13 novembro 2012

Homem-patia

Já tava na hora de falar de homeopatia aqui.

O Plausuto de Prata 2012 vai pro filme holandês A Caça (“Jagten”), de Thomas Vinterberg. Não tem absolutamente NADA à ver com homeopatia. Não se menciona produtos homeopático no filme; nenhum personagem toma bolinhas branca; em cena nenhuma aparece nada q siquer remotamente lembre ou referencie ou sugira homeopatia. Si vc quiser esquecer por duas horas de q existe homeopatia sobre a face da Terra, veja A Caça, q ainda tem a vantagem de ser um excelente filme: não é qqer um q ganha o Plausuto de Prata, não, viu; precisa tomar muito xarope.

O filme narra um episódio na vida dum cara q trabalha numa pré-escola. Uma aluninha duns 4 ou 5 anos conta ä diretora q o cara lhe mostrou seu colossal caralho túrgido e latejante. À partir daí a vida do cara é progressivamente destruída. Òbviamente, a garota não disse “colossal caralho túrgido e latejante”; ela disse “pipi apontando pra cima”. O motivo por quê ela disse isso é excruciante (Hell has no fury like a little girl scorned.) e as várias etapa do martírio vão se ramificando por todos lado num crescendo de histeria coletiva. Si vc tá pensando em trabalhar com crianças –ou com senhoras hipoplausibilética–, veja antes esse filme.

Vale lembrar q A Caça NÃO é um filme sobre homeopatia, tá?

Mas ¿que cargas d’água deu neste blogue de falar de homeopatia, q NÃO aparece no filme?

Ok, já vou explicar. É q sesdia nosso eduzinte doutor viu o filme, e tbm sesdia um leitor mencionou homeopatia nos comentário. Nada à ver, uma coisa com a outra. Mas vcs já conhecem nosso humanista, não? Si ele pensasse mais lateralmente, viraria do avesso. Ele mesclou o filme e a menção do leitor, e de repente sacou por quê existe homeopatia. Si vc entender tbm, de quebra vc vai poder extrapolar o raciocínio doutoral pra outras idéia maluca da humanidade.

A homeopatia é um fenômeno lingüístico concretizado através dum ritual.

Não; homeopatia não funciona. Sim; ela é uma babaquice tremenda. Não; não é de psicolingüística e efeito placebo q o doutor tá falando. Ele tá falando de como a idéia da homeopatia surgiu e por quê ela faz tanto sucesso entre o populacho prepedeuta.

Os produto homeopático são feito assim, ó: o homeopata pega uma certa quantidade de substância ativa –sei lá, 10 ml de xarope, só pra exemplificar– e aí ele mistura em 1 litro d’água, fazendo uma diluição de 1 pra 102. Aí ele chacoalha, chacoalha, chacoalha até ter certeza de q o xarope tá totalmente diluído. Aí ele pega 10 ml desse líquido e mistura em mais 1 litro d’água e chacoalha, chacoalha, chacoalha &c, fazendo uma diluição de 104; aí ele pega *esse* líquido e mistura em *mais* 1 litro d’água &c &c &c e faz isso isso um total de 30 vezes. Ou seja, aqueles 10 ml de xarope terminam diluído à um fator de 1 pra 1060: 1 molécula de xarope pra cada sesqui-quaqui-decaqui-cuncaqui-sentaqui-xupaquilhão de moléculas de água. ¿Sabe qtos átomo tem no universo visível? 1080. Qdo ele termina as 30 diluições e tem em mãos um litro de produto homeopático, uma coisa de q ele pode ter certeza quase absoluta é q nesse litro não há siquer uma única molécula de xarope. Xarope é o homeopata.

HAHAHAHAHAHAHA

Mas ¿quê tem isso à ver com lingüística? E ¿quê tem isso à ver com o filme, meudeusdocéu?

Ok, ok; já tamos chegando lá. Olha o q acontece na cabeça do homeopata qdo ele faz a primeira diluição de 1 pra 100: ele pensa “Hmm… Aqui tem xarope.” Qdo ele termina a segunda diluição, será 1 parte de xarope pra cada 10 mil partes d’água. Ele pega um litro da mistura e pensa “Hmm… Belo xarope.” Ao terminar a terceira diluição, qdo é 1 parte de xarope pra cada milhão de partes d’água, ele pensa “Hmm… Xarope do bom, hem.” ¿Quê tá acontecendo? À medida em q a diluição prossege, a palavra ‘xarope’ passa à se referir à cada vez menos xarope na realidade, mas a palavra continua intacta. Ou seja, com o passar do tempo, a palavra ‘xarope’ é potencializada, pois –na cabeça inepta do homeopata– o poder da diluição é cada vez maior, já q a *palavra* vai se referindo à quantidades cada vez menor. A palavra ‘xarope’ continua ali: ela não vai sumir NUNCA, embora o xarope em si já tenha sumido. Ao fim do processo, ela é quase mágica; na cabeça do homeopata, a palavra empresta “existência” à algo q não existe. O processo tornou impossível pensar naquela água sem pensar em xarope.

Qdo fizeram as conta e ficaram sabendo a verdade, os homeopata inventaram q a água tem “memória”, q ela irônicamente retém o *efeito* do xarope, apesar de não sobrar vestígio dele. HAHAHAHAHAHA Na verdade, o efeito do xarope tá é no rótulo, q diz (caso alguém tenha esquecido) “XAROPE”. A palavra nunca vai embora. Através da palavra, o nada “criou” algo.

Em A Caça, acontece algo similar ao ritual lingüístico homeopático. Num momento de raiva, uma garotinha diz algumas palavrinha de cunho sexual, e por mais q a diretora, as mãe, os pai, a comunidade toda chacoalhem e chacoalhem, por mais q o cara negue e se defenda, as palavrinha não somem NUNCA. Pelo contrário: elas são potencializada pela inépcia dos adulto e por sua inclinação à crer no pior. As palavra se espalham e outras criança começam à contar histórias sexual com o cara, enquanto a imaginação dos adulto extrapola e eles passam à crer q as criança não tão contando tudo q sabem pois os próprio adulto não conseguem confrontar a própria lubricidade. Qdo a menina se dá conta do q desencadeou, ela tenta se desdizer; mas é tarde demais: as palavra “pipi apontando pra cima” emprestaram existência à algo q nunca existiu. Tornou-se impossível pensar no cara e na menina sem a intermediação dum colossal caralho túrgido e latejante.

Irônicamente, qdo tudo é desmentido, resta no cara a memória de ter sido violentamente rejeitado pela comunidade; não sumirá nunca, a memória do efeito q as palavra da menina causaram; pelo resto da vida, o cara será atormentado por seu martírio. As palavrinha dela nunca vão embora. Através das palavra, o nada “criou” algo.

E a questão é essa, não? Pois, assim como a denúncia dramática não resulta em culpa, tampouco a farfúncia homeopática resulta em cura. No tribunal popular assim como na ciência médica, não se pode deixar q a mediação das palavra crie delírios.

Agora quero ver si vc consegue ver A Caça sem pensar em homeopatia.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

C.Q.D.

26 comentários:

dicionário disse...

farfúncia = azáfama

Refrator de Curvelo (na foto do perfilado, restos da reunião dos Menos que Um) disse...

Puta merda. Nem vou contar que estou me divertindo horrores com a imaginação amorosa de Charles Fourier.

Permafrost disse...

Refrator,
Na FAU (sim, quase virei arquiteto), li alguma coisa sobre Fourier, ligado à Robert Owen e äquela coisa toda de criar cidades do zero, new towns &c, q finalmente desembocou no estrupício não-ambulante chamado Brasília –exatamente *o contrário* do q Owen almejava, e o coup de grâce pra esse tipo de idealismo.

Vejo agora q vários seguidores de Fourier eram homeopata ou homeopatófilo. ¿Dissolviam o xarope em limonada?

HAHAHAHAHAHAHA

Fala mais, pô, s’il te plaît.

Pracimademoá disse...

Ironicamente, a palavra "ironicamente" não tem acento.

Permafrost disse...

Demoá,
Semi-cômicamente, ainda tou debatendo comigo mesmo si vou deixar o acento circunflexo em palavras derivada de outras q levam; realmente não faz tanto sentido qto o grave em palavras derivada de outras q levam acento agudo: sólido > sòlidamente. Mas sei lá.

Pracimademoá disse...

Tanto faz, né. Meu comentário foi irônico ao implicar com um diacho de um acento errado no vasto mar de atrocidades que Vossa Plausibilância perpetra adrede em 80% do que escreveu nos últimos semestres.

Permafrost disse...

Demoá,
¿Atrocidades? ¿Vc quer dizer meu uso do ponto-e-vírgula e das aspas duplas e simples?

:•D

Anônimo disse...

"Através da palavra, o nada “criou” algo"

"no princípio era o verbo"?

Permafrost disse...

Nôni,
Note a ironia nas aspa. Algo só foi “criado” na cabeça das pessoa –ie, foi criada uma configuração de sinapses q se reproduziu em várias cabeças.

Acho essa uma ótima sacada do João:
http://drplausivel.blogspot.com.br/2010/05/o-resgate-dos-gregos.html

Mas ele não tinha insumo analítico pra ir mais fundo. Si tivesse tido, talvez tivesse enxergado q seu próprio deus foi criado pelas palavra –ie, q as palavra criaram uma configuração de sinapses na cabeça dele.

Neanderthal disse...

Me lembrou do caso da escola Base.

Permafrost disse...

Derthal,
Eu, q não leio jornal, não conhecia essa história.

Achei isto:
http://www.youtube.com/watch?v=uNonKZRTzEo

À propósito da imprensa, veja tbm isto:
http://www.youtube.com/watch?v=PezlFNTGWv4

Mas vc pode ter certeza de q 99,999% das palavra publicada pela imprensa tem a ortografia "correta".

Anônimo disse...

Água com memória é um perigo. Que o diga o coisa-ruim se for respingado com água-benta. Ficam com umas feridas horríveis.
Acho que a maioria das pessoas só recorre à homeopatia porque a medicina tradicional não funcionou. E acho que a maioria dos médicos homeopatas entendem o ridículo que é a "potencialização" do medicamento na homeopatia clássica e só receitam medicamento fraco (sem potencialização) ou seja, pouco diluído. Quem já cuidou de criança ou tem amigos com filhos pequenos já deve ter cansado de ouvir os milagres que a homeopatia faz. Não sei como ocorrem esses milagres, mas acho que esses remédios "muitos fortes" nunca são receitados. Só os fracos (pouco diluídos).
Os meridianos da acupuntura também não têm fundamento nenhum e funcionam para muita gente.
Talvez o efeito placebo seja muito mais poderoso do que a gente pensa.

Camelo disse...

Caro Doutor,
Existe outra explicação para a popularidade da homeopatia. A homeopatia foi criada no final do século 18, quando a medicina tradicional trazia muito mais malefícios à sua saúde do que benefícios. Hoje sabemos que existem muitas doenças que regridem naturalmente. Logo, o sujeito que optasse pela homeopatia no final do século 18 teria muito mais chances de se curar (pois não estaria ingerindo absolutamente NADA!) do que aquele que optasse pela medicina tradicional (que provavelmente pioraria a sua situação).
O que me deixa realmente pasmado é ver tanta gente hoje em dia acreditando nessa perigosa bobagem que é a homeopatia. Conheço uma pessoa (no meu ambiente de trabalho) que optou pelo tratamento homeopático para seu filho pequeno ao invés de levá-lo ao médico (achando que a medicina tradicional é muito invasiva). E depois que percebeu que a situação de seu filho estava piorando, o levou correndo ao hospital. E depois (é claro!!!) deu todo o crédito da cura à homeopatia. As vezes eu acho que estou cercado de malucos.
Esse documentário da BBC Horizon é imperdível:
http://www.youtube.com/watch?v=vcBHKMJDHaU

Camelo disse...

Caro Anônimo,
Não tenho certeza, mas acho que é assim: o efeito placebo não cura a doença, apenas alivia ou elimina os sintomas (por favor, me corrija se falei bobagem).
Segundo a própria homeopatia, quanto mais diluida a solução, mais potente é o "remédio". Isto é: quanto mais potente o "remédio" menos chances de você encontrar uma molécula da substância ativa. E isso nos leva à seguinte conclusão: uma overdose homeopática mortal seria deixar de tomar o "remédio".

Permafrost disse...

Nôni,
É vero. ‘Funcionar’ adquire todo um novo significado qdo se diz q um placebo “funciona”.

Camelo,
Talvez a raiz do pobrema seja q muita coisa é chamada pelo mesmo nome. Chamar de ‘doença’ coisas tão díspar qto uma infecção intestinal, uma gripe, um sarampo, uma leucemia e uma fibrodisplasia ossificante progressiva tem quase a mesma validade q a acupuntura chamar esses mal tudo de ‘perturbações do qi’; pois ¿quê acontece? Uma criança com sarampo toma uns produto homeopático e, assombrosamente, duas semanas depois tá curada. Pimba: a homeopatia curou uma ‘doença’. ¿E leucemia não é tbm uma ‘doença’? Extrapolou-se o raciocínio falho pra todo o resto e deu no q deu.

Qdo 97% das pessoa com leucemia *e* em coma forem curada da leucemia *apenas* com produtos homeopático, já será uma estatística razoável pra ratificar um gasto com homeopatia.

Mas veja o filme, hem.

Anônimo disse...

Seu Camelo, por isso que eu disse que acreditava que os médicos homeopatas só receitavam "remédios fracos", que devem conter bastante princípio ativo. Não sou defensor da homeopatia. Sei, porém, que inúmeros remédios funcionam (= dão bom resultado) sem que a medicina compreenda o mecanismo de atuação. Da mesma forma podem funcionar os remédios fracos homeopáticos (poucos diluídos). Qual a diferença?

Doutor, vou dar pitaco na sua área. Eu reli o que escrevi mas não vi onde tinha dito que placebo funciona. Segundo o Houaiss, no entanto, um dos significados de funcionar é "dar certo, dar bom resultado". "O tratamento com placebo deu bom resultado" é uma frase que não traz nenhuma inovação linguística, semântica ou metafísica. O porquê de funcionar é outra questão: pode ser que o paciente estivesse querendo só atenção e outro que não recebeu o placebo não teve a mesma evolução, etc. Essa é apenas uma frase comum do dia a dia. Como deveria ser "O tratamento com placebo funcionou". Esse significado para "funcionar" é tão batido que até consta em dicionário. Mas, voltando: eu não disse que acredito que os remédios homeopático diluídos a 10**30 funcionam. Disse que achava que os pouco diluídos podiam funcionar e que já tinha visto gente sendo curada com remédios homeopáticos numa concentração que eu desconheço, mas presumo que seja alta (remédios fracos) - o que é uma diferença imensa.
Nunca vi ninguém tomar homeopatia para sarampo, mas para essas infecções das vias aéreas superiores que não vão embora nunca eu já vi, e vi resultado. Resultado melhor que meses de antibióticos. Coincidência? Pode ser. Pode ser também que o dicromato de potássio tenha tido algum efeito. Isso por enquanto ninguém sabe. Vamos manter a mente aberta. A nossa ignorância é imensa - humildade é o que cabe por ora.

Permafrost disse...

Nôni,
Então. As questão aí são:
• ¿Quê é ‘funcionar’?
• ¿Quê é q tá “funcionando”?
• ¿Quais “doença” são essas cuja “cura” provém de placebos, homeopatia e acupuntura?
• Pra restabelecer vosso bem-estar, ¿deve passar vosso dinheiro pros bolso de quem?

Pra mim, há evidências contundente de q tudo não passa dum ritual lingüístico, e todo rit. ling. consiste em focar a atenção longe daquilo q te aflige. Mas mesmo q esse ritual lingüístico específico ajude certas pessoa à se sentir bem, o ponto central aqui é q a crença em homeopatia tem um efeito agregador de hipoplausivírus –q nunca vem sòzinho e, diga-se de passagem, não tem antídoto homeopático ou indolor.

Nem tou defendendo a indústria farmacêutica, hem, q deve até ser a maior máfia de todos tempo (e há inúmeras evidência disso –vide o trabalho de Ben Goldacre &c). Qdo as pessoa q ficam biliardária me vendendo veneno são as mesma q ficam biliardária me vendendo remédio, tem algo fedendo, né?

Anônimo disse...

Eu acho que a conversa não está andando e antes que eu defenda posições que não são as minhas, vou esclarecer: homeopatia não é necessariamente um princípio ativo diluído a n-ésima potência. Logo, se o princípio ativo está em concentração que produz efeito no corpo, já não pode ser chamado de placebo.

Quanto às suas perguntas:
1)Eu fico com as definições do Houaiss;
2)Depende da hora e do que estiver sendo posto pra funcionar;
3)Placebo cura doença oriunda de carência.
Homeopatia (que não seja em diluição a n-ésima potência, ou seja, um placebo) pode-talvez-quem-sabe curar os males de que o próprio corpo deveria se livrar sem ajuda (mas não está se livrando)- com certeza não cura doença genética, perna quebrada ou olho furado.
Acupuntura eu não sei.

Perdi a conta dos remédios da medicina oficial que não fizeram efeito em mim. Antibióticos, que eu lembre, só azitromicina funciona. O resto é só pra arrebentar meu fígado. Remédio para pressão eu testei quase todos. Só funcionou o benicare. Ou seja, não funcionar em alguém faz parte do aceitável. E não vejo ninguém jogando pedra na medicina oficial por isso.




Permafrost disse...

Nôni,
«não funcionar em alguém faz parte do aceitável»

Good point.

Camelo disse...

Caro Anônimo,
"Sei, porém, que inúmeros remédios funcionam (= dão bom resultado) sem que a medicina compreenda o mecanismo de atuação."
Acho que vc exagerou quando usou o verbo "saber". Acredito que esse seu "saber" vem de sua experiência pessoal, ou da narrativa de outras pessoas. Como um competente químico (que vc já demonstrou ser através de interessantíssimos comentários nesse blog), vc sabe muito bem que histórias pessoais não têm nenhum valor confirmatório para a ciência.
Vamos utilizar o bom senso: se a indústria farmacêutica (formada por companhias que visam o lucro) realmente "soubesse" que a homeopatia funciona, vc não acha que ela estaria investindo pesado em pesquisas que confirmassem a eficácia desses "remédios"? Visto que a produção do "remédio homeopático" é de baixíssimo custo, o lucro da industria farmacêutica (caso a homeopatia realmente funcionasse) seria astronômico. E o pesquisador (que primeiro provasse a eficácia do produto homeopático) ganharia automaticamente o Prêmio Nobel, e os livros sobre Química do curso secundário teriam de ser todos re-escritos. Se realmente houvesse alguma pequena chance do produto homeopático funcionar, pesquisadores do mundo todo (ávidos por fama, glória e dinheiro) estariam se acotovelando para confirmar essa eficácia.
Acontece que todas as pesquisas já feitas com o produto homeopático trazem o mesmo veredito: a homeopatia apenas funciona como efeito placebo, e nada mais do que isso.
A medicina não compreende o mecanismo de atuação do produto homeopático porque esse mecanismo (exceto o efeito placebo) simplesmente não existe. Concordo com vc que devemos manter uma "mente aberta" (embora eu pessoalmente não goste dessa expressão) em relação ao que desconhecemos. No entanto, permitir a comercialização de um "remédio", cuja eficácia e mecanismos desconhecemos, é no mínimo uma imprudência. E se essa comercialização é permitida, então o consumidor tem de ser alertado (no rótulo do produto) que a homeopatia ainda não tem nenhum respaldo científico, e que o único efeito até agora confirmado é o efeito placebo.

Camelo disse...

Caro Anônimo,
Ups!!! Acho que meti os pés pelas mãos. Reli seu comentário: "Sei, porém, que inúmeros remédios funcionam (= dão bom resultado) sem que a medicina compreenda o mecanismo de atuação." e acho que entendi mal o que vc quis dizer. Sorry. Tome como inválido meu primeiro parágrafo.

Permafrost disse...

Nôni,
A pergunta “¿quê é ‘funcionar’?” tem mais coisas embutida do q cabe num dicionário. Si uns apache fazem uma dança da chuva e dois dias depois cai um toró, ¿a dança funcionou? Pra aceitar a afirmação direta dos apache («choveu pq dançamos») e dizer q a dança funcionou, é preciso não saber nada de meteorologia &c. Mas *mesmo* sabendo tudo sobre meteorologia, não se pode dizer q a dança NÃO “funcionou” pois ela tem várias outras função q nada têm à ver com chuva. Ela dá algo prä tribo fazer enquanto espera; ela canaliza tensões; ela ajuda à manter a identidade tribal; ela fornece explicações absorvível por mentalidades cientìficamente tacanha &c &c. Então, pra todos efeito *dentro do contexto tribal* ela “funcionou” maravilhosamente bem.

Si não chove dois dias depois, mesmo assim a dança “funcionou” pois, com essa tradição presente na cultura tribal, não se aventa nenhuma outra explicação prä ausência de chuva além daquela fornecida pela cosmogonia em q a tribo ãã… funciona. Então, dentro da tribo, o placar da dança da chuva é um à zero sempre. Agora… si a civilização apache tivesse se desenvolvido até o ponto em q realizar danças da chuva virasse um negócio em q dinheiro passasse de mãos à mãos, a coisa começaria à adquirir contornos diferente. E a questão da homeopatia não é exatamente si os produto homeopático funcionam; é si o *dinheiro* gasto pelo paciente pagou a cura ou pagou outra coisa.

Claro, é muito bom teu ponto sobre o protocolo tentativa-e-erro na escolha de grande parte dos remédio alopático; mas observe q a gama de possibilidades q a alopatia oferece tá em relação direta com a gama de variabilidade dos biótipo humano, e essa é ainda a ponta do aicebergue; enquanto q a oferta da homeopatia é, tipo, um vidrinho marcado ‘asma’, outro marcado ‘bronquite’, outro marcado ‘dispepsia’ &c, como si o corpo humano fosse um boneco de histórias em quadrinhos, sem a vastodôntica complexidade microscópica q a ciência ainda mal conhece.

Mas entendi teu ponto.

Anônimo disse...

Esse assunto eu acho chato. E peço desculpas por não deixá-lo morrer de inanição... Porém, devo lhe dizer que "a gama de possibilidades q a alopatia oferece tá em relação direta com a gama de variabilidade dos biótipo humano" não é verdade. Afora alguns remédios próprios para afrodescendentes (que no Brasil, dada a miscigenação, servem para "brancos" tb) os remédios estão aí pra qualquer um. É só lembrar o número de gente que fica com insuficiência hepática por causa de tylenol usado nas epidemias de dengue. Aspirina pode dar hemorragia!? Então taca tylenol! Vc chega com hipertensão num médico e ele não vai fazer nenhum estudo mirabolante para saber qual dos 50 remédios disponíveis ele vai passar. Passa o mais comum, se não funcionar, passa outro e outro, até um que funcione. A medicina, como o tudo o mais que é feito por humanos é sempre refém de gente burra. Se vc experimenta quatorze remédios até achar o que "dá certo" parabéns para a indústria farmacêutica, que assim vendeu suas porcarias que não servem pra nada. Tenho certeza que existem uma infinidade de antibióticos que não fazem efeito mais para bactéria nenhuma. Servem só para arrebentar mais com a saúde do paciente. Tinha uma médica minha vizinha que me disse que nós no Brasil é que somos "sabidos", porque nos EUA eles usam antibióticos de última geração que não foram bem testado, e isso é um risco. É claro, as bactérias não conhecem esses remédios de última geração e morrem. Em compensação, nós só usamos antibióticos a que as bactérias tiveram dezenas de anos para se adaptarem. Logo não servem mais para nada. Enquanto existirem médicos com a inteligência igual a dessa aí que eu falei, não há salvação. Estamos todos sujeitos a todo tipo de procedimento inútil e prejudicial à saúde ao nos colocarmos nas mãos de médicos. O bom mesmo é não precisar deles. Daí que mesmo a homeopatia diluída a 10**30 pode ter suas vantagens - pelo menos não faz mal. E uma coisa ninguém discute: é muito barato.

Quanto a história da dança da chuva eu não concordo com vc: ela só funciona se chover dentro de dois disas. Se não chover, está na hora de dar uma coça no pajé e botá-lo pra procurar outros trouxas para enganar.

Anônimo disse...

Não tem jeito: os erros de concordância eu só descubro depois de publicado o comentário. Ainda bem que o doutor não liga...

Neanderthal disse...

Em relação à questão "o que significa funcionar", acho que posso acrescentar algumas idéias.

Estatisticamente falando, "funcionar" significa produzir um efeito mensurável e "significativo" sobre uma amostra, atingindo um critério improvável de se alcançar por pura coincidência.

No caso da "dança da chuva", o efeito teria que ser estudado utilizando uma amostra mais representativa. Uma única dança e a aferição da chuva após 2 dias não tem valor estatístico. A dança teria que ser repetida dezenas de vezes em dias determinados aleatoriamente (sem controle pelo pajé) e a chuva aferida no período de 48 hs. A amostra de controle deveria conter aferições sem dança de chuva, também em dias escolhidos aleatoriamente. Por exemplo, um período de 3 anos (1095 dias) seria subdividido em 365 sub-períodos de 3 dias. Metade destes seriam aleatoriamente alocados à dança e metade à amostra de controle (não-dança).

Depois, os resultados seriam avaliados e cada período seria classificado como "com chuva" e "sem chuva" a partir de algum critério (ex.: >= 1mm de chuva). Em seguida, poderia ser feito um quadro com 2 colunas e 2 linhas sendo: com-dança-com-chuva, com-dança-sem-chuva, sem-dança-com-chuva e sem-dança-sem-chuva. Vamos supor que o percentual do com-chuva seja maior no com-dança do que no sem-dança. O que explicaria isso? Seria o sufiiente para determinar que a dança "funciona" para causar chuva? Não necessariamente. Obviamente as amostras foram diferentes. Entretanto, se a diferença for "significativa", isso mostraria uma "tendência" de que a dança funciona. Para saber se a diferença é ou não significativa, pode se aplicar um teste estatístico, por exemplo de "qui-quadrado", que nos diz o quão significativa a diferença é. Por exemplo, seria uma diferença muito rara, que só em 3% dos casos seria explicada por fatores aleatórios, ou não, é uma diferença que se espera em um dos grupos em pelo menos 85% dos casos.... e assim por diante.

Para determinar qual o percentual de corte que deve ser considerado "significativo", depende do caso e da expectativa. É por isso que as pessoas estudam as outras matérias coadjuvantes da estatística.

Permafrost disse...

Nôni,
Compartilho de vossa estupefação com o protocolo tentativa-e-erro dos médico. Quase todo remédio pra problemas crônico é receitado exatamente como vc descreveu; até mesmo a “escolha” de anti-concepcionais funciona assim. Boa parte dos novo remédio provém de falcatruas construída pela indústria farmacêutica, usando o afã do mercado por novidades. Tem todo tipo de asquerosidade. Ben Goldacre descreve várias.

Mas a concorrência tbm aumenta o número de opções de tratamento, aproximando-o ao número de biotipos (não sei o termo técnico). O q falta é um método de associar uma bioquímica individual à um produto químico específico, ou seja, uma pessoa à seu melhor remédio. Talvez a classificação genômica consiga isso.

Outra coisa é confundir (e não sei si vc tá confundindo) ‘homeopatia’ com ‘medicina natural’. Muita gente acha q, sei lá, melagrião, chá de gengibre e extrato de babosa são produtos homeopático. Meu exemplo do xarope tinha uma intenção apenas humorística (chamar homeopata de ‘xarope’), pois homeopatia verdadeira é qdo se usa uma substância q em gente sadia causa os sintoma q se quer curar em gente doente.

Postar um comentário

consulte o doutor