13 março 2016

Breve história do pós-modernismo

Sujeito Z tá indo comprar doce na padaria e no caminho vê dois estranho falando duma casa ali perto:

X: Essa casa é feita de água.
Y: Acho q foi feita com tijolos.

Entreouvindo isso, Z interpõe:

Z: Essa é uma visão ultrapassada. O empirismo do conceito realista de moradia já foi estruturalmente demolido por Fullen com a ferramenta da subjetividade multipensante de Beltring alicerçada no confrontamento anti-ficcionalista do comentário social de Sicrain, ao menos dum ponto de vista puramente racional –até porque o empirismo não abrange um embasamento teórico. Permita-me apresentar-me. Sou o multipensador Prúndio Cusparelli. Vc é?
Y: Frank Gehry.

http://tinyurl.com/jue7lrn

21 fevereiro 2016

Brasil, Sociedade Anômala

Um dia, juntaram-se num salão: Sibá, Jutahy, Marcivânia, Pauderney, Laudívio e Genecias.
«¿Tamo tudo aqui?» perguntou Pauderney.
Marcivânia olhou em volta.
«Não. Ainda falta o Uldurico, o Weverton e o Danrlei.»
«E o Remídio tamém.» intercedeu Laudívio.
«Vamo esperá, ntão.» retorquiu Pauderney.
Duas horas depois, ainda não haviam chegado Uldurico, Weverton, Remídio ou Danrlei.
«¿Será q eis não vêm?» indagou-se Jutahy.
«O Adail me garantiu q o Uldurico vinha.» sublinhou Genecias. «Mas outro dia, a Dâmina reclamô dele se atrasá.»
«Tão demoran demais.» queixou-se Marcivânia.
Uma hora depois, chegou Weverton.
«Desculpuatraso aê.» retratou-se Weverton. «Eu tava co Izalci e o Arolde falando co Odelmo daquele bafafá do Sóstenes.»
«Mas ¿cadê o Uldurico e o Danrlei?» interpelou Laudívio.
«Sei lá.» retorquiu Weverton. «Sei q o Remídio não vem.»
E ensimesmou-se.
Dali à pouco, Valtenir avizinhou-se. Sibá intrigou-se.
«¿Ce viu o Uldurico e o Danrlei por aí?» inquiriu ele.
«Vi.» informou Valtenir. E calou-se.
Mais uma hora e meia, e então Danrlei assomou ä porta.
«Ói lá o Danrlei.» apontou Pauderney. «¿Quem q é o cara co’ele?»
«É o Ságuas.» asseverou Jutahy.
«¿O Ságuas?» pasmou-se Laudívio. «¿Eis não tinha brigado?»
«Foi.» confirmou Jutahy. «Mas o Cabuçu deu jeito.»
«Vou lá buscá o Danrlei.» dispôs-se Marcivânia.
E foi.
«Oi, Danrlei.» saudou Marcivânia. E prosseguiu: «Só falta ocê e o Uldurico. Vamo lá.»
«Tá.» obtemperou Danrlei.
Enquanto ambos desciam juntos o corredor do plenário da câmara dos deputados da República Federativa do Brasil para juntar-se aos demais, Danrlei tratou de redimir-se por seu atraso:
«Ó. Acho q convenci o Sinval e o Onyx tamém.»
«Jóia.»

No dia seguinte, aconteceu quase exatamente o mesmo, com esta diferença: quem chegou primeiro foram Patrus, Arolde, Izalci, Aliel, Onyx e Danrlei.

13 janeiro 2016

Abono fatalino

Os funcionário do prédio em q o Dr Plausível mantém seu consultório até já se acostumaram à ele. Com tanta gargalhada emanando de lá, eles de vez em qdo têm q repassar reclamação de algum condômino querendo saber qual é a piada. Äs vez, nosso esmerildo humanista desconfia q são os próprio funcionário q querem saber. Como o doutor é, antes de tudo, um grande educador, ele explica e os funcionário tbm racham de rir.

Nem sempre, claro. Qdo a piada é com eles, não gargalham. Mas acabam entendendo q plausibilidade é um termo absoluto.

Todo fim de ano, é a mesma coisa: os funcionário fazem uma caixinha de Natal −aquela infame lista de todos condômino, indicando ä esquerda qual é o condômino mais generoso ou interesseiro, e ä direita qto foi q o miserável do 301 deu.

Desprovildo de Neves > 403 > R$20
Jenipapa Romano > 502 > R$50
Francistônia Xaveco de Almeida > 604 > R$5

&c &c

Todo ano, há mais de 30 anos, o Dr Plausível escreve a mesmíssima coisa:

Amônio Plausível > 901 > 13º salário

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Mas ¿tá certo, ou não tá certo? Claro q tá. E ainda bem q seu consultório não fica numa casa: dizem q até lixeiro bate ä porta e pede caixinha de Natal. O povaréu assalariado precisa ser melhor informado: o abono natalino e o 13º salário são a mesmíssima coisa. Aliás, faz 30 anos q nosso doutor não ganha nem um nem o outro, de ninguém, nunca. Mas natalinamente abona seu sapateiro, o jornaleiro da esquina e a marmiteira −pessoas q, muito provàvelmente, ganham mais do q ele.

Então. Né?

Agora, saiu essa mania de taxista baixar a bandeira 2 durante dezembro, como um 13º salário.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Êitcha. ¡Não têm fim, as artimanha do povaréu!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Mas olhem só a maior piada de todas:

Outra coisa q não tem fim é as artimanha dos patrão. Si antes um assalariado trabalhava 12 meses por ano e ganhava $12.000 (sendo $1.000 por mês), hoje ele trabalha 11 meses e ganha $11.000. O patrão hoje divide $11.000 por 13 e paga 13 salários de $846 (11 de trabalho, 1 de férias e 1 de 13º). O patrão sempre calcula em homens/hora; ele obtém 11 meses de trabalho e paga 11 meses de trabalho, na mesma proporção de anteriormente. O povaréu ingênuo fica achando q conseguiu enganar Lavoisier pois não enxerga além de 12 meses à trás e 12 meses à frente.

Mas, sabendo q o 13º na verdade não abona porra nenhuma, ¿por quê o doutor não dá uma caixinha pros funcionário do prédio nessa recorrente época de paz, amor, união, alegria, caridade, esperança, fraternidade, solidariedade e palavras cada vez mais longa? Ora, pq ele tá careca de saber q até mesmo a caixinha faz parte dum cálculo de quem tá, supostamente, dando algo −porém sempre cìnicamente. Agora q absolutamente TODA conta q chega ä mesa em QQER restaurante já vem com 10% adicionado, o maior valor q é possível realmente compartilhar fraternalmente com um funcionário é mesmo a gargalhada.