30 março 2014

Atacadas com abobrinhas

Pô, assim não dá. Logo agora q as muié tavam em todo lugar do Brasil conseguindo as coisa, lá vem uma pesquisa do IPEA jogar tudo fora. Pra vcs terem uma idéia de como as muié tão hojendia, tem até muié fazendo carreira e fortuna dando palestra pra dizer q muié não deveria fazer carreira e q lugar de muié é em casa com o marido e os filho ou, qdo eles não tão olhando, com a máquina de lavar. E ainda outras muié fazendo carreira e fortuna dando palestra pra dizer q fazer carreira e fortuna é duplamente difícil präs muié pois elas querem tudo: ser mãe de quatro filhos, diretora comercial de olaria e pesquisadora do IPEA.

Era mesmo uma Era de Ouro präs muié. Era, até o IPEA publicar a pesquisa “Tolerância social ä violência contra as mulher” com 27 perguntas feita à brasileiros e, em particular, uma pergunta devassadora com uma resposta devastadora.

Mas peraí. Não entendam mal nosso evaginante doutor. Este texto é sobre a incompetência do português. (Pô, doutor, ¿mais uma chatice daquelas? Sim, mais uma.)

Duma hora pra outra, a publicação parcial da pesquisa já rendeu uma celeuma em q milhões de pessoas tão escandalizada pela constatação de q 65,1% dos brasileiro concordam q mulher vestindo roupa sensual merece ser estuprada.

Ôpa, ôpa. Peraí, não é bem assim. Na verdade, milhares de pessoas tão escandalizada pela conclusão estatística de q 65,1% duma amostragem de 3810 residentes no Brasil,  concordam com a frase “mulheres q usam roupas q mostram o corpo merecem ser atacada.”

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Ué, pergunta o leitor, ¿que graça tem isso?
Ué, pergunta o doutor, ¿não é óbvio?

Pois vejam só como isso foi interpretado:

“Pra 65% dos brasileiro, mulheres q mostram o corpo merecem ser atacada” (Terra Brasil)
“65% dizem q a mulher q mostra o corpo merece ser atacada” (Globo.com)
“Pra 65% dos brasileiro, mulheres com roupas curta merecem ser estuprada” (Jornal do Commercio)
“Maioria acha q mulher com roupas curta merece estupro” (EBC)
“Mais da metade dos brasileiro acredita q mulher dá motivo pra ser estuprada” (Rede Record)
“Maioria acha q mulher com pouca roupa deve ser atacada” (blogue)
“Se liga, mané: o tamanho da minha saia não te dá direitos” (blogue)

¿Notaram? A incompetência semântica de quem formulou a frase gerou uma ambigüidade na resposta do entrevistado, q foi então interpretada com prejuízo virulento pelo leitor da pesquisa. Os pesquisador não perceberam o limbo semântico em q chafurdam as palavra ‘merecer’ e ‘atacar’. ¿Como é q o IPEA me vem com essas palavra num questionário, meudeusdocéu? Não se põe expressão dúbia em pesquisa de opinião, seus tronho; ainda menos em assunto dioreiaempé.

‘Merecer X’ quer dizer “ter direito à X”, ou seja, algo bom é devido à algo bom:
Ninguém discordaria de q “mulher q salva bebê dum incêndio merece ganhar um prêmio.” Diriam q, si uma mulher salvar um bebê, então é correto dar-lhe um prêmio; ela tem mais é q ganhar mesmo.

Por associação, algo ruim é devido à algo ruim:
Ninguém discordaria de q “mulher q esquarteja bebê do vizinho merece ser presa.”
Diriam q, si uma mulher esquartejar um bebê, então é correto prendê-la; ela tem mais é q ser presa mesmo.

Mas olha a armadilha em q os pesquisador caíram, a arapuca em q colocaram os entrevistado:
“Mulher usando roupa sensual/colante/reveladora merece ser atacada.”
Sorry, mas nem mesmo 1% dos 3810 entrevistado diriam q, si uma mulher usar roupa sensual, então é correto atacá-la; q ela tem mais é q ser atacada mesmo. Curva de Gauss, pô. Pra quem tem plausibilina nas veia, é mais do q óbvio q, si a interpretação acima fosse proposta aos mesmo 65% q concordaram com a afirmação da pesquisa, eles diriam “Não, não, tá louco? Eu não quis dizer isso.”

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Supondo boa fé nos pesquisador, ¿quê aconteceu, então, pra q 65% respondessem q sim, q ela merece?

Ora, aconteceu o português. Aconteceu q os pesquisador –provàvelmente socializado e escolarizado tendo a forma da língua acima do conteúdo– amiúde não sabem o q tão dizendo qdo tão falando; os entrevistado não sabem o q tão ouvindo qdo tão respondendo; os leitor não sabem o q tão lendo qdo tão interpretando.

Qdo o brasilês coloquial diz
si X faz Y, então merece Z
, amiúde não quer dizer
si X fizer Y, é correto q receba Z
, mas algo como
si X fez Y, então q não reclame de Z.

Uma frase sobre um futuro evitável e tratada como si fosse sobre o passado inevitado. Esse fatalismo embutido e mascarado na própria semântica do brasilês é uma das mais nefasta explicação pro motivo por quê esta língua não tem dado certo pra organizar um país de proporções continental.

Aí entra a outra palavra dúbia da frase: ‘atacar’. ¿Atacar verbalmente? em boatos? aos tapa? com um beijo roubado? com foice e martelo? num terreno baldio com quatro brutamontes de pau duro? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Parece q a palavra foi posta ali com *intenção* de dubiedade, pra q não parecesse ‘estuprar’ mas q desse margem à ser interpretada como ‘estuprar’ na leitura da pesquisa. Mas ¿será q essas feminazi tão ficando tão desprezível à ponto de enfiar uma arapuca dessas? Claro q não. A frase toda deve ter sido discutida em reuniões &c; querendo dizer muito em poucas palavra, foram desbastando-lhe a precisão e, de “mulher vestindo roupa sensual incita ao estupro”, chegaram à “mulheres q usam roupas q mostram o corpo merecem ser atacada.” E os patso nem perceberam a gafe.

Daí ao escândalo, é um passo. Claro. Pois si o próprio título da pesquisa é “Tolerância social ä violência contra as mulher”, então o saldo positivo das outra 26 resposta pode ser ignorado. E aí entra mais uma vez o brasilês, em seu funesto pendor por falar sem dizer e dizer sem falar. As leitora da notícia foram violentada com abobrinhas. (¿Por quê elas e não os homem? Ora, ¿quem é q se beneficia sentindo-se vítima?) No caso dos q reagiram histèricamente ä notícia, tbm vale lembrar q há o problema da inumerência –a incapacidade de visualizar dados numérico. Pô, 3810 entrevistados são 0,0019% da população do Brasil. Além disso, 66,5% (2534) da amostragem são mulheres. \ö/ Isso quer dizer q, mesmo supondo q 100% dos homem (1276) disseram ‘merece’, ainda sobram 47,5% das *mulher* (1204) dizendo o mesmo. Que coisa estapafúrdia. ¿É plausível crer q no mínimo 47,5% das MULHER brasileira concordam q “mulher vestindo roupa sensual/colante/reveladora merece ser atacada”? Naaah.

Mas ¿por quê não duvidar da boa fé dos pesquisador? Pq basta ler o texto publicado pra perceber q eles não têm muito traquejo com a língua. Por exemplo, os autor acham q a frase “mulheres q usam roupas q mostram o corpo merecem ser atacada” não é «nem um pouco sutil».

¿Uma frase ambígua e antrígua, mal ajambrada, toda torta e nebulosa é ¡¿NEM UM POUCO SUTIL?!?

HAHAHAHAHAHAHAHA

Ainda por cima, vejam só a metodologia: confronta-se o membro do populacho com frases e pede-se q ele diga si concorda com elas totalmente, parcialmente &c. As frase escolhida foram algumas já popularmente disseminada sobre o assunto: “o homem devem ser a cabeça do lar”, “toda mulher sonha em se casar”, “uma mulher só se sente realizada qdo tem filhos”, “tem mulher q é pra casar, tem mulher q é prä cama”, “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, “roupa suja se lava em casa”, esse tipo de coisa.

Mas… Mas… Si eles usam os dito popular pra quantificar a prevalência das própria idéia popular, si a pesquisa usa frases popular pra quantificar a prevalência dessas idéia popular, ué, ¿que mais se esperava? ¿Quê mais há de novidade no mundo?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Ao perguntar algo q já tá encalacrado no cérebro do entrevistado, ele responde sem refletir sobre o q diz. O dito não prevê como o entrevistado agiria numa situação real. Então ¿quê é q tá sendo verificado? q o povaréu fala abobrinha?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

21 comentários:

Arthur Golgo Lucas disse...

Saudações, Permafrost. Lembranças ao caríssimo Doutor.

Mas, véio... É pior do que parece. Não discordo de tua análise, mas alerto para o que ficou embaixo do tapete do laboratório. O IPEA cometeu "erros" de delineamento amostral que meus antigos alunos do segundo grau no turno da noite não cometeriam. E interpretaram os resultados como a cara deles.

Não quero adiantar o conteúdo do meu próximo artigo a respeito, pois ainda estou juntando os ingredientes e ele ainda nem foi ao forno, mas essa "pesquisa" tem tudo para ter sido direcionada e indevidamente generalizada de propósito, com objetivos políticos. Isso mesmo: o IPEA é do governo federal, lembra? Quando um órgão oficial de um governo canalha publica uma "pesquisa" com erros de delineamento que fariam um estudante secundarista de curso noturno ficar verde de vergonha após uma explicaçãozinha de cinco minutos do professor, é porque não foram "erros".

Depois trarei o link aqui. ;-)

Abraços!

Pracimademoá disse...

Ora, quantas informações interessantes... Coisas que eu não sabia porque nem tive saco de procurar saber. Quando vi que era do IPEA e observei as reações histéricas generalizadas que estão tão na moda hoje em dia, logo vi que era alguma merda. Acho que tem a ver com aquilo que foi dito no artigo anterior: tem horas em que raciocinar vale mais do que saber. Principalmente se a informação não presta.

O que eu ando notando é que alguém sacou um filão muito rico e prontíssimo para ser explorado: o êxtase da intenção edificante. É claro que é muito bom alguém querer ser justo e benevolente, mas a nação internética tem feito isso de formas absolutamente doidas, e o mais intrigante é que agora tem uma polêmica nova toda semana. Não queria ser paranóico, mas estou tendo dificuldade para não imaginar que grande parte dessa dose regular de libelos, refregas e mistifórios tem sido descaradamente fabricada. Em outras palavras, sinto o cheiro de uma agenda. É muita bandeira, meu!

Permafrost disse...

Golgo,
Não acho q se sustente a presunção de q o IPEA segue linha partidária ao PT. A equipe toda não é substituída duma hora pra outra. Embora a presidência do IPEA seja um cargo por indicação, a maior parte dos 14 diretor são técnicos q trabalham ali desde ~97; alguns tão desde ~75.

É claro q o IPEA pesquisa o q for encomendado pelo governo. E é claro q um governo PT não vai encomendar uma pesquisa pra saber quais bairro rico são mais aprazível. E é claro q qqer resultado de qqer pesquisa pode ser interpretado de qqer jeito. Mesmo q a metodologia da pesquisa tenha sido falha, os entrevistado tbm foram tonto e os escândalo q se seguiram foram ridículo. ¿Por quê? Pq a língua portuguesa e a desatenção com q é usada servem mais ä confusão do q ao esclarecimento.

A propósito disso, veja um resumo do imbroglio todo:
https://www.youtube.com/watch?v=LN86DcaRDM0

Permafrost disse...

Demoá,
Acho q tua paranóia fàcimente se desfará ao constatar q a “dose regular de libelos, refregas e mistifórios” se deve primordialmente à q a internet explodiu geomètricamente a quantidade de interações entre pessoas. Junte à isso uma mistura de paranóia hipoplausibilética com imitacionices de zeuaense, mais as peripécia do brasilês, e pimba!, histerias coletiva semanal.

No caso em pauta, considere essas foto toda com gente escrevendo “não mereço ser estuprada”. Tão dizendo isso ¿pra quem? ¿De quem tão se defendendo como si fossem minoria em perigo? ¿Cadê o contingente de 130 milhões de brasileiros dizendo q é ètica e moralmente correto estuprar mulher vestindo roupa curta?

O vídeo q linquei pro Golgo acima é um resumo perfeito.

Pracimademoá disse...

O Morgenstern também explorou bem os problemas de significado das palavras, além de outras coisas, como ele sempre faz.

http://www.implicante.org/artigos/65-da-populacao-concorda-que-mulher-de-roupa-curta-merece-ser-estuprada-muita-hora-nessa-calma/

Tinha guardado para ler depois e só fui ler hoje.

Permafrost disse...

Demoá,
É. A patroa já tinha me mostrado isso ontem ä noite. Achei interessante q ele usou a expressão “limbo semântico”, q usei antes dele, numa discussão no FB. Hm.

O cara dá umas bola dentro, mas achei direitoso demais –do tipo pra quem socialista não PODE fazer nada certo. Si a resposta à essa pergunta tivesse sido totalmente o inverso –65% dizem q *não* merece–, os direitoso diriam q o PT maquinou a pesquisa pra alavancar apoio popular älguma legislação proibitória, ou outro disparate do tipo.

Aliás, por falar em disparate, em meio äs bola dentro o Morgenstern soltou dois ou três sobre assuntos q tão na fila neste blogue.

Pracimademoá disse...

Se você disser ao próprio Sr. Morgue que ele é "direitoso demais", ele vai ficar orgulhoso.

Acho que ele dá um monte de bolas dentro, mas o alvo dele também é fácil demais. Esquerdista não diz coisa com coisa.

Permafrost disse...

Demoá,
HAHAHAHAHA
Bom, qqer X q se orgulhe de ser ‘X demais’ tá com virose galopante: ainda não introjetou a curva de Gauss, q é uma boa vacina pra evitar radicalismo.

Arthur Golgo Lucas disse...

Meu caro Eterno Geladinho...

Cuidado com o Aquecimento Global, e também com a presunção de que técnicos do serviço público não se submetam à linha ideológica dos governantes. Eles se submetem. Salvo, é claro, as raras e honrosas exceções que se negam a compactuar com palhaçada e roubalheira e que por isso são implacavelmente perseguidos até a exaustão e a aniquilação moral. Todo funcionário público já viu isso ser feito com algum colega honesto e inconformado. Pouquíssimos têm fibra suficiente para enfrentar o sistema - e quem o faz sempre se ferra. É uma máquina de moer carne humana viva. Posso entrar em detalhes se houver interesse.

Tua análise está muito boa. Ela só contém UM equívoco, que eu atribuo a tua honestidade e boa índole: tu achas que aquele pessoal "não têm muito traquejo com a língua" e por isso não dá para "duvidar da boa fé dos pesquisador". Pelo contrário, meu caro. Eles têm um ÓTIMO traquejo com a língua, e exatamente por isso é mandatório "duvidar da boa fé dos pesquisador".

"O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros." (Descrição deles mesmos.)

"Missão: Produzir, articular e disseminar conhecimento para aperfeiçoar as políticas públicas e contribuir para o planejamento do desenvolvimento brasileiro." (Descrição deles mesmos.)

Confirma com o doutor: não existe virgem em puteiro. O IPEA é um órgão importante do governo federal, diretamente ligado á presidência da República, chefiado por gente ligada ao governo e que conta com profissionais qualificados e selecionados, mas que ainda assim são humanos e vulneráveis a abusos e que precisam do emprego para manter seu padrão de vida. Eles não são ingênuos, nenhum deles, de nenhum nível da hierarquia. Eles não mandam o estagiário escrever o questionário e sair aplicando por aí sem selecionar direito o público-alvo nem fazer as correções estatísticas necessárias antes de divulgar os resultados. ELES SABIAM O QUE ESTAVAM FAZENDO.

Gente honesta procura o erro. Gente honesta que já foi funcionário destes FDPs não acredita em "erro". Gente honesta que já foi vítima destes FDPs SABE que não existe "erro".

Abraços

Arthur

Permafrost disse...

Golgo,
Ok, então. Aceito a possibilidade de q a parte do IPEA tenha sido toda milimètricamente orquestradinha pra levar à um resultado X na pesquisa, de modo à causar um ambiente propício pra instalar uma à uma todas as política petista mais radical de… de… ¿de quê mesmo? Não faço idéia. É maquiavélico demais pra meu entendimento.

Mas aceito a possibilidade.

Aceitando-a, sobram dois terço da comédia à explicar: o terço dos respondente e o terço dos escandalizado. Os maquiavélico do IPEA podem até ter selecionado 2400 idiotas pra responder ao questionário –o q explicaria o segundo terço. Mas ¿e a reação do público? ¿Como não rir, gargalhar e espafuçar a glote ao ver o lúdicro espetáculo de tronhos *acreditando* no resultado da pesquisa, na precisão fraseológica da pergunta, na cópia de conceitos zeuaense de interação entre sexos, na quase total incapacidade de raciocionar?

¿Como não rir?

Teria sido mais plausível, e sem dúvida um chute no saco de muita gente poderosa, sair com cartazes dizendo “A língua portuguesa não me representa.”
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Pracimademoá disse...

(parte 1)

Olha, Perma... Eu não conheço o meio tão bem quanto o Golgo diz conhecer, mas cogito a ideia de conspiração, sim. Você já descartou a hipótese de agenda, eu ainda não.

Existe um FERVOR esquerdista no país atualmente. Sempre teve comunista por aqui e alhures (até nos EUA), mas eu nunca vi o Brasil tão comunista/socialista/progressista como agora. (Como o Sr. Morgue bem explica, "progressista" é só um eufemismo moderninho, porque a palavra "comunista" é cheia de estigma e bad for business.) Eu, por azar da profissão, tenho muito contato com esquerdistas, grande parte da periferia. Sempre me espanto ao ver como o povo da periferia se sente sempre vítima de alguma coisa, sempre com ódio do sistema e de qualquer cidadão que ganhe bem o bastante para não ter que morar na periferia, a não ser que o tal cidadão dedique boa parte do seu tempo a repetir chavões iguais ou bem parecidos com os que os políticos proferem para angariar votos. Em outras palavras, você só ganha a simpatia deles se mostrar (ou fingir) que adora povo, povão, raça, luta, sofrimento, suor, fibra, revolta, gente humilde que vontade de chorar. São emocionalmente carentes e psicologicamente fragilizados, e têm motivos para isso. Na minha área de trabalho, especificamente, são particularmente teimosos e combativos.

Como se sabe, "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". Assim, as lideranças de esquerda arregimentam fácil para si essa parcela sofrida dos recursos humanos. Essa massa VIBRA com a ideia de destronar a tal elite que, supostamente, rouba deles... alguma coisa. Essa massa quer muito reeditar a Revolução Francesa e aceita como Judas qualquer coisa que se pareça com Maria Antonieta.

Onde eu quero chegar é no maniqueísmo. Todas essas ondas de histeria que temos visto na internet vêm carregadas de maniqueísmo. De salvar beagles de laboratórios do Darth Vader a lutar pelo direito de circular mulambento por um aeroporto, tudo que se pareça com um bravo triunfo de insurreição dos pequeninos ewoks sobre o poderio certinho e esmagador do Império causa a mais profunda comoção nos corações de quem quer muito lutar e sobrepujar o Grande Satã. Aliás, essa é toda a premissa de toda a série Star Wars. É por isso (e pelos efeitos especiais) que fez tanto sucesso. O Império é todo certinho, elegante, mal encarado e competente para representar não só o nazismo, eterno placeholder de representação do mal de Hollywood (dominada por judeus), como também a (suposta) organização e competência implacáveis do mundo corporativo, de chão de mármore, paredes de vidro e homens engravatados. George Lucas não só demonizou ainda mais a maior ameaça que os judeus já tiveram como deu para o populacho comedor de pipoca uma excelente metáfora de "nós contra eles", de redenção dessa massa que SABE que nunca vai "vencer na vida", uma metáfora simples e poderosa o suficiente para qualquer garoto sair do cinema sacudindo os braços e fazendo com a boca barulhinhos de sabre laser. Resumindo essa porra toda: hoje em dia, todo mundo quer ser Cavaleiro Jedi. Alec Guinness, tadinho, não tinha menor ideia do desgosto que arrumou para si mesmo. Depois viu, mas não viu que chegava a tanto.

(continua)

Pracimademoá disse...

(parte 2)

Perma, não subestime o poder do lado negro da Força.

Essa é a grande arma do esquerdismo brasileiro atual: a enorme vaidade e a enorme vontade que o povo tem de "fazer a diferença" contra uma luta que, lutada de forma certa, daria um trabalho dos diabos. Tem que estudar, estudar muito, depois estudar mais ainda, e trabalhar, tolerar patrão, enfrentar concorrência, e se for abrir empresa tem que amargar burocracia, impostos, jurídico, financeiro e... oras bolas!!! É muito mais fácil ser comunista! É muito mais fácil hastear a bandeira do coitadismo e da ultra edificância máxima embargada de emoção com tanta justiça, redenção, altivez e glória. Quem tem muito dinheiro é vilão! Só pode ser! Pronto! É tão simples! É Alexandre descendo a espada no intricado Nó Górdio e dizendo: Foda-se essa merda toda, vou tomar o que eu acho que deveria ser meu! É a revolução, cara! Não foi assim que Hitler fez a cabeça de toda a Alemanha? Não foi a riqueza dos judeus seu maior argumento em defesa do Holocausto?

Mas antes, o povo tem que ser convencido, sem nenhuma dúvida, de que está fazendo a coisa certa. Não pode haver dúvida ou remorso nas fileiras populares. Para isso, é importante fazer o povo confundir direita com nazismo. Ou fascismo, tanto faz, é tudo "ismo" e do tempo da Segunda Guerra, praticamente ninguém sabe a diferença. É fácil porque a direita é fascinada por disciplina (como eram os nazistas) e um monte de palhaços de direita gostam de se fantasiar de Hitler. Essa parte é de menos e já está cumprida. Depois, vários ideais esquerdistas vão sendo misturados com causas nobres e simples que o populacho entenda, como molho de tomate no macarrão branquinho. E assim surge, todas as semanas, alguma causa, alguma polêmica, alguma injustiça ou crueldade extrema que precisa ser combatida com todas as forças, como a mulher que aponta o dedo e implora para que alguém detenha o carrasco Szell nas ruas de Nova York em "Maratona da Morte". O empenho dela é tanto (e justificável) que ela nem vê o carro que a atropela. Aquela mulher é o sonho de todo manipulador: cega, firme, crente e obediente como um robô. Um exemplo de luta contra o mal!

Note que eu fiz uma mistureba de lados, papéis e conceitos. É assim que funciona com o povo, pode misturar doce com salgado porque vai tudo parar no bucho e virar cocô de qualquer jeito.

Só a esquerda tem explorado esse poderoso feitiço. Só a esquerda se associa a essas lutas, como um patrocinador se associa a um atleta idolatrado por todos. A direita também posa de boazinha, mas é muito desastrada. A direita tenta oferecer ideais (alguns certos e outros errados) complexos demais, confia demais na inteligência popular e assume uma postura de rigor e eficiência que não encontra nenhuma simpatia nos corações dos pobres e fedidos ewoks. O ewok sabe que é pequenino e rudimentar e nunca vai saber construir sequer uma rede de esgoto, muito menos uma Estrela da Morte com assentos aquecidos nos toiletes. Você não pensou que o Imperador cagava num assento gelado, pensou? É disso que o povo gosta, de se reconhecer nos heróis, e a esquerda sabe disso. A direita não sabe o que está fazendo. Eu, particularmente, preferia que ambos fossem igualmente incompetentes, mas a esquerda está dando um baile nos asseclas do Olavo, aquele vilão de James Bond. Vilão de James Bond sempre se fode no final. E merece.

(continua)

Pracimademoá disse...

(parte 3)

Sei que você já entendeu, mas vou concluir. Primeiro terço: governo fabricando dados escandalizantes que certamente causarão revolta. Segundo terço: o povo é burro e responde as perguntas muito mal mesmo, ué. Essa parte nem precisa manipular, fica até mais bonito. Terceiro terço: os bravos guerreiros ficam escandalizados com tanta injustiça, mera continuação do que já está funcionando muito bem há muito tempo. Quem vai explorar essa revolta e sede de justiça? A esquerda, que está sabendo dar ao povo o que o povo quer. A direita careta e sem contato com a realidade fica perplexa e com cara de bunda, tentando entender como o povo pode cair em truques tão baratos.

O tanto que o Alec Guinness chora, o Joseph Goebbels comemora.


Uma coisa que está me encafifando é o tal Marco Civil. Está na cara que aquilo é feito para dar ao governo poderes de vigilância e represália. É um negócio visivelmente desonesto apoiado com muito entusiasmo pelas crianças do software livre, onde a censura é extremamente comum. Entra lá naquele meio e fala mal de qualquer ideal deles para você ver se não apagam seus comentários. Aliás, eles apóiam abertamente vários conceitos de comunismo e totalitarismo. Praticamente todos eles têm ódio mortal do anonimato na internet, porque gostam de ter controle e poder fazer represálias. E dizem que o Marco Civil vai "garantir a liberdade de expressão". Só essa frase já é tão desonesta que não dá pra acreditar em mais nada do que eles dizem.

Agora vem a questão: faz muito sentido eles quererem aquela merda para dar controle ao governinho vermelho deles, mas... e quando o poder mudar de mãos? E quando os adversários deles tiverem o controle do Marco Civil e suas bisbilhotices? A mim parece que ele NÃO TÊM intenção de sair do poder. Eles devem ter algum plano de manutenção perpétua do controle da internet.

(Fim)

Permafrost disse...

Demoá,
[1/2]
Mas pensa bem antes de responder: dois anos atrás, ¿vc ouvia ou falava alguma coisa sobre a ameaça comunista no Brasil?

..........[tempo pra pensar]..........

Essa mais recente tendência à ver comunista em tudo qto é lugar começou não antes de dois anos atrás. ¿Quê aconteceu de dois anos pra cá? Duas coisas: Obama foi re-eleito e conseguiu aprovar seu sistema de saúde, apesar da ferrenha oposição republicana; Hugo Chávez morreu.

A oposição mais ferrenha à Obama é da extrema direita republicana radical cristã, e os mais vocífero radialista, pastor e jornalista acusam Obama de ser socialista, de tar tentando aplicar o socialismo no Zeuá –daí pra baixo. Esses cara –q já mencionei antes: Rush Limbaugh, Alex Jones, Bryan Fischer, Sean Hannity, Bill O’Reilly &c– são os tapado q espalham essas idéia até as orelha de gente como Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino. Esses brasileiro repetem quase tintim por tintim o q vem do Zeuá. Rush Limbaugh &c inventam uma idéia hoje e, daqui à no máximo duas semanas, algum desses brasileiro repete. É batata. Q Obama é queniano, q a Pepsi usa fetos abortado como flavorizante, q Ayn Rand foi uma grande filósofa, &c. O pior desses é o OdC, o cara q não tem uma única idéia própria desde q disse mamã.

Outro canal prä filtrar as idéia da extrema direita zeuaense pra dentro do Brasil é as igreja cristã, q aqui tbm repetem quase tintim por tintim qqer idéia originada por algum pastor meia-tigela de lá. Q o Pokemon é satânico, q o Teletubby roxo é gay, q a estratificação social é decretada por Deus &c.

Com Obama na presidência, a direita zeuaense juntou sua mania de perseguir com o complexo cristão de perseguição, e o Brasil engoliu. Sempre digo q basta o Zeuá pegar uma gripe pra q o Brasil comece à espirrar. HAHAHAHAHAHA

E aí morreu Chávez, e entrou esse q de maduro não tem nada. A direita da Vuvuzela –digo, da Venezuela– viu aí sua chance de desgastar o bolivarismo, e deu no q deu. Agora, qqer pronunciamento de Lula sobre as relação do Brasil com a América Latina é tomada como evidência de conspiração comunista internacional. O julgamento dos petista pelo mensalão é um pano de fundo em q a paranóia do Tea Party é reproduzida no Brasil: a paranóia anti-comunista alimenta e é alimentada pelo ódio ao PT. Mas ela vem diretamente do Zeuá, dos problema de lá, das questão de lá, q os comentarista conservador daqui tentam imitar. O pior pesadelo dum republicano zeuaense é pagar imposto pralgum serviço social e deixar de lucrar individual e vultosamente por impingir suas idéia sobre os outro. O Morgenstern é até bastante típico: exalta o mérito individual q só pode florescer si a sociedade em massa democràticamente preferir q haja desigualdade. HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Sempre houve lutas social. Não é pq tamos no século XXI q elas vão deixar de existir. Não somos tão privilegiados. Além disso, é um erro pensar q o Brasil é herdeiro direto duma tradição pronta q só não usa quem é besta. O Brasil (e toda a América Latina) é o último posto avançado da civilização européia antes de entrar na selva. Pra além dos reduto da classe média, é só mato e selvageria. Tamos longe, muito longe, do equilíbrio. Só q, enquanto houver essa demonização do socialismo, não haverá equilíbrio. E a demonização recrudesceu recentemente. O capitalismo precisa do socialismo como plástico precisa de molde pra virar algo útil.

(Daqui à algumas semana, o Dr Plausível vai publicar uma apologia do socialismo: não é socialista, mas não gosta de ver manada pisoteando bisão tropeçado.)

Permafrost disse...

[2/2]
Sobre a imbecilidade geral do povaréu, claro, povo é imbecil mesmo. Mas acusar de coitadismo me parece um pouco insensível demais. ¿Lembra o bafafá q houve qdo o Metrô de SP anunciou q pretendia construir uma estação em Higienópolis? Então. O bairro fez mutirão de pressão política e conseguiu demover a estação dali. Supõe-se q empregada doméstica da classe média alta (q, no Brasil, é ridìculamente relegada à morar em condomínio –note a ironia: condomínio) “não precisa" de estação de metrô ali: pode muito bem caminhar alguns quarteirão depois de viajar duas horas pra chegar ao trabalho, e caminhar de volta pra pegar metrô e ônibus pra mais duas horas até chegar em casa. ¿Por quê não? Claro q pode: ela não tem mérito individual.

No caminho, a empregada abre um jornalzinho e lê q aquele presente q a patroa deu à seu gatinho custou R$5 mil reais. ¿Não tem algo estridente aí? algo fora do eixo? ¿Já se perguntou por quê existe favela bem ao lado do prédio de luxo do Morumbi, ou nos morro do Rio, bem na cara dos prédio de luxo da zona sul? (O Dr Plausível vai esclarecer os problema da urbanização brasileira daqui à algumas semana, tbm.)

Por outro lado, a histeria do acusacionismo, das declaração pública de não-me-toques &c é de matar. Ô gente sem noção. Essa é outra merda histérica importada do Zeuá e potencializada geomètricamente pela internet.

Pracimademoá disse...

(parte 1/2)

Perma, eu acho que essa preocupação renovada com o comunismo surgiu junto com o entusiasmo da geração atual por ideais da esquerda. Comunistas eram mais raros; de repente, virou modinha. Tenho visto o crescimento nas ruas, não só na internet.

Seu argumento com o metrô de Higienópolis não me convence. O governo anuncia uma novidade, os moradores da área afetada (pagantes do IPTU) não gostam da novidade e reclamam... Oras bolas, o que há de errado nisso??? Fica então decretado que gente abastada está terminantemente proibida de lutar por seus interesses, até no próprio bairro? Até no próprio bairro! Também acho plenamente justificável os trabalhadores da região reclamarem que querem o metrô, e observei a disputa como um embate entre duas partes com mérito suficiente. Mas só o desejo dos moradores foi ridicularizado nas redes sociais. Então só pobre pode reclamar? Por quê? Por que o pobre é mais sofrido, então deve ser indenizado com a pronta satisfação de tudo que pede, à custa de quem quer que seja? Então agora pobre é café-com-leite? Isso não te parece paternalista, condescendente, coitadista?

O presente da patroa custou $5 mil. E daí??????? Se o salário da empregada está em dia, não resta nada que possa sequer remotamente justificar essa bisbilhotice que você, curiosamente, inventou para guarnecer o seu ponto de vista. Quanto a patroa ganha e quanto ela gasta não é da conta de ninguém. Só faltou você dizer que "ostentação deveria ser crime". Ora essa, eu sempre imaginei que o Dr. Plausível teria um choque anafilático se lesse dois parágrafos do Sakamoto. Ao dizer que a empregada pode se indignar com um presente de $5 mil, PQP, você está dando ao pobre poderes de Receita Federal! Você está dando ao pobre um direito estapafúrdio de fiscalizar e dar palpite nas contas de outrem, a fim de exigir uma... distribuição de renda! Rapaz, que ideia mais comunista! Que conceito mais robinhude! Que lógica de desenho da Disney!

Muito comovente a sua história sobre a empregada que lê jornal no caminho pra casa. Eu também sei contar histórias comoventes. Por exemplo, aquela do repugnante, vil e opressor homem branco de classe média que enfrenta todas as agruras necessárias (lista longuíssima que eu prefiro omitir) para abrir uma empresa. Consegue, luta, trabalha 12 horas por dia, prospera, compra imóvel e automóvel (inclusive documentos, IPVA, seguro, manutenção e risco de ser roubado). Depois de uns 10 anos pagando IPTU, um bando de gente que nem sequer mora no seu bairro quer dar mais palpite no bairro do que ele; um jornalista escreve (como eu vi) que o cara é um filho da puta canalha porque anda de carro com ar condicionado enquanto o povo se aperta no transporte público (como se o carro tivesse caído do céu); o tal cara ainda chega ao trabalho e vê que seus funcionários, que aceitaram o emprego de muito bom grado quando o emprego lhes era conveniente, decidiram paralisar a empresa como se fossem donos dela, e ainda impedem outros funcionários de entrar para trabalhar. ¿Não tem algo estridente aí? algo fora do eixo?

Pracimademoá disse...

(parte 2/2)

O oposto do coitadismo é o chamado "tough love", que é o que faz um pai ou uma mãe consciente: ensinar que rapadura é doce, mas não é mole; que só tem as coisas quem trabalha para tê-las; que nada cai do céu. O oposto do coitadismo seria estabelecer uma cultura em que o trabalho fosse tão importante para os brasileiros quanto é o futebol, a praia e o carnaval, uma cultura em que todos buscassem se educar e produzir. Esse povão que fica se fazendo de coitado tem uma disposição enorme para costurar fantasias e construir carro alegórico durante um ano para gastar tudo num dia; tem dinheiro e disposição para comprar ingressos para partida de futebol e organizar excursão com vários ônibus e viajar centenas de quilômetros e ainda trocar porrada com outros torcedores; tem atenção e interesse para acompanhar durante meses a fio o enredo de uma telenovela mal escrita; mas oras carambolas, se a gente OUSAR sugerir que esse povo tenha disposição para abrir uma empresa, entrar numa biblioteca pelo menos duas vezes na vida, estudar melhor os assuntos da profissão que pretende exercer e lutar para ter o que é seu sem precisar tomar o que é dos outros, a gente é logo chamada de insensível e fascista, porque ó, coitadinho dos pobrinhos. Eles são tão indefesos... E vão ser indefesos para sempre com essa cultura coitadista, que finge que protege, mas só escraviza.

Ô, Perma, tenha dó. Pra cima de moi?!!!

Com o resto, eu concordo. Quero ver essa sua tal "apologia do socialismo".

Permafrost disse...

Demoá,
Vc tá escarrado de razão, claro. Até onde vai.
Olha um bordado. Tem um ponto ali no meio, feito com finesse, sofisticação, arte, talento, dedicação, trabalho, experiência. Não há dúvida de q o ponto merece nossa atenção e apreço. Há q reconhecer valor onde há valor.
Mas… Mas… Tem todo um tecido em volta, não tem? O ponto não tá ali flutuando sòzinho. A biblioteca onde o suado empresário vai tem faxineira. Tbm tinha faxineira, a escola onde ele aprendeu à raciocinar e lhe mostraram como não ser faxineiro. Tbm tinha faxineira, o hospital em q ele nasceu em meio à panos limpo. Todo tijolo da biblioteca, da escola e do hospital foi colocado por maridos de faxineiras. O empresário não seria nada sem os dois.
E tem outro tecido: tem toda uma história prévia q já dura milhares de anos, pra q o empresário possa agora utilizar todas ferramenta, técnica, método, lei, conhecimento e vitamina em proveito próprio. E qdo vara noites estudando a legislação, tá amparado em sua tranqüilidade por milhões de soldados pobre q no passado morreram na lama, à salvo dos milhar de índios q morreram defendendo o chão onde ele agora não quer um metrô.
Então, o sucesso do empresário tampouco tá flutuando sòzinho. Tem um tecido histórico passado e um tecido social presente. Não existe self-made man.
A questão central do ponto de vista do empresário com sua empresa, carro e apê, tá implícita no q vc diz: ele acha q pagou um preço justo por tudo, acha q paga um preço justo ä empregada. ¿Por quê? Ora, ela aceitou, não aceitou? Então.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
E qdo ele vende algo à uma cliente ou freguesa, o preço tbm é justo. Ora, ela pagou, não pagou? Então.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Ele não enxerga a própria perversidade pois no hospital, na escola e na biblioteca, ele aprendeu q essa é “a regra do jogo”. Ué, si faz sentido, e funciona pra ele, então deve ser o correto, não?
Veja bem, não tou indiciando o empresário por lucrar, nem instigando a empregada à se revoltar. Só tou tentando mostrar q as desigualdade tendem à ficar tão grande q surgem ressentimentos em ambos os lado, como teu comentário deixou claro (pelo lado do empresário). Pois, além de arrochar no salário da empregada e enfiar a faca no preço à freguesa, ¿ele ainda espera q o admirem por isso? O empresário tbm sugere a implicação de q quem não “venceu na vida” é idiota. ¿Como é q a faxineira e seu marido pedreiro, mesmo sendo idiotas, podem admirar e aprovar alguém q pensa assim e dissemina essa idéia humilhante? Alguma hora, isso vai explodir. Não acho q será agora, nem necessàriamente aqui no Brasil. Mas este é certamente um país de merda pra empregadas e pedreiros, ao contrário de países admirável –e decerto admirado por vc– q absorveram as idéia socialista com mais equanimidade do q tá sendo absorvida pelos direitoso brasileiro.
Talvez o Dr Plausível tenha ficado ausente da internet por tempo demais, e vc não tem recebido vossa vacina quinzenal.

Pracimademoá disse...

Ô, Perma! Isso aí não é "O Operário em Construção", que você está citando? Aquele que teve um ataque de hipoplausibilose e de repente achou que tudo era feito exclusivamente com as suas mágicas mãos?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... deveras.

Você não acha justo o que é pago à hipotética faxineira? Acha a situação perversa?
OK... O que você sugere como alternativa? Determinar por decreto o valor justo da remuneração de um prestador de serviço? E qual seria esse valor justo? Quem determina qual é o valor justo? Com que critérios?

Tinha faxineira no hospital em que o doutorzinho nasceu? E daí? Você acha que deveriam ter lhe dado o posto de médica? Ah, não pode, não tem preparo. Então não se lhe dá emprego nenhum porque o de faxineira é "humilhante"? Então os médicos limpam o hospital, e a faxineira morre de fome? Qual é a sua proposta, afinal? Explique melhor esse admirável mundo novo que você imagina.

Outra coisa importante: de onde você tirou que o empresário enfia a faca no preço à freguesa? Você está pensando nalgum empresário específico? Está especulando? Está generalizando? Posso usar essa mesma criatividade e inventar que a empregada está roubando coisas da casa da patroa, e dizer que serviçal é tudo ladrão?

Permafrost disse...

Demoá,
Outro aspecto da coisa é o bairrismo do higienopolita contra a estação. ¿Ele não QUER ter uma cidade bacana, pô? Òbviamente q não, pois reclama aos quatro vento qdo se planeja construir em seu bairro uma estação q ele mesmo poderia usar, mas não ergue um único pio qdo MAIS uma empreiteira (ou a mesma) constrói MAIS um prédio colossal ali, piorando ainda MAIS seu usufruto do direito de ir e vir em seu Higienomóvel. ¿Ele não admira Londres, Paris, Neviorque e Tóquio, e usufrui desse direito percorrendo-as de metrô pra cima e pra baixo, junto com a gentalha de lá?
Ainda por cima, há essa ironia de chamar de ‘Higienópolis’ um bairro infestado pelo hipoplausivírus. Talvez um dia a Ciência consiga fazer um fumacê com Plausivirol. Enquanto esse dia não chega, ´Higienópolis’ e seus igual seguirão sendo piada naquelas cidade. É até bonitinho ouvir gargalhada em inglês, francês e japonês.

Permafrost disse...

Demoá,
O q eu disse não tem nada à ver com isso q vc disse. Não é um problema pro indivíduo resolver como indivíduo, ou o bairro como bairro. Todos sabemos q as lei de mercado são inapelável na determinação de salários e preços. Só q há mais leis de mercado do q comumente o empresário admite.
Além disso, ¿vc não acha válido se perguntar por quê as empregada e os pedreiro em Londres, Paris e Berlim (ou em Hereford, Deauville e Wittingen) levam vidas mais equânime com o resto da sociedade do q em São Paulo (ou Boituva)? Claro q acha; mas talvez não tenha investigado todas resposta.
Aguarde a próxima série do doutor. Tá difícil fazer o cara falar, de tanto q ele tem gargalhado nos último tempo, mas alguma coisa vai sair.

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