05 novembro 2012

Deathergentes

Por increça q parível, hoje consegui encafifar nosso extrapolante doutor. Ele é um exímio lavador de louça e já ganhou vários prêmio de prestígio internacional nas categoria Pratos Elíptico e Copos de Requeijão. É um dínamo da detergência. Mas hoje, fiz uma pergunta e ele –q não é obrigado à saber TUDO, né?– não soube responder. Talvez os leitor aqui possam ajudar.

¿Já viu, caro leitor, aqueles programa de investigação policial em q os detetive jogam luminol numa área aparentemente limpa, iluminam com luz ultra-violeta, e aí o assassino descobre q não lavou e enxaguou o sangue da vítima lá muito bem, apesar de ter ficado horas esfregando?

Então. Antes das refeição, vc lava as mão com sabonete, e ele deixa aquele cheirinho gostoso de limpeza, não deixa? E todo dia vc desjejua, almoça e janta com xícaras, copos, pratos e talheres limpo a comida feita em panelas limpa, não? Hm. ¿Tem certeza?

Quando surgiram no mercado brasileiro, uns 30 ano atrás, os detergente de louça faziam aqueles anúncio dizendo q eliminavam 99% das bactéria q podiam (!) causar doenças, &c. Mas… ¿quê elimina o detergente? Depois de ensaboar a louça com esses detergente, ¿será q o enxágüe tira o detergente todo? Pois ¿lembra do cheirinho gostoso de limpeza na mão? Então. Si vc sente o perfuminho do sabonete, quer dizer q vossa mão ainda carrega moléculas dele. Si, após o enxágüe, o cheiro do detergente persiste por algum tempo, quer dizer q ainda há moléculas dele na louça. (O cheiro é útil até pra escolher CDs virgem e outros produto eletrônico: não compre CD virgem q tem cheiro; si tem, é pq sua superfície tá soltando moléculas e, portanto, vai perder a transparência em menos tempo do q um CD sem cheiro.)  A maior parte das lavagem deve deixar traços de detergente nas panela em q vc vai cozinhar e na louça em q vc depois vai pôr comida. Então todo dia vc deve ingerir moléculas de detergente.

O corpo tem vários mecanismo de detecção e eliminação de bactérias, mas certamente não é muito eficiente pra detectar e eliminar os detergente, sapólio, desengordurante e até resíduo de BomBril q certamente restam na louça e panelas. No entanto, não achei quem fale disso. Percurei e percurei e não achei nenhum estudo q quantifique o detergente q costuma permanecer na louça e panelas após o enxágüe, nem estudos sobre o efeito à longo prazo q essas substância causam no organismo. A ingestão diária de moléculas de detergente não é exatamente uma receita pruma vida saudável, né? Mas não consegui ainda determinar o q é pior: ingerir os detergente ou ingerir as bactéria.

Aliás, ¿que bactérias? Si vc cozinha numa panela e come dum prato, e menos de meia hora depois já tá lavando tudo, ¿que bactérias têm q ser eliminada si não as q já tão em quantidades mastodônticamente maior na comida q vc ingeriu? Pode-se dizer q deixar louça pra lavar dum dia pro outro cria uma coleçãozinha de bactérias ali. Pode-se tbm dizer q as bactéria tão na pia –q, si não for detergida, vira uma colônia de bactérias assassina. Mas nunca vi evidência disso; só há evidência de q o *ralo* é insalubre, com seu cheiro nojento.

Na maioria dos caso, talvez baste lavar a louça com água e mão; alguns caso pediriam uma esponja abrasiva; pra óleos &c, talvez baste tirar o grosso com as mão e espalhar algumas gota de desengordurante.

Enfim, si o doutor ficou encafifado, ¿quê dizer de mim? ¿Alguém aí conhece algum estudo sobre isso? A questão é: ¿eliminar bactérias com detergente de louça é gargalhável ou não? ¿Seria razoável estimular um pânico público contra os detergente cancerígeno e mortífero, e assim engendrar uma violenta e total revolução nas base prática e teórica da higiene, q levasse a civilização à um novo patamar em nossa longa jornada pros cafundó da pureza?

12 comentários:

Neanderthal disse...

Procurando pelo site da Scientific American, entre outras coisas, encontrei um link para isso:
http://www.womensvoices.org/wp-content/uploads/2011/11/Dirty-Secrets.pdf

e isso:
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=chemicals-in-household-cleaners

e isso:
http://blogs.scientificamerican.com/guest-blog/2011/07/05/scientists-discover-that-antimicrobial-wipes-and-soaps-may-be-making-you-and-society-sick/


Eu tenho uma outra preocupação, que causa um dilema pior, que são os anti-transpirantes com alumínio que prometem 24hs ou 48hs de "proteção". Deve haver algum anti-transpirante ou desodorante eficaz sem esse ingrediente perigoso.

Anônimo disse...

Nesse assunto eu até posso dar uma opinião melhorzinha. Lave com sabão de coco, tanto louças e panelas como as frutas que vá comer com a casca. O sabão de coco além de deixar um gosto amargo se for ingerido em quantidades mínimas - e vc logo sabe que está comendo sabão - não faz mal à saúde se for ingerido. No estômago o sabão de coco é decomposto em sal de cozinha e ácido graxo, que fazem parte da dieta normal do ser humano e a que seu corpo já está programado para metabolizar há muitos milhões de anos - ao contrário do que ocorre com o detergente. E não esquenta: se não tiver rato, barata ou mosca passeando na sua casa, é menos provável que as bactérias onipresentes no seu habitat sejam patogênicas. Ninguém consegue viver sem bactérias e nem viver num mundo estéril.
Outra coisa: os detergente eliminam bactérias mecanicamente, como o sabão. Que eu saiba, os detergentes comuns têm efeito bacteriostático ou bactericidas mínimo.

Quanto aos desodorantes, use uma solução de álcool de farmácia e leite de magnésia (isso mesmo, aquele azul Philips). Não estraga camisa, e também são ambas substâncias com que o seu corpo convive há milênios, inclusive pelo lado de dentro. Não faz efeito pelas doze horas dos desodorantes comerciais (deve durar umas 8) mas pra mim é mais importante a minha saúde - e acho que pra vc também. Aí em São Paulo, vc acha gente fedendo de manhã bem cedo dentro do metrô ou nos ônibus. Portanto, não há nada demais em vc feder um pouco no final da tarde.

Neanderthal disse...

Obrigado pela dica. Vou experimentar. Tem alguma proporção ideal dessa mistureba?

Anônimo disse...

Na verdade não. Uma proporção razoável seria de 1 parte de leite de magnésia para 3 ou 4 de álcool. É claro, é preciso agitar antes de usar, para colocar o hidróxido de magnésio em suspensão. O funcionamento desse desodorante é simples: o álcool é um bacteriostático fajuto, mas dá uma ajudinha. Tem, porém, o problema de evaporar. Já o hidróxido de magnésio é uma substância alcalina e não deixa que o pH da pele desça para os níveis em que as bactérias ficam confortáveis. Existem bactérias adaptadas a todos os meios aquosos, mas parece que as que produzem mal cheiro corporal não gostam de meio alcalino. Outra explicação seria que os ácidos resultantes da ação das bactérias que produzem o CC (por exemplo, ácido butírico) ficariam na forma de sais de magnésio não voláteis e portanto sem cheiro. Essas duas explicações fui eu que inventei. Tenho certeza, porém do seguinte: funciona, não irrita a pele e não faz mal à saúde. Depois diga o que achou.

Permafrost disse...

Derthal,
Pô, obrigado pelos linque. Li tudo, e achei particularmente interessante as receita de detergentes no Women's Voices. Minha mãe fazia umas coisa assim. Tbm tenho descoberto q tomate é bom: qqer prato com restos de tomate ou de molho de tomate é mais fácil de limpar.

Nôni,
Pô, obrigado pelas dica. A única q não posso usar é o sabão de côco, q minha mulher detesta.

Não entendi bem o q quer dizer q os detergente eliminam bactérias "mecanicamente". Noto q um produto bem eficiente é o desengordurante, q faz uma emulsão dos óleo e gordura. Mas ¿isso é mecânico? Quer dizer, ¿as molécula de gordura são envolta pelo desengordurante como faz um surfactante? ¿É nesse sentido q vc usou 'mecanicamente'?

E ¿a solução desodorante q vc sugeriu é o mesmo princípio q o do Leite de Rosas?

Anônimo disse...

Remover mecanicamente é um pleonasmo do jargão de engenheiro químico. É só para distinguir da remoção química, que seria a dissolução/decomposição/eliminação da bactéria, como por exemplo, com ácido sulfúrico fumegante - não tente em casa, nem em lugar nenhum. Os detergentes e sabões são tensoativos e ambos se destinam a fazer uma emulsão da gordura na água, o que permite a lavagem de superfícies engorduradas (remoção "mecânica" da gordura). As bactéria saem com a gordura, mas os sabões também dissolvem, ou ajudam a dissolver ou a enfraquecer a cola que elas usam para manterem-se aderidas às superfícies.

Segundo a wikipedia o pó em suspensão do leite de rosas é óxido de zinco, presente também no talco granado. O pó branco do leite de magnésia é hidróxido de magnésio. O óxido de zinco é bactericida/bacteriostático e o corpo lida razoavelmente com ele. Mas no leite de rosas tem também o cloreto de benzalcônio que é bactericida e é uma substância que não ocorre naturalmente no habitat em que os seres humanos foram selecionados. Eu prefiro a minha suspensão.

Permafrost disse...

Nôni,
Mas acabei não te perguntando o principal. ¿Vc conhece algum estudo sobre a quantidade de detergente q resta sobre a louça após um enxágüe corriqueiro?

Anônimo disse...

Vou responder o óbvio: depende do quanto é enxaguado ou do que é considerado corriqueiro. Eu concordo com vc que se fica um cheirinho é porque ficou detergente (ou pelo menos uma parte dele). Em superfícies lisas, como as louças, eu acho que fica muito pouco. Nunca prestei atenção se fica um cheirinho. Mas não sei de nenhum estudo e lhe digo que se houvesse seria candidato ao prêmio igNobel, porque a remoção do detergente depende da agitação, da quantidade de água usada, da porosidade e da rugosidade da superfície lavada e da afinidade química das substâncias da superfície lavada com os componentes do detergente. Muito difícil de se dar uma resposta objetiva convincente. Pra não ter que pensar nisso é que eu uso sabão de coco. Esqueci de dizer: o sabão de coco tem ainda a vantagem de ser biodegradável.

Permafrost disse...

Nôni,
Sim, claro. Só achei q haveria algum estudo com médias &c.

¡Obrigado pelas dica!

Camelo disse...

Putz grila!!! Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo.
Eu gostaria de fazer uma pergunta ao Anônimo. Uma pergunta que vai fugir bastante do assunto proposto pelo Doutor Plausível, mas que vem me atormentando há muito tempo.
O que um engenheiro químico tem a dizer sobre a homeopatia? Como se permite a venda de um produto "medicinal" que não possui nenhuma substância ativa? Eu gostaria muito de ouvir a opinião do Anônimo, ... e também de outras pessoas que comentam neste blog.

Anônimo disse...

Se o doutor não se incomodar de eu usar o espaço dele, a minha resposta é: eu não sei. Mas devo lhe dizer que uma vez, há quatorze anos, eu estava com sinusite já havia 2 meses - sequela de uma amidalectomia. Já havia tomado várias séries de antibióticos e não ficava bom. Fui numa homeopata e no segundo dia depois de engolir o pozinho no papel eu acordei sem dor de cabeça e me disse: eu não acredito, eu estou bom! Me espreguicei com bastante intensidade e na mesma hora a cama começou a girar. Girou tudo por mais duas horas, até eu tomar uma injeção de dramin no pronto socorro da Beneficência. Ou seja: se tudo não tiver sido coincidência, pode ser que faça efeito, mas não sei como. Não sei se foi porque o pozinho que eu tomei era fraco (pelas contas deles quanto mais diluído, mais forte é o remédio) e, portanto, continha bastante substância ativa fisiologicamente, ou já estava na hora de eu ficar bom (!?) por mim mesmo. Depois disso, passei mais uns dois meses cuidando de uma labirintopatia, mas a sinusite acabou (ou, pelo menos, mudou de lugar).

Neanderthal disse...

E quanto ao tal de "Tea Tree Oil"?

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