19 abril 2014

Somos todos in gauss

Talvez não seja exagero dizer q a maior parte dos paciente na sala de espera de nosso epigeu doutor sofre de exagero. É por isso q ele tá sempre mencionando a ESCALA das coisa e dos fenômeno, e aconselha q, ao opinar sobre qqer X, o possível opinante investigue as proporção daquilo sobre quê vai opinar. Aconselha, acima disso, q o opinante procure representar o fenômeno ou coisa numa curva de Gauss. O motivo pra ele aconselhar isso não é q opinião é queném cu e tanto faz uma qto a outra. O bejetivo do doutor é sempre trabalhar pra erradicar a hipoplausivirose; tanto faz si vossa opinião tende à refletir contextos complexo melhor do q a opinião do vizinho.

Vizinho. Hm.
Vejamos um caso.

Mas antes, vamos relembrar a  curva de Gauss. O doutor vai colocar duas situação pra vossa atenção. A primeira tá perto do –4, e a outra tá perto do +4:



(a) Pra lá da roça, pra lá de onde o Jeca foi pescar e não voltou, tem duas casa vizinha uma ä outra. Numa delas mora uma mulher jovem e bonita; na outra, um homem jovem e viril. Um dia, a moça vai ao quintal de biquíni pra tomar sol. Traz um suco de pitanga e se deita numa espreguiçadeira. O vizinho espreita pela janela, fica de pau duro e decide se masturbar. Nesse momento, a moça beberica o suco, se levanta e entra em casa. * O vizinho fica ali esperando q ela volte. A moça vai até a porta dele e toca a campainha. Ele abre a porta e vê a vizinha, de biquíni, gostosíssima, segurando uma xícara. Ela sorri educadamente e diz:
«¿Tem um pouco de açúcar pra me emprestar?»
«Claro» diz o vizinho, ainda de pau duro. «Entra, entra.»

Ok. Volta o filme até o asterisco.

(b) … O vizinho fica ali esperando q ela volte. Ao entrar em sua casa, a moça tira o biquíni e veste, nesta ordem: um colante de nylon de corpo inteiro, dos calcanhar aos pulso; uma calça folgada de brim grosso com um cinto de couro; uma blusa de couro preta folgada com zíper até o pescoço; um macacão completo de frentista; um par de coturnos até os joelho; um sobretudo de lona grossa abotoado de cima à baixo; um capacete de pára-quedista. Ela vai até a porta do vizinho e toca a campainha. Ele abre a porta e vê a vizinha, vestida daquele jeito, segurando uma xícara. Ela sorri educadamente e diz:
«¿Tem um pouco de açúcar pra me emprestar?»
«Claro» diz o vizinho, ainda de pau duro. «Entra, entra.»

Perguntas:
1. Em alguma das duas situação, ¿o vizinho tem direito à estuprar a moça?
2. Em alguma das duas situação, ¿é mais *provável* q o vizinho se convença à estuprá-la?
3. ¿Em qual das duas situação o vizinho, caso tente estuprá-la, terá mais facilidade pra fazer isso?
4. ¿Em qual das duas situação o estupro é justificável?

Qqer humano q conheça e compreenda o significado das expressão ‘ter direito à’, ‘ser mais provável’, ‘ter facilidade pra’ e ‘ser justificável’ responderá, sem titubear:
1. Em nenhuma das duas. Em nenhuma.
2. Sim. Na primeira.
3. Na primeira.
4. Em nenhuma das duas. Em nenhuma.

¿Todos de acordo até aqui?

Bom, já se vê então q o eixo horizontal no gráfico de Gauss acima quantifica a desejabilidade duma mulher média em função da roupa q tá usando, com o zero = quantidade considerada normal em público:




¿Querem ver que interessante agora? Em vez de –4 e +4, vamos um pouco mais longe: –5 e +5.

(a) … Ele abre a porta e vê a vizinha, nua, pois no caminho despiu-se do biquíni, gostosíssima, segurando uma xícara. …
(b) … Ele abre a porta e vê a vizinha, vestida daquele jeito, com uma mão no bolso do sobretudo e, com a outra, segurando uma xícara. …

Nesses caso, ¿as resposta äs quatro pergunta mudariam? Claro q não, continuam as mesma. Algo foi adicionado, no entanto: a suspeita duma intenção. Na primeira, por ter-se despido antes de vir, ela levanta a suspeita no vizinho de q ela talvez teja se oferecendo; na segunda, escondendo a mão no bolso, o vizinho talvez suspeite q ela tá escondendo algo –um revólver, por exemplo. Mas há milhões de variáveis. Todo aquele vestuário da mulher na situação (b) *não impede* q o vizinho tente estuprar. Ele pode fantasiar q a mulher se vestiu toda pois “ela gosta de ser descascada”, ou q ela grita e esperneia ao ser atacada pois “ela se excita com a violência”.  Em contrapartida, ela aparecer de biquíni, tal como na situação (a), pode até intimidar e brochar o vizinho, pois ele pode gostar mesmo é de sentir uma resistência. ¡Marraio! tem todo tipo de maluco! ¿Não acaba NUNCA a variedade deste mundo? Nosso esverminante doutor não vai entrar em discussão q tem 7 bilhões de variantes. Sorry.

E q ninguém se exalte: o raciocínio de todos nessa questão é apenas probabilístico. Si alguém se dispuser à registrar e analisar detalhadamente todo estupro na face da terra durante dez anos, um lado da discussão prevê q a curva resultante seguirá proporcional e rigorosamente a curva de Gauss da população (ou seja, a quantidade de roupa não é relevante) e o outro lado prevê q a curva resultante será mais ou menos como a curva verde abaixo:


em q a população é um fator importante, mas tbm é a quantidade de roupa.

Em todo caso, nunca é demais lembrar à uma pessoa q é de seu interesse manter-se sóbria e ter uma noção de perigo. A idéia de q a animalidade humana pode ser civilizada por leis e regras de convivência é uma balela ingênua. Ninguém lida com urso, leão ou tubarão sem se precaver. Si uma pessoa lidar com outros humano como potenciais agressor e, portanto, relacionar-se com calma, cuidado e discrição (q alguns chamariam de “respeito e civilidade”), provàvelmente há de levar uma vida tranqüilérrima. Basta lidar com os outro incluindo a irracionalidade alheia na equação.

Agora. ¿Vcs tão pensando q o Dr Plausível tá querendo se meter nessa discussão sobre a opinião de q a quantidade de roupa q mulher usa pode estimular estupro? Claro q não, q ele não é idiota. A questão aqui é totalmente outra. A questão é q a acachapanzante maioria dos caso, das pessoa, das opinião, das posição, das situação &c recaem perto da média. Não importa o q um lado da questão diz ou o q o outro lado afirma. O q importa é não falar do outro lado como si este fosse radical, como si não importasse o q ele diz. O contrário é hipoplausibilose. Nenhum hipoplausibilético opinante acha q a opinião oposta pode ter algum bom senso, inteligência ou racionalidade. Isso acontece em QUA-LE-QUER assunto dicotômico: time local vs time visitante, socialismo vs oligarquismo, maconha vs repressão &c &c &c &c. Mas a verdade é q, pô, basta olhar prä curva de Gauss. Bis: a acachapanzante maioria dos caso, das pessoa, das opinião, das posição, das situação &c recaem perto da média. Entretanto, a tendência hipoplausibilética é enxergar o mundo assim:



Um portador de hipoplausivírus pode ter opiniões em qqer região da curva. Digamos q tenha opiniões na região do roxo, entre 2.3 e 3.1. A hipoplausibilose o faz pensar q ele é a epítome do bom senso, q na verdade ele tá na região verde perto da média. Além disso, o faz imaginar q toda opinião contrária ä sua, no outro lado da média, tá distribuída caòticamente tal como os ponto vermelho. O portador não só imagina, mas *trata* toda opinião contrária como si fosse uma radicalização caótica do oposto.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

E aqui tá o corolário desta explanação, a Lei de Gauss Plausível: «Nenhuma discussão chegará à qqer conclusão útil e válida enquanto ambos discutinte não visualizarem uma curva de Gauss *específica* sobre o assunto em discussão, e não se enxergarem nela realìsticamente.»

3 comentários:

Arthur Golgo Lucas disse...

A questão, Geladinho, é que a média e o desvio-padrão representam a distribuição das *opiniões* sobre uma determinada questão, mas isso não quer dizer que a posição *correta* sobre alguma questão específica não estejam, digamos, exatamente no ponto +2.7, perfeitamente na região do roxo supracitada. Né não?

Permafrost disse...

Golgo,
Não entendi a questão q vc colocou aí, si vc tá falando do último gráfico, pois o q vc diz me parece ser análogo ao q o doutor disse: o hipoplausibilético opinante sempre pensa q sua opinião tá na região verde, embora possa tar na região roxa. Claro tá q a maioria das opinião sempre tá perto da média; portanto, a probabilidade de até mesmo a opinião dum hipoplausibilético tar perto da média funciona à seu favor. Mas isso é uma questão secundária no gráfico; a questão principal é ilustrar a opinião do hipoplausibilético sobre a opinião contrária ä dele. Não importa q a opinião contrária teja perto da média: si ela é contrária, então (pro portador do vírus) ela só pode tar *longe* da média: “os radical são os outro, não eu.”

Permafrost disse...

Golgo,
Minha patroa me alertou q não entendi o q vc disse. Agora entendo.

Não entendi pq, em minha nomenclatura –em meu rigor ou, quiçá, preconceito nomenclatural– não existe opinião correta ou incorreta, e as pessoa falam desses dois conceito pois falham em dizer ‘suposição’, ‘parecer’, ‘estimativa’.

Deixeu explicar.
Isso q vc chamaria de ‘opinião correta’ é “correta” apenas pq exprime um fato. Por exemplo, si perguntam à um geólogo si há um lençol freático à menos de 10m de profundidade num certo terreno, e ele, consultando seus conhecimento, “opina” q sim, e logo se verifica q realmente ali tinha um lençol à 8m, então dir-se-ia q a “opinião” dele tava correta. Mas não é uma opinião; é uma suposição embasada, um parecer, uma estimativa. Si fazem a mesma pergunta à um adolescente ignorante e ele “opina” q sim, tbm é uma suposição, embora mal embasada.

Então ¿quê é uma opinião? Ora, à rigor, uma opinião é um valoração não-factual baseada numa ideologia, não em conhecimentos ou raciocínios sobre fatos; como tal, não existe “opinião correta”. Por exemplo: “Jorge Amado deveria ter ganho o Nobel de liberatura,” “maracujá é delicioso,” “bebê q ainda mama aos três ano merece ser decapitado,” “empregador tem q pagar salário à empregado.” O fato de existirem opiniões imbecil não implica em q uma parcela das opinião possível teja “correta”. As opinião variam entre ‘sensata’ e ‘insensata’, não entre ‘correta’ e ‘incorreta’ –ou mesmo entre ‘plausível’ e ‘implausível’.

Aliás, a suposição de q existem opiniões “correta” é um dos pilar do maniqueísmo religioso, do totalitarismo e da moral narcisista. Então vade retro, Opinião Correta.

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