11 setembro 2014

Esperancite raidzaguém

Perto de toda eleição, é sempre bom relembrar este texto de 2004:

«Aliás, ¿q história é essa de esperança? O Dr Plausível já tratou diversos caso seríssimo de esperancite –uma doença recorrente como a herpes, variante da hipoplausibilose. Perniciosíssima, ataca populações inteira do Terceiro Mundo. Nesses lugar, ‘esperança’ é a palavra q mais ressoa qdo falta lucidez, método e empenho. Enaltecer a esperança só pode ser coisa de gente mal-intencionada q, à custa de martelar a palavrinha, pretende manter o status quo: “Educação ¿pra quê? Conforto ¿pra quá? Produção ¿pra qüé? ... ¡Onde tem esperança, tem voto!”

«Dizem q “a esperança é a última q morre,” mas afirmo com toda certeza: o último q morre é o doente. Esperança é quase um atestado de óbito. E tbm é assim qdo se trata dum povo: o Brasil sofre uma epidemia de esperancite q já dura mais de um século –tanto q a expressão “a esperança do povo brasileiro” já virou piada internacional.

«Nosso exuberante enumerador tem uma receita contra a esperança: vontade e empenho. Toda vez q um político (ou algum de seus apadrinhado entre os religioso, poetas mal-informado e aspirantes a elite) vier linguarungungular sobre esperança, vc olha firme nos olho dele e diz: “Não, não tenho esperança porra nenhuma. Tenho vontade e empenho.” À seguir, vc sai correndo de perto dele o mais rápido possível, antes q, à la Göring, ele saque o revólver.»

2 comentários:

¿Oncotô? disse...

Mas peralá, dr.: ¿e aquela história da caixa da Pandora, em que ficou apenas a esperança? (Nunca entendi muito bem o mito, mas é por aí.)

¿Haverá em toda vontade e empenho (plausivelmente negritados) alguma dose, mesmo mínima, de esperança? Quer dizer, tou estudando pra concurso (rate race par excellence); mesmo tento vontade e empenho, ¿não estarei aí tendo no fundo esperança de que fique classificado?

Esperança é a cenoura que o burro quer alcançar, mas ¿no fundo no fundo não somos todos burros? (Peço perdão aos Equus africanus asinus.)

Permafrost disse...

Oncotô,
Sim, pode-se dizer q arriscar uma tentativa tem um elemento de esperança. A questão do texto aí é a típica e maciça tradição de depositar esperança na própria esperança, como si só ela fizesse alguma diferença, como si fosse um elemento fundamental e imprescindível pra realizar uma vontade ou desejo, e nunca citar q só se realiza uma vontade ou desejo coletivos qdo se tem lucidez, método e empenho.

Além disso, é absolutamente boçal um candidato político apostar as ficha retórica na simplória “esperança do povo brasileiro”.

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