11 janeiro 2015

Je suis Amoniô

À julgar pelas imagem nas tevê, nem siquer um único entre os milhar de manifestante reunido nas rua de Paris &c ergueu um único cartaz com um único cartum tirando sarro duma única religião. Só fizeram erguer canetas e lápis, chamando à si mesmos de ‘Charlie’. É o mesmo q a torcida braseira inteira berrando “je suis Neymar” qdo ele, e só ele, leva uma cacetada aleijante por trás depois q ele, e só ele, marca um gol genial. Descer ao campo pra levar patada e fazer gol é exatamente aquilo q a platéia não tá disposta à fazer nem tem o talento pra fazer.

(Mas ¿qdo foi q começou à pipocar essa pataquada de juntar gentes à dizer “Eu sou [nome de algum injustiçado]”, como si grupos inteiro de iletrados de repente encarnassem Walt Whitman? Virou histeria hipócrita fazer gesto simbólico. Então, aqui vai um gesto simbólico não-hipócrita:



Isso taí pra demonstrar q, si gesto simbólico fizesse diferença, não haveria terroristas. A lei do menor esforço garantiria q bastaria os desafeto erguerem canetas em frente ä redação do notório hebdomadário.)

Mesmo considerando todas faceta (geo)política determinante da matança no hebdô, q muita gente procura desvincular da faceta religiosa –ou seja, mesmo q se veja a religião como pretexto em vez de motivação–, a religião tá ali como um porco no meio da sala. A questão q mussas têm q entender e engolir (e q jubas e cricas já entenderam, ainda q mal e porcamente) é q, na arena pública, NENHUMA crença tem o privilégio de não ser avacalhada. Aliás, si tivesse, seria um despautério, pois ter uma crença JÁ É, em si mesmo, uma avacalhação de todas outra, e da ausência de crença. Ser mussa, juba ou crica JÁ É arrogar-se o privilégio duplo de avacalhar e não ser avacalhado –e, como si não bastasse, de protestar a insolência de impor costumes e cismas ä sociedade toda. Si o humor e a sátira servem pra baixar o topete de gente insolente, então q os limite do humor sejam os mesmo q os da insolência religiosa –e o Charlie Hebdo não chegou nem perto.

Et je suis Amoniô.

3 comentários:

Walcyr disse...

Há uma fronteira ética clara entre humor e assédio moral. O júri só ainda não decidiu qual é a fronteira entre assédio moral e proselitismo.

Rafs disse...

@Walcyr, tem mesmo uma fronteira entre assédio moral e humor, já que assédio moral é constranger e/ou humilhar pessoas em seu ambiente de trabalho (por parte de colegas ou superiores). Nada a ver com humor.

A dificuldade aqui é saber até que ponto isso tudo foi só humor e até que ponto é proselitismo. Acho que dá pra gente dizer que ambos tão aí. Mas de proselitismo os dois lados são culpados. Quer pregação ideológica mais forte que "Eu te mato se você fizer o que eu não posso!", na prática.

Pracimademoá disse...

Somos todos Nigéria.

Ou Camarões, dependendo do ano e do desempenho da seleção brasileira.

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