06 dezembro 2012

O segredo da longevidade

Aparentemente, é passar a vida construindo túmulos, mausoléus e monumentos.

24 comentários:

Oncotô? disse...

Dizem as más línguas que ele idealizou a Catedral de Brasília e a Igreja da Pampulha em BH como vingança contra os crentes, fazendo o interior delas no verão um verdadeiro forno quente like a hell.

Bem capaz de o arquiteto/engenheiro que projetou a pirâmide de Quéops ter vivido mais que o próprio faraó. A vida e suas ironias.

Permafrost disse...

Oncotô,
Seria uma fábula atraente mas ainda assim fábula, pois contraria as evidências. O desempenho de Niemeyer nos quesito ‘conforto térmico’, ‘funcionalidade’ e ‘respeito aos usuário’ foi desastroso desde sempre. A idéia Niemeyeriana de “ateísmo” e “comunismo” era fazer metade do povo flutuar acima da realidade do chão e enterrar a outra metade num forno catacumbesco.

O nome completo de Niemeyer (vim à saber ontem) era "Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares". ¿Não é sintomático deste país q tanto ele qto seus cliente preferissem "Oscar Niemeyer" em vez de "Oscar Ribeiro" ou "Oscar de Almeida" ou "Oscar Soares"? Três sobrenomes português contra um alemão, ¿e vence o alemão?

Veja tbm aqui:
http://drplausivel.blogspot.com.br/2011/02/desleixo-monumental.html

Neanderthal disse...

Quando fui a Brasília quando criança e meus pais me obrigaram a ir ver os monumentos, descobrimos uma coisa interessante na catedral: entre uma entrada e outra, existem longas paredes curvas de concreto liso. Se uma pessoa sussurrar algo, a partir de uma posição próxima do início de uma dessas paredes e em direção à outra extremidade, a pessoa do outro lado consegue ouvir, apesar da distância e mesmo em um volume muito baixo. Fiquei imaginando se esse efeito foi de propósito ou acidental.

Permafrost disse...

Derthal,
Acidental. Apesar de efeitos de eco serem conhecido desdos cafundó das tripa, não acho q o efeito na catedral tenha sido proposital pois ¿pra quê?

Aliás, si vc gosta de efeitos de eco com linhas curva, vc precisa visitar A Gota, em São Francisco Xavier:

http://www.youtube.com/watch?v=VFxxKX8hRvk

Pracimademoá disse...

Tão triste quanto todo o desperdício de espaço de Brasília, quiçá MAIS triste ainda é observar as patotas do Feicebuque, aquelas que achincalham Michel Teló, Carla Perez ou Big Brother e enchem a boca para cultuar o conceito de cultura ("leia mais livros" etc.) se derretendo em elogios ao bom velhinho, postando frases de sabiduria que ele supostamente proferiu antes de se encontrar com @RealMORTE, ou exclamações desmedidas sobre o grande gênio que ele era. Principalmente por causa das malditas curvas. Ô, povo pra gostar de curva!

Dá pena, né, porque tá óbvio demais que não sabem do que estão falando. Dá pra ver uma certa necessidade de se praticar a idolatria. Ô, povo pra gostar de idolatrar!

Numa coisa a sabiduria popular está certíssima: vaso ruim não quebra, e os bons morrem cedo. O cara levou uma eternidade pra ir embora, e suas obras (do verbo "obrar") permanecerão em nossas paisagens judiadas por muitas gerações. Ô, povo pra gostar de aumentar e prolongar sofrimento!

Curva é bem coisa de brasileiro, né? Basta mandar um papo reto com qualquer brasileiro para se ganhar imediatamente um inimigo.

Permafrost disse...

Demoá,
"Ô povo pra gostar de curva."

Ah, sim. E é sempre a mesma associação:

arquitetura brasileira > Niemeyer
Niemeyer > curvas
curvas > mulher brasileira

HAHAHAHAHAHAHAHA

Qdo espalhou-se pelo mundo a notícia de q o Brasil havia eleito uma mulher presidente, fico imaginando a decepção dos presidente estrangeiro qdo viram as curva de Dilma.

“Ué? ¿Essas são as famosa curva?”

E ¿como há de se sentir Dilma presidindo o país à partir dum poema äs curva da mulher brasileira?

Camelo disse...

Eu me lembro que lá pelos meus 20 e poucos anos de idade, lendo um livro sobre o Construtivismo Russo, me deparei com um quadro de László Moholy-Nagy feito nos anos 20, intitulado "Composition K IV". Fiquei surpreso: havia descoberto de onde Niemeyer havia tirado a idéia para o Congresso Nacional de Brasília.
Dêem uma olhada. Não acredito que seja uma mera coincidência.
http://www.wikipaintings.org/en/laszlo-moholy-nagy/composition-k-iv-1922#close

Permafrost disse...

Camelo,
Legal.
Então. O mal não é copiar, se inspirar &c; o mal é não admitir –tal como o Tom Jobim não admitir q copiava harmonias e metodologias do jazz.

Navarro disse...

É o típico comentário de quem quer aparecer, evidenciar-se à sombra de um acontecimento. Não percebes porém o quanto é inconveniente na busca de 1/2 página de fama que pela falta de sensibilidade, jamais terá.

Neanderthal disse...

O criador da bossa nova: Chet Baker.

Não diria que o Tom Jobim copiou. Música é assim mesmo.

Quantos guitarristas foram influenciados pelo Hendrix? E, depois, cunharam o seu estilo e, por sua vez, influenciaram mais uma geração? Por exemplo, o Van Halen não teria tocado da mesma maneira se antes não existisse o Hendrix e o Blackmore.

Permafrost disse...

Varro,
Qdo vc tiver amigos, converse com eles sobre os assunto do momento. É divertido.

Derthal,
Não falei do ritmo, mas da harmonia. Pra compor muitas de suas canção, Jobim copiou as estrutura harmônica do jazz. Ele começava com os oito primeiro compasso da cadência harmônica de, digamos, Ain’t Misbehavin’ e fazia o q os bebopeiro inventaram: ele criava uma outra melodia em cima e, äs vez, rearmonizava e esticava ou comprimia algumas passagem; mas as estrutura tão ali claramente. Ain’t Misbehavin’ foi a preferida de Jobim; desse tema, ele compôs Este Seu Olhar, Eu Sei q Vou te Amar, Samba do Avião, e mais algumas. Tbm tem canções baseada em I Got Rhythm, Groovin’ High, Take the A Train, Killer Joe e várias outras. Não é de assombrar q Jobim tenha feito tanto sucesso no Zeuá. Note tbm como é chato improvisar jazzìsticamente em samba de morro ou samba canção, mas não é chato improvisar sobre temas de Jobim (e de outros bossanoveiro, q fizeram o mesmo).

A idolatria e o nacionalismo impensado não deixam enxergar exatamente em quê consistia sua genialidade: o cara era inegàvelmente um gênio da melodia, mas não da estrutura ou da composição como um todo.

Pracimademoá disse...

Interessante análise de Tom Jobim, mas nessas conversas sobre cópia ou imitação ou fórmula ou mediocridade ou comercialismo ou falta de vergonha na cara e outras hipóteses mais ou menos igualmente sórdidas, eu gosto também de oferecer ao réu (Tom Jobim ou quem quer que seja) o benefício da dúvida e pensar em até que ponto o acusado copiava descaradamente ou nivelava por baixo por mediocridade ou incompetência e...

até que ponto o sujeito era apenas profissional e sabia que, se inventasse muita onda, a plebe rude e ignara não aprovaria suas elocubrações, e o musicista queria mesmo era vender, fazer sucesso, ganhar dinheiro, ser adulado, usar drogas e transar.

Eu, por exemplo, consigo gostar de Lady Gaga, Britney Spears, coisas do tipo. Porque oras, um monte de gente critica, mas eu queria ver fazer igual. Acho burrice não enxergar o trabalho sério que é feito pelos artistas comerciais, que sabem do que o povo gosta, acertam na mosca, e muitos o fazem até sem perder a elegância.

Daí, vai que o Tom Jobim inventa lá um troço novo muito diferente, mas pensa que ninguém vai entender, e que aquilo vai detonar a carreira dele. Talvez ele prefira inovar em algumas coisinhas mas confiar em grande parte no que já é testado e aprovado.

Afinal, os artistas muito vanguardistas e experimentais podem até... hã... entrar pra história e serem lembrados por críticos de música em uma enciclopédia ou outra, mas não são ricos nem famosos, devem até comer bem pouca gente, se é que comem.

Daí, claro, tem os heróis que dizem "foda-se" e passam a vida inovando sem ligar pra pouca fama, mas deve ter aqueles que dizem "foda-se, vou ser rico" e dão só uma inovadinha bem de leve, que é pra não espantar a freguesia. E, evidentemente, a despeito de todo o sucesso, dinheiro, fama, glória, sexo, drogas e mordomias, vai ser chamado de burro, medíocre ou incompetente, porque o certo é ser incompreendido, pobre e desconhecido.

Sei que falei demais, mas hoje estou sem tempo para escrever menos. É mais ou menos isso aí.

Anônimo disse...

Sabedoria milenar: "as caravanas passam..."

Neanderthal disse...

Nem estou falando do ritmo e nem do Tom Jobim. O Chet Baker foi um dos inspiradores do João Gilberto, que, com certeza, abrasileirou o ritmo. Por exemplo, ouça o álbum "Embraceable You", de 1957, com ele no vocal e trompete e alguém no violão.

O Tom Jobim copiou tudo o que podia da harmonia do jazz e criou em cima. Não só os desenhos harmônicos, mas também a complexidade e extravagância dos acordes. Talvez tenha feito isso amais do que a média, mas qual é o músico ou compositor que não sofreu influências?

Permafrost disse...

Demoá (e por tabela, Derthal),
Falou quase tudo aí; no entanto, a questão colocada sobre TJ não foi sobre a cópia em si, mas sobre a *negação* terminante de q houve cópia descarada, sobre quê exatamente foi copiado e sobre o desvio do assunto (proposital, no caso de TJ e outros compositor) de “harmonia e metodologia de composição” pra “ritmo, melodia, arranjo e interpretação”.

A questão sobre a cópia da harmonia e da metodologia é MUITO mais importante do q as outra, pois são mais insidiosa: ela tem à ver com a concepção básica, com a própria identidade profunda e histórica duma tradição musical sendo transplantada pra outra. Em vez de compor uma canção à partir duma frase melódica q vai –dentro duma tradição brasileira– inspirando novos caminho harmônico ä medida em é q criada, TJ muitas vez partiu duma FÓRMULA harmônica importada pré-moldada e criou suas melodia em cima dessa fórmula, tal como faziam os improvisador de be-bop (Charlie Parker &c). Ou seja, toda uma tradição de composição musical brasileira foi präs cucuia. Em geral, TJ era brasileiro qdo compunha em tons menor (Água de Beber, Chega de Saudade) e zeuaense qdo compunha em tons maior (Samba de Uma Nota Só, Meditação).

TJ foi um gênio, sim; mas ele escamoteava o fato de q usava estruturas e metodologias de outros. Os próprio criador dessas metodologia sempre foram transparente. Por exemplo, todo fã de jazz sabe q Anthropology, Cotton Tail e Oleo foram compostos em cima da fórmula de I Got Rhythm; tem até um verbete na Wikipedia sobre isso:

http://en.wikipedia.org/wiki/Rhythm_changes .

No Brasil, nem sequer 99% dos músico sabe q Samba de Uma Nota Só foi composto em cima de I Got Rhythm, e q Wave é um “blues with bridge” rearmonizado. Essa ignorância sempre foi ativamente estimulada pelo próprio TJ, sabe-se lá por quê. Deve ser pq compor um canção coerente criando apenas a melodia em cima dum templeite é mais fácil do q compor criando tbm a cadência harmônica. Eu mesmo “compus” um baião baseado em A Foggy Day:

http://www.youtube.com/watch?v=asnsHkr72J0

Camelo disse...

Permafrost,
Muitos não gostam de José Ramos Tinhorão, mas, se não me engano, ele foi o primeiro a chamar a atenção para a herança harmônica jazzística de Tom Jobim. Só que (por uma picuinha pessoal que ele tinha com TJ) ele chamou essa herança de "plágio".
Quando se fala de TJ todos nós lembramos da Bossa Nova, mas ele não fez apenas isso. Temos também o TJ tentando ser um novo Villa-Lobos. Temos TJ sendo influenciado por compositores clássicos (como Debussy e Stravinsky). E temos TJ fazendo samba típico. O interessante na obra de TJ é que dá pra distinguir claramente esses elementos.
Todo músico americano sabe que a Bossa Nova não é uma música originalmente brasileira: é basicamente Jazz com uma batida e uma melodia diferente. E mesmo os músicos brasileiros de Bossa Nova tinham total consciência disso (vide: "Influência do Jazz" de Carlos Lyra). E não me lembro de ter visto ou lido nenhuma entrevista de TJ onde ele negava isso.
Outra coisa (corrija-me se eu estiver falando bobagem): antes da Bossa Nova, o Jazz não tinha a complexidade harmônica que adquiriu após a Bossa Nova. Acordes com sétima maior, diminutas, nona e sexta não eram tão frequentes antes do advento da Bossa Nova. Já na Bossa Nova é raro encontrar um acorde que não tenha sétima maior, diminutas, nova e sexta. Essa é a minha percepção.

Permafrost disse...

Camelo,
Abaixo, um trecho duma entrevista de 1969 pr’O Pasquim, em q TJ negou terminantemente a influência e colocou a crítica como coisa de subdesenvolvido. Note como ele desviou o assunto de “harmonia e metodologia” (pois aí ele sabia q tava mentindo) pra “ritmo” (pois aí ele sabia q dizia a verdade).

O PASQUIM: «E aquele negócio de harmonia jazzística. É conversa fiada, é?»
TJ: «Harmonia jazzística, tudo isso é conversa fiada. O negócio é o seguinte: o jazz bebeu em todas fonte, àvidamente. Debussy, Ravel, tudo. A oposição purista brasileira é um negócio subdesenvolvido; a posição deles lá [ie, no Zeuá] é uma grande angular que vê tudo. Eles tão aberto à tudo: musica havaiana, cubana, brasileira, tudo. Eles tão na de venha-a-nós; nós tamos na de deixa-pra-lá. A gente faz uma batidinha de bossa nova; no dia em q os americano copiam, você é imediatamente acusado de os americano já terem feito aquela batida. A gente fica sempre por baixo, de subdesenvolvido, não é?»

Sobre o Tinhorão, acho meio bobo. Ele teve uma sacada (ou talvez alguém lhe disse) sobre o jazz na bossa nova, e aí ele saiu à procurar plágios. Os “plágio” q ele achou são fragmentos de melodias: por exemplo, a frase melódica em “eu sei q vou te amar por toda minha…” é idêntica ä primeira frase de Dancing in the Dark; mas ¿e daí? As duas vão pra lugares totalmente diferente, e isso não é plágio. E tbm não tou eu aqui falando de plágio. Tou falando q, sem o input zeuaense –tanto teórico qto divulgacional– na música de TJ e de outros da bossa nova, ela não teria ido muito longe. Ouça, por exemplo, a palidez criativa de algumas melodia de TJ lá por 1958 –por exemplo, Canção do Amor Demais, cantada por Elizeth Cardoso.

Pra compor as bossa nova mais conhecida dele, TJ pegou cadências do repertório jazzista e arredondou algumas de suas aresta; outros diriam q ele “esbranquiçou” essas aresta. Olha o caso q citei sobre Samba de Uma Nota Só: si vc tocar I Got Rhythm em sol maior, a parte B fica:
| B7 | % | E7 | % | A7 | % | D7 | % |.

TJ aplicou nessa parte dois procedimento comum no bebop:
1. substituiu os acorde de sétima por suas quarta aumentada (q têm a mesma terça e sétima, só q invertidas), fazendo:
| F7 | % | Bb7 | % | Eb7 | % | Ab7 | % |

2. amaciou essa cadência fazendo:
2.1. IIm-V7 no lugar de V7
2.1. tirando a aresta das resolução em I7 pra I7M.

O resultado é:
| Cm7 | F7 | Bb7M | % | Bbm7 | Eb7 | Ab7M | D7 |

Outra coisa q ele fez com I Got Rhythm, pra amaciar ainda mais, foi dobrar a extensão da parte A, mas não da parte B (assim, cada compasso tem um acorde, em vez dos dois acorde por compasso na parte A). Em sol maior, I Got Rhythm seria:
| G E7 | Am7 D7 | &c.

TJ dobrou a extensão:
| G | E7 | Am7 | D7 | &c

aplicou substituições por quarta aumentada:
| G | Bb7 | Am7 | Ab7 | &c

e cromatizou o baixo:
| G/B | Bb7 | Am7 | Ab7 | &c

¿Isso é uma genial criação? Não. É só uma aplicação cumulativa de procedimentos criado pelos bebopeiro. Genial é pegar tudo isso e amaciar ainda mais um grau, fazendo uma melodia com uma nota só em vez dos milhar de notas do Charlie Parker &c.

Dá pra escrever um livro de teoria musical só demonstrando as raiz do jazz na bossa nova, e não as superficialidade q o Tinhorão menciona de passagem. (Posso tar falando besteira; pode ser q ele tenha escrito mais à fundo e não sei.)

Permafrost disse...

Nôni do momento,
«Sabedoria milenar: "as caravana passam…"»

…e os cão ladram.

Não; não se trata disso. Em ambos caso, se trata de aprender com os erro passado.

Após ouvir e confirmar as crítica ä obra de Niemeyer, eu jamais aprovaria e/ou financiaria um projeto dum arquiteto da escola dele. Bastaria um arquiteto começar com papo de “simbolismo” pra cá e “arte” pra lá, e eu já descartaria. Há quem creia q, partindo de “arte não precisa ser funcional”, acha q um edifício não precisa ser funcional si ele se propõe à ser “arte”. Nananinanão. Todo edifício tem q ser primeiramente funcional e confortável; si o arquiteto tem o talento necessário, o edifício pode tbm ser arte, como um adicional; e o talento de harmonizar as duas coisa, a escola Niemeyer não tem.

Sobre Jobim, o mesmo se aplica. Ao ler as crítica demonstrando qtas possibilidade brasileira foram descartada pela bossa-nova, com o jazzista enrustido TJ no centro, talvez um compositor jovem de hoje se comprometa à desenvolver o q tem aqui mesmo, sem copiar de alhures a base de seu trabalho.

Então, não tamos ladrando aqui, não. Tamos conversando sobre quais erro evitar no futuro. Talvez sirva pra alguém.

Neanderthal disse...

Outra sabedoria milenar chinesa: se o vento sopra de uma única direção...

Me parece que o doutor está certo dessa vez. Tive a oportunidade de desenvolver um projeto em Brasilia, num prédio projetado pelo homem. Na hora do almoço atravessávamos uma longa região sem sombra num sol escorchante. O prédio em si tinha estrutura ineficiente e era bastante feio por dentro. Brasília em si é um projeto falho. Teriam que ter projetado para o transporte publico. Podiam ter iniciado tudo pelo metrô.

Permafrost disse...

Derthal,
¿Como assim, certo “desta vez”?
HAHAHAHAHA

Anônimo disse...

Neanderthal e Permafrost: o que faltava mais (e agora menos) em Brasília eram árvores grandes, frondosas. Quer me parecer que durante muitos anos a cidade era pra ser só gramada, pra não esconder a arquitetura. Não se vêem árvores velhas em Brasília. Nada com mais de 30 anos e, mesmo assim, poucas. São árvores que dão sombra para o sol do meio dia.

A arquitetura do Niemeyer, na verdade, não me agrada particularmente. Só fico bolado de não ter aparecido outro arquiteto, melhor do que ele, pra fazer as coisas que ele fez, no lugar que ele fez, do jeito certo. Ele era sortudo? Simpático? Carismático? Bem relacionado? Ou todo mundo é burro? Provavelmente "todas as anteriores". Vejam que não é só no Brasil que ele é "admirado". Por que será?

Por muitos anos quiseram derrubar a torre Eiffel e hoje em dia ninguém pensa em Paris sem ela. Não sei se as "grandes" obras arquitetônicas são uma maravilha de funcionalidade. Acho que não são. As pirâmides do Egito devem ser um forno. As pirâmides maias, Angkor Vat e o Templo de Luxor são apertados, as catedrais européias congelantes no inverno, o palácio de Agra com seu ar condicionado à base de recipientes com água devia ser uma armadilha, infestada de muriçocas, malária, dengue e febre amarela, o palácio de Versalhes foi projetado sem banheiros, na Hauptbahnhof de Berlim o embarque da primeira classe é sem coberta, etc, etc. Erra-se muito. O aeroporto de Recife, novinho, não tem sala VIP no embarque. E o embarque do Santos Dumont?! Quanto não deve gastar de ar condicionado?!

Eu acho que o primeiro erro arquitetônico de Brasília foi a Esplanada dos Ministérios ficar numa descida e a Praça dos Três poderes na parte mais baixa(isso foi o Lúcio Costa?). Pra mim era óbvio que tinha que ser ao contrário: o Congresso no lugar onde fica a antena. Mas nem a minha, nem a sua opinião, foram perguntadas... É verdade que quando Brasilia foi projetada eu ainda nem tinha nascido - e vc também não, provavelmente. Mas a inteligência não nasceu conosco - já havia gente inteligente antes (eu imagino). Por que só muito raramente tem alguém inteligente para fazer o certo eu não sei. Normalmente não tem... e, quando tem, aproveita a oportunidade pra errar feio e fazer uma magnifica c*... e dai esse monte de m* que fica pra posteridade. Por que o julgamento da rainha de copas é sempre tão presente? Vc sabe? Vc viu tudo? Então cala a boca! Vc não sabe nada, não viu nada? Então sua opinião é muito importante" A razão disso muito me intriga - sem ironia - e seria esse o tema de um excelente post seu. Vou aguardar.

Permafrost disse...

Nôni,
«“Vc sabe? Vc viu tudo? Então cala a boca! Vc não sabe nada? Não viu nada? Então sua opinião é muito importante.”»
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Sobre Brasília &c, eu resumiria assim:

Niemeyer: a catedral de Brasília é obra dum gênio simbolista; mas pergunta pro padre si ele quer rezar a missa das onze da manhã.

Costa: Brasília é um experimento q provou o contrário do q pretendia; apesar de se pretender diferente, seu maior defeito é o mesmo q o de qqer outra cidade-escrota do mundo, de São Paulo à Chandigarh à Teerã: não pode ser demolida. O caso de Brasília é pior: não pode sequer ser melhorada.

Kubitschek: em 2010, passei quatro meses em Londres e, em seguida, três meses em Brasília. Após visitar seguidamente o National Theatre –äs vez só pra sentir a fervilhação diária do saguão e de seus inúmero espaço (e nem sequer vi uma peça, hem)–, só posso chamar de avassaladoramente deprimente o enorme vazio oco e morto do saguão do Teatro Nacional de Brasília, onde rigorosamente NADA acontece 97% do tempo.

Pra mim, com Costa e Niemeyer mortos, tamos salvos deles. Mas não tamos salvos da brutal atrocidade q a insensibilidade e a burrice de Kubitschek perpetraram. Ela diàriamente causa e mantém traumas de vidas cuja opacidade insolúvel tá simbolizada no saguão daquele teatro. E Niemeyer é por excelência o simbolista do concreto totalitário, opaco e morto.

Anônimo disse...

Não só a minha, mas a sua também :-)))))))))))))

MI disse...

Tem muito engenheiro comemorando até hoje o passamento do Estatueta Hollywoodiana.

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