18 novembro 2004

As câmera nas câmara

Restabelecendo-se após seu prolongado coma, nosso elástico Dr Plausível não pode ter emoções fortes e deu de ficar zanzando pela casa procurando fios pra forrar, ceroulas pra cerzir e louça pra lavar. Às vezes, qdo precisa descansar dessas fatigantes tarefas, vê-se obrigado a assistir a algum programa sub-sináptico na tv; e é por isso q vez ou outra estaciona nos canais políticos.

Dia desses, lá estava nosso elegante pensador vendo uma sessão da câmara federal, qdo retumbou pela rua uma gargalhada como há muito não se ouvia no mundo. PLAAAH-QUA-QUA-QUA-QUA!! HAHAHAHA!! BLAS-BLA-BLA-BLA-BLA!!!

Não era pra menos. O doutor ficou intrigado por que a câmera teimava em focalizar uma pequena cena de cada vez e nunca abria um plano geral. Pouco a pouco, observando o q rolava à volta de quem tinha a palavra, o motivo disso foi ficando evidente. ¿Alguém aí já assistiu a esses canais por mais de 10 minutos? ¡Não admira q este país não vá prà frente! Aquilo é uma baderna permanentemente à beira do caos total. Há alguns microfones espalhados pelo plenário, e qdo um deputado tem a palavra pra (por ironia) levantar uma "questão de ordem", à volta dele ficam uns gatos-pingados de pé olhando pro nada, conversando, rindo. O deputado dirige a palavra ao presidente da câmara, (por ironia) Inocêncio de Oliveira, q fica sentado ali controlando os microfones, ladeado por dois ou três deputados de aparência totalmente enfastiada. Atrás do presidente, duas, três, às vezes quatro assessores de pé ficam ali desviando a atenção dele, enfiando papéis pra ele assinar, cochichando em seu ouvido, &c. Às vezes passa alguém por trás falando num celular. A câmera só focaliza ceninhas pequenas porque se mostrar o plano geral, deve ser deprimente: um monte de gente distribuída ao acaso num salão enorme, cada um cuidando de sua vida. HAHAHAHAHA!!

A maior gargalhada de nosso excelente doutor aconteceu qdo um deputado mineiro falava no púlpito sobre o perigo de dirigir na estrada de BH até sua cidade natal, e lá no finalzinho mandou ver uma pérola deste quilate: "E sendo hoje 16 de novembro, quero parabenizar minha Luciana belezinha q tanta alegria me dá. ¡Um beijo!" Abriu um sorriso de orelha a orelha e saiu de cena. ¡¡QUA-QUA-QUA-QUA-QUA!! ¡Impressionante, não? Dá até pra ver o nobre deputado negociando sua subida ao púlpito naquele dia,

"Pô, dá uma brechinha aí, ô Inocêncio, é o niversário da minha filhinha."
"Mas ¿vc vai falar do quê?"
"Ah, tem uma estrada lá q o pessoal tá me enchendo o saco pra falar..."
"Tão tá. Sobe lá depois do Fulano, q vai dar uma indireta prà sogra."

O mais engraçado mesmo é q vira e mexe tem alguém chamando aquela paçoca de "parlamento". ¡Ê, peraí, parlamento é coisa organizada! Isso é como chamar margarina de manteiga só pra dizer q vc come manteiga. Aquilo q o doutor viu na tv está mais prum parlapatório.

Mas não é curpa dos deputado. Eles são só as vítima de algum ataque de hipoplausibilose idealista q assolou os constituinte. Só pode ter sido isso. Pois ¿quem, em sã consciência, acharia plausível q uma câmara assim montada seria eficiente?

5 comentários:

Pracimademoá disse...

Não ocorreu ao Dr. que PAGAMOS OS SALÁRIOS DAQUELAS ZEBRAS com nossos impostos. Se tivesse ocorrido, teria rido muito menos. Talvez até caísse em depressão.

Que me desculpem as zebras (o bichinho).

Neanderthal disse...

É uma Balbúrdia!

PZumarán disse...

Pois é, mas eu vou dizer uma coisa procê, Demoá: sem esse detalhe de quem paga a conta, o Dr Plausível não acharia tudo tão engraçado. A hipoplausibilose é um assunto q o fascina justamente porque faz necessária a colaboração concertada de tanta gente. É ainda mais engraçado pelo fato de 150 milhões de pessoas acharem o sistema político vigente *plausível* - sem questionar, sem cobrar e conseqüentemente sem se comprometer.

PZumarán disse...

Neanderthal, 'balbúrdia' com maiúscula ¿não parece nome de cidade mesopotâmica?

Neanderthal disse...

Como diria Bob Fields:

"A politica é a arte de administrar o circo a partir da jaula dos macacos!"

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