27 setembro 2008

O ateu não-fumante

As coisas q os crentes dizem dos ateus são em geral engraçadíssimas de tão despistadas. Uma das coisas mais tontas – encampada até por muitos ateus – é q a própria palavra 'ateu' expressa uma negativa, ou seja, q essa palavra diz o q a pessoa NÃO É (crente). Partindo disso, muitos ateus procuram se definir com uma positiva – tipo o termo 'bright' sugerido pelo ateuaense Daniel Dennet.

O ateu é como um não-fumante. A partir do momento em q há pelo menos UM fumante – o primeiro fumante – todo o resto do mundo q não fuma passa a ser não-fumante. Ou seja, o padrão é ser não-fumante, assim como o padrão humano é ser não-voante.

A catequização, evangelização, proselitização, doutrinação e todos os outros -ãos q se baseiam em "por favor, please, seja como eu" são exatamente como anúncios de cigarro.

Nosso epopéico humanista não fuma. Já se lhe ouviu dizer q, MESMO não havendo tanto perigo à saúde no fumar, vc pode lhe passar 100 vezes por dia TODOS os anúncios de cigarro do mundo, pode levá-lo a palestras pró-fumo, mostrar-lhe depoimentos e mais depoimentos de fumantes felizes falando do imenso prazer, do sereno alívio de acender um cigarrinho, pode citar documentos e estudos q comprovam os benefícios do fumo, pode criar os cigarros mais palatáveis e menos repugnantes possíveis, q nem mesmo assim, o doutor jamais, never, NUNCA vai pôr um cigarro na boca e tragar. Não adianta. Sorry.

Pra ele, os anúncios de cigarro, mesmo os mais perversos ou divertidos, sempre foram um blablablá ininteligível, uma encheção de saco e perda de tempo pra todos os envolvidos.

E é assim q os ateus vêem toda tentativa de fazê-los ãã... crer. Encheção de saco e perda de tempo.

O não-fumante obviamente não conhece o prazer do fumo. O não-crente obviamente não conhece o prazer da crença. Mas também é verdade q o fumante/crente não entende a repugnância do não-fumante/não-crente, pois o prazer deste está em simplesmente respirar o ar como ele é, sem enchê-lo de aromas e urucubacas exógenas, maquinadas pra seduzir, aliciar e viciar. A névoa de fumo q paira numa boate, onde os fregueses se entreolham com aqueles sorrisos grupais, equivale à nevoa de crença q paira num templo, onde os fiéis se entreolham com aqueles sorrisos tribais. O pobrema é q qdo está fora da boate, o fumante não enxerga sua própria malevolência, sua falta de tato, sua prepotência ao sempre "sem querer querendo" transformar qqer ambiente numa densa e poluída névoa de vício e onanismo, não entende q o não-fumante detesta voltar pra casa com a roupa recendendo às baforadas alheias. O mesmo vale pro crente. "Sem querer querendo", põe-se a insuflar o ambiente com fumaças místicas, cor-de-rosa, dogmáticas, doutrinárias, sagradas e autoritárias.

Tanto os crentes qto os não-crentes precisam se dar conta de q, assim como o cigarro é uma invenção e o não-fumismo é o default humano, tbm a crença é uma construção humana e portanto o default humano é a não-crença. Na natureza, ninguém fuma. Na natureza, ninguém crê.

Claro q já virão leitores perguntando: se o crente é o fumante e o ateu é o anti-tabagista, ¿o q é o agnóstico? e ¿o q é o agnóstico radical?

Bom, na boate, o agnóstico é o garçom. O coitado não fuma mas tem q ficar ali respirando a urucubaca.

Já o agnóstico radical, é aquele q nem põe os pés na boate: fica em casa lendo gibi, tocando violão e trepando.

18 comentários:

Marco disse...

O fumo, pelo menos, foi proibido em lugares públicos fechados.

Permafrost disse...

¡¡Êi, boa idéia!!

Pracimademoá disse...

Nhé, eu até que me diverti com a metáfora porque compara o estado de espírito religioso com a fumacinha venenosa dos cigarros, mas se começar a explorar muito as possibilidades da metáfora, ela perde o encanto. Eu parei de fazer isso quando me ocorreu que o fumante é freqüentemente destratado na sociedade e o não fumante é considerado inteligente e saudável, o OPOSTO do que ocorre com as religiões: o praticante é bem visto na sociedade enquanto o não praticante é quase um pária.

Aliás, a metáfora já derrapa no próprio texto, né? O proselitismo das religiões é que sempre foi "um blablablá ininteligível, uma encheção de saco e perda de tempo pra todos os envolvidos". Comercial de cigarro não é assim, comercial de cigarro nunca é de falar muito, pois nem tem o que dizer. Acho que a última tentativa de se fazer comercial de cigarro com blablablá foi aquele do Gérson e o Villa Rica, e deu no que deu. O Gérson passou anos pedindo para ser deixado em paz. Acho que nunca ninguém se arrependeu tanto de ter abrido a boca.

Permafrost disse...

É, essa analogia teria funcionado bem melhor uns 40 anos atrás, qdo ainda não se conhecia a extensão da praga cigarrista, e até havia anúncios q apregoavam os benefícios do tabaco. Pra q a analogia funcionasse hoje, talvez fosse preciso fazer um estudo sobre os malefícios da crença. Se o cérebro se revelar tão transparente qto o pulmão (aliás, tanto qto me pareceu q vc acha), talvez seja possível.

giovana disse...

Me perdoem os fumantes e os crentes, mas não gosto de nem um dos dois... um polui o corpo e o outro polui a mente !

Maximiliano disse...

já fui tabagista e crente ,estou respirando melhor e meus 10% não vão para o pastor nem muito menos para um garçom desonesto .

Permafrost disse...

Giovana,
acho q os fumantes até perdoam. Já os crentes...

Max,
¿Como vc largou do hospício? digo, do vício?

Pracimademoá disse...

Ih, olha lá. Um testemunho! Vamo lá, Maximiliano. Segura na mão do ateu e conta pra nossa assembléia como é que foi a sua saída dos porões da escuridão. Glória, irmão!

Andre disse...

Ah, eu sou um fumante ocasional, sabe, aquele de balada? Apesar que nem em balada eu vou mais depois do nascimento da minha filha, quanto mais fumar...

Acho que é como o católico que se diz católico, é contado em estatística como católico, mas a única coisa cristã que faz é ir na igreja no domingo, mesmo assim fica é rezando pra acabar logo...

Maximiliano disse...

Se eu relatasse meu testemunho de excomungado, estariam presentes o meu professor de história do PT, minha dissecação no centro anatõmico na faculdade de medicina, experências-limites perto da morte,meu dia-a-dia como psiquiatra( atendo alguns messias), etc. No entanto, o que define minhas crenças são bons argumentos, larguei o teísmo, o cigarro e penso em abandonar a picanha( snif) depois que li Peter Singer.

Abração

dE férias disse...

entao não podemos sair do "default humano"??
tudo que nao é defaut é ruim?

Permafrost disse...

Qqer um pode fazer o q quiser, dEférias, contanto q não condene ou encha o saco de quem prefere ficar no default. Crente censurando ateu é o mesmo q fumante censurando não-fumante.

dE férias disse...

cacetada!!!!
só agora eu entendi pq nao tem crente comentando (ou discutindo rs) em site ateu. (eu queria dizer “e vice-versa”, mas nunca achei um site crente para atestar. E me refiro a um site com idéias plausíveis, pq achar porcaria é fácil)

Claro que cada um pode fazer o que quiser, mas como vivemos em sociedade inevitavelmente terá enchimento de saco ou censura, e sabemos muito bem que isso é mútuo.
ah... raça humana!!

Permafrost disse...

Tem pouco crente comentando em site ateu mas tem ateu comentando em site crente pelo mesmo motivo q tem pouca criança comentando em site adulto mas tem adulto comentando em site infantil. O crente é simplório; se uma pessoa é adulta e inteligente mas TBM é crente, ela tem q vestir o cérebro com uma roupa simplória toda vez q entra em “modo crente”. O ateu tá jogando xadrez; o crente tá brincando de amarelinha entre o inferno e o céu.

Ah, o Dr Plausível é ateu em relação a deidades como os dos cristãos, hindus, judeus, muçulmanos, &c. Mas este não é um “site ateu”. O doutor se autodenomina um agnóstico radical.

dE férias disse...

Isso é o que eu chamaria de um possível começo de discussão ou muita troca de ideias, uma vez que existe muitas coisas além de uma teologia dogmática, metafísica, (que tratariam puramente de especulações).
Para os crentes o "vestir roupas simplórias" poderia se dar em diferentes níveis, uma vez que teologia filosófica permite ao crente alcançar níveis de conhecimento ou esclarecimento em muito semelhante ao ateu.
Isto é; o crente adulto e inteligente quando veste o cérebro o vestiria em um mesmo nível que vestiria um ateu.

Isso tudo são questões muito dispendiosas para se falar pois exigem um bom conhecimento/embasamento filosófico que eu, honestamente, já estou de saco cheio. (último ano de filosofia na universidad; tudo o que eu quero é ficar zen)
Acho que poderíamos resumir assim(em alusão ao seu comentário): para ser ateu a pessoa deve jogar xadrez; já o crente, pode escolher se vai jogar ou não (sem por isso deixar de ser crente). [não sei se me faço inteligível]

Maria Isabel disse...

Isto vem bem a calhar, prezados ateus/agnósticos e similares, auto-presumíveis detendores do conhecimento e auto-capacitados a jogar xadrez: "Os modernistas desejariam que a Bíblia respondesse de um jeito menos contundente, menos claro e mais sutil, de tal maneira que somente um estudioso (ateu??agnóstico radical??) pudesse interpretá-la. Isso faria com que os acadêmicos se sentissem muito importantes". A propósito, sou uma crente comentando num site agnóstico. Ops! Estaria eu brincando a brincadeira errada? Ah, NEM TÔ! Também sei jogar xadrez, apesar de ter sido chamada de uma simples dona-de-casa taubateana uma vez, pelo prezado ãh, como é mesmo o codinome do autor deste blog? Ah, sim...Dr.Plausível! Ou teria sido pelo Sr. Permafrost? Ou por ambos??

Permafrost disse...

• Como não podia deixar de ser –pq brasileiro parece não ter idéias própria e portanto não escreve livros com suas idéia– a citação q vc colocou ali é uma tradução (até q boa) dum original euaense, do Handbook of Christian Apologetics. (O título brasileiro meio q deu uma generalizada um pouco anti-ética no título: Manual de Defesa da Fé.)

"Modernists … wish Scripture would answer less loudly, less clearly, more subtly so that only a scholar could properly interpret it. That would make scholars feel very important."

Tenho uma coisa à dizer sobre isso: ¿Será possível alguém entender MAIS errado?

• Vc não é uma crente comentando num saite agnóstico pq este NÃO É um "saite agnóstico". ¿Tás me estranhando?

• Sobre o comentário sobre vc ser "apenas uma dona-de-casa": por email já relembrei à vc o contexto em q isso foi dito; parece q não leu. Vc tava contestando a construção do Colisor de Hádrons pelo CERN na Suíça. Expliquei q, se vc é apenas uma dona-de-casa, eu sou apenas um músico. Nem vc nem eu sabemos sequer consertar uma geladeira, pô. Mas qdo os mais brilhante cientista, os mais preciso fabricante, as mais poderosa e interesseira empresa do mundo decidem gastar bilhões pra realizar um GIGANTESCO experimento pra investigar melhores fonte de energia, investigar uns detalhe nas teoria q possibilitam à vc e à mim conversarmos instantâneamente pela internet &c &c &c… aí VOCÊ quer dizer à eles q vai ser tudo inútil, q jamais vão descobrir nada verdadeiramente fundamental, pq algum imbecil na imprensa falou alguma besteira q levou vc à interpretar q o *único* objetivo do Colisor é descobrir "os segredo de Deus". Pô, ¿quem sou eu –e quem é vc– pra palpitar sobre o trabalho e as especialidade dessas pessoa? Sim. Comparado à essas pessoa, vc é "apenas" uma dona-de-casa, e eu sou "apenas" um músico. Lembra q *a internet* (!!!) foi inventada no CERN, pô.Tou dizendo: nem vc nem eu sabemos como funciona sequer um detalhezinho pequeno dum celular, ou até dum radinho de pilha…

• E sim, centrar todo vosso pensamento ao redor dum livro escrito por semi-selvagens 2 ou 3 mil anos atrás não demanda muito raciocínio. Tudo q vc precisa é saber ler, ter fé e curiosidade sobre o mundo antigo. Qqer coisa na Bíblia q ninguém entenda muito bem, dá pra dizer "Deus escreve certo por linhas torta". Ótimo, digo eu; apóio vc completamente nisso. De verdade. Mas qdo vejo alguém posando de amigo atacar vc com uma frase do tipo "sistema epistemológico bíblico filosòficamente coerente e não contraditório" (uma frase provàvelmente traduzida de filósofos meia-boca como Plantinga ou William Lane Craig), sou obrigado, como irmão, à te proteger dum estrupício. :•)

Note q essa expressão "sistema epistemológico &c" é ela mesma uma interpretação modernista da Bíblia. Então aqui vc aparece condenando os "acadêmico modernista" qdo alhures vc diz "assino embaixo".

• Em tempo, caso ainda haja dúvidas: o Dr Plausível e eu NÃO SOMOS a mesma pessoa.

Maria Isabel Sáenz de Zumarán Medeiros disse...

Não menosprezo, ao contrário,o trabalho científico sério, mas mesmo sendo uma dona-de-casa posso sim garantir que o tal projeto não vai conseguir provar que existe uma partícula xyz que vai comprovar que não foi Deus o criador do universo. Não me lembro mais detalhes ou propósitos do projeto (e nem tenho tempo de pesquisar agora), mas eu garanto, pela fé e pela certeza de que a biblia É A PALAVRA de DEUS, e portanto não contém erros em sua essência, de que foi Deus o criador do universo, inclusive das amebas! 2) Os escritores biblicos não eram semi-selvagens (já te disse isso, Abraão era riquissimo,vivia na cidade da Suméria, super desenvolvida, Moisés foi criado na corte egipcia, entre os sábios, Daniel era conselheiro de Nabucodonosor do Império Babilônico, etc. etc.). Esquece essa coisa de semi-selvagens então, cara. 3)Entender a mensagem bíblica não requer mesmo muito conhecimento, nem saber nada do mundo antigo, como vc disse, pois Deus teria sido injusto com os símples se assim o fosse (a salvação é para todos e não só para as elites intectuais. Não é sequer necessário saber - ou poder ler - pois "a fé vem pelo ouvir" também, mas estudá-la sim, requer certo grau de conhecimento. Estudá-la e comprovar a coesão da mensagem dos seus 66 livros escritos em +- 1500 anos por +- 40 pessoas não é para qualquer um, assim como acontece em qualquer área da vida secular. Tomás de Aquino, Lutero, Agostinho, John Wycliffe, entre outros não me parecem terem sido pessoas ignorantes. E nem um sem número de cientistas, filósofos, intelectuais, estadistas, que um dia se renderam à Deus. Não vejo problema algum em fazer um estudo modernista (ou interpretação modernista) da bíblia, desde que, sempre que, não haja desvio da essência da mensagem bíblica central. A bíblia satisfaz as duas formas epistomologicas: a racionalista e a empírica, e isso é perfeito. Pode ser provada pela epistomologia racionalista (estudo da farta documentação histórica existente e das fartas evidências arqueológicas) e pela epistomologia empírica (que estuda as experiências - sem provas materiais - como milagres, atos e sinais de Deus, anjos, etc.) ** and XX

Postar um comentário

consulte o doutor