21 fevereiro 2004

Aliás,

¿q história é essa de esperança? O Dr Plausível já tratou diversos casos seríssimos de esperancite – uma doença recorrente como a herpes, variante da hipoplausibilose. Perniciosíssima, ataca populações inteiras do Terceiro Mundo. Nesses lugares, 'esperança' é a palavra q mais ressoa qdo falta empenho, método e lucidez. Enaltecer a esperança só pode ser coisa de gente mal-intencionada q, à custa de martelar a palavrinha, pretende manter o status quo: "Educação ¿pra quê? Conforto ¿pra quá? Produção ¿pra qüé? ... ¡Onde há esperança, há voto!"

Dizem q 'a esperança é a última q morre', mas afirmo com toda a certeza: o último q morre é o doente. Se eu tiver um ente querido na UTI e alguém vier me falar de 'esperança', eu grito "¡Ôô, vira essa boca pra lá, seu agourento!" Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século; tanto q a expressão "a esperança do povo brasileiro" já virou piada internacional.

Durante a última campanha do Lula, qdo surgiu a boçalidade do medo duartino, logo alguém do PT saiu-se com a bazófia da esperança. O Dr Plausível se ofereceu à cúpula petista pra gratuitamente desativar a catástrofe socio-semântica q se seguiria, mas foi tarde demais. Cresceram pústulas de esperancite nos cérebros de dezenas de milhões de brasileiros, q já carregavam o vírus desde nascença, com o resultado de q o candidato certo foi eleito pelos motivos errados.

Nosso exuberante pensador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhados entre os religiosos, poetas mal-informados e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, você olha firme nos olhos dele e diz: "Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho." A seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.

Um comentário:

BiaBerna disse...

Muito bom o texto de PZ.
1. A "esperança" não oportuniza situação paradigmática, pois se trata de um pensar absolutamente individual, pessoal, cada mente com a sua esperança. É o mesmo que ocorre com amor, compaixão, fé...
2. De parte daqui, coloca-se culpa em FHC, nos seus últimos anos, que assumiu postura de nojo-da-gente, cansou do trabalho e só podia dar no que deu, o preguiçoso pegou nojo dos brasileiros, das coisas nossas, da gente brasileira.
3. Diante de tal descaramento miserável, de FHC, a parcela 61% nem pensou duas vezes, deu o troco da melhor maneira ao seu alcance: eleger Lula um sem estudo. A doideira foi não levarem em conta o rasgado que estavam a colocar no lugar do rôto.

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