13 dezembro 2003

Os meia-roda

Muita gente acha o Dr Plausível retardado, mas pra mim é um privilegiado: é uma das poucas pessoas neste vasto mundo q caem na gargalhada lendo dicionário. Dia desses quase vomitou as tripas de tanto rir ao deparar-se com a indesculpável omissão da palavra 'bicicletaria' em quatro dos dicionários mais vendidos – o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis, o Novo Aurélio Século XXI, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. ¡Êitcha inguinorança cabo da pexte! Tem gente q não se emenda, né?

Além de 'bicicleta', entre o Michaelis e o Aurélio encontramos, no máximo:

bicicletário s: lugar onde se guardam bicicletas
bicicleteiro s: [GO] bicicletista
bicicletista s: pessoa que anda de bicicleta; ciclista

¿Não é de matar de rir? Uma palavra q qqer brasileiro entenderia e produziria sem o menor problema simplesmente não é reconhecida por pessoas q faturam uma nota preta arvorando-se de árbitros da língua. Sem falar da gargalhável afetação em glosar 'bicicleteiro' apenas como um regionalismo de Goiás pra 'ciclista'.

¡Ó grandíloquo guidão da língua! ¡Ó senil selim semi-analfa!

Agora, a coisa q fez nosso efusivo doutor rir até lhe rebentarem as ilhargas foi lembrar o motivo q o levou a procurar uma palavra tão prosaica no asinino pai dos burros. É q uma certa firma de legendagem de filmes, sediada nos EUA, só aceita traduções com palavras incluídas no Aurélio, sem choro nem vela. Se a palavra não consta (tal como, digamos, 'sentimentalóide'), a tradução é devolvida com a palavra criminosa marcada 'this word does not exist'. Agora digam-me, se 'bike shop' não é 'bicicletaria', ¿então o q é? ¿chope de bico?

Não deve ser à toa q proliferam as bike shops no Brasil, pois muito brasileiro ao confirmar q 'bicicletaria' não consta nos léxicos vai dizer, "¡Olha só, 'bicicletaria' não existe!" HAHAHAHA Cartazes às dezenas de milhares estão na verdade em branco.

Mas o mais esputantemente engraçado é perceber q essa omissão em tantos dicionários não pode ser coincidência, e q portanto os dicionaristas copiam irrefletidamente os verbetes de outros dicionários. Como evidência, veja o caso do verbete "Dord" , q se originou dum erro de compilação e foi depois reproduzido por vários outros dicionários.

2 comentários:

José Geraldo de Barros Martins disse...

Muito bom, Dr Plausível !!!
É por isso que tem bike shops , personal numbers e outras coisa mais!!!

Permafrost disse...

O mais engraçado, no entanto, é perceber q essa omissão em todos os dicionários não pode ser coincidência e q portanto os dicionaristas copiam irrefletidamente os verbetes de outros dicionários, como aquele 'pesquisador' do IPT q mencionei na entrada de 2/11/03.

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