Muitos pacientes inseguros têm medo de se consultar com o Dr Plausível. Sempre q possível, consolo essas pobres almas assegurando-as de q não há o q temer além do irremediável; ou, no caso da mídia, além do irrecolhível. Parece q nosso espartano letrado vive de passar atestados de hipoplausibilose, mas na verdade ele é como um cardiologista da lógica interna: tbm se maravilha e deslumbra ao testemunhar o funcionamento dum coração impecável. De vez em qdo aparece em seu consultório um artigo, um livro, até mesmo um filme de tv completamente irretocável: nada sobra, nada falta. Desta vez foi o episódio em duas partes The Last Witness da séria britânica Prime Suspect.
Se algum dia passar no canal q só seu vizinho encardido assina, não hesite: faça amizade com ele nem q seja pra humilhar-se oferecendo-se a lavar a louça encardida em troca duma gravação numa fita igualmente encardida. ¡Caspálfio, vá ser bem feito lá na espúntula! São mais de três horas de total autenticidade, milimétrico equilíbrio e brilhante segurança. Além do Selo de Garantia Dr Plausível pela trama e pelas centenas de detalhes invulgares, esse episódio ainda conta com um elenco formado nada menos q na Escola Superior de Dramaturgia Dr Plausível. Nenhum dos atores ganharia um concurso de beleza, mas ¿vc se importa? Todos - até o terceiro coadjuvante no fundo à esquerda - vão direto ao alvo, sabem exatamente a q vieram, o significado e a proporção de cada gesto, fala ou pausa; não há sequer um grunhido sobrando, sequer uma ironia despercebida.
É só uma história de detetives, mas o padrão geral do cinema e da tv (sem falar do néscio padrão global...) aparentemene teria q comer muita lama na Bósnia pra chegar ao profissionalismo desse episódio. Mas na verdade, não: é super fácil ser plausível; é só fazer o q fizeram o escritor, o diretor, os atores e outros profissionais trabalhando em Prime Suspect: nada mais do q sua obrigação, ou seja, usar a cachola pra equilibrar-se entre a arte e a realidade.
Se vc chegar a presenciar a exibição dessa obra-prima e não gostar, só pode ser pq não enxergou direito e precisa achar um vizinho menos encardido.
28 fevereiro 2004
23 fevereiro 2004
De rachar
Tem publicitário q não aprende nunca. ¿Já viram aquele anúncio da geladeira com desaguador na porta? ¿Qual é mesmo a marca? Prosdócimo? Eletrolux? Bem, não importa. A historinha dá a entender q tem um casal se refrescando dentro da geladeira, e daí a mulher pede ao homem q pegue um copo d'água – tarefa q exige a desconfortabilíssima operação de abrir a geladeira, colocar o braço pra fora com um copo e apertar uma alavanca. O microcéfalo q bolou esse anúncio já começou errando, pois tem q ser muito burro pra se comprar uma geladeira q não precisa ser aberta qdo se quer água e depois ter q abrir a porta pra pegar água, não? Além do quê, se o casal entrou na geladeira pra se refrescar, ¿por que cargas d'água a mulher fica com sede? E ¡antes mesmo de ficar sem ar! ¡Tenha dó, meu!
Se fosse só isso, já estaria ruim, mas a trouxeza não pára por aí, não: o anúncio termina dum jeito triunfalmente troglodita. Depois q o homem põe o copo pra dentro e a mulher supostamente bebe a água, ela exclama algo como "¡Ai q delícia de água geladinha!" HAHAHAHAHAHAHA Mas ¡qui porcaria de geladeira, hem? Se a mulher acha a água geladinha, deve estar um calorão lá dentro, não?
Aliás, o cliente deveria ficar satisfeitíssimo por eu nem ter lembrado qual é afinal a marca anunciada... HAHAHAHAHAHA
Se fosse só isso, já estaria ruim, mas a trouxeza não pára por aí, não: o anúncio termina dum jeito triunfalmente troglodita. Depois q o homem põe o copo pra dentro e a mulher supostamente bebe a água, ela exclama algo como "¡Ai q delícia de água geladinha!" HAHAHAHAHAHAHA Mas ¡qui porcaria de geladeira, hem? Se a mulher acha a água geladinha, deve estar um calorão lá dentro, não?
Aliás, o cliente deveria ficar satisfeitíssimo por eu nem ter lembrado qual é afinal a marca anunciada... HAHAHAHAHAHA
21 fevereiro 2004
Aliás,
¿q história é essa de esperança? O Dr Plausível já tratou diversos casos seríssimos de esperancite – uma doença recorrente como a herpes, variante da hipoplausibilose. Perniciosíssima, ataca populações inteiras do Terceiro Mundo. Nesses lugares, 'esperança' é a palavra q mais ressoa qdo falta empenho, método e lucidez. Enaltecer a esperança só pode ser coisa de gente mal-intencionada q, à custa de martelar a palavrinha, pretende manter o status quo: "Educação ¿pra quê? Conforto ¿pra quá? Produção ¿pra qüé? ... ¡Onde há esperança, há voto!"
Dizem q 'a esperança é a última q morre', mas afirmo com toda a certeza: o último q morre é o doente. Se eu tiver um ente querido na UTI e alguém vier me falar de 'esperança', eu grito "¡Ôô, vira essa boca pra lá, seu agourento!" Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século; tanto q a expressão "a esperança do povo brasileiro" já virou piada internacional.
Durante a última campanha do Lula, qdo surgiu a boçalidade do medo duartino, logo alguém do PT saiu-se com a bazófia da esperança. O Dr Plausível se ofereceu à cúpula petista pra gratuitamente desativar a catástrofe socio-semântica q se seguiria, mas foi tarde demais. Cresceram pústulas de esperancite nos cérebros de dezenas de milhões de brasileiros, q já carregavam o vírus desde nascença, com o resultado de q o candidato certo foi eleito pelos motivos errados.
Nosso exuberante pensador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhados entre os religiosos, poetas mal-informados e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, você olha firme nos olhos dele e diz: "Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho." A seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.
Dizem q 'a esperança é a última q morre', mas afirmo com toda a certeza: o último q morre é o doente. Se eu tiver um ente querido na UTI e alguém vier me falar de 'esperança', eu grito "¡Ôô, vira essa boca pra lá, seu agourento!" Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século; tanto q a expressão "a esperança do povo brasileiro" já virou piada internacional.
Durante a última campanha do Lula, qdo surgiu a boçalidade do medo duartino, logo alguém do PT saiu-se com a bazófia da esperança. O Dr Plausível se ofereceu à cúpula petista pra gratuitamente desativar a catástrofe socio-semântica q se seguiria, mas foi tarde demais. Cresceram pústulas de esperancite nos cérebros de dezenas de milhões de brasileiros, q já carregavam o vírus desde nascença, com o resultado de q o candidato certo foi eleito pelos motivos errados.
Nosso exuberante pensador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhados entre os religiosos, poetas mal-informados e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, você olha firme nos olhos dele e diz: "Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho." A seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.
16 fevereiro 2004
O esperranço é o último q corre
¿Alguém aí acredita q as eleições existem pra promover a democracia? HAHAHAHAHAHA Quêisso, gente. Eleição é só um caça-níqueis pra publicitário, dono de gráfica, fabricante de brinde, montador de palco e entregador de papel. Tem nada a ver com democracia, não. É só mais um negócio cuja razão de ser é financiar férias na Europa, casas na praia e arroz, feijão & mistura. Eu nunca vi; mas aposto q, qdo vem chegando uma eleição, as agências enviam aos candidatos prospectos alardeando seus serviços. Eleições deviam ser a cada 10 anos. Melhor: 20. Assim encheria menos o saco e não viraria essa indústria sazonal q não produz nada.
Em 1989, durante a primeira candidatura do Lula à presidência, o Dr Plausível encontrou uma amiga petista no metrô. A petista estava cheia daquela esperança ranheta característica de toda pessoa politizada q não compactua com o status quo. Dizia ela q já era hora de mudar. Nosso equidistante luminar concordou - quem já leu o I Ching sabe q é sempre hora de mudar; até mesmo parar de mudar é uma mudança. Mas pro douto senhor, partido no poder é q nem carcaça de cachorro podre na estrada: em vida, corria em suas veias o sangue das idéias, ideologias e ideais - ou seja, todas essas pataquadas hipoplausibiléticas; depois de eleito, vira uma gosma fedenta no asfalto q é bom nem chegar perto, mas q com o tempo vai se achatando. No fim, a chuva leva.
Em política, o Dr Plausível discorda e duvida de tudo, e portanto sempre está com a razão. Percebendo o esperranço da amiga, ele contou uma anedota q resume sua posição: Num vagão de trem, uma senhora diz a um senhor, “Cavalheiro, poderia abrir a janela? Se ficar fechada, vou morrer sufocada.” O cavalheiro abre a janela. Logo em seguida, outra senhora diz ao mesmo senhor, “Cavalheiro, poderia fechar a janela? Se ficar aberta, vou morrer de frio.” O cavalheiro fecha a janela. Após alguns minutos, a primeira senhora volta a pedir ao senhor que abra a janela, e ele abre; a segunda pede que feche, e ele fecha, &c. A situação vai ficando enfadonha, até que uma criança que está ali tentando ler sua revista se levanta e sugere, “Faz assim: abre a janela até esta dama morrer de frio, depois fecha até esta outra morrer sufocada, e aí a gente pode viajar em paz.” Política é assim. A cada dois anos é aquela encheção de saco, nhénhénhé pra cá, nhénhénhé pra lá, e o resto do país, q só quer fazer uma viagem tranqüila, tem q ficar aturando. Melhor dar uma chance pra todo partido. Os outros partidos já morreram no frio da incompetência, e agora é a vez do PT morrer sufocado. A criança foi até educada: eu teria jogado as damas pela janela. Nem precisa dizer q nosso estável doutor perdeu a amiga.
O PT, eleito, se transformou em tudo q sempre quis ser: um partido político brasileiro no poder, ou seja, um partido político, um partido brasileiro, um partido no poder (se é q isso existe) e tem agora sua chancezinha de aplicar sua própria versão de incompetência. Lenta e gradualmente, quem estava esperrançoso já vai vendo q cachorro atropelado fede, não importa a raça. Agora agüenta a inhaca.
Ao fim do mandato do Lula um rapaz até q bem intencionado não vai faltar quem cite as últimas palavras de um livro do George Orwell: "e olhavam de homem pra porco e de porco pra homem, e novamente de homem pra porco, e já não sabiam qual era o homem, qual era o porco". É triste mas é verdade.
Em 1989, durante a primeira candidatura do Lula à presidência, o Dr Plausível encontrou uma amiga petista no metrô. A petista estava cheia daquela esperança ranheta característica de toda pessoa politizada q não compactua com o status quo. Dizia ela q já era hora de mudar. Nosso equidistante luminar concordou - quem já leu o I Ching sabe q é sempre hora de mudar; até mesmo parar de mudar é uma mudança. Mas pro douto senhor, partido no poder é q nem carcaça de cachorro podre na estrada: em vida, corria em suas veias o sangue das idéias, ideologias e ideais - ou seja, todas essas pataquadas hipoplausibiléticas; depois de eleito, vira uma gosma fedenta no asfalto q é bom nem chegar perto, mas q com o tempo vai se achatando. No fim, a chuva leva.
Em política, o Dr Plausível discorda e duvida de tudo, e portanto sempre está com a razão. Percebendo o esperranço da amiga, ele contou uma anedota q resume sua posição: Num vagão de trem, uma senhora diz a um senhor, “Cavalheiro, poderia abrir a janela? Se ficar fechada, vou morrer sufocada.” O cavalheiro abre a janela. Logo em seguida, outra senhora diz ao mesmo senhor, “Cavalheiro, poderia fechar a janela? Se ficar aberta, vou morrer de frio.” O cavalheiro fecha a janela. Após alguns minutos, a primeira senhora volta a pedir ao senhor que abra a janela, e ele abre; a segunda pede que feche, e ele fecha, &c. A situação vai ficando enfadonha, até que uma criança que está ali tentando ler sua revista se levanta e sugere, “Faz assim: abre a janela até esta dama morrer de frio, depois fecha até esta outra morrer sufocada, e aí a gente pode viajar em paz.” Política é assim. A cada dois anos é aquela encheção de saco, nhénhénhé pra cá, nhénhénhé pra lá, e o resto do país, q só quer fazer uma viagem tranqüila, tem q ficar aturando. Melhor dar uma chance pra todo partido. Os outros partidos já morreram no frio da incompetência, e agora é a vez do PT morrer sufocado. A criança foi até educada: eu teria jogado as damas pela janela. Nem precisa dizer q nosso estável doutor perdeu a amiga.
O PT, eleito, se transformou em tudo q sempre quis ser: um partido político brasileiro no poder, ou seja, um partido político, um partido brasileiro, um partido no poder (se é q isso existe) e tem agora sua chancezinha de aplicar sua própria versão de incompetência. Lenta e gradualmente, quem estava esperrançoso já vai vendo q cachorro atropelado fede, não importa a raça. Agora agüenta a inhaca.
Ao fim do mandato do Lula um rapaz até q bem intencionado não vai faltar quem cite as últimas palavras de um livro do George Orwell: "e olhavam de homem pra porco e de porco pra homem, e novamente de homem pra porco, e já não sabiam qual era o homem, qual era o porco". É triste mas é verdade.
10 fevereiro 2004
¿Ai né quem?
O Dr Plausível não bebe cerveja. Acha os hábitos alcoólatras de seus contemporâneos uma perda de tempo. Mas como ninguém é totalmente coerente neste mundo, ele tbm perde tempo vendo tv, e ainda por cima perde mais tempo ainda vendo reclames de cerveja. Tem alguns q só bebum pode gostar de. ¿Já viram aquele da Heineken em q uma atriz famosa tenta pegar o último engradado da prateleira superior num supermercado, aí vem um cara ajudar e leva o engradado pra si? HAHAHAHAHAHA A Heineken devia processar o miobócio q inventou essa necedade. Vejam só a lista de mensagens implícitas:
A Heineken não é uma boa cerveja: Nas estantes dos supermercados, as cervejas mais procuradas ficam em prateleiras acessíveis. A Heineken está na mais alta.
A Heineken pode até ter clientela, mas seu serviço de distribuição é péssimo: ¿Como é q esses bagres da ditribuidora foram deixar a prateleira esvaziar? Até a Skol tem gente mais competente.
Só antas preferem a Heineken: A base da prateleira é uma grade. Qqer guanaco subnutrido teria puxado o engradado por baixo em vez de ficar pulando q nem mico tentando alcançá-lo por cima. HOHOHOHOHO E a cara de dãã q a moça faz no fim não deixa dúvidas: ela é mesmo uma anta.
Quem bebe Heineken é cretino: Revoltante a desonestidade do cara q vem ajudar e acaba roubando o engradado. ¿Q espécie de cretino bebe essa cerveja? Além de desonesto, é um babacão: a chance de paquerar uma gostosa cai do céu ¿e ele prefere levar a cerveja pra casa? com certeza vai bebê-la se masturbando vendo filme pornô de terceira. ¡Trompa! Aliás, a cara de dãã q a atriz faz no fim tbm evidencia a cretinice dela: ela faz cara de quem não entende como é q alguém pode preferir beber toda a cerveja em vez de dividi-la com uma gostosa. pfff-ff-ff-ff-ff A resposta é simples: o cara é babaca q nem você, sua tomba.
Essa gente parece q bebeu, não?
A Heineken não é uma boa cerveja: Nas estantes dos supermercados, as cervejas mais procuradas ficam em prateleiras acessíveis. A Heineken está na mais alta.
A Heineken pode até ter clientela, mas seu serviço de distribuição é péssimo: ¿Como é q esses bagres da ditribuidora foram deixar a prateleira esvaziar? Até a Skol tem gente mais competente.
Só antas preferem a Heineken: A base da prateleira é uma grade. Qqer guanaco subnutrido teria puxado o engradado por baixo em vez de ficar pulando q nem mico tentando alcançá-lo por cima. HOHOHOHOHO E a cara de dãã q a moça faz no fim não deixa dúvidas: ela é mesmo uma anta.
Quem bebe Heineken é cretino: Revoltante a desonestidade do cara q vem ajudar e acaba roubando o engradado. ¿Q espécie de cretino bebe essa cerveja? Além de desonesto, é um babacão: a chance de paquerar uma gostosa cai do céu ¿e ele prefere levar a cerveja pra casa? com certeza vai bebê-la se masturbando vendo filme pornô de terceira. ¡Trompa! Aliás, a cara de dãã q a atriz faz no fim tbm evidencia a cretinice dela: ela faz cara de quem não entende como é q alguém pode preferir beber toda a cerveja em vez de dividi-la com uma gostosa. pfff-ff-ff-ff-ff A resposta é simples: o cara é babaca q nem você, sua tomba.
Essa gente parece q bebeu, não?
05 fevereiro 2004
Pra lá de Basra
¿Viram só essa 'revelação' de q o Nixon mandou a CIA dar um jeitinho no Allende? HAHAHAHAHA O resto do mundo sempre soube q os EUA estavam por trás de tudo, mas pros gringo a verdade só aparece décadas mais tarde, qdo vira best-seller ou blockbuster. Estadunidense é assim mesmo. Se o Dr Plausível abrisse uma clínica lá, com certeza ela seria bombardeada, como as de aborto.
Sobre as armas do Iraque vai ser a mesma coisa. Aguardem o livro e o filme daqui a duas décadas. O mundo todo sempre soube q a justificativa prà invasão do Iraque foi mais cara-de-pau q outra coisa, e lá vem o porta-voz da CIA dizer q o Saddam podia não ter as armas, mas q ¡tava com uma vontaaaade! Qta cretinice...
O Dr Plausível não vai parar de rir tão cedo. Já antes da invasão, nosso elevado estudioso rachava o bico qdo a BBC mostrava claramente q o Iraque não tinha nada. Depois q o Colin Powell envergou a cara de funcionário público caturra na ONU mostrando as fotos com supostas fábricas de armamentos, a BBC visitou um dos lugarejos suspeitos e perguntou aos poucos gatos-pingados q restavam por que foi q o local se esvaziou. A resposta foi de matar de rir: "¿E vc acha q essa gente é louca de ficar aqui servindo de alvo?" HAHAHAHAHA A Globo mostrou a reportagem mais hilariante de todas: uma matéria sobre a Bolsa de Valores de Bagdá. É um salão dividido ao meio por uma grade até o teto; dum lado, os compradores e vendedores quase maltrapilhos se amontoam atrás da grade, e de outro lado alguns 'operadores' registram os negócios com giz na parede oposta pintada de preto. BRUHAHAHAHAHA ¡Vê se um país com uma bolsa de valores desse estilo tem cacife pra fazer mísseis nucleares! Impagável!
E agora a BBC é desmoralizada por um pau-mandado. ¡Imprêssionante! É por essas e outras q o Dr Plausível não perde o noticiário político. Ê tchurminha hilariante...
¡Caaacilda!
Sobre as armas do Iraque vai ser a mesma coisa. Aguardem o livro e o filme daqui a duas décadas. O mundo todo sempre soube q a justificativa prà invasão do Iraque foi mais cara-de-pau q outra coisa, e lá vem o porta-voz da CIA dizer q o Saddam podia não ter as armas, mas q ¡tava com uma vontaaaade! Qta cretinice...
O Dr Plausível não vai parar de rir tão cedo. Já antes da invasão, nosso elevado estudioso rachava o bico qdo a BBC mostrava claramente q o Iraque não tinha nada. Depois q o Colin Powell envergou a cara de funcionário público caturra na ONU mostrando as fotos com supostas fábricas de armamentos, a BBC visitou um dos lugarejos suspeitos e perguntou aos poucos gatos-pingados q restavam por que foi q o local se esvaziou. A resposta foi de matar de rir: "¿E vc acha q essa gente é louca de ficar aqui servindo de alvo?" HAHAHAHAHA A Globo mostrou a reportagem mais hilariante de todas: uma matéria sobre a Bolsa de Valores de Bagdá. É um salão dividido ao meio por uma grade até o teto; dum lado, os compradores e vendedores quase maltrapilhos se amontoam atrás da grade, e de outro lado alguns 'operadores' registram os negócios com giz na parede oposta pintada de preto. BRUHAHAHAHAHA ¡Vê se um país com uma bolsa de valores desse estilo tem cacife pra fazer mísseis nucleares! Impagável!
E agora a BBC é desmoralizada por um pau-mandado. ¡Imprêssionante! É por essas e outras q o Dr Plausível não perde o noticiário político. Ê tchurminha hilariante...
¡Caaacilda!
02 fevereiro 2004
A norma estulta
Pra deleite da platéia, aqui vai um exemplo da estulta 'norma culta' em ação.
O contexto é o seguinte: Minha esposa faz traduções pra legendagem. Um de seus empregadores menores é um intermediário q fornece traduções para, entre outras, uma empresa sediada em Miami q se gaba de produzir traduções num português "da melhor qualidade", isto é, seguindo os padrões canhestros, retrógrados, ineficientes e contraditórios da infame 'norma culta'.
O intermediário no Brasil encomendou a minha patroa uma tradução q seguisse o padrão de outro cliente, um padrão mais natural e abrangente. Terminada a tradução, esta foi revisada por outra pessoa, seguindo o padrão daquele cliente retrógrado de Miami. Ato seguido, esta revisora enviou um email a minha digníssima cônjuge, apontando alguns "erros". Veja algumas legendas, os "erros" apontados pela revisora (q tbm vê o filme) e os comentários dela. Não estou criticando a revisora: ela está apenas seguindo normas do cliente:
[1]
Fulana, preciso tomar uma decisão importante hoje. Me responda.
"Não se pode iniciar uma frase com os pronomes átonos, pronomes pessoais do caso oblíquo: me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. (...) Não adianta argumentar que é assim que se fala. Isso é mais do que sabido, porém não é gramaticalmente correto. Não passa."
Notem o "não se pode"; notem tbm q "é mais do q sabido q é assim q se fala, porém não é gramaticalmente correto". BRUHAHAHAHAHAHA There is no cabbiment!!
[2]
- Seu irmão está feliz?
- Acho que sim. Mas anda meio obcecado com as coisas de Fulano.
"Quem anda?"
Isto é, se a legenda não diz explicitamente 'ele anda', vai "confundir" o espectador. HAHAHAHAHA Como se este fosse tão estulto qto os defensores da norma culta, ou como se toda frase em português devesse ter sujeito, como no inglês. Ainda mais q, se o sujeito oculto em 'anda' pode ser qqer pessoa, então o sujeito explícito em 'ele anda' tbm pode, ¿ora pois não?
[3]
O casal principal, à porta de sua casa afastada da cidade, se despede dum empregado q vai embora a pé, passando entre os dois carros do casal. A mulher diz ao marido:
Devíamos oferecer uma carona.
"A quem?"
¿Como assim, a quem? ¿O espectador por acaso é cego? Se fosse, não estaria lendo legenda.
[4]
Duas crianças de mais ou menos 10 anos estão brincando de pega-pega. Uma pega a outra e grita:
Peguei. (¡Ponto de exclamação é proibido!)
Correção: "Eu o peguei, ou Eu a peguei."
HAHAHAHAHAHAHA Imaginem uma criança pegando a outra e gritando "Eu a peguei, eu a peguei!" ¡Qta cretinice! Esse pessoal da norma estulta deve ser de outro planeta. Outra coisa ridícula é a tradução 'oficial' de 'I love you', q é 'Eu o amo' ou 'Eu a amo'. Só q, na burrice estratosférica desse pessoal, esquecem q, como não se usa mais o tu em português, as traduções 'corretas' seriam tbm equivalentes a 'I love him/her'. Se a patroa me disser 'Eu o amo', já vou logo perguntando '¿Quem é esse filho-da-puta?'.
[5]
- Não sabe perder, é?
- Cale a boca.
Correção: "Você não sabe perder, sabe?"
Ai, ai. Explicar esta me faz sentir como o Louis Armstrong respondendo àquela mulher q lhe perguntou o q era jazz. Qqer diretor de tradução q não percebe a diferença entre "Não sabe perder, é?" e "Você não sabe perder, sabe?" deveria procurar outra profissão: caixa de banco, magnata do petróleo, jardineiro.
[6]
Um homem demonstra o uso dum martelo munido dum ferrão pra abater ovelhas.
Meu avô e um ferreiro inventaram estes martelos. Veja só este ferrão. Entrava direto no cérebro. Abria um buraco no crânio.
"Quando o verbo está na 3a pessoa do singular, é importante colocar o sujeito, para facilitar para o espectador. Quando está no passado, ainda mais, porque a forma é igual para a 1a pessoa também."
¡Té parece q tem tanto espectador com o nível de tacanhez dessa gente! É simplesmente ridículo acreditar q qqer um dos 170 milhões de brasileiros entenderia "Veja só este ferrão. Eu entrava direto no cérebro. O Zé abria um buraco no crânio." Pois então ¡tenha a santa! Aliás, se é pra ser tão específico, a tradução mais explícita seguindo o padrão dessa empresa seria "Veja este ferrão. Ele abria buracos nos crânios delas. Ele entrava diretamente até os cérebros delas." ¡Ah vá catá coquinho, sô!
Um dos padrões dessa firma é nunca citar o nome do tradutor. Minha mulher (q aliás nem faz idéia de q estou escrevendo isto) acha ótimo, pois teria vergonha de ter seu nome associado publicamente a essa firma.
----
O típico defensor da norma culta é como um burrico q não consegue viver sem arreio e cabresto. Além de exigi-los pra si, exige-os pros outros. Tem ouvido de lata pràs infinitas nuances da língua, seus infinitos níveis de expressão, sua flexibilidade e seus climas. Não sabe q as palavras servem tanto pra expressar o pensamento como pra escondê-lo; não enxerga q o objetivo duma única frase pode ser insultar, esclarecer, confundir, desprezar e seduzir um interlocutor, tudo ao mesmo tempo. E o pior de tudo, acha q está seguindo preceitos lógicos e inescapáveis. ¡Essa é de matar!
O diretor de traduções dessa empresa (q, pasmem, é brasileiro) precisa não de um, mas de dois arreios pra viver e ser feliz: o arreio da norma estulta e o dos usos da língua inglesa (todo verbo exige sujeito, todo verbo transitivo exige objeto). Transforma suas traduções numa gororoba culta e feia, composta de atropelos ao bom-senso, insultos à sensibilidade e ataques agudos de hipoplausibilose.
O Dr Plausível só se recosta na poltrona e ri. Simplesmente ri. Pois ¡como é engraçado assistir os últimos estertores dum bicho ridículo em extinção!
O contexto é o seguinte: Minha esposa faz traduções pra legendagem. Um de seus empregadores menores é um intermediário q fornece traduções para, entre outras, uma empresa sediada em Miami q se gaba de produzir traduções num português "da melhor qualidade", isto é, seguindo os padrões canhestros, retrógrados, ineficientes e contraditórios da infame 'norma culta'.
O intermediário no Brasil encomendou a minha patroa uma tradução q seguisse o padrão de outro cliente, um padrão mais natural e abrangente. Terminada a tradução, esta foi revisada por outra pessoa, seguindo o padrão daquele cliente retrógrado de Miami. Ato seguido, esta revisora enviou um email a minha digníssima cônjuge, apontando alguns "erros". Veja algumas legendas, os "erros" apontados pela revisora (q tbm vê o filme) e os comentários dela. Não estou criticando a revisora: ela está apenas seguindo normas do cliente:
[1]
Fulana, preciso tomar uma decisão importante hoje. Me responda.
"Não se pode iniciar uma frase com os pronomes átonos, pronomes pessoais do caso oblíquo: me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. (...) Não adianta argumentar que é assim que se fala. Isso é mais do que sabido, porém não é gramaticalmente correto. Não passa."
Notem o "não se pode"; notem tbm q "é mais do q sabido q é assim q se fala, porém não é gramaticalmente correto". BRUHAHAHAHAHAHA There is no cabbiment!!
[2]
- Seu irmão está feliz?
- Acho que sim. Mas anda meio obcecado com as coisas de Fulano.
"Quem anda?"
Isto é, se a legenda não diz explicitamente 'ele anda', vai "confundir" o espectador. HAHAHAHAHA Como se este fosse tão estulto qto os defensores da norma culta, ou como se toda frase em português devesse ter sujeito, como no inglês. Ainda mais q, se o sujeito oculto em 'anda' pode ser qqer pessoa, então o sujeito explícito em 'ele anda' tbm pode, ¿ora pois não?
[3]
O casal principal, à porta de sua casa afastada da cidade, se despede dum empregado q vai embora a pé, passando entre os dois carros do casal. A mulher diz ao marido:
Devíamos oferecer uma carona.
"A quem?"
¿Como assim, a quem? ¿O espectador por acaso é cego? Se fosse, não estaria lendo legenda.
[4]
Duas crianças de mais ou menos 10 anos estão brincando de pega-pega. Uma pega a outra e grita:
Peguei. (¡Ponto de exclamação é proibido!)
Correção: "Eu o peguei, ou Eu a peguei."
HAHAHAHAHAHAHA Imaginem uma criança pegando a outra e gritando "Eu a peguei, eu a peguei!" ¡Qta cretinice! Esse pessoal da norma estulta deve ser de outro planeta. Outra coisa ridícula é a tradução 'oficial' de 'I love you', q é 'Eu o amo' ou 'Eu a amo'. Só q, na burrice estratosférica desse pessoal, esquecem q, como não se usa mais o tu em português, as traduções 'corretas' seriam tbm equivalentes a 'I love him/her'. Se a patroa me disser 'Eu o amo', já vou logo perguntando '¿Quem é esse filho-da-puta?'.
[5]
- Não sabe perder, é?
- Cale a boca.
Correção: "Você não sabe perder, sabe?"
Ai, ai. Explicar esta me faz sentir como o Louis Armstrong respondendo àquela mulher q lhe perguntou o q era jazz. Qqer diretor de tradução q não percebe a diferença entre "Não sabe perder, é?" e "Você não sabe perder, sabe?" deveria procurar outra profissão: caixa de banco, magnata do petróleo, jardineiro.
[6]
Um homem demonstra o uso dum martelo munido dum ferrão pra abater ovelhas.
Meu avô e um ferreiro inventaram estes martelos. Veja só este ferrão. Entrava direto no cérebro. Abria um buraco no crânio.
"Quando o verbo está na 3a pessoa do singular, é importante colocar o sujeito, para facilitar para o espectador. Quando está no passado, ainda mais, porque a forma é igual para a 1a pessoa também."
¡Té parece q tem tanto espectador com o nível de tacanhez dessa gente! É simplesmente ridículo acreditar q qqer um dos 170 milhões de brasileiros entenderia "Veja só este ferrão. Eu entrava direto no cérebro. O Zé abria um buraco no crânio." Pois então ¡tenha a santa! Aliás, se é pra ser tão específico, a tradução mais explícita seguindo o padrão dessa empresa seria "Veja este ferrão. Ele abria buracos nos crânios delas. Ele entrava diretamente até os cérebros delas." ¡Ah vá catá coquinho, sô!
Um dos padrões dessa firma é nunca citar o nome do tradutor. Minha mulher (q aliás nem faz idéia de q estou escrevendo isto) acha ótimo, pois teria vergonha de ter seu nome associado publicamente a essa firma.
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O típico defensor da norma culta é como um burrico q não consegue viver sem arreio e cabresto. Além de exigi-los pra si, exige-os pros outros. Tem ouvido de lata pràs infinitas nuances da língua, seus infinitos níveis de expressão, sua flexibilidade e seus climas. Não sabe q as palavras servem tanto pra expressar o pensamento como pra escondê-lo; não enxerga q o objetivo duma única frase pode ser insultar, esclarecer, confundir, desprezar e seduzir um interlocutor, tudo ao mesmo tempo. E o pior de tudo, acha q está seguindo preceitos lógicos e inescapáveis. ¡Essa é de matar!
O diretor de traduções dessa empresa (q, pasmem, é brasileiro) precisa não de um, mas de dois arreios pra viver e ser feliz: o arreio da norma estulta e o dos usos da língua inglesa (todo verbo exige sujeito, todo verbo transitivo exige objeto). Transforma suas traduções numa gororoba culta e feia, composta de atropelos ao bom-senso, insultos à sensibilidade e ataques agudos de hipoplausibilose.
O Dr Plausível só se recosta na poltrona e ri. Simplesmente ri. Pois ¡como é engraçado assistir os últimos estertores dum bicho ridículo em extinção!
01 fevereiro 2004
Lobby de bode
Digo e repito: o bom de ser agnóstico são as gargalhadas. Pro Dr Plausível, a expressão 'comédia humana' é mais concreta do q metafórica: se o mundo todo é um palco, então nosso efervescente humanista e alguns outros privilegiados são a platéia repoltroneada. É triste mas é verdade. HAHAHAHAHA
Um dos comediantes mais engraçados é o lobbyista, o sujeito q se sente o próprio monitor de acampamento infantil. Ele quer ir dormir às 11h; mas como as crianças querem ir à meia-noite, ele finge q impõe cama às 10h. As crianças chiam, negociam, e no fim todo mundo 'concorda' em ir às 11h.
Pois ¿vcs acreditam q tem gente fazendo lobby em Brasília pra implantar uma lei que obrigue os canais de TV a "veicular no mínimo três horas diárias de programação religiosa", inclusive no horário nobre?
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eles ficariam contentes com apenas uma hora, mas mesmo assim, ¡q idéia mais estapafúrdia! ¿Quer dizer q se o projeto virar lei, os lobbyistas vão ficar contentíssimos se um canal passar três horas por dia de programação budista? HAHAHAHAHAHA ¡Ah, não, aí não, né? ¿Por que não dizem logo 'programação católica ou evangélica'? ¡Té parece q há algum muçulmano, judeu, sikhista, ou besourista nesse lobby! E até parece q algum canal, ãã, secular vai aceitar uma imposição desse tipo: o autor dessa idéia deve ser parente espiritual daquele q ergue cartazes com coisas como "A IRA DE DEUS O MUNDO SE CURVA AOS DITADORES".
¡Ô bode de domingo! ¡ô bode no meio da sala!
Um dos comediantes mais engraçados é o lobbyista, o sujeito q se sente o próprio monitor de acampamento infantil. Ele quer ir dormir às 11h; mas como as crianças querem ir à meia-noite, ele finge q impõe cama às 10h. As crianças chiam, negociam, e no fim todo mundo 'concorda' em ir às 11h.
Pois ¿vcs acreditam q tem gente fazendo lobby em Brasília pra implantar uma lei que obrigue os canais de TV a "veicular no mínimo três horas diárias de programação religiosa", inclusive no horário nobre?
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Eles ficariam contentes com apenas uma hora, mas mesmo assim, ¡q idéia mais estapafúrdia! ¿Quer dizer q se o projeto virar lei, os lobbyistas vão ficar contentíssimos se um canal passar três horas por dia de programação budista? HAHAHAHAHAHA ¡Ah, não, aí não, né? ¿Por que não dizem logo 'programação católica ou evangélica'? ¡Té parece q há algum muçulmano, judeu, sikhista, ou besourista nesse lobby! E até parece q algum canal, ãã, secular vai aceitar uma imposição desse tipo: o autor dessa idéia deve ser parente espiritual daquele q ergue cartazes com coisas como "A IRA DE DEUS O MUNDO SE CURVA AOS DITADORES".
¡Ô bode de domingo! ¡ô bode no meio da sala!
26 janeiro 2004
São Papudo
Ontem fez aniversário um gordaço inchado careca espaçoso cascão sujo grosso feio mal-humorado cínico e peidorrento. Prestaram-lhe homenagem as traças q se fartam bebendo o suor viscoso q lhe escorre dos poros. Dá pra desconfiar, ¿não dá?
Quem se alimenta do suor de São Paulo vive dizendo q ama a cidade. O gozado é q esses são justamente os paulistanos q mais tempo passam fora dela: têm casas na praia, férias na Europa. Citando as virtudes de SPaulo, falam na verdade do primeiro mundo: ¿onde mais no Brasil pode-se passear por Picasso, almoçar uma trufa, ver um Truffaut, admirar um guerreiro de Xi'an, conversar com Ray Charles, ouvir Stravinsky, jantar um sushi, tudo da melhor qualidade, tudo no mesmo dia? Esse pessoal não gosta de SPaulo. Gosta é de achar q está em outro lugar.
No outro lado estão os q odeiam SPaulo porque são eles os q suam seu suor. Soltam o verbo reclamando da "exclusão" social, das desigualdades e o escambau a quatro desta cidade, como se ela tivesse q ser diferente do resto do Brasil. Ou pior, como se SPaulo devesse ser o carro-chefe, o modelo pro resto. ¡Tenha a santa! A turgidez desta cidade é a mais clara evidência de q o Brasil inteiro não tem se mostrado uma proposta viável. SPaulo cresce como um tumor absorvendo o povo q não se deu bem no resto do país, pessoas vindas de regiões de onde nunca teriam saído se de lá não houvessem sido excluídas em primeiro lugar. SPaulo é antes de mais nada o entumescimento dum tipo de inclusão social: aqui é onde vai parar o jovem sem perspectivas de Aracupirangonhó, aquele lugar onde não há exposições, restaurantes, hotéis, teatros, cinemas ou livrarias onde ele pudesse começar a vida como porteiro.
Então deixem de besteira ufanista ou idealista. Deve-se falar de SPaulo como os ingleses falam do tempo: está ruim, vai ficar pior e nada se pode fazer em contra, além de abandoná-la às traças.
Quem se alimenta do suor de São Paulo vive dizendo q ama a cidade. O gozado é q esses são justamente os paulistanos q mais tempo passam fora dela: têm casas na praia, férias na Europa. Citando as virtudes de SPaulo, falam na verdade do primeiro mundo: ¿onde mais no Brasil pode-se passear por Picasso, almoçar uma trufa, ver um Truffaut, admirar um guerreiro de Xi'an, conversar com Ray Charles, ouvir Stravinsky, jantar um sushi, tudo da melhor qualidade, tudo no mesmo dia? Esse pessoal não gosta de SPaulo. Gosta é de achar q está em outro lugar.
No outro lado estão os q odeiam SPaulo porque são eles os q suam seu suor. Soltam o verbo reclamando da "exclusão" social, das desigualdades e o escambau a quatro desta cidade, como se ela tivesse q ser diferente do resto do Brasil. Ou pior, como se SPaulo devesse ser o carro-chefe, o modelo pro resto. ¡Tenha a santa! A turgidez desta cidade é a mais clara evidência de q o Brasil inteiro não tem se mostrado uma proposta viável. SPaulo cresce como um tumor absorvendo o povo q não se deu bem no resto do país, pessoas vindas de regiões de onde nunca teriam saído se de lá não houvessem sido excluídas em primeiro lugar. SPaulo é antes de mais nada o entumescimento dum tipo de inclusão social: aqui é onde vai parar o jovem sem perspectivas de Aracupirangonhó, aquele lugar onde não há exposições, restaurantes, hotéis, teatros, cinemas ou livrarias onde ele pudesse começar a vida como porteiro.
Então deixem de besteira ufanista ou idealista. Deve-se falar de SPaulo como os ingleses falam do tempo: está ruim, vai ficar pior e nada se pode fazer em contra, além de abandoná-la às traças.
23 janeiro 2004
As glórias da sorte
Vendo nosso epifânico doutor verter lágrimas extasiadas ao ouvir a inenarrável perfeição e insopitável precisão de “O Futebol” do Chico Buarque, qqer pessoa acharia q o futebol está em seu sangue, q seus membros ardem pela seiva redentora da vitória.
Ilusão treda. O Dr Plausível não torce pra time de nenhum bairro, cidade, país ou planeta. Jamais se verá nosso equilibrado humanista fazendo auê em arquibancada, babando na frente da tv ou soltando rojão toda vez q um assalariado de uniforme colocar uma bola num lugar improvável.
Dia desses, passando sem querer por um canal de esportes, ouviu o locutor se empanturrar de emoção e falar na glória do time vencedor. Quê? Glória?... ¡¿GLÓRIA?! O Dr Plausível ergueu a testa e sorriu.
Mas ¡que gente exagerada, não? Pois vejam só.
Fazer mais pontos q o time adversário pode ser fácil ou difícil. Ganhar fácil não pode ser chamado de ‘glória’. Vendo um time dar de, sei lá, dez a zero, aquele mundo de gente chorando de alegria ¿está festejando o quê? ¿Que glória pode haver em ganhar de lavada dum time mais fraco? A torcida festeja é a sorte de o adversário, dessa vez, não ter juntado um time de brutamontes q lhes quebre as canelas e os deixe na lama. Admitam.
No outro extremo, tão as ‘vitórias’ difíceis, qdo não se sabe o placar final até o último segundo − tipo numa partida de vôlei: depois de dezenas de match-points pra lá e pra cá, até o torcedor mais roxo fica meio entediado e se perguntando qdo é q vai acabar o chove-não-molha. A verdadeira dimensão da glória fica evidente: num jogo difícil, vence o time q tem a sorte de fazer dois pontos seguidos primeiro; ou, em jogos por tempo, vence aquele q tem a sorte de tar com mais pontos no momento do apito final. ¿Isso lá é glória, catso?
Tem um pessoal aí q não sei, viu. Quer se descabelar, descabele-se. Quer espargir a muxiba, esparja. Mas manera nos termos, aí ô. Como já disse o Tom Stoppard, “Don't clap too loudly. This is a very old world.”
Ilusão treda. O Dr Plausível não torce pra time de nenhum bairro, cidade, país ou planeta. Jamais se verá nosso equilibrado humanista fazendo auê em arquibancada, babando na frente da tv ou soltando rojão toda vez q um assalariado de uniforme colocar uma bola num lugar improvável.
Dia desses, passando sem querer por um canal de esportes, ouviu o locutor se empanturrar de emoção e falar na glória do time vencedor. Quê? Glória?... ¡¿GLÓRIA?! O Dr Plausível ergueu a testa e sorriu.
Mas ¡que gente exagerada, não? Pois vejam só.
Fazer mais pontos q o time adversário pode ser fácil ou difícil. Ganhar fácil não pode ser chamado de ‘glória’. Vendo um time dar de, sei lá, dez a zero, aquele mundo de gente chorando de alegria ¿está festejando o quê? ¿Que glória pode haver em ganhar de lavada dum time mais fraco? A torcida festeja é a sorte de o adversário, dessa vez, não ter juntado um time de brutamontes q lhes quebre as canelas e os deixe na lama. Admitam.
No outro extremo, tão as ‘vitórias’ difíceis, qdo não se sabe o placar final até o último segundo − tipo numa partida de vôlei: depois de dezenas de match-points pra lá e pra cá, até o torcedor mais roxo fica meio entediado e se perguntando qdo é q vai acabar o chove-não-molha. A verdadeira dimensão da glória fica evidente: num jogo difícil, vence o time q tem a sorte de fazer dois pontos seguidos primeiro; ou, em jogos por tempo, vence aquele q tem a sorte de tar com mais pontos no momento do apito final. ¿Isso lá é glória, catso?
Tem um pessoal aí q não sei, viu. Quer se descabelar, descabele-se. Quer espargir a muxiba, esparja. Mas manera nos termos, aí ô. Como já disse o Tom Stoppard, “Don't clap too loudly. This is a very old world.”
17 janeiro 2004
Foto digital
Começo a pensar q não sou boa companhia pro Dr Plausível. Dia desses, levei-lhe as primeiras páginas de alguns jornais brasileiros pra diagnóstico e tratamento. Foi só apontar a foto do piloto apontando o dedo, e nosso excepcional especialista repimpou-se de gargalhadas, tossiu, engasgou, espirrou, tudo ao mesmo tempo. Só se acalmou lendo gibi.
E não era pra menos. O piloto foi detido por desacatar a PF com um gesto obceno, e no dia seguinte ¡a foto do delito me aparece estampada nos jornais de todo o país! HAHAHAHAHAHAHAHA ¡Q estrambotice! Pois sendo este um episódio momentaneamente importante nas relações entre o Brasil e os EUA, ¿será q ninguém se tocou de q a publicação do gesto obceno implica em q ele não é tão ofensivo assim? Se o piloto tivesse abaixado as calças, revelando uma ereção do dito cujo do qual o dedo é apenas símbolo, ¿a foto do evento teria sido publicada assim mesmo? Então!
A decisão do juiz brasileiro foi galhardamente apoiada pelo Dr Plausível. À parte a inegável justiça, o aspecto da coisa q o convenceu foi a promessa de alegres momentos vendo o noticiário. E não deu outra: permitir q o piloto emoldure a foto e a pendure na sala de visitas foi de longe a idéia mais hilariante q a PF já teve em toda sua história. Sem falar q perdeu uma bela chance. Se tivesse mantido a foto em sigilo, o efeito da acusação teria sido maior: todo o mundo imaginaria algo pior do q o q de fato aconteceu. Ver a 'prova' foi quase um anti-clímax. Fora q alguém já vai ter a idéia de entrar no Brasil vestindo camiseta com a foto do babaca estampada.
Por uma módica fortuna, o Dr Plausível ministrará cursos de Plausibilidade I, II e III também prà PF.
E não era pra menos. O piloto foi detido por desacatar a PF com um gesto obceno, e no dia seguinte ¡a foto do delito me aparece estampada nos jornais de todo o país! HAHAHAHAHAHAHAHA ¡Q estrambotice! Pois sendo este um episódio momentaneamente importante nas relações entre o Brasil e os EUA, ¿será q ninguém se tocou de q a publicação do gesto obceno implica em q ele não é tão ofensivo assim? Se o piloto tivesse abaixado as calças, revelando uma ereção do dito cujo do qual o dedo é apenas símbolo, ¿a foto do evento teria sido publicada assim mesmo? Então!
A decisão do juiz brasileiro foi galhardamente apoiada pelo Dr Plausível. À parte a inegável justiça, o aspecto da coisa q o convenceu foi a promessa de alegres momentos vendo o noticiário. E não deu outra: permitir q o piloto emoldure a foto e a pendure na sala de visitas foi de longe a idéia mais hilariante q a PF já teve em toda sua história. Sem falar q perdeu uma bela chance. Se tivesse mantido a foto em sigilo, o efeito da acusação teria sido maior: todo o mundo imaginaria algo pior do q o q de fato aconteceu. Ver a 'prova' foi quase um anti-clímax. Fora q alguém já vai ter a idéia de entrar no Brasil vestindo camiseta com a foto do babaca estampada.
Por uma módica fortuna, o Dr Plausível ministrará cursos de Plausibilidade I, II e III também prà PF.
15 janeiro 2004
Pague-se o pagão
Os canais religiosos de tv são muito vulneráveis a epidemias de hipoplausibilose. Têm tantos problemas q nenhum plano de saúde saudável se arriscaria a segurá-los. E muito embora seu emotivo coração se apiade diariamente, o Dr Plausível nem se mete. Os programas passam e o doutor nem ladra.
Mas pelamãedoguarda!, alguém tem q encaminhar o dj da igreja Universal até um cantinho escuro e dar-lhe um belo piripapo no pé do ouvido. Pois nesse canal, nem bem um pastor termina de exorcisar um demônio, dar graças a Deus e conclamar os devotos a louvar Jesus, lá vem o dj e tasca "o fortuna" do Carmina Burana na vitrola. HAHAHAHA que ridículo...
¡Parece até q esse pessoal não lê jornal! Pois ¿como é q um programa q se diz religioso não dá uma pesquisadinha no q diz a letra do fundo musical? Êêê, dj! Acorda! O CB é todinho composto encima de poemas profanos, odes em louvor ao jogo, à gula e à bebida, referências a rituais pagãos, esse tipo de coisa. Na certa, o cara ouviu aquele coral todo e achou divino, qdo na verdade a mensagem da letra é algo como "a sorte e o azar regem esta vida detestável, aguçando a pobreza e dissolvendo o poder". Pois então. ¿De q adianta rezar, se a própria trilha sonora diz q não adianta nada? HAHAHAHAHA cada coisa...
Digam se eu não tenho razão: ¿o Dr Plausível não deveria receber um alto salário?
Mas pelamãedoguarda!, alguém tem q encaminhar o dj da igreja Universal até um cantinho escuro e dar-lhe um belo piripapo no pé do ouvido. Pois nesse canal, nem bem um pastor termina de exorcisar um demônio, dar graças a Deus e conclamar os devotos a louvar Jesus, lá vem o dj e tasca "o fortuna" do Carmina Burana na vitrola. HAHAHAHA que ridículo...
¡Parece até q esse pessoal não lê jornal! Pois ¿como é q um programa q se diz religioso não dá uma pesquisadinha no q diz a letra do fundo musical? Êêê, dj! Acorda! O CB é todinho composto encima de poemas profanos, odes em louvor ao jogo, à gula e à bebida, referências a rituais pagãos, esse tipo de coisa. Na certa, o cara ouviu aquele coral todo e achou divino, qdo na verdade a mensagem da letra é algo como "a sorte e o azar regem esta vida detestável, aguçando a pobreza e dissolvendo o poder". Pois então. ¿De q adianta rezar, se a própria trilha sonora diz q não adianta nada? HAHAHAHAHA cada coisa...
Digam se eu não tenho razão: ¿o Dr Plausível não deveria receber um alto salário?
09 janeiro 2004
The Church Snow Ball Igreja
Apesar de o Dr Plausivel dizer q vive no melhor dos tempos possíveis, temo por sua saúde. Algum dia vai explodir de tanto rir. Pra ele, a raça humana está pouco a pouco mutando de Homo sapiens pra Homo insipiens. É simplesmente estupefaciente o número de humoristas q proliferam como coelhos enviagrados.
Dia desses, subiu ao palco dum programa de auditório uma ex-coelhinha da Playboy vestindo metade dos seios pra fora, anunciando q agora é casta pois se converteu à (pasmem) Igreja Bola de Neve Church.
[silêncio]
hmm
Segundo a nova adepta, é uma igreja q "atrai principalmente surfistas", sediada no Alto da Lapa.
hmm
[pausa]
ãã...
[silêncio]
Deixa eu me recompor.
¿Por onde começo?
Observem os sintomas:
- não é só uma igreja: é uma igreja "church"
- atrai surfistas e se chama "Bola de Neve"
- atrai surfistas e está sediada no Planalto Paulista
É direito de cada um crer no q lhe der na telha e nosso estrondoso doutor está longe de ser idiota a ponto de se meter com a crença alheia. Por ele, vc pode seguir qqer fé: pode até acreditar piamente q o universo foi criado pelo Sílvio Santos e é atualmente governado por um besouro gigante perneta q mora em Moçambique; vc tem toda a liberdade até de criar uma igreja e abrir uma poupança no BankBoston com o lucro, mas ¡¡pelamordizeus, põe um nome plausível nessa igreja!!
(nota: Antigamente os cultos inventados procuravam dar um ar de respeitabilidade assumindo termos científicos. Hoje se consegue isso facilmente enxertando uma palavra inglesa. Mas ¡q coisa, não?)
Se ninguém achar a vacina contra o febehipoapá, alguém algum dia vai ter a brilhante idéia de criar o Templo Cristo na Crista da Onda Temple, atraindo principalmente alpinistas e sediado no Pantanal Matogrossense.
¡Ó nua nomenclatura! ¡Ó praia de palavras!
Dia desses, subiu ao palco dum programa de auditório uma ex-coelhinha da Playboy vestindo metade dos seios pra fora, anunciando q agora é casta pois se converteu à (pasmem) Igreja Bola de Neve Church.
[silêncio]
hmm
Segundo a nova adepta, é uma igreja q "atrai principalmente surfistas", sediada no Alto da Lapa.
hmm
[pausa]
ãã...
[silêncio]
Deixa eu me recompor.
¿Por onde começo?
Observem os sintomas:
- não é só uma igreja: é uma igreja "church"
- atrai surfistas e se chama "Bola de Neve"
- atrai surfistas e está sediada no Planalto Paulista
É direito de cada um crer no q lhe der na telha e nosso estrondoso doutor está longe de ser idiota a ponto de se meter com a crença alheia. Por ele, vc pode seguir qqer fé: pode até acreditar piamente q o universo foi criado pelo Sílvio Santos e é atualmente governado por um besouro gigante perneta q mora em Moçambique; vc tem toda a liberdade até de criar uma igreja e abrir uma poupança no BankBoston com o lucro, mas ¡¡pelamordizeus, põe um nome plausível nessa igreja!!
(nota: Antigamente os cultos inventados procuravam dar um ar de respeitabilidade assumindo termos científicos. Hoje se consegue isso facilmente enxertando uma palavra inglesa. Mas ¡q coisa, não?)
Se ninguém achar a vacina contra o febehipoapá, alguém algum dia vai ter a brilhante idéia de criar o Templo Cristo na Crista da Onda Temple, atraindo principalmente alpinistas e sediado no Pantanal Matogrossense.
¡Ó nua nomenclatura! ¡Ó praia de palavras!
05 janeiro 2004
O golpe baixo do salto alto
e o truque sujo da cara limpa
¿Já viram coisa mais imbecil do q roupa? Vira e mexe aparece algum 'especialista' em moda com uma teoria xoxa sobre roupas: q é uma identidade grupal, q é uma expressão da personalidade, do momento emocional, do escambau a quatro. Pfffrrr... qta besteira. Eles falam dos vários usos do vestuário; mas 'uso' é um termo muito geral: igualmente pode-se 'usar' uma camisa pra enforcar um jacaré, ou uma meia pra coar café. Essa conversa mole de q roupa protege do frio e do calor tbm não convence: os aborígines da Terra do Fogo, aquele lugar frio como a peste, andavam nus. O Dr Plausível é q sabe das coisas: as roupas não existem pra tapar. Existem pra tapear.
Todo bicho usa alguma tapeação visual pra conseguir uma trepadinha. Os humanos - esses bichos pelados e sem penas, monocromáticos e sem graça -, usam apetrechos pra tapear o sexo oposto: roupas e navalhas.
Vejam o salto alto, por exemplo. ¿Já assistiram a uma mulher 'vestindo' um salto alto? Ela escala os sapatos, primeiro um, depois o outro, e de repente ela toda se eleva cinco ou dez centímetros mais perto do teto. Muita gente acredita q as mulheres usam salto alto pra competir entre si, ou pra igualar-se aos homens, mas essa explicação não esclarece nada. O salto alto é na verdade uma estratégia pra deixar a vagina mais acessível ao pênis por trás, tanto por erguer a vagina alguns centímetros como por arrebitar as nádegas. Note como o salto alto fica melhor qdo a mulher usa saia do q qdo usa calças. Óbvio: a saia é outra estratégia pro mesmo fim. O desejo precisa duma visualização do coito como objetivo. O colorido e as formas da roupa atraem o olhar como penas coloridas, mas escondem o corpo. A visualisação do coito é então facilitada se a mulher usa saia e salto alto e o homem usa calças: a vagina aponta pra baixo e é só levantar a saia; o pênis aponta pra cima e é só abaixar as calças.
Já o homem tapeia a mulher qdo faz a barba. Fica se esforçando pra conseguir, ainda q temporariamente, aquela pele de mancebo transbordando testosterona e vertendo esperma pelos poros. ¡Q espetáculo deprimente! Toda a tecnologia das navalhas, barbeadores e cremes, todo o 'esforço' de marketing, todas as horas e horas perdidas na frente do espelho estão aí apenas pra ajudar o homem a enganar, ludibriar e conseguir umas trepadinhas. Pois mulher q se lembra de seus malhos de adolescente não vai querer pele q pinica nos lábios e nos lábios.
Mas ¿q é q nosso evocativo doutor acha de implausível em tudo isso? Ora, ¿e precisa dizer? Qdo qqer botijão fica sexy encima de dois tocos e qdo qqer vassoura rejuvenece depois duma navalha, ¿q tipo de aberração resultará daqui alguns milhões de anos? ¡Mulheres cada vez mais gordas e baixinhas precisando de saltos cada vez mais altos e homens cada vez mais barbudos precisando de barbeações cada vez mais freqüentes! ¿Será esse o destino da raça humana? ¡Q vergonha!
¡¡E isso q eu nem falei de depilação e maquiagem!!
Todo bicho usa alguma tapeação visual pra conseguir uma trepadinha. Os humanos - esses bichos pelados e sem penas, monocromáticos e sem graça -, usam apetrechos pra tapear o sexo oposto: roupas e navalhas.
Vejam o salto alto, por exemplo. ¿Já assistiram a uma mulher 'vestindo' um salto alto? Ela escala os sapatos, primeiro um, depois o outro, e de repente ela toda se eleva cinco ou dez centímetros mais perto do teto. Muita gente acredita q as mulheres usam salto alto pra competir entre si, ou pra igualar-se aos homens, mas essa explicação não esclarece nada. O salto alto é na verdade uma estratégia pra deixar a vagina mais acessível ao pênis por trás, tanto por erguer a vagina alguns centímetros como por arrebitar as nádegas. Note como o salto alto fica melhor qdo a mulher usa saia do q qdo usa calças. Óbvio: a saia é outra estratégia pro mesmo fim. O desejo precisa duma visualização do coito como objetivo. O colorido e as formas da roupa atraem o olhar como penas coloridas, mas escondem o corpo. A visualisação do coito é então facilitada se a mulher usa saia e salto alto e o homem usa calças: a vagina aponta pra baixo e é só levantar a saia; o pênis aponta pra cima e é só abaixar as calças.
Já o homem tapeia a mulher qdo faz a barba. Fica se esforçando pra conseguir, ainda q temporariamente, aquela pele de mancebo transbordando testosterona e vertendo esperma pelos poros. ¡Q espetáculo deprimente! Toda a tecnologia das navalhas, barbeadores e cremes, todo o 'esforço' de marketing, todas as horas e horas perdidas na frente do espelho estão aí apenas pra ajudar o homem a enganar, ludibriar e conseguir umas trepadinhas. Pois mulher q se lembra de seus malhos de adolescente não vai querer pele q pinica nos lábios e nos lábios.
Mas ¿q é q nosso evocativo doutor acha de implausível em tudo isso? Ora, ¿e precisa dizer? Qdo qqer botijão fica sexy encima de dois tocos e qdo qqer vassoura rejuvenece depois duma navalha, ¿q tipo de aberração resultará daqui alguns milhões de anos? ¡Mulheres cada vez mais gordas e baixinhas precisando de saltos cada vez mais altos e homens cada vez mais barbudos precisando de barbeações cada vez mais freqüentes! ¿Será esse o destino da raça humana? ¡Q vergonha!
¡¡E isso q eu nem falei de depilação e maquiagem!!
03 janeiro 2004
O Senhor dos Escarcéis
Muita gente diz q Dr Plausível é bitolado e atrasado, e às vezes até dá pra entender por quê. Vejam só: a trilogia do Senhor dos Anéis já está quase virando uma série, e apenas agora é q ele se dispôs a enfrentar as três longas horas do primeiro filme, não sem reclamar em altos brados na locadora. E não deu outra. Três horas de chatice entrecortada de acochambraduras implausíveis.
Filme de aventura é sempre um saco: vc sabe desde o começo q durante as próximas três horas, o herói pode cair num rio de lava, pode-lhe até cair um piano na cabeça, q absolutamente nada vai lhe causar qqer dano físico, emocional ou intelectual duradouro: ele vai continuar ileso como qdo sua digníssima mãe o pariu, vai continuar senhor de si e vai aprender rigorosamente nada sobre coisa alguma q seja de qqer utilidade seja pra ele ou pra nós.
Pois digam-me uma coisa: se um demônio gigante cuspindo fogo por todos os poros está em teu encalço já há alguns minutos, e vc sabe q algumas palavras enérgicas podem dissuadi-lo de devorar vc e teus amigos, ¿vc esperaria até estar no meio duma ponte de pedra sem corrimão acima dum precipício infinito pra virar-se pra ele e usar todo seu poder de persuasão? E depois q metade da ponte cai, levando o demônio, e vc fica pendurado na borda, ¿vc não esperaria q teus amigos (¡q vc acaba de salvar!) dessem um jeito de puxar vc pra cima com algum truque dentre os milhares ao alcance de quem anda por aí levando pianadas na cabeça? ¡Ora façam-me o favor!
¡E são três horas... não: NOVE horas desse tipo de coisa...!
Filme de aventura é sempre um saco: vc sabe desde o começo q durante as próximas três horas, o herói pode cair num rio de lava, pode-lhe até cair um piano na cabeça, q absolutamente nada vai lhe causar qqer dano físico, emocional ou intelectual duradouro: ele vai continuar ileso como qdo sua digníssima mãe o pariu, vai continuar senhor de si e vai aprender rigorosamente nada sobre coisa alguma q seja de qqer utilidade seja pra ele ou pra nós.
Pois digam-me uma coisa: se um demônio gigante cuspindo fogo por todos os poros está em teu encalço já há alguns minutos, e vc sabe q algumas palavras enérgicas podem dissuadi-lo de devorar vc e teus amigos, ¿vc esperaria até estar no meio duma ponte de pedra sem corrimão acima dum precipício infinito pra virar-se pra ele e usar todo seu poder de persuasão? E depois q metade da ponte cai, levando o demônio, e vc fica pendurado na borda, ¿vc não esperaria q teus amigos (¡q vc acaba de salvar!) dessem um jeito de puxar vc pra cima com algum truque dentre os milhares ao alcance de quem anda por aí levando pianadas na cabeça? ¡Ora façam-me o favor!
¡E são três horas... não: NOVE horas desse tipo de coisa...!
30 dezembro 2003
Tristeza de aleijadING
¡Cada idéia de jirico!
Existe um acordo tácito entre os anunciantes e o público pedestre: anúncio fica ao nível dos olhos ou acima da cabeça; assim, quem não quer poluir a vista só precisa olhar o chão q pisa. ¿E não é q agora algum paralítico mental resolveu pintar anúncios direto nas calçadas? Nas esquinas mais civilizadas, o meio-fio tem aqueles rebaixos pra cadeiras de rodas. Agora a prefeitura loteou esse espaço no chão pra anúncios, o q é um despautério mesmo q seja só nos arredores da Paulista e só prà São Silvestre. O Dr Plausível viu alguns da Sul América ING: ou seja, algum paraplógico numa companhia de seguros achou q pintar um anúncio ali, como dizendo 'nós mantemos esta área', seria bom prà imagem da firma. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA E logo uma firma de seguros... ¡Q mau gosto!
O desespero mercadológico torna o organismo muito vulnerável a infecções oportunistas de hipoplausibilose. E convenhamos, tem q estar muito desesperado pra se rebaixar a pintar anúncios no chão. A mensagem q passa é q a Sul América ING, assim como os demais anunciantes rasteiros (se os houver), está tão necessitada de novos clientes q não se importa de encher o saco dos pedestres a cada esquina com a idéia prepóstera de q todo ãã... usuário de rodo-assento deveria estar agradecido a ela por sinalizar os acessos q todo o mundo já sabe onde estão. Sem falar no insulto implícito em supostamente pedir reconhecimento por implementar um direito. HAHAHAHA
¡Tem gente q não pensa, sô! Pois ¿vc faria seguro numa firma q apregoa um raciocínio tosco? Bastou esse anúncio pra conseguir minha antipatia eterna contra toda e qqer empresa q emporcalhe o chão com sua marca, e aposto q estou longe de ser o único a detestar esse truque chão. Já nosso equânime doutor, de tanto rir teve q ser levado às pressas em rodo-assento até sua biblioteca, onde foi se acalmando lendo Darwin.
Mas, ¡ô sarjeta safada!, parece q o Dr Plausível não gargalha tão alto assim.
Existe um acordo tácito entre os anunciantes e o público pedestre: anúncio fica ao nível dos olhos ou acima da cabeça; assim, quem não quer poluir a vista só precisa olhar o chão q pisa. ¿E não é q agora algum paralítico mental resolveu pintar anúncios direto nas calçadas? Nas esquinas mais civilizadas, o meio-fio tem aqueles rebaixos pra cadeiras de rodas. Agora a prefeitura loteou esse espaço no chão pra anúncios, o q é um despautério mesmo q seja só nos arredores da Paulista e só prà São Silvestre. O Dr Plausível viu alguns da Sul América ING: ou seja, algum paraplógico numa companhia de seguros achou q pintar um anúncio ali, como dizendo 'nós mantemos esta área', seria bom prà imagem da firma. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA E logo uma firma de seguros... ¡Q mau gosto!
O desespero mercadológico torna o organismo muito vulnerável a infecções oportunistas de hipoplausibilose. E convenhamos, tem q estar muito desesperado pra se rebaixar a pintar anúncios no chão. A mensagem q passa é q a Sul América ING, assim como os demais anunciantes rasteiros (se os houver), está tão necessitada de novos clientes q não se importa de encher o saco dos pedestres a cada esquina com a idéia prepóstera de q todo ãã... usuário de rodo-assento deveria estar agradecido a ela por sinalizar os acessos q todo o mundo já sabe onde estão. Sem falar no insulto implícito em supostamente pedir reconhecimento por implementar um direito. HAHAHAHA
¡Tem gente q não pensa, sô! Pois ¿vc faria seguro numa firma q apregoa um raciocínio tosco? Bastou esse anúncio pra conseguir minha antipatia eterna contra toda e qqer empresa q emporcalhe o chão com sua marca, e aposto q estou longe de ser o único a detestar esse truque chão. Já nosso equânime doutor, de tanto rir teve q ser levado às pressas em rodo-assento até sua biblioteca, onde foi se acalmando lendo Darwin.
Mas, ¡ô sarjeta safada!, parece q o Dr Plausível não gargalha tão alto assim.
23 dezembro 2003
Um Natal Trágico
Nosso emocionável Dr Plausível verte copiosas lágrimas qdo lê, ouve ou vê um conto de Natal redondinho, fofinho e totalmente inútil. É um espetáculo edificante examinar esse eminente exegeta enxugando da epiderme os eflúvios embevecidos. ¡Qta grandeza! ¡Qto sentimento!
Mas Natal tbm é qdo muito roteirista de filme se dá mal, e aí o estudado doutor chora mesmo mas é de rir. O cara quer bolar um enredo novo pruma estória velha e acaba se enredando todo.
Tem um filme por aí chamado Um Natal Mágico (One Magic Christmas), q precisa o qto antes ser levado pra tratamento, mesmo q esperneie e ameace se matar. A trama enrascada e resumida é assim: mulher casada, mãe de casalzinho, não gosta do Natal, não diz 'feliz Natal', acha tudo uma babaquice; um anjo é enviado pra fazer a mulher gostar; o método q escolhe é causar a morte do marido e dos filhos; o anjo (q aliás tem todo o jeito de pedófilo...) ressuscita os filhos e só traz de volta o marido depois q a mãe admite ter gostado do Natal qdo criança e então entra na festa.
A hilariante lógica é inescapável: ou vc gosta do Natal ou vem um anjo levar embora seus entes queridos. Mas ¡que maquiavelismo vergonhoso, hem? ¿Isso lá é espírito natalino q se preze? O ridículo é q, com toda a roupagem algodão-doce do filme, muita gente nem deve perceber q o anjo age descaradamente de má-fé.
É a versão pérfida daquela piada do bode:
Roceiro reclama ao vigário q o ambiente familiar vai muito mal.
Vigário: Faça isto: deixe seu bode viver na sala.
Dias depois, se encontram.
Vigário: ¿Pôs o bode na sala?
Roceiro: Pus.
Vigário: ¿Como vai a família agora?
Roceiro: ¡Muito pior! Todo mundo brigando. Ninguém agüenta mais.
Vigário: Tira o bode da sala.
Dias depois, se encontram novamente.
Vigário: ¿Tirou o bode da sala?
Roceiro: Tirei.
Vigário: ¿E como vai a família?
Roceiro: ¡Agora tá uma maravilha!
Roteirista muito carola sempre acha q não precisa ser plausível, pois ¿Deus não escreve certo por linhas tortas? Mas peraí! Deus não seria tão safado.
Êitcha.
Mas Natal tbm é qdo muito roteirista de filme se dá mal, e aí o estudado doutor chora mesmo mas é de rir. O cara quer bolar um enredo novo pruma estória velha e acaba se enredando todo.
Tem um filme por aí chamado Um Natal Mágico (One Magic Christmas), q precisa o qto antes ser levado pra tratamento, mesmo q esperneie e ameace se matar. A trama enrascada e resumida é assim: mulher casada, mãe de casalzinho, não gosta do Natal, não diz 'feliz Natal', acha tudo uma babaquice; um anjo é enviado pra fazer a mulher gostar; o método q escolhe é causar a morte do marido e dos filhos; o anjo (q aliás tem todo o jeito de pedófilo...) ressuscita os filhos e só traz de volta o marido depois q a mãe admite ter gostado do Natal qdo criança e então entra na festa.
A hilariante lógica é inescapável: ou vc gosta do Natal ou vem um anjo levar embora seus entes queridos. Mas ¡que maquiavelismo vergonhoso, hem? ¿Isso lá é espírito natalino q se preze? O ridículo é q, com toda a roupagem algodão-doce do filme, muita gente nem deve perceber q o anjo age descaradamente de má-fé.
É a versão pérfida daquela piada do bode:
Roceiro reclama ao vigário q o ambiente familiar vai muito mal.
Vigário: Faça isto: deixe seu bode viver na sala.
Dias depois, se encontram.
Vigário: ¿Pôs o bode na sala?
Roceiro: Pus.
Vigário: ¿Como vai a família agora?
Roceiro: ¡Muito pior! Todo mundo brigando. Ninguém agüenta mais.
Vigário: Tira o bode da sala.
Dias depois, se encontram novamente.
Vigário: ¿Tirou o bode da sala?
Roceiro: Tirei.
Vigário: ¿E como vai a família?
Roceiro: ¡Agora tá uma maravilha!
Roteirista muito carola sempre acha q não precisa ser plausível, pois ¿Deus não escreve certo por linhas tortas? Mas peraí! Deus não seria tão safado.
Êitcha.
21 dezembro 2003
Vc vai estar lendo isto:
Uma das crenças mais implausíveis é a de q alguém fala ou escreve errado neste vasto mundo. Ninguém fala errado. Mesmo "falar errado" já foi considerado 'errado', pois o 'correto' seria "falar erradamente". Ridículo.
Uma das críticas comuns de uns anos pra cá tem sido contra o chamado 'gerundismo'. Qdo ouve uma atendente dizer "Vou estar pedindo pro senhor estar ligando pra otro número", muita gente indignada jura de pé junto q a frase só pode estar saindo da boca de pessoa pouco "estudada", vítima de processos mentais confusos e estropiados, querendo empolar as palavras e se dando mal. ¡Qta empáfia! É uma crença tão errada qto a de q a língua deve-se aprender na escola.
O Dr Plausível também é dos q xingam esse uso do gerúndio, q virou gramática-jargão de telemarketing. Porém o estentóreo doutor não xinga porque considere que "vou estar pedindo pro senhor estar ligando" esteja 'errado': xinga porque isso é exatamente o que a atendente quer dizer, e ¡o diz muito bem!
Ela diz "vou estar pedindo" porque, nestes dias de terceirização e massificação, o q ela sente é q 'atender' não é o q ela 'faz', mas o q ela 'está fazendo'; ou seja, não está engajada numa profissão, está é marcando presença num emprego até q surja outro mais compensador. Além disso, a qqer momento ela pode ser inexplicavelmente despedida. Tudo é passageiro e instável. Ela então utiliza o gerúndio pra desvincular seu amor-próprio de seus atos profissionais. Se existe algo errado nisso, é q o foco da atenção dela está longe de ser o coitado do Dr Plausível, q só ligou porque precisava. A mensagem q passa é "olha, vou ignorar minhas próprias preocupações por uns segundos pra fingir interesse por teu caso". A atendente é duma sinceridade desconcertante, utilizando a gramática com uma eficiência espantosa pra 'dizer sem estar dizendo', num artifício subconsciente pra insultar quem liga e ao mesmo tempo ludibriar os controles da chefia.
Por outro lado, ela diz "o senhor estar ligando" porque espera q nosso evoluído humanista realize algo (neste caso "ligar") q pra ela nada mais é q uma rotina previamente estabelecida num fluxograma q lhe foi enfiado goela abaixo por seu empregador. O fato é q o Dr Plausível está longe de encarar sua ligação como rotina, pois só ligou porque está engajado na tentativa de resolver um problema. A atendente sabe conjugar mas não sabe atender. Não se trata de má gramática, mas dum serviço ruim, o serviço prestado por alguém q não vê a hora de ir embora.
Pois é. Quem faz pouco da capacidade gramática de qqer ser humano devia pensar melhor no q diz.
(Como introdução ao tamanho da coisa, o Dr Plausível recomenda aos indignados o livro Preconceito Lingüístico, de Marcos Bagno.)
Uma das críticas comuns de uns anos pra cá tem sido contra o chamado 'gerundismo'. Qdo ouve uma atendente dizer "Vou estar pedindo pro senhor estar ligando pra otro número", muita gente indignada jura de pé junto q a frase só pode estar saindo da boca de pessoa pouco "estudada", vítima de processos mentais confusos e estropiados, querendo empolar as palavras e se dando mal. ¡Qta empáfia! É uma crença tão errada qto a de q a língua deve-se aprender na escola.
O Dr Plausível também é dos q xingam esse uso do gerúndio, q virou gramática-jargão de telemarketing. Porém o estentóreo doutor não xinga porque considere que "vou estar pedindo pro senhor estar ligando" esteja 'errado': xinga porque isso é exatamente o que a atendente quer dizer, e ¡o diz muito bem!
Ela diz "vou estar pedindo" porque, nestes dias de terceirização e massificação, o q ela sente é q 'atender' não é o q ela 'faz', mas o q ela 'está fazendo'; ou seja, não está engajada numa profissão, está é marcando presença num emprego até q surja outro mais compensador. Além disso, a qqer momento ela pode ser inexplicavelmente despedida. Tudo é passageiro e instável. Ela então utiliza o gerúndio pra desvincular seu amor-próprio de seus atos profissionais. Se existe algo errado nisso, é q o foco da atenção dela está longe de ser o coitado do Dr Plausível, q só ligou porque precisava. A mensagem q passa é "olha, vou ignorar minhas próprias preocupações por uns segundos pra fingir interesse por teu caso". A atendente é duma sinceridade desconcertante, utilizando a gramática com uma eficiência espantosa pra 'dizer sem estar dizendo', num artifício subconsciente pra insultar quem liga e ao mesmo tempo ludibriar os controles da chefia.
Por outro lado, ela diz "o senhor estar ligando" porque espera q nosso evoluído humanista realize algo (neste caso "ligar") q pra ela nada mais é q uma rotina previamente estabelecida num fluxograma q lhe foi enfiado goela abaixo por seu empregador. O fato é q o Dr Plausível está longe de encarar sua ligação como rotina, pois só ligou porque está engajado na tentativa de resolver um problema. A atendente sabe conjugar mas não sabe atender. Não se trata de má gramática, mas dum serviço ruim, o serviço prestado por alguém q não vê a hora de ir embora.
Pois é. Quem faz pouco da capacidade gramática de qqer ser humano devia pensar melhor no q diz.
(Como introdução ao tamanho da coisa, o Dr Plausível recomenda aos indignados o livro Preconceito Lingüístico, de Marcos Bagno.)
17 dezembro 2003
Ai q dólar na cachólar
¡Ô santa pataca!
Na tv qqer idéia de jumento sem tutano pode dar tutu. Há alguns meses, além dos erros de tradução, de compreensão e de bom-senso, as legendas vem trazendo uma novidade q poderia dar algum tutu pro Dr Plausível se alguém se dignasse a levar o paciente a sua clínica. Algum funcionário bem-intencionado porém insufferably patronising de alguma firma de tradução achou esta pérola: ¿Por que não converter toda moeda pro dólar, já q todo mundo sabe qto ele vale? Genial! O cara fala "15 libras" e a legenda diz US$26, e assim por diante. ¡Q ótimo, tudo mastigadinho! É só converter pra reais e pronto. Assim nenhum brasileiro vai ficar sem saber qto custa um isqueiro na Inglaterra, um jantar no Japão, ou um terreno na Turquia. Mas ¿por que dólar? Ué, ¿quem é q precisa saber q sequer existe uma moeda chamada "leu"? ¡Põe tudo em dólar! ¿Não é a moeda de gente sofisticada?
Só q aparece então um novo problema. ¿Como é q o leitor da legenda vai saber qual era a taxa de câmbio na data em q a tradução foi feita? Qdo ouviu a descrição do caso, nosso esclarecido doutor tardou a controlar as gargalhadas mas achou a resposta óbvia: fazer referência ao câmbio vigente na data da tradução. Uma legenda corriqueira seria:
original: That's fifteen pounds, guv'nor.
legenda: São US$26 (JAN 2003, venda), governador.
Aí quem se interessasse só precisaria consultar os jornais pra ver qual foi a taxa de câmbio média pra venda do dólar em janeiro de 2003, e pronto. Uma outra solução seria conectar as legendas a uma base de dados dinâmica de modo q o número q aparece na tela variasse automaticamente de acordo com o câmbio na data de exibição do programa, e aí já legendar em reais mesmo. Genial! Sofisticadíssimo!
Que nada. Coisa de quem se acha.
Na tv qqer idéia de jumento sem tutano pode dar tutu. Há alguns meses, além dos erros de tradução, de compreensão e de bom-senso, as legendas vem trazendo uma novidade q poderia dar algum tutu pro Dr Plausível se alguém se dignasse a levar o paciente a sua clínica. Algum funcionário bem-intencionado porém insufferably patronising de alguma firma de tradução achou esta pérola: ¿Por que não converter toda moeda pro dólar, já q todo mundo sabe qto ele vale? Genial! O cara fala "15 libras" e a legenda diz US$26, e assim por diante. ¡Q ótimo, tudo mastigadinho! É só converter pra reais e pronto. Assim nenhum brasileiro vai ficar sem saber qto custa um isqueiro na Inglaterra, um jantar no Japão, ou um terreno na Turquia. Mas ¿por que dólar? Ué, ¿quem é q precisa saber q sequer existe uma moeda chamada "leu"? ¡Põe tudo em dólar! ¿Não é a moeda de gente sofisticada?
Só q aparece então um novo problema. ¿Como é q o leitor da legenda vai saber qual era a taxa de câmbio na data em q a tradução foi feita? Qdo ouviu a descrição do caso, nosso esclarecido doutor tardou a controlar as gargalhadas mas achou a resposta óbvia: fazer referência ao câmbio vigente na data da tradução. Uma legenda corriqueira seria:
original: That's fifteen pounds, guv'nor.
legenda: São US$26 (JAN 2003, venda), governador.
Aí quem se interessasse só precisaria consultar os jornais pra ver qual foi a taxa de câmbio média pra venda do dólar em janeiro de 2003, e pronto. Uma outra solução seria conectar as legendas a uma base de dados dinâmica de modo q o número q aparece na tela variasse automaticamente de acordo com o câmbio na data de exibição do programa, e aí já legendar em reais mesmo. Genial! Sofisticadíssimo!
Que nada. Coisa de quem se acha.
13 dezembro 2003
De MOrth
Ai meus calos.
Quem já viu o programa Saia Justa sabe q de todas as sandices, as maiores são ditas por aquela q fica mais à esquerda na tela. A vizinhança toda começa a rir qdo ouve nosso egrégio Dr Plausível se escarcalhando no chão de ouvir as lorpas incoerências dessa moça. Mas embora a terceira da esquerda prà direita geralmente diga, ainda q empoladamente, umas coisas até q interessantes, às vezes também se deixa levar pela necessidade de não ficar quieta. Foi assim qdo as quatro discutiam o caso do semi-troglodita q, seguindo apenas seus instintos, matou o casalzinho naquele matagal. (Aliás, o Dr Plausível se abstém de comentar toda a celeuma q se seguiu já q, convenhamos, não é muito plausível a possibilidade de evitar tragédias resultantes de ignorar recomendações cujo intuito era justamente evitá-las. Pois então.)
E ¿não é q essa outra também conseguiu fazer toda a vizinhança rir por tabela? Deu pra se enfezar com a coitada da mãe do menor assassino, argumentando q se notou desde cedo q o pirralho não era muito normal, ¿por q foi q não o levou a um psicólogo, meudeusdocéu? ¡Podia até ter sido um psicólogo da prefeitura!
Mas ¡êêê, acorda, Orth! ¿Nunca viu pobreza e ignorância? ¿Não viu a choça em q eles moravam no meio do nada? ¿Não viu q a mãe mal sabe articular uma frase inteligível com mais de dez palavras? ¡Té parece q aquela semi-troglodita q nunca teve chance de nada teria tido a chance de pausar seus afazeres pra meditar! "Oh, vejo evidências de q meu rebento é portador de algum distúrbio emocional... Certamente poderei contar com auxílio profissional gratuito neste mesmo município. Um diagnóstico correto seguido de tratamento adequado deverá evitar q ele venha a perpetuar alguma cagada." (Bom, pelo menos UMA dessas palavras ela deve conhecer...)
O maior abismo entre a artista burguesa e a mãe desse menino é aquele entre o q uma é capaz de dizer e o q a outra é capaz de entender, e vice-versa.
(Só um parêntese impertinente: ¿vcs já perceberam q nesse programa todos os sobrenomes se originam de países do norte da Europa: Young, Lee, Orth, Waldvogel? Hmm...)
Quem já viu o programa Saia Justa sabe q de todas as sandices, as maiores são ditas por aquela q fica mais à esquerda na tela. A vizinhança toda começa a rir qdo ouve nosso egrégio Dr Plausível se escarcalhando no chão de ouvir as lorpas incoerências dessa moça. Mas embora a terceira da esquerda prà direita geralmente diga, ainda q empoladamente, umas coisas até q interessantes, às vezes também se deixa levar pela necessidade de não ficar quieta. Foi assim qdo as quatro discutiam o caso do semi-troglodita q, seguindo apenas seus instintos, matou o casalzinho naquele matagal. (Aliás, o Dr Plausível se abstém de comentar toda a celeuma q se seguiu já q, convenhamos, não é muito plausível a possibilidade de evitar tragédias resultantes de ignorar recomendações cujo intuito era justamente evitá-las. Pois então.)
E ¿não é q essa outra também conseguiu fazer toda a vizinhança rir por tabela? Deu pra se enfezar com a coitada da mãe do menor assassino, argumentando q se notou desde cedo q o pirralho não era muito normal, ¿por q foi q não o levou a um psicólogo, meudeusdocéu? ¡Podia até ter sido um psicólogo da prefeitura!
Mas ¡êêê, acorda, Orth! ¿Nunca viu pobreza e ignorância? ¿Não viu a choça em q eles moravam no meio do nada? ¿Não viu q a mãe mal sabe articular uma frase inteligível com mais de dez palavras? ¡Té parece q aquela semi-troglodita q nunca teve chance de nada teria tido a chance de pausar seus afazeres pra meditar! "Oh, vejo evidências de q meu rebento é portador de algum distúrbio emocional... Certamente poderei contar com auxílio profissional gratuito neste mesmo município. Um diagnóstico correto seguido de tratamento adequado deverá evitar q ele venha a perpetuar alguma cagada." (Bom, pelo menos UMA dessas palavras ela deve conhecer...)
O maior abismo entre a artista burguesa e a mãe desse menino é aquele entre o q uma é capaz de dizer e o q a outra é capaz de entender, e vice-versa.
(Só um parêntese impertinente: ¿vcs já perceberam q nesse programa todos os sobrenomes se originam de países do norte da Europa: Young, Lee, Orth, Waldvogel? Hmm...)
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