ou ajudam a estabilizar a vida do grupo. Depois q as regras "pegam", elas acabam se tornando ainda mais potentes q as condições geográficas locais ao determinar a identidade e o comportamento do grupo ali instalado. O q acontece depois, qdo as regras se disseminam extra-localmente, é outra história, geralmente absurda ou ridícula: vê-se desde ingleses convertidos ao islamismo até cariocas celebrando um rito mitraico em pleno verão com a imagem dum velhinho vestindo peles e viajando de trenó.
"É irônico ver tantos conservadores reclamando de religiões q "pararam no tempo", mormente fazendo pouco do islamismo, como se conservar fosse uma qualidade e permanecer imutável fosse um defeito. (Vale dizer q não tenho a menor simpatia por ou empatia com essa religião, o qqer outra em particular.) O fundamentalismo islâmico está tão perfeitamente adaptado ao local onde foi criado, q sofreu poucas modificações desde então: não se pode dizer q 'parou no tempo' porque após sua época áurea não precisou mais modificar-se, e só precisará fazê-lo ou se o ocidente invadir de vez aquela cultura, ou se as condições climáticas e geográficas do Oriente Médio se modificarem - algo q ocorrerá se a poluição industrial (que começou no ocidente, diga-se de passagem) confirmar as previsões de aquecimento global. Se, como se sabe, a barata é o animal melhor adaptado às condições deste planeta (até atravessar o caminho dum sapato) e se o Islã é a religião melhor adaptada à imbecilidade humana tal como se manifesta numa região quente e semi-inóspita (até deparar-se com ideais ocidentais) então o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões desertícolas - com todo respeito tanto pelos islamitas como pelas baratas. Aliás, se os países islâmicos "pararam" no século XV, qual é o problema? Não faz o menor sentido achar q estamos melhor agora do q antes.
"É até compreensível q o atentado ao WTC tenha sido perpetrado por fundamentalistas islâmicos - se é q o foi - qdo se considera as mudanças quase impostas ao mundo islâmico por um credo estrangeiro e estranho ao Islã: o credo da democracia capitalista industrial. Esta já se transformou em religião no ocidente - e uma religião tão sem nexo, provas ou honestidade como qqer outra. Com a mesma veemência com q religiosos invocam a Deus ou Alá, hoje invoca-se a democracia como um conceito abstrato q vai resolver todos os problemas, qdo ao mesmo tempo todos sabemos q democracia real não existe em lugar algum. Muitos islamitas se sentem traídos.
"O q não se diz sobre o abominável atentado é q cada uma das 50 mil pessoas q trabalhavam no WTC tinham orgulho em participar de alguma forma nas decisões q influenciavam cegamente as vidas, costumes e culturas no mundo inteiro. Pode-se no mínimo dizer q, nascida nos EUA ou não, nenhuma das vítimas se ofendia ao ver um adolescente muçulmano trajando t-shirt e blue-jeans, ouvindo ou fazendo uma adaptação grotesca de rap, comendo cheeseburgers, ou utilizando qqer outro objeto cobrável de aculturação. Cada uma daquelas pessoas se orgulhava em trabalhar num dos maiores edifícios já construídos na história, na q talvez seja a cidade mais influente do planeta. Viam-se talvez a si mesmos como os "Masters of the Universe", na expressão cunhada por Tom Wolfe. O q essas cegas decisões globalizantes ignoram contumazmente é q cada lugar tem sua coisa própria, e q é natural q em toda parte se criem radicais imbecis contrariados, pessoas q se outorgam as rédeas dos acontecimentos. Não admira q um "outside-insider" como bin Laden tenha se revoltado (se foi isso mesmo o q houve); como também não admira o bombardeio da mídia ocidental q há décadas "denuncia" e ridiculariza a cultura muçulmana (¿lembra do Indiana Jones fuzilando o árabe q o ameaçava com a cimitarra?). O ser humano é naturalmente imbecil: torna-se radical qdo seu modo de vida lhe parece superior: torna-se contrariado qdo o impedem de gozá-lo a seu bel-prazer. (Os próprios EUA são um caldeirão de radicais imbecis q só não jogam aviões em outros países porque ainda não estão suficientemente contrariados.) O q temos então é a receita da catástrofe: dum lado o orgulho ignorante, do outro a imbecilidade esclarecida. Só pode dar nhaca.
"Ao tentar modificar forçosamente os costumes de qqer região, o rebote é certo e certeiro. Imagine, por exemplo, q algum estrangeiro venha querer forçar você a concordar q comer com talheres é moralmente (ou politicamente, ou economicamente) impróprio e q o certo é comer com um aparelhinho moderno, prático e higiênico que, veja só, ele mesmo vende por uma bagatela. Se você tem a mídia do mundo contando tua história, você joga propaganda no sujeito. Se você não tem, você joga um avião na fábrica de aparelhinhos. É o q os indígenas tupis e tamoios teriam feito a Portugal se houvessem tido a tecnologia; é o q as baratas fariam às fábricas de sapato se soubessem pilotar aviões; é o q algum estadunidense faria à Bahia se o ACM tivesse meios de forçar o tio Sam a comer vatapá.
"Não querendo de forma alguma ser chulo ou ofensivo, mas apenas valendo-me duma idéia bastante expressiva, classifico eufemisticamente a defesa do ideário dos poderosos estadunidenses por estrangeiros idólatras como 'gozar com o pau dos outros', servir de 'porta-pau'. Os jornais brasileiros são porta-pau qdo publicam anonimamente artigos visivelmente (e often mal) traduzidos de jornais "americanos" ou ingleses; a Veja é porta-pau toda vez q traz na capa o mesmíssimo assunto q a Time da semana; o brasileiro médio é um porta-pau qdo prefere ouvir músicas com letra numa língua q não entende; já o brasileiro ãã culto é um porta-pau qdo assina ou compra a versão "latinizada" da Time; e assim por diante passando por todos os porta-pau em todo o mundo q se sentem maiores, mais potentes, mais penetrantes e mais sedutores toda vez q envergam a verga da envergadura estadunidense."
......
Ao terminar a palestra, o Dr Plausível foi entusiasticamente aplaudido de pé por todos os três ouvintes presentes. (Ãã... bom, o porteiro do auditório já estava de pé.)
"Toda religião pretende de algum modo padronizar o viver de seus seguidores, e para isso as religiões em grande parte se pleiteiam como conjuntos de regras. As regras religiosas são, por assim dizer, uma resposta pseudo-mística à imbecilidade humana. Não poderia ser diferente, pois para q qqer grupo heterogêneo de pessoas seja economicamente viável, é preciso haver regras q controlem as atividades de gente burra, desonesta ou mesquinha - ou seja, a maior parte da população, senão toda ela em algum momento. Qqer gerente ou supervisor num acesso de raiva (e muitos a qqer hora) concordaria com essa definição de 'regra'.
"Mas não é qqer tipo de regra q serve às religiões. C Nordberg-Schulz, em seu livro Genius Loci, citando fenomenólogos cujos nomes não recordo, demonstra q as características básicas das diversas religiões são influenciadas por aspectos geográficos dos locais onde se originaram. Por exemplo, as religiões monoteístas se originaram em locais amplos e pouco variados, onde se vê o céu de horizonte a horizonte - locais tais como o Oriente Médio, as geleiras Árticas e as tundras Asiáticas. Em contrapartida, as crenças politeístas se originaram em regiões acidentadas como a península Helênica, ou de muita vegetação como a Índia e os bosques europeus. Se as religiões são maneiras q os grupos encontraram de adaptar suas vidas às condições dos locais onde viviam, então pode-se dizer q uma religião q perdura num local está muito bem adaptada a ele e aos problemas sociais advindos das condições ali reinantes. Os problemas sociais são atenuados com regras, e embora as fábulas religiosas entretenham o povaréu, o q ele gosta mesmo é das regras derivadas dessas fábulas, se essas regras prometem ou ajudam a estabilizar a vida do grupo. Depois q as regras "pegam", elas acabam se tornando ainda mais potentes q as condições geográficas locais ao determinar a identidade e o comportamento do grupo ali instalado. O q acontece depois, qdo as regras se disseminam extra-localmente, é outra história, geralmente absurda ou ridícula: vê-se desde ingleses convertidos ao islamismo até cariocas celebrando um rito mitraico em pleno verão com a imagem dum velhinho vestindo peles e viajando de trenó.
"É irônico ver tantos conservadores reclamando de religiões q "pararam no tempo", mormente fazendo pouco do islamismo, como se conservar fosse uma qualidade e permanecer imutável fosse um defeito. (Vale dizer q não tenho a menor simpatia por ou empatia com essa religião, o qqer outra em particular.) O fundamentalismo islâmico está tão perfeitamente adaptado ao local onde foi criado, q sofreu poucas modificações desde então: não se pode dizer q 'parou no tempo' porque após sua época áurea não precisou mais modificar-se, e só precisará fazê-lo ou se o ocidente invadir de vez aquela cultura, ou se as condições climáticas e geográficas do Oriente Médio se modificarem - algo q ocorrerá se a poluição industrial (que começou no ocidente, diga-se de passagem) confirmar as previsões de aquecimento global. Se, como se sabe, a barata é o animal melhor adaptado às condições deste planeta (até atravessar o caminho dum sapato) e se o Islã é a religião melhor adaptada à imbecilidade humana tal como se manifesta numa região quente e semi-inóspita (até deparar-se com ideais ocidentais) então o fundamentalismo islâmico é a barata das religiões desertícolas - com todo respeito tanto pelos islamitas como pelas baratas. Aliás, se os países islâmicos "pararam" no século XV, qual é o problema? Não faz o menor sentido achar q estamos melhor agora do q antes.
"É até compreensível q o atentado ao WTC tenha sido perpetrado por fundamentalistas islâmicos - se é q o foi - qdo se considera as mudanças quase impostas ao mundo islâmico por um credo estrangeiro e estranho ao Islã: o credo da democracia capitalista industrial. Esta já se transformou em religião no ocidente - e uma religião tão sem nexo, provas ou honestidade como qqer outra. Com a mesma veemência com q religiosos invocam a Deus ou Alá, hoje invoca-se a democracia como um conceito abstrato q vai resolver todos os problemas, qdo ao mesmo tempo todos sabemos q democracia real não existe em lugar algum. Muitos islamitas se sentem traídos.
"O q não se diz sobre o abominável atentado é q cada uma das 50 mil pessoas q trabalhavam no WTC tinham orgulho em participar de alguma forma nas decisões q influenciavam cegamente as vidas, costumes e culturas no mundo inteiro. Pode-se no mínimo dizer q, nascida nos EUA ou não, nenhuma das vítimas se ofendia ao ver um adolescente muçulmano trajando t-shirt e blue-jeans, ouvindo ou fazendo uma adaptação grotesca de rap, comendo cheeseburgers, ou utilizando qqer outro objeto cobrável de aculturação. Cada uma daquelas pessoas se orgulhava em trabalhar num dos maiores edifícios já construídos na história, na q talvez seja a cidade mais influente do planeta. Viam-se talvez a si mesmos como os "Masters of the Universe", na expressão cunhada por Tom Wolfe. O q essas cegas decisões globalizantes ignoram contumazmente é q cada lugar tem sua coisa própria, e q é natural q em toda parte se criem radicais imbecis contrariados, pessoas q se outorgam as rédeas dos acontecimentos. Não admira q um "outside-insider" como bin Laden tenha se revoltado (se foi isso mesmo o q houve); como também não admira o bombardeio da mídia ocidental q há décadas "denuncia" e ridiculariza a cultura muçulmana (¿lembra do Indiana Jones fuzilando o árabe q o ameaçava com a cimitarra?). O ser humano é naturalmente imbecil: torna-se radical qdo seu modo de vida lhe parece superior: torna-se contrariado qdo o impedem de gozá-lo a seu bel-prazer. (Os próprios EUA são um caldeirão de radicais imbecis q só não jogam aviões em outros países porque ainda não estão suficientemente contrariados.) O q temos então é a receita da catástrofe: dum lado o orgulho ignorante, do outro a imbecilidade esclarecida. Só pode dar nhaca.
"Ao tentar modificar forçosamente os costumes de qqer região, o rebote é certo e certeiro. Imagine, por exemplo, q algum estrangeiro venha querer forçar você a concordar q comer com talheres é moralmente (ou politicamente, ou economicamente) impróprio e q o certo é comer com um aparelhinho moderno, prático e higiênico que, veja só, ele mesmo vende por uma bagatela. Se você tem a mídia do mundo contando tua história, você joga propaganda no sujeito. Se você não tem, você joga um avião na fábrica de aparelhinhos. É o q os indígenas tupis e tamoios teriam feito a Portugal se houvessem tido a tecnologia; é o q as baratas fariam às fábricas de sapato se soubessem pilotar aviões; é o q algum estadunidense faria à Bahia se o ACM tivesse meios de forçar o tio Sam a comer vatapá.
"Não querendo de forma alguma ser chulo ou ofensivo, mas apenas valendo-me duma idéia bastante expressiva, classifico eufemisticamente a defesa do ideário dos poderosos estadunidenses por estrangeiros idólatras como 'gozar com o pau dos outros', servir de 'porta-pau'. Os jornais brasileiros são porta-pau qdo publicam anonimamente artigos visivelmente (e often mal) traduzidos de jornais "americanos" ou ingleses; a Veja é porta-pau toda vez q traz na capa o mesmíssimo assunto q a Time da semana; o brasileiro médio é um porta-pau qdo prefere ouvir músicas com letra numa língua q não entende; já o brasileiro ãã culto é um porta-pau qdo assina ou compra a versão "latinizada" da Time; e assim por diante passando por todos os porta-pau em todo o mundo q se sentem maiores, mais potentes, mais penetrantes e mais sedutores toda vez q envergam a verga da envergadura estadunidense."
......
Ao terminar a palestra, o Dr Plausível foi entusiasticamente aplaudido de pé por todos os três ouvintes presentes. (Ãã... bom, o porteiro do auditório já estava de pé.)
05 novembro 2004
Êta...
Como alguns leitores mais dedicados sabem, nosso endiabrado Dr Plausível, após voltar do coma em q esteve desde o dia das mães, foi tratado com uma versão acelerada do tratamento adeuslênin. Conta com uma equipe dos melhores médicos de todo o mundo, q o têm visitado regularmente. Não era pra menos: os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o... mais do q o... (pausa) ué?... Estou procurando uma palavra q expresse o mesmo q entitle do inglês, q significa ´dar direito a´. ¿Não tem essa palavra em português?
(pausa pra procurar em vários dicionários)
Não, não tem.
Hm. Continuando ... os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o jfhxzqlizam a esse tratamento especialíssimo.
Só hoje ele recebeu alta e pôde emitir sua ressonante, fulgurosa gargalhada ao saber do comunicado de bin Laden aos americanos 4 (quatro) dias antes duma eleição q os republicanos tinham pavor de perder. Não foi 4 meses antes, nem 4 dias depois. Foi 4 (quatro) dias antes. ¡¡¡QUAQUAQUAQUAQUAQUA!!!
Convenhamos. Ou esse bin Laden é muito, assombrosamente, humilhantemente BURRO, ou esse cara tá de sacanagem. Porque ¡vá produzir hipoplausibiloses desse tamanho lá na central de novelas! A Globo tem q contratar esse cara: só fala lugares-comuns na hora mais imprópria e tem uma audiência de 54 mihões de bocós. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! E ainda tem gente q acredita! ¿Pode, uma coisa dessas?
Aliás, o centrão dos EUA tá bem precisando de mais clínicas Dr Plausível. ¡Êta povinho sem simancol!
¿Será q ninguém mais percebeu o sorrisinho de satisfação literalmente na cara do Bush três anos atrás durante a ovação de pé q recebeu do congresso apenas dois dias depois de 9/11? E se alguém percebeu, ¿dirá q era um sorriso até simpático? HAHAHAHAHA!! Cada uma q me aparece.
(pausa pra procurar em vários dicionários)
Não, não tem.
Hm. Continuando ... os dedicados serviços q nosso enobrecido humanista já prestou à medicina mais do q o jfhxzqlizam a esse tratamento especialíssimo.
Só hoje ele recebeu alta e pôde emitir sua ressonante, fulgurosa gargalhada ao saber do comunicado de bin Laden aos americanos 4 (quatro) dias antes duma eleição q os republicanos tinham pavor de perder. Não foi 4 meses antes, nem 4 dias depois. Foi 4 (quatro) dias antes. ¡¡¡QUAQUAQUAQUAQUAQUA!!!
Convenhamos. Ou esse bin Laden é muito, assombrosamente, humilhantemente BURRO, ou esse cara tá de sacanagem. Porque ¡vá produzir hipoplausibiloses desse tamanho lá na central de novelas! A Globo tem q contratar esse cara: só fala lugares-comuns na hora mais imprópria e tem uma audiência de 54 mihões de bocós. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! E ainda tem gente q acredita! ¿Pode, uma coisa dessas?
Aliás, o centrão dos EUA tá bem precisando de mais clínicas Dr Plausível. ¡Êta povinho sem simancol!
¿Será q ninguém mais percebeu o sorrisinho de satisfação literalmente na cara do Bush três anos atrás durante a ovação de pé q recebeu do congresso apenas dois dias depois de 9/11? E se alguém percebeu, ¿dirá q era um sorriso até simpático? HAHAHAHAHA!! Cada uma q me aparece.
04 novembro 2004
Um país embuchado
O Dr Plausível acha os EUA um país engraçadíssimo, uma infindável fonte de gargalhadas. Só na história recente, pra citar os casos mais hilários, teve o da Estagiária Otária, o do Eleito Suspeito e o do Pânico Sadânico. Agora o centrão tonto achou por bem re-eleger pra presidente um leitor de discursos. E ¿sabem qual é uma das qualidades mais citadas do suspeito? Q ele parece boa companhia pra tomar umas cervejas no bar da esquina. ¡¡HAHAHAHAHAHAHA!! Como sempre diz nosso espontâneo luminar, "Qto maior o bicho, menor o vírus."
Mas ¿será q nenhum estadunidense percebeu nada estranho comparando os comícios? O Bucho lia tudo q falava (menos nos debates, onde... ãã... deixa pra lá...), com aquela lentidão q seus treinadores acharam por bem incutir nele pra q não se confundisse, e com uma entonação adestrada por um fonoaudiólogo. A julgar pela freqüência com q ele virava as páginas q lia, as letras deviam ser bem grandes e espaçadas, com instruções de pausas, &c. Não é preciso ter o ouvido clínico do Dr Plausível pra certificar-se dessas coisas: basta comparar o Bush de 4 anos atrás com o deste ano. Pode-se dizer do Bush o q se dizia da Xuxa: pelo menos ele aprende.
Já o outro candidato, o senador acostumado a debater idéias e contrapor opiniões, falava o q vinha de seu próprio cérebro. Baita diferença.
No entanto, ganhou o leitor de scripts. ¿Vcs não acham estranho q em anos recentes, três leitores de scripts (dois atores e um pateta) tenham sido selecionados pela cúpula republicana pra se candidatar a cargos executivos? Hmm... Como lá se diz, I smell a rat.
Bom mesmo é o sistema parlamentar britânico: ali, o Primeiro Ministro TEM q ser um cara inteligente e bem acima da média dos parlamentares. O PM tem q contrapor suas opiniões cara a cara com a oposição em debates semanais; alguém sem tino, inteligência, lábia e cultura não teria a menor chance. Um pedestre cerebral do calibre do Bush seria massacrado em menos de meia hora. No entanto, nos EUA, ele é eleito presidente fomentando o medo, a desigualdade, o rancor e a pieguice. ¡Êta bucheiro da peste! Como se diz aqui na terrinha, cada país tem o governo q merece.
Mas ¡ô demora democrata! ¡ô réprobo republicano!, ninguém me escuta...
Mas ¿será q nenhum estadunidense percebeu nada estranho comparando os comícios? O Bucho lia tudo q falava (menos nos debates, onde... ãã... deixa pra lá...), com aquela lentidão q seus treinadores acharam por bem incutir nele pra q não se confundisse, e com uma entonação adestrada por um fonoaudiólogo. A julgar pela freqüência com q ele virava as páginas q lia, as letras deviam ser bem grandes e espaçadas, com instruções de pausas, &c. Não é preciso ter o ouvido clínico do Dr Plausível pra certificar-se dessas coisas: basta comparar o Bush de 4 anos atrás com o deste ano. Pode-se dizer do Bush o q se dizia da Xuxa: pelo menos ele aprende.
Já o outro candidato, o senador acostumado a debater idéias e contrapor opiniões, falava o q vinha de seu próprio cérebro. Baita diferença.
No entanto, ganhou o leitor de scripts. ¿Vcs não acham estranho q em anos recentes, três leitores de scripts (dois atores e um pateta) tenham sido selecionados pela cúpula republicana pra se candidatar a cargos executivos? Hmm... Como lá se diz, I smell a rat.
Bom mesmo é o sistema parlamentar britânico: ali, o Primeiro Ministro TEM q ser um cara inteligente e bem acima da média dos parlamentares. O PM tem q contrapor suas opiniões cara a cara com a oposição em debates semanais; alguém sem tino, inteligência, lábia e cultura não teria a menor chance. Um pedestre cerebral do calibre do Bush seria massacrado em menos de meia hora. No entanto, nos EUA, ele é eleito presidente fomentando o medo, a desigualdade, o rancor e a pieguice. ¡Êta bucheiro da peste! Como se diz aqui na terrinha, cada país tem o governo q merece.
Mas ¡ô demora democrata! ¡ô réprobo republicano!, ninguém me escuta...
28 outubro 2004
Jornalista caturra morre de velhaco
Ué? ¿Agora ninguém mais pode morrer? Um futebolista cai morto no gramado e ¿tem q haver um culpado?
O eclipsante Dr Plausível já está podendo dar umas risadas, e esta tarde deu uns fufunhos bem saudáveis com os noticiários - aqueles em q um engravatado empostado se pavoneia pra lá e pra cá moralizando sobre as várias desgraças do povaréu incônscio.
Todo mundo sabe q a morte, qdo vem, vem. Não há escapatória. Mas ¡qta besteira, qta imbecilidade, qto despautério tem q rolar pra q uma morte renda alguma audiência! Ficam procurando alguém pra culpar, fazendo perguntas 'informativas' aos médicos ("¿O senhor sabia q a cada minuto sem o defibrilador, as chances de vida ficam menores?"), tudo com aquela cara de justiceiro buscando "a verdade". hu-hu-hu-hu-hu
Esse é o jornalismo napalm: botam fogo em tudo, esperando queimar algum culpado. Cogitaram culpar os dirigentes, os médicos, o ambulatório, a ambulância...
Mas acontece q o futebolista q morreu, mesmo sabedor de q tinha um problema cardíaco, estava em campo por sua livre vontade pois queria continuar jogando até o fim do campeonato deste ano - uma informação q levou um desses empolados, o Datena, à ESPANTOSA conclusão de q o jogador não tinha o direito de "dispor da própria vida". ¡Isso é q é jornalismo, hein!
Mas o pior não é a estultícia fabricada. O pior, o mais hilário é a mensagem q fica, a mensagem apreendida e aprendida pelo populacho febril: ¡ABAIXO O ACASO! ¡Todo fato deve ter alguém responsável! ¡Ninguém pode morrer! HAHAHAHAHA!!
¡Ô joça de jornal! ¡Ô néscio da notícia!
O eclipsante Dr Plausível já está podendo dar umas risadas, e esta tarde deu uns fufunhos bem saudáveis com os noticiários - aqueles em q um engravatado empostado se pavoneia pra lá e pra cá moralizando sobre as várias desgraças do povaréu incônscio.
Todo mundo sabe q a morte, qdo vem, vem. Não há escapatória. Mas ¡qta besteira, qta imbecilidade, qto despautério tem q rolar pra q uma morte renda alguma audiência! Ficam procurando alguém pra culpar, fazendo perguntas 'informativas' aos médicos ("¿O senhor sabia q a cada minuto sem o defibrilador, as chances de vida ficam menores?"), tudo com aquela cara de justiceiro buscando "a verdade". hu-hu-hu-hu-hu
Esse é o jornalismo napalm: botam fogo em tudo, esperando queimar algum culpado. Cogitaram culpar os dirigentes, os médicos, o ambulatório, a ambulância...
Mas acontece q o futebolista q morreu, mesmo sabedor de q tinha um problema cardíaco, estava em campo por sua livre vontade pois queria continuar jogando até o fim do campeonato deste ano - uma informação q levou um desses empolados, o Datena, à ESPANTOSA conclusão de q o jogador não tinha o direito de "dispor da própria vida". ¡Isso é q é jornalismo, hein!
Mas o pior não é a estultícia fabricada. O pior, o mais hilário é a mensagem q fica, a mensagem apreendida e aprendida pelo populacho febril: ¡ABAIXO O ACASO! ¡Todo fato deve ter alguém responsável! ¡Ninguém pode morrer! HAHAHAHAHA!!
¡Ô joça de jornal! ¡Ô néscio da notícia!
22 outubro 2004
Mas ¿escrever o quê?
¿Já viram a última boçalidade dos lingüistas & gramáticos brasileiros? Querendo mostrar serviço, e em sintonia com toda a boçalidade com q o Brasil 'culto' em geral lida com a língua, vão tentar decretar mais uma mudança ortográfica no português, desta vez unindo-se aos portugueses boçais pra "padronizar" a escrita nos dois lados do Athlãtxiku. Cada um q me aparece…
Nosso encomioso Dr Plausível ainda não pode gargalhar mas já recebeu autorização médica pra arfar uns pigarros e gorgolejar o bafo, se for estritamente necessário. E foi o q fez ao ler a notícia acima. Pobre Dr Plausível. Ele foi ruborizando, roxeando, tampando a boca com a mão e segurando o ar nos pulmões. ¡Q cena ferinte!
Não era pra menos. Pra êsse erudito militante, o maior empecilho disparado, o mais perverso e insidioso obstáculo ao progresso brasileiro são os gramáticos e os dicionaristas desta terra. Êta gentalha. O Brasil só não é "um país q vai prà frente" porque sua evolução é perenemente tolhida, abortada e acuada por um bando de caga-regras da língua. Em vez de se ocuparem de coisas realmente importantes, ficam aí tirando tremas e circunflexos por decreto. Nada contra tirar tremas e circunflexos por decreto; mas ¿por que não fazem algo realmente útil pra variar?
Mas ¿o q seria realmente útil? Às vezes é difícil seguir o raciocínio de nosso esterlino doutor. Vamos ver se consigo explicar.
Pense bem antes de responder: ¿Quem tem uma vida mais difícil, um mendigo ou um médico? Já fiz essa pergunta a dezenas de pessoas e todas elas responderam q obviamente o mendigo tem uma vida mais difícil. Mas a resposta está ¡eeeeeeeeeeeerraadaa! Obviamente o médico tem uma vida muito mais difícil. A vida do mendigo pode ser desconfortável, desagradável, humilhante &c, mas com certeza é uma vida facílima. Não é preciso nenhum talento especial pra pedir esmolas e dormir na rua. É trocentas vezes mais difícil ser médico, e é por isso q o médico ganha mais do q o mendigo.
Mas ¿qual é a principal diferença entre os dois? Antes q vcs fiquem aí dando cabeçadas, já vou responder: a diferença entre os dois é o vocabulário. Decheu enfatizar: a principal diferença entre os dois é o vocabulário. Aquilo q o médico adquiriu em anos e anos de formação escolar e profissional se resume a pouco mais q a lista de palavras q ele é capaz de reconhecer, utilizar e associar a outras palavras ou a objetos concretos ou abstratos no mundo, formando uma estrutura mental q espelha a realidade. Ou seja, a principal diferença está no grau de complexidade de suas mentes, uma complexidade fomentada e mantida por seu vocabulário. A educação não existe pra simplificar a vida: existe pra torná-la mais complexa.
Do mesmo modo, o Brasil e Portugal só não criam, produzem e disseminam um padrão de vida mais confortável, mais revigorante, mais multifário, mais complexo —ou seja, só não são países do Primeiro Mundo— porque o português é uma língua q ficou pra trás, uma língua q, por obra de seus capangas tira-tremas, não se desenvolve, não descobre e não cria novos conceitos: em resumo, não aumenta seu vocabulário, e se vê obrigado a repisar um léxico ultrapassado, canhestro e imaleável —qdo não copia as idéias alheias apenas.
Os exemplos do exemplar Dr Plausível são em alemão, sueco, japonês, inglês, e todas essas línguas de países mais complexos. Eu não saberia repeti-los. Vou citar um exemplo duma língua q conheço bem, o inglês. Como se já não bastasse q grande parte do jargão de inúmeras tecnologias vem do inglês (já q essas tecnologias são criadas, produzidas ou disseminadas em inglês), o português tbm carece de inúmeros conceitos q são moeda corrente em inglês. Tomem a palavra accountability. Essa palavra não tem equivalente português. O tradutor é obrigado a acochambrar traduzindo-a por 'responsabilidade'; mas não é a mesma coisa. Seria um conceito muito útil no Brasil. Minha esposa, a Bebel, teve a sacada de q accountability é quase o exato oposto de impunidade. "No Brasil, todos falam do 'problema' da impunidade," diz ela, "e ninguém consegue falar da solução (accountability) porque o português não tem a palavra." Ou seja, o português tem o conceito de 'impunidade', mas não tem o de seu oposto. Nem imputabilidade, nem imputação, nem punibilidade dão conta de accountability. ¿Talvez punidade? Mmm… não. Mesmo assim, procure punidade no dicionário. Não tem. Portaaaaaaaanto, a palavra "não existe". No entanto, accountability e accountable são conceitos comuníssimos em inglês. Qqer adolescente conhece e usa.
Como essa, existe uma miríade de palavras e conceitos em inglês q dão complexidade, vigor e progresso aos países de língua inglesa. E pra cada palavra q tem no português e não no inglês, tem três palavras no inglês q nem sequer são possíveis de se imaginar em português. ¡E isso q nem falei das locuções inglesas, os grupos de duas ou mais palavras, a tortura do tradutor!
A questão levantada pelo Dr Plausível é q o Brasil e Portugal se encontram à margem da evolução social, cultural e industrial do planeta porque são países q têm uma lingua complicada mas não complexa. Em particular, o Brasil, além disso, é um país complicado mas não é um país complexo. Pra erguê-lo da lama, bastaria permitir-lhe ou dar-lhe mais palavras.
Mas, ¡ó grasnante disparate!, ¡ó descredinte gravame!, os gramáticos e dicionaristas brasileiros e portugueses, em vez de tentar ajudar a tirar o português (e o Brasil) do vexame em q se encontra, ficam aí perdendo tempo cagando decretos sobre picuinhas, enquanto restringem, censuram e castram a pouca semântica q o português tem.
Nosso encomioso Dr Plausível ainda não pode gargalhar mas já recebeu autorização médica pra arfar uns pigarros e gorgolejar o bafo, se for estritamente necessário. E foi o q fez ao ler a notícia acima. Pobre Dr Plausível. Ele foi ruborizando, roxeando, tampando a boca com a mão e segurando o ar nos pulmões. ¡Q cena ferinte!
Não era pra menos. Pra êsse erudito militante, o maior empecilho disparado, o mais perverso e insidioso obstáculo ao progresso brasileiro são os gramáticos e os dicionaristas desta terra. Êta gentalha. O Brasil só não é "um país q vai prà frente" porque sua evolução é perenemente tolhida, abortada e acuada por um bando de caga-regras da língua. Em vez de se ocuparem de coisas realmente importantes, ficam aí tirando tremas e circunflexos por decreto. Nada contra tirar tremas e circunflexos por decreto; mas ¿por que não fazem algo realmente útil pra variar?
Mas ¿o q seria realmente útil? Às vezes é difícil seguir o raciocínio de nosso esterlino doutor. Vamos ver se consigo explicar.
Pense bem antes de responder: ¿Quem tem uma vida mais difícil, um mendigo ou um médico? Já fiz essa pergunta a dezenas de pessoas e todas elas responderam q obviamente o mendigo tem uma vida mais difícil. Mas a resposta está ¡eeeeeeeeeeeerraadaa! Obviamente o médico tem uma vida muito mais difícil. A vida do mendigo pode ser desconfortável, desagradável, humilhante &c, mas com certeza é uma vida facílima. Não é preciso nenhum talento especial pra pedir esmolas e dormir na rua. É trocentas vezes mais difícil ser médico, e é por isso q o médico ganha mais do q o mendigo.
Mas ¿qual é a principal diferença entre os dois? Antes q vcs fiquem aí dando cabeçadas, já vou responder: a diferença entre os dois é o vocabulário. Decheu enfatizar: a principal diferença entre os dois é o vocabulário. Aquilo q o médico adquiriu em anos e anos de formação escolar e profissional se resume a pouco mais q a lista de palavras q ele é capaz de reconhecer, utilizar e associar a outras palavras ou a objetos concretos ou abstratos no mundo, formando uma estrutura mental q espelha a realidade. Ou seja, a principal diferença está no grau de complexidade de suas mentes, uma complexidade fomentada e mantida por seu vocabulário. A educação não existe pra simplificar a vida: existe pra torná-la mais complexa.
Do mesmo modo, o Brasil e Portugal só não criam, produzem e disseminam um padrão de vida mais confortável, mais revigorante, mais multifário, mais complexo —ou seja, só não são países do Primeiro Mundo— porque o português é uma língua q ficou pra trás, uma língua q, por obra de seus capangas tira-tremas, não se desenvolve, não descobre e não cria novos conceitos: em resumo, não aumenta seu vocabulário, e se vê obrigado a repisar um léxico ultrapassado, canhestro e imaleável —qdo não copia as idéias alheias apenas.
Os exemplos do exemplar Dr Plausível são em alemão, sueco, japonês, inglês, e todas essas línguas de países mais complexos. Eu não saberia repeti-los. Vou citar um exemplo duma língua q conheço bem, o inglês. Como se já não bastasse q grande parte do jargão de inúmeras tecnologias vem do inglês (já q essas tecnologias são criadas, produzidas ou disseminadas em inglês), o português tbm carece de inúmeros conceitos q são moeda corrente em inglês. Tomem a palavra accountability. Essa palavra não tem equivalente português. O tradutor é obrigado a acochambrar traduzindo-a por 'responsabilidade'; mas não é a mesma coisa. Seria um conceito muito útil no Brasil. Minha esposa, a Bebel, teve a sacada de q accountability é quase o exato oposto de impunidade. "No Brasil, todos falam do 'problema' da impunidade," diz ela, "e ninguém consegue falar da solução (accountability) porque o português não tem a palavra." Ou seja, o português tem o conceito de 'impunidade', mas não tem o de seu oposto. Nem imputabilidade, nem imputação, nem punibilidade dão conta de accountability. ¿Talvez punidade? Mmm… não. Mesmo assim, procure punidade no dicionário. Não tem. Portaaaaaaaanto, a palavra "não existe". No entanto, accountability e accountable são conceitos comuníssimos em inglês. Qqer adolescente conhece e usa.
Como essa, existe uma miríade de palavras e conceitos em inglês q dão complexidade, vigor e progresso aos países de língua inglesa. E pra cada palavra q tem no português e não no inglês, tem três palavras no inglês q nem sequer são possíveis de se imaginar em português. ¡E isso q nem falei das locuções inglesas, os grupos de duas ou mais palavras, a tortura do tradutor!
A questão levantada pelo Dr Plausível é q o Brasil e Portugal se encontram à margem da evolução social, cultural e industrial do planeta porque são países q têm uma lingua complicada mas não complexa. Em particular, o Brasil, além disso, é um país complicado mas não é um país complexo. Pra erguê-lo da lama, bastaria permitir-lhe ou dar-lhe mais palavras.
Mas, ¡ó grasnante disparate!, ¡ó descredinte gravame!, os gramáticos e dicionaristas brasileiros e portugueses, em vez de tentar ajudar a tirar o português (e o Brasil) do vexame em q se encontra, ficam aí perdendo tempo cagando decretos sobre picuinhas, enquanto restringem, censuram e castram a pouca semântica q o português tem.
20 outubro 2004
Cefaléias
Entre as sessões de fisioterapia, nosso ebúrneo Dr Plausível, ainda convalescendo do coma, encadeia as horas relaxando com leituras revigorantes de Darwin, Dawkins e Rorty. Mas de vez em quando, liga a tv pra ver algum movimento - tomando o cuidado de não colocar num canal muito popular, pra evitar as gargalhadas. Seu médico o proibiu de rir durante uma ou duas semanas. Gargalhar, nem pensar. Por enquanto só pode sorrir. Êta sofrimento.
Hoje, passando os canais, parou na tv Senado. Era a sessão do Supremo brasileiro em q os juízes votavam por manter ou não a liminar q permite o aborto de feto anencefálico. Vou dizer uma coisa pra vc: nosso escolado luminar penou, viu. ¡Qta estupidez! A maioria decidiu contra a liminar. Ou seja, segundo aqueles gaguejantes, tortuosos, monocórdios e empolados coiós, uma mulher grávida q carrega um feto sem cérebro pode fazer uma de duas coisas: (1) ficar nove meses com aquele vegetal na barriga crescendo, estropiando seu corpo, sua rotina, sua vida, dando lucro pra médicos, gastando dinheiro público ou privado inutilmente, engolindo o orgulho ao explicar a todo mundo q não é menina nem menino, aguardando ansiosa o momento em q seu "bebê" vai inevitavelmente morrer, passar as dolorosas horas de trabalho de parto, dar à luz um monte inerte de carne e ossos, registrá-lo, dar um jeito de se livrar dele gastando mais dinheiro com um enterro e túmulo ou cremação, e depois passar o resto da vida com o trauma e as seqüelas físicas da gravidez; ou (2) durante a gravidez, gastar tempo e desmiolar os nervos pedindo a um juiz q aprove um aborto, arriscando-se obviamente a confrontar um juiz q não o aprove e a obrigue a seguir o ítem (1) à risca, sob pena de até 3 anos de prisão.
Pra conter o riso, o Dr Plausível ficou pensando na penúria dessas mulheres. Mas q teve vontade de soltar uma gargalhada, isso teve. Principalmente porque, contrastando os juízes q eram contra a liminar e a minoria q era a favor, estava tão na cara quem estava enrolando e quem estava dizendo algo inteligível. Os contra, todos eles, tentavam enrolar com um palavrório vago, vacilante, viciado, velhaco e vaidoso. Os afavor, todos eles, foram claros, diretos, fluentes, pertinentes. Mas malgrado a clareza e o bom senso destes, a liminar acabou revogada pela tacanhez das múmias-que-andam.
Nosso encefálico analista estava a ponto de esbugalhar a testa às gargalhadas. Felizmente, uma enfermeira entrou e desligou a tv, e o Dr Plausível sobreviveu pra ver o amanhã.
¡Ó cefalópodes sem senso! ¡Ó suprema cefaléia!
Hoje, passando os canais, parou na tv Senado. Era a sessão do Supremo brasileiro em q os juízes votavam por manter ou não a liminar q permite o aborto de feto anencefálico. Vou dizer uma coisa pra vc: nosso escolado luminar penou, viu. ¡Qta estupidez! A maioria decidiu contra a liminar. Ou seja, segundo aqueles gaguejantes, tortuosos, monocórdios e empolados coiós, uma mulher grávida q carrega um feto sem cérebro pode fazer uma de duas coisas: (1) ficar nove meses com aquele vegetal na barriga crescendo, estropiando seu corpo, sua rotina, sua vida, dando lucro pra médicos, gastando dinheiro público ou privado inutilmente, engolindo o orgulho ao explicar a todo mundo q não é menina nem menino, aguardando ansiosa o momento em q seu "bebê" vai inevitavelmente morrer, passar as dolorosas horas de trabalho de parto, dar à luz um monte inerte de carne e ossos, registrá-lo, dar um jeito de se livrar dele gastando mais dinheiro com um enterro e túmulo ou cremação, e depois passar o resto da vida com o trauma e as seqüelas físicas da gravidez; ou (2) durante a gravidez, gastar tempo e desmiolar os nervos pedindo a um juiz q aprove um aborto, arriscando-se obviamente a confrontar um juiz q não o aprove e a obrigue a seguir o ítem (1) à risca, sob pena de até 3 anos de prisão.
Pra conter o riso, o Dr Plausível ficou pensando na penúria dessas mulheres. Mas q teve vontade de soltar uma gargalhada, isso teve. Principalmente porque, contrastando os juízes q eram contra a liminar e a minoria q era a favor, estava tão na cara quem estava enrolando e quem estava dizendo algo inteligível. Os contra, todos eles, tentavam enrolar com um palavrório vago, vacilante, viciado, velhaco e vaidoso. Os afavor, todos eles, foram claros, diretos, fluentes, pertinentes. Mas malgrado a clareza e o bom senso destes, a liminar acabou revogada pela tacanhez das múmias-que-andam.
Nosso encefálico analista estava a ponto de esbugalhar a testa às gargalhadas. Felizmente, uma enfermeira entrou e desligou a tv, e o Dr Plausível sobreviveu pra ver o amanhã.
¡Ó cefalópodes sem senso! ¡Ó suprema cefaléia!
30 setembro 2004
não:[de cama em coma]
Já era tempo.
Nosso ebuliente Dr Plausível finalmente saiu do coma e já ambula seus primeiros passos pelo quarto. Em todas as Clínicas Dr Plausível espalhadas pelo país, grande foi a comemoração q se seguiu ao auspicioso evento.
24 junho 2004
Vende-se religião
Inúmeros leitores deste blogue têm quase diariamente reclamado q não escrevo mais. O motivo é compreensível, pela gravidade: o Dr Plausível entrou em coma no Dia das Mães e não dá sinais de voltar à consciência.
Pra nosso enaltecido doutor, o único meio de transporte q retém um mínimo da dignidade do pedestre é a bicicleta. Qqer ser humano q se preze não pede mais q o suave deslizar das rodas e a emoção de infinitos perigos a 15 por hora. Mas, assim como são atividades incompatíveis assoviar e chupar cana, tbm é impossível pedalar e gargalhar. Primeiro, q as duas ações requerem generosas lufadas de ar. Segundo, q as lágrimas vão turvando a vista, e daí a um acidente, basta uma pedrinha.
No fatídico dia em q entrou em coma, nosso empírico humanista viu-se entre o pedalar e o gargalhar, e obviamente entregou-se ao segundo. Estava passeando calmamente sem pensar em lhufas, qdo ao virar uma esquina viu-se perante um outdoor com o Padre Marcelo apregoando um vídeo sobre a vida da Virgem Maria com o slogan "Chegou o presente que toda mãe pediu a Deus." Ao sentar-se na sarjeta pra rir, foi rindo rindo rindo até ter um piripaque e ali mesmo entrou em coma.
Como não conversei com ele a respeito do outdoor, mas conhecendo suas opiniões como conheço, só posso conjeturar q o motivo de tanta risada foi o fato de um clérigo rebaixar-se tão profundamente na lama do comercialismo a ponto de cometer três pecados numa só frase:
(1) mentiu descaradamente, pois sabe q é ínfima a porcentagem de mães q pediriam a Deus um vídeo de Maria - tanto pelo fato de q há outras religiões no Brasil e no mundo, como pelo fato de q pouquíssimas mães católicas seriam cretinas o suficiente pra "pedir a Deus" um presenteco duma fita de vídeo;
(2) foi ímpio, profano e sacrílego (e sem-vergonha e de mau-gosto) ao aliciar o nome de seu deus numa campanha q tencionava evidentemente aproveitar-se duma efeméride comercial pra surrupiar uns trocados do povaréu beato;
(3) e o pior de tudo, perpetrou um ataque agudo de hipoplausibilose ao deixar implícito q Deus nem atenderia o pedido das mães, visto q o vídeo não é dado pela Magnificência Divina, e sim vendido por quem se considera seu representante comercial, o Padre Marcelo.
A Igreja Católica há muito está precisando duma consulta com o Dr Plausível, não acham? Mas talvez ele esteja bem em seu coma, porque do jeito q a coisa vai, logo entraria em colapso de novo.
Pra nosso enaltecido doutor, o único meio de transporte q retém um mínimo da dignidade do pedestre é a bicicleta. Qqer ser humano q se preze não pede mais q o suave deslizar das rodas e a emoção de infinitos perigos a 15 por hora. Mas, assim como são atividades incompatíveis assoviar e chupar cana, tbm é impossível pedalar e gargalhar. Primeiro, q as duas ações requerem generosas lufadas de ar. Segundo, q as lágrimas vão turvando a vista, e daí a um acidente, basta uma pedrinha.
No fatídico dia em q entrou em coma, nosso empírico humanista viu-se entre o pedalar e o gargalhar, e obviamente entregou-se ao segundo. Estava passeando calmamente sem pensar em lhufas, qdo ao virar uma esquina viu-se perante um outdoor com o Padre Marcelo apregoando um vídeo sobre a vida da Virgem Maria com o slogan "Chegou o presente que toda mãe pediu a Deus." Ao sentar-se na sarjeta pra rir, foi rindo rindo rindo até ter um piripaque e ali mesmo entrou em coma.
Como não conversei com ele a respeito do outdoor, mas conhecendo suas opiniões como conheço, só posso conjeturar q o motivo de tanta risada foi o fato de um clérigo rebaixar-se tão profundamente na lama do comercialismo a ponto de cometer três pecados numa só frase:
(1) mentiu descaradamente, pois sabe q é ínfima a porcentagem de mães q pediriam a Deus um vídeo de Maria - tanto pelo fato de q há outras religiões no Brasil e no mundo, como pelo fato de q pouquíssimas mães católicas seriam cretinas o suficiente pra "pedir a Deus" um presenteco duma fita de vídeo;
(2) foi ímpio, profano e sacrílego (e sem-vergonha e de mau-gosto) ao aliciar o nome de seu deus numa campanha q tencionava evidentemente aproveitar-se duma efeméride comercial pra surrupiar uns trocados do povaréu beato;
(3) e o pior de tudo, perpetrou um ataque agudo de hipoplausibilose ao deixar implícito q Deus nem atenderia o pedido das mães, visto q o vídeo não é dado pela Magnificência Divina, e sim vendido por quem se considera seu representante comercial, o Padre Marcelo.
A Igreja Católica há muito está precisando duma consulta com o Dr Plausível, não acham? Mas talvez ele esteja bem em seu coma, porque do jeito q a coisa vai, logo entraria em colapso de novo.
21 março 2004
Democrasso
Um leitor deste blogue enviou a seguinte proposta de pauta:
Antes da eleição do ano passado, surgiu a polêmica sobre o nosso presidente não ter curso superior, mas para candidatos a fiscal da prefeitura de SP isso era uma exigência. Muitos anúncios de vagas para empregos exigem nível superior (...) Há alguma hipoplausibilose ou há fundamento?
Quero crer q o leitor perguntava a nosso esmerado doutor se não é implausível apoiar e eleger um presidente prepedeuta.
Ao ouvir a pergunta, o Dr Plausível sorriu meio de lado e quis esquivar-se. Pra ele, política é como espinha de peixe: ou vc consegue engolir, ou ela fica entalada na garganta, ou então vc nem põe na boca; e esta última é a opção dele. Mas insisti, argumentando q não se tratava duma questão meramente política, mas uma questão de princípios. Sua resposta – como sempre – iluminou as trevas de minha ignorância.
Vc não pode ter democracia e não ter o Lula. Sorry. (Democracia significa q a vontade momentânea da maioria determina temporariamente a sujeição de todos a uma corte provisória. A democracia é a sábia admissão de q vivemos todos na mais completa ignorância, de q ninguém tem a solução final de coisa alguma, de q a prioridade número um de todo cidadão é tirar o cu da reta.) Vc pode até preferir outra forma de governo, mas não pode negar q há inegável justiça no fato de q, se todo e qqer pé-rapado é obrigado a aturar o governo imposto pela maioria, então deve-se dar ao pé-rapado o direito tanto de votar (crer-se na maioria) como de se candidatar (apostar-se como maioria).
Em tese, o próximo presidente do Brasil, contanto q brasileiro alfabetizado maior de 21 anos, pode ser não um torneiro mecânico (uma profissão, aliás, bastante complexa) mas um coveiro de Catingópolis ou uma mendiga de Futum do Sul. A questão aqui é q pro cargo de fiscal, curso superior é exigido; pro cargo de presidente, não é. Se a lei for modificada de modo a q tbm seja exigido pra este último, então não fará o menor sentido dar ao pé-rapado o direito ao voto e será completamente compreensível se os pé-rapados se revoltarem e cortarem a cabeça de todo e qqer sujeito q já pôs os pés numa faculdade.
-----------------
Nenhum presidente ou partido manda e desmanda: os resultados de sua presidência são determinados pela dinâmica entre os governantes e os governados. O problema com a do Lula é q o Brasil está esperando muito passivamente q ele "faça alguma coisa". O povo tem q dar um feedback ao governo, nem q seja um tabefe no meio do cachaço.
Mas, ¿q esperança? O Dr Plausível não tem a menor.
Antes da eleição do ano passado, surgiu a polêmica sobre o nosso presidente não ter curso superior, mas para candidatos a fiscal da prefeitura de SP isso era uma exigência. Muitos anúncios de vagas para empregos exigem nível superior (...) Há alguma hipoplausibilose ou há fundamento?
Quero crer q o leitor perguntava a nosso esmerado doutor se não é implausível apoiar e eleger um presidente prepedeuta.
Ao ouvir a pergunta, o Dr Plausível sorriu meio de lado e quis esquivar-se. Pra ele, política é como espinha de peixe: ou vc consegue engolir, ou ela fica entalada na garganta, ou então vc nem põe na boca; e esta última é a opção dele. Mas insisti, argumentando q não se tratava duma questão meramente política, mas uma questão de princípios. Sua resposta – como sempre – iluminou as trevas de minha ignorância.
Vc não pode ter democracia e não ter o Lula. Sorry. (Democracia significa q a vontade momentânea da maioria determina temporariamente a sujeição de todos a uma corte provisória. A democracia é a sábia admissão de q vivemos todos na mais completa ignorância, de q ninguém tem a solução final de coisa alguma, de q a prioridade número um de todo cidadão é tirar o cu da reta.) Vc pode até preferir outra forma de governo, mas não pode negar q há inegável justiça no fato de q, se todo e qqer pé-rapado é obrigado a aturar o governo imposto pela maioria, então deve-se dar ao pé-rapado o direito tanto de votar (crer-se na maioria) como de se candidatar (apostar-se como maioria).
Em tese, o próximo presidente do Brasil, contanto q brasileiro alfabetizado maior de 21 anos, pode ser não um torneiro mecânico (uma profissão, aliás, bastante complexa) mas um coveiro de Catingópolis ou uma mendiga de Futum do Sul. A questão aqui é q pro cargo de fiscal, curso superior é exigido; pro cargo de presidente, não é. Se a lei for modificada de modo a q tbm seja exigido pra este último, então não fará o menor sentido dar ao pé-rapado o direito ao voto e será completamente compreensível se os pé-rapados se revoltarem e cortarem a cabeça de todo e qqer sujeito q já pôs os pés numa faculdade.
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Nenhum presidente ou partido manda e desmanda: os resultados de sua presidência são determinados pela dinâmica entre os governantes e os governados. O problema com a do Lula é q o Brasil está esperando muito passivamente q ele "faça alguma coisa". O povo tem q dar um feedback ao governo, nem q seja um tabefe no meio do cachaço.
Mas, ¿q esperança? O Dr Plausível não tem a menor.
16 março 2004
Super desinteressante
¡Êta mormaço cerebral! Tem umas revistas por aí ¡q vou te contar! Uma q só tratamento de choque pode começar a consertar é a Super Interessante. Aposto q quem bolou esse nome quis dar uma de perverso. Só conseguiu ser involuntariamente irônico, pois a revista é pouco mais q uma coletânea de informações em terceira mão.
A capa do número agora nas bancas traz estampada pra todo mundo rir a manchete:
"Michael Jackson acabou. Entender a trajetória dessa queda espetacular é fundamental para compreender o mundo em que vivemos"
BRUHAHAHAHAHAHA ¡Imprêssionante, não é mesmo? ¿Em q mundo vivemos, meu Santo Excrúnfio? ¿Quer dizer q agora só vou compreender de verdade o mundo se eu "entender" a vida de um dançarino egonecrófilo? HAHAHAHA ¡Cada idéia...!
O título é de uma hipoplausibilose q roça, esse sim, o perverso. O Dr Plausível riu às bandeiras despregadas, mas não quis ler o artigo. Testar a tese da capa sobrou pra mim, q após várias páginas com a tal da trajetória do rapaz, ainda não 'entendi' como sem conhecê-la eu não conseguiria 'compreender' melhor a política, a economia e a proliferação de ácaros.
No máximo, o artigo serve pra evidenciar como funciona uma boa parte do 'jornalismo' brasileiro: os dois 'autores' foram colhendo textos estrangeiros de várias fontes e com eles requentaram uma gororoba de miúdos mal traduzidos temperada com citações 'nacionais'. O corpo do artigo em si, à parte as citações, é tbm em sua maior parte (mal-)traduzido. Vejam esta frase: "Custa acreditar que só tenha feito duas cirurgias plásticas, como ele clama." ¡¿CLAMA?! ¿Como no inglês claim? HAHAHAHAHA
Q vergonha.
Sofre de hipoplausibilose até mesmo a seriedade de dar dó em mula com q foi redigido o artigo, com citações de sumidades da antropologia brasileira. ¡Tenha a santa! ¿Esse pessoal não tem senso de humor?
A capa do número agora nas bancas traz estampada pra todo mundo rir a manchete:
"Michael Jackson acabou. Entender a trajetória dessa queda espetacular é fundamental para compreender o mundo em que vivemos"
BRUHAHAHAHAHAHA ¡Imprêssionante, não é mesmo? ¿Em q mundo vivemos, meu Santo Excrúnfio? ¿Quer dizer q agora só vou compreender de verdade o mundo se eu "entender" a vida de um dançarino egonecrófilo? HAHAHAHA ¡Cada idéia...!
O título é de uma hipoplausibilose q roça, esse sim, o perverso. O Dr Plausível riu às bandeiras despregadas, mas não quis ler o artigo. Testar a tese da capa sobrou pra mim, q após várias páginas com a tal da trajetória do rapaz, ainda não 'entendi' como sem conhecê-la eu não conseguiria 'compreender' melhor a política, a economia e a proliferação de ácaros.
No máximo, o artigo serve pra evidenciar como funciona uma boa parte do 'jornalismo' brasileiro: os dois 'autores' foram colhendo textos estrangeiros de várias fontes e com eles requentaram uma gororoba de miúdos mal traduzidos temperada com citações 'nacionais'. O corpo do artigo em si, à parte as citações, é tbm em sua maior parte (mal-)traduzido. Vejam esta frase: "Custa acreditar que só tenha feito duas cirurgias plásticas, como ele clama." ¡¿CLAMA?! ¿Como no inglês claim? HAHAHAHAHA
Q vergonha.
Sofre de hipoplausibilose até mesmo a seriedade de dar dó em mula com q foi redigido o artigo, com citações de sumidades da antropologia brasileira. ¡Tenha a santa! ¿Esse pessoal não tem senso de humor?
13 março 2004
11 março 2004
Farte
O Dr Plausível tem ido a muitos coquetéis ultimamente. Nessas situações ['nessas ocasiões' é bom demais pra coquetéis], a falta de assunto leva muita gente a falar de alguma arte. Qdo ouve a palavra arte em maiúscula e sem artigo, nosso epigramático humanista sempre leva o maior susto; endireita a espinha, faz cara de atleta feio lançando dardo, olha fixamente pro canto esquerdo da boca de quem disse "Arte", alinha um sorriso iluminado, terno, quase Walter Brennan, e com a voz embargada, quase gagueja "A-Arte?" O interlocutor sempre pensa q ele exclama "A arte!" ou, "Ah, arte!"
Pois é. Muitos anos atrás, em seu livro seminal "Tratamento Sintomático da Hipoplausibilose Artística e outras Afecções do Córtex Frontal", já esgotado, o doutor já preconizava q "toda arte é caricatura; (...) todo indivíduo q reaja negativamente a essa observação factual deve ser encaminhado ao hopital imediatamente, à força se necessário, e mantido em decúbito ventral (...) até q o sintoma desista".
Tenho q concordar. A caricatura é a forma mais pura de arte. A vontade de caricaturar está na origem de toda arte. ¡Q sete artes, o cacete! A poesia é a caricatura da fala. A literatura e o teatro são caricaturas dos fatos. Pintar ou esculpir é caricaturar as aparências. A música é uma expressão caricata dos sentimentos e sensações, e a dança é uma caricatura grotesca dos movimentos. Todo 'artista' fica fazendo pose, fingindo-se de sabichão e prodigete, qdo na verdade o verdadeiro artista - aquele q todos copiam e nunca citam - é o caricaturista, esse esquecido q ilustra artigos de jornal e conta seu pão-de-ló em centímetros.
Qta injustiça, não? A preferência popular pelas imitações ornamentadas - a literatura, a música &c - é indício claro e inequívoco de q a civilização está milhões de passos aquém de sua realização plena. A imaculada pureza estética e crítica duma caricatura ainda está muito longe da compreensão desse semi-símio q emporcalha o mundo com seus dejetos 'artísticos' e escatológicos.
Mas num coquetel, ¿q se há de fazer? O Dr Plausível então finge q engasga de azeitona.
Pois é. Muitos anos atrás, em seu livro seminal "Tratamento Sintomático da Hipoplausibilose Artística e outras Afecções do Córtex Frontal", já esgotado, o doutor já preconizava q "toda arte é caricatura; (...) todo indivíduo q reaja negativamente a essa observação factual deve ser encaminhado ao hopital imediatamente, à força se necessário, e mantido em decúbito ventral (...) até q o sintoma desista".
Tenho q concordar. A caricatura é a forma mais pura de arte. A vontade de caricaturar está na origem de toda arte. ¡Q sete artes, o cacete! A poesia é a caricatura da fala. A literatura e o teatro são caricaturas dos fatos. Pintar ou esculpir é caricaturar as aparências. A música é uma expressão caricata dos sentimentos e sensações, e a dança é uma caricatura grotesca dos movimentos. Todo 'artista' fica fazendo pose, fingindo-se de sabichão e prodigete, qdo na verdade o verdadeiro artista - aquele q todos copiam e nunca citam - é o caricaturista, esse esquecido q ilustra artigos de jornal e conta seu pão-de-ló em centímetros.
Qta injustiça, não? A preferência popular pelas imitações ornamentadas - a literatura, a música &c - é indício claro e inequívoco de q a civilização está milhões de passos aquém de sua realização plena. A imaculada pureza estética e crítica duma caricatura ainda está muito longe da compreensão desse semi-símio q emporcalha o mundo com seus dejetos 'artísticos' e escatológicos.
Mas num coquetel, ¿q se há de fazer? O Dr Plausível então finge q engasga de azeitona.
01 março 2004
Dez mil camelos e uma sardinha
Sardinheiro ou sardinha é o punguista q age nos ônibus lotados. O Dr Plausível já presenciou vários deles sendo pegos com a mão numa bolsa, antes de roubar. Qdo um é detectado naquele empurra-empurra, comoção geral; todo mundo fica metaforicamente com um pé atrás: vai q o meliante está armado ou tem um comparsa enfaqueado, então a pessoa q seria a vítima acha melhor só dar uma bronca e virar a cara. O q se segue é tão clichê q é quase um ritual: o sardinha se faz de ofendidíssimo, brada ferozmente q está sendo insultado, alvo estressado duma acusação maldosa; aos poucos vai se acalmando; a vítima então resmunga alguma coisa pralgum vizinho de aparência honesta; o sardinheiro rebota "¿q foi q disse?"; há um bate-boca onde ele parece ainda mais furioso, implicitamente reafirmando sua virtude ferida; se há espaço, é possível até q ponha a mão dentro da blusa fingindo q vai tirar uma arma, mas é puro blefe; no próximo ponto, o sardinha desce, xingando e praguejando.
O consultório de nosso efígico doutor fica na Av Paulista. Hoje foi surpreendido pela gritaria duma passeata em direção à Câmara. Até aí nada de surpreendente. Na Paulista, centenas de pessoas reclamando em uníssono já faz parte da paisagem: ninguém mais presta muita atenção. Geralmente o q se ouve é só a voz de alguém se destrambelhando monotonamente e os ecos roucos pela avenida. O doutor nunca entende nada: o som é sempre tão ruim q o puxador pode até estar recitando Castro Alves. Mas desta vez, o Dr Plausível se surpreendeu com a fúria, a cólera, o ódio mortal na voz do puxador ao microfone. Trabalha há anos na Paulista, e não ouviu ferocidade assim nem nas Diretas Já, nem nos comícios contra o Collor. Como não entendia nada, desceu pra ver de perto. Era uma passeata da Força Sindical contra o fechamento preventivo da bingaiada. Hmm, pensou, quem sabe descolo algum paciente. Foi seguindo a passeata. Centenas de faixas impressas em offset da melhor qualidade. Hmm. Lá na rua, ainda sem entender o q bradava o puxador, ouviu outra coisa em sua voz: não era ódio sincero nem fúria real; era o tom do subalterno querendo mostrar serviço ao chefe. É triste, mas é verdade.
320 mil desempregados, dizia um cartaz lindamente impresso. Hmm. ¿A Força Sindical tem dinheiro imediato pra encomendar faixas e cartazes de qualidade especialmente prà ocasião, mas não tem dinheiro pro investimento mais generalizado q seria adquirir um som de melhor qualidade? Hmm.
Lembrem-se q estou falando de plausibilidade. O fechamento bingal foi talvez um erro tático e com certeza um erro social do governo, mas mesmo assim a passeata dá o q pensar, não dá?
O consultório de nosso efígico doutor fica na Av Paulista. Hoje foi surpreendido pela gritaria duma passeata em direção à Câmara. Até aí nada de surpreendente. Na Paulista, centenas de pessoas reclamando em uníssono já faz parte da paisagem: ninguém mais presta muita atenção. Geralmente o q se ouve é só a voz de alguém se destrambelhando monotonamente e os ecos roucos pela avenida. O doutor nunca entende nada: o som é sempre tão ruim q o puxador pode até estar recitando Castro Alves. Mas desta vez, o Dr Plausível se surpreendeu com a fúria, a cólera, o ódio mortal na voz do puxador ao microfone. Trabalha há anos na Paulista, e não ouviu ferocidade assim nem nas Diretas Já, nem nos comícios contra o Collor. Como não entendia nada, desceu pra ver de perto. Era uma passeata da Força Sindical contra o fechamento preventivo da bingaiada. Hmm, pensou, quem sabe descolo algum paciente. Foi seguindo a passeata. Centenas de faixas impressas em offset da melhor qualidade. Hmm. Lá na rua, ainda sem entender o q bradava o puxador, ouviu outra coisa em sua voz: não era ódio sincero nem fúria real; era o tom do subalterno querendo mostrar serviço ao chefe. É triste, mas é verdade.
320 mil desempregados, dizia um cartaz lindamente impresso. Hmm. ¿A Força Sindical tem dinheiro imediato pra encomendar faixas e cartazes de qualidade especialmente prà ocasião, mas não tem dinheiro pro investimento mais generalizado q seria adquirir um som de melhor qualidade? Hmm.
Lembrem-se q estou falando de plausibilidade. O fechamento bingal foi talvez um erro tático e com certeza um erro social do governo, mas mesmo assim a passeata dá o q pensar, não dá?
28 fevereiro 2004
Insuspeito
Muitos pacientes inseguros têm medo de se consultar com o Dr Plausível. Sempre q possível, consolo essas pobres almas assegurando-as de q não há o q temer além do irremediável; ou, no caso da mídia, além do irrecolhível. Parece q nosso espartano letrado vive de passar atestados de hipoplausibilose, mas na verdade ele é como um cardiologista da lógica interna: tbm se maravilha e deslumbra ao testemunhar o funcionamento dum coração impecável. De vez em qdo aparece em seu consultório um artigo, um livro, até mesmo um filme de tv completamente irretocável: nada sobra, nada falta. Desta vez foi o episódio em duas partes The Last Witness da séria britânica Prime Suspect.
Se algum dia passar no canal q só seu vizinho encardido assina, não hesite: faça amizade com ele nem q seja pra humilhar-se oferecendo-se a lavar a louça encardida em troca duma gravação numa fita igualmente encardida. ¡Caspálfio, vá ser bem feito lá na espúntula! São mais de três horas de total autenticidade, milimétrico equilíbrio e brilhante segurança. Além do Selo de Garantia Dr Plausível pela trama e pelas centenas de detalhes invulgares, esse episódio ainda conta com um elenco formado nada menos q na Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Nenhum dos atores ganharia um concurso de beleza, mas ¿vc se importa? Todos - até o terceiro coadjuvante no fundo à esquerda - vão direto ao alvo, sabem exatamente a q vieram, o significado e a proporção de cada gesto, fala ou pausa; não há sequer um grunhido sobrando, sequer uma ironia despercebida.
É só uma história de detetives, mas o padrão geral do cinema e da tv (sem falar do néscio padrão global...) aparentemene teria q comer muita lama na Bósnia pra chegar ao profissionalismo desse episódio. Mas na verdade, não: é super fácil ser plausível; é só fazer o q fizeram o escritor, o diretor, os atores e outros profissionais trabalhando em Prime Suspect: nada mais do q sua obrigação, ou seja, usar a cachola pra equilibrar-se entre a arte e a realidade.
Se vc chegar a presenciar a exibição dessa obra-prima e não gostar, só pode ser pq não enxergou direito e precisa achar um vizinho menos encardido.
Se algum dia passar no canal q só seu vizinho encardido assina, não hesite: faça amizade com ele nem q seja pra humilhar-se oferecendo-se a lavar a louça encardida em troca duma gravação numa fita igualmente encardida. ¡Caspálfio, vá ser bem feito lá na espúntula! São mais de três horas de total autenticidade, milimétrico equilíbrio e brilhante segurança. Além do Selo de Garantia Dr Plausível pela trama e pelas centenas de detalhes invulgares, esse episódio ainda conta com um elenco formado nada menos q na Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Nenhum dos atores ganharia um concurso de beleza, mas ¿vc se importa? Todos - até o terceiro coadjuvante no fundo à esquerda - vão direto ao alvo, sabem exatamente a q vieram, o significado e a proporção de cada gesto, fala ou pausa; não há sequer um grunhido sobrando, sequer uma ironia despercebida.
É só uma história de detetives, mas o padrão geral do cinema e da tv (sem falar do néscio padrão global...) aparentemene teria q comer muita lama na Bósnia pra chegar ao profissionalismo desse episódio. Mas na verdade, não: é super fácil ser plausível; é só fazer o q fizeram o escritor, o diretor, os atores e outros profissionais trabalhando em Prime Suspect: nada mais do q sua obrigação, ou seja, usar a cachola pra equilibrar-se entre a arte e a realidade.
Se vc chegar a presenciar a exibição dessa obra-prima e não gostar, só pode ser pq não enxergou direito e precisa achar um vizinho menos encardido.
23 fevereiro 2004
De rachar
Tem publicitário q não aprende nunca. ¿Já viram aquele anúncio da geladeira com desaguador na porta? ¿Qual é mesmo a marca? Prosdócimo? Eletrolux? Bem, não importa. A historinha dá a entender q tem um casal se refrescando dentro da geladeira, e daí a mulher pede ao homem q pegue um copo d'água – tarefa q exige a desconfortabilíssima operação de abrir a geladeira, colocar o braço pra fora com um copo e apertar uma alavanca. O microcéfalo q bolou esse anúncio já começou errando, pois tem q ser muito burro pra se comprar uma geladeira q não precisa ser aberta qdo se quer água e depois ter q abrir a porta pra pegar água, não? Além do quê, se o casal entrou na geladeira pra se refrescar, ¿por que cargas d'água a mulher fica com sede? E ¡antes mesmo de ficar sem ar! ¡Tenha dó, meu!
Se fosse só isso, já estaria ruim, mas a trouxeza não pára por aí, não: o anúncio termina dum jeito triunfalmente troglodita. Depois q o homem põe o copo pra dentro e a mulher supostamente bebe a água, ela exclama algo como "¡Ai q delícia de água geladinha!" HAHAHAHAHAHAHA Mas ¡qui porcaria de geladeira, hem? Se a mulher acha a água geladinha, deve estar um calorão lá dentro, não?
Aliás, o cliente deveria ficar satisfeitíssimo por eu nem ter lembrado qual é afinal a marca anunciada... HAHAHAHAHAHA
Se fosse só isso, já estaria ruim, mas a trouxeza não pára por aí, não: o anúncio termina dum jeito triunfalmente troglodita. Depois q o homem põe o copo pra dentro e a mulher supostamente bebe a água, ela exclama algo como "¡Ai q delícia de água geladinha!" HAHAHAHAHAHAHA Mas ¡qui porcaria de geladeira, hem? Se a mulher acha a água geladinha, deve estar um calorão lá dentro, não?
Aliás, o cliente deveria ficar satisfeitíssimo por eu nem ter lembrado qual é afinal a marca anunciada... HAHAHAHAHAHA
21 fevereiro 2004
Aliás,
¿q história é essa de esperança? O Dr Plausível já tratou diversos casos seríssimos de esperancite – uma doença recorrente como a herpes, variante da hipoplausibilose. Perniciosíssima, ataca populações inteiras do Terceiro Mundo. Nesses lugares, 'esperança' é a palavra q mais ressoa qdo falta empenho, método e lucidez. Enaltecer a esperança só pode ser coisa de gente mal-intencionada q, à custa de martelar a palavrinha, pretende manter o status quo: "Educação ¿pra quê? Conforto ¿pra quá? Produção ¿pra qüé? ... ¡Onde há esperança, há voto!"
Dizem q 'a esperança é a última q morre', mas afirmo com toda a certeza: o último q morre é o doente. Se eu tiver um ente querido na UTI e alguém vier me falar de 'esperança', eu grito "¡Ôô, vira essa boca pra lá, seu agourento!" Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século; tanto q a expressão "a esperança do povo brasileiro" já virou piada internacional.
Durante a última campanha do Lula, qdo surgiu a boçalidade do medo duartino, logo alguém do PT saiu-se com a bazófia da esperança. O Dr Plausível se ofereceu à cúpula petista pra gratuitamente desativar a catástrofe socio-semântica q se seguiria, mas foi tarde demais. Cresceram pústulas de esperancite nos cérebros de dezenas de milhões de brasileiros, q já carregavam o vírus desde nascença, com o resultado de q o candidato certo foi eleito pelos motivos errados.
Nosso exuberante pensador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhados entre os religiosos, poetas mal-informados e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, você olha firme nos olhos dele e diz: "Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho." A seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.
Dizem q 'a esperança é a última q morre', mas afirmo com toda a certeza: o último q morre é o doente. Se eu tiver um ente querido na UTI e alguém vier me falar de 'esperança', eu grito "¡Ôô, vira essa boca pra lá, seu agourento!" Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século; tanto q a expressão "a esperança do povo brasileiro" já virou piada internacional.
Durante a última campanha do Lula, qdo surgiu a boçalidade do medo duartino, logo alguém do PT saiu-se com a bazófia da esperança. O Dr Plausível se ofereceu à cúpula petista pra gratuitamente desativar a catástrofe socio-semântica q se seguiria, mas foi tarde demais. Cresceram pústulas de esperancite nos cérebros de dezenas de milhões de brasileiros, q já carregavam o vírus desde nascença, com o resultado de q o candidato certo foi eleito pelos motivos errados.
Nosso exuberante pensador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhados entre os religiosos, poetas mal-informados e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, você olha firme nos olhos dele e diz: "Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho." A seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.
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