01 janeiro 2012

Pra vc também

Nosso efemérido humanista acha esta época do ano a última piada do show, qdo o hipoplausivírus entra em ebulição no cucuruto do pessoar. "¡Ai, qta felicidade! ¡Que vontade irresistível de fazer barulho!" E dá-lhe fogos. Me digam o q tem à ver tanto caboclo, cafuzo e mameluco soltar rojão no Brasil pra festejar o solstício de inverno na Zoropa.

Não é a única hilariança da temporada. O consultório fica lotado de paciente lembrando q o Natal é o níver de Jesus –q por sorte nasceu na mesma data em q havia séculos já se festejava o solstício de inverno lá. Tem tbm paciente reclamando q dizer Feliz Natal à judeus e muçulmanos é "ofensivo", paciente reclamando q ateu não deveria ter árvore de Natal (sem entender q pinheiros nórdico têm picas à ver com religiões palestina), paciente reclamando q judeu tem q ouvir "Feliz Ano Novo" só em setembro, paciente reclamando q "Boas Festa" é uma generalização hipócrita, paciente afirmando q é no dia de Reis q se deveria dar presentes, &c &c &c. Em suma, gente dedicando-se ao nobre passatempo de achar pêlo em ovo.

O doutor nem tchum pr'essas coisa. A solução dele é simples: ele jamais diz "Feliz Ano Novo", "Bom Natal", "Próspero Hannukah" ou qqer outra manifestação de temporada. Mas, como ele tem um boníssimo coração cheio de amor e informações útil, o doutor não se furta de desejar tudo de bom à todo e qqer humano.

Assim, ele só diz "Igualmente". Se alguém lhe diz "Boas Festa", ele já retruca "Igualmente"; se alguém lhe deseja "Próspero Ano", ele já tasca um "Igualmente". É a resposta pra qqer voto q qqer religião ou tradição force goela acima de insuspeitas vítima. Clique AQUI pra ver o doutoral cartão de fim-de-ano, com a imagem de aconchego boreal classe-média-alta de praxe.

Äs vez, seu voto de felicidade alheia é tão profundo e sincero, q ele já vai dizendo "Igualmente" antes mesmo de a pessoa dizer "Feliz Ano Novo". Qdo isso acontece, a pessoa se enche de ternura e encantamento; mas uma ou outra interpreta q "Igualmente" é eslôgã por uma sociedade igualitária, somos-todos-igual-perante-a-morte, ou algo assim.

Na verdade, o q o doutor pretende com isso é evitar a frase "Tudo de Bom", pq se ele começa, é capaz de alguém se ofender: "Tudo de bom pra vc: q no próximo ano vc finalmente supere essa vida frívola, ruidosa, ignorante, assustada e remissa q vc tem levado."

Mas é melhor nem começar, né, pq tem gente q não entende piada.

13 comentários:

Rafs disse...

Entendo o Dr. Ter entes queridos "sensíveis" dá trabalho.

Permafrost disse...

Rafs,
Na verdade, não teve à ver com entes querido. O doutor rachou de rir foi da pergunta respondida neste vídeo:

http://youtu.be/lveWj8BHEYA

e da discussão q se seguiu. Depois viu q há umas discussão parecida em saites brasileiro, e foi aí q arresorveu divulgar seu voto padrão de fim-de-ano.

Camelo disse...

Caro Doutor,
Acho que a confusão toda vem do fato de que alguns cristãos estão começando a se dar conta que a festividade do dia 25 de Dezembro não é na verdade uma criação do cristianismo: é uma mistura de tradições e festividades pagãs que o cristianismo adotou no final do século IV no intuito de atrair adeptos.
Da mesma forma, hoje em dia as igrejas evangélicas adotam o Rock, o Heavy Metal e até o Punk-rock em seus cultos para atrair jovens adeptos. Se a história dos dias de hoje se perder na poeira dos tempos, daqui a 500 anos as pessoas não terão dúvidas de que o Rock, o Heavy Metal e o Punk-rock foram criações dos evangélicos.
Outra coisa: como na bíblia é fácil encontrar proibições para quase tudo, não seria difícil criar a tese de que o culto a imagens (o presépio), a decoração de árvores (culto pagão), a adoração a figura do Papai Noel, e o dia 25 de Dezembro (que não é a data do nascimento de Jesus) são coisas totalmente incompatíveis com o "verdadeiro" cristianismo.

Depois de ter dito tudo isso, eu acho que dizer "feliz natal" ou mandar cartões de Natal a qualquer um (sem antes perguntar se o sujeito é cristão) não é uma gafe tão grave assim.
Grave mesmo é pedir a todos de um grupo que dêem as mãos e começar uma prece sem antes perguntar se alguém do grupo acredita nessas coisas - e isso ocorreu na festa de final de ano na empresa onde trabalho. Foi uma situação embaraçosa para todos, pois 3 funcionários são ateus (incluindo eu), e ficamos nos entreolhando sem saber o que fazer. Mesmo a maioria do pessoal (religiosos moderados, não-praticantes) ficou incomodada com a situação. Depois de um impasse de alguns segundos (que pareceu minutos) alguém quebrou o silêncio: "Opa, péra aí, isso aqui é festa de final de ano, oração é na igreja". Outros começaram a reclamar, e a coisa toda acabou numa cena constrangedora e patética: apenas 6 funcionários em roda, de mãos dadas, em pé, olhando pro teto e orando em voz alta, enquanto o resto olhava pro chão (e pro copo de coca-cola) esperando tudo aquilo acabar.
E ninguém no momento pensou em puxar o celular e gravar toda a cena: iria fazer sucesso no Youtube.

Neanderthal disse...

Muito bom esse cartão.

Essa análise das festividades de fim de ano me lembrou do vídeo do Joseph Campbell e o Poder do Mito.

Camelo: fico aqui imaginando essa cena na empresa. Já vi cenas similares e sempre causa constrangimento, mas em outros tipos de ambiente, não o de trabalho.

Os religiosos meio que acusam silenciosamente os outros de não ter fé, ou seja, de estarem do "lado negro", enquanto os não religiosos tentam não cair na gargalhada e alguns mais incertos, parecem querer acreditar mas não conseguem.

Permafrost disse...

Camelo,
Ficou gozadíssimo conjeturar o seqüestro do Heavy Metal &c pelas hoste historicista evangélica. Daria até pra fazer um filme com esse tema.

Camelo & Derthal,
Realmente, pra ser crente é preciso ter a simancolina no vermelho. Já presenciei umas boa tbm.

E isso tudo qdo já foi provado pelo Eddie Izzard q Jesus é, não o único, mas o *sétimo* filho de Deus, numa seqüência de acordes suspenso:

Asus, Bsus, Csus, Dsus, Esus, Fsus e Gsus.

http://www.youtube.com/watch?v=X2Nohj3HtBE

Rafs disse...

huahuahuauahuahua

Perma,
os filhos de deus em acordes suspensos foi o melhor.

Camelo e Neanderthal,
fala sério, gente. Não precisa de tanta frescura com isso de oração, não. Passei o final de ano com os meus amigos do trabalho e rolou isso. Foi de boa. Mas lá era um pessoal muito unido. Acho que essa é a questão; confraternização entre gente que nem se gosta muito, e talvez até tenham raiva um do outro.

Arthur disse...

http://1.bp.blogspot.com/_wuY8wmMu3cc/S9FB1SZoqGI/AAAAAAAABC8/kDxtvmePht8/s1600/IMG_6408.JPG


Você não vai acreditar no que é isso.

Arthur disse...

Pareceu um bot de spam, mas sou uma pessoa de verdade, e o link vai pra uma imagem legitima.

Camelo disse...

Oi Rafs,
Não, não acho que seja frescura.
Durante a organização de uma festa de final de ano (onde a presença é opcional) os empregados querem saber antecipadamente como será a festa, e assim optar por comparecer ou não. Tudo tem que ser estabelecido com muita clareza: tipo de comida, tipo de bebida, tipo de música (ou não), familiares poderão comparecer (ou não), vestimenta, local da festa, etc. Nem todo mundo gosta de todo tipo de festa, e nem todo mundo é festeiro. Qualquer improvisação de última hora pode causar muito constrangimento e ressentimento entre os empregados, pois em geral as pessoas trabalham numa empresa muito mais por necessidade do que por afinidade pessoal com o grupo.
Na minha empresa, quando se estabelece que a festa será uma churrascada, muitos vegetarianos não comparecem. Quando se estabelece que será uma festa à fantasia, outros não comparecem. E assim por diante. Se eu soubesse que haveria uma oração em grupo durante a festa (ou que ela teria algum teor religioso), eu certamente não compareceria (assim como muitos outros).
Eu não aceito essa coisa de "deixa pra lá" com a religião. Para mim, religião é que nem droga: se vc quiser se drogar o problema é seu, mas o faça longe de mim.

Neanderthal disse...

Também conhecido como "BURAJÍRO".

Permafrost disse...

Arthur,
E ¿quê é aquilo?

Rafs disse...

Camelo,

Foi justamente isso que tentei dizer, mas não me expressei bem. O problema é afinidade. Nesse caso, falta de afinidade.

Na reunião com meus colegas rolou todo tipo de improvisação e não teve problema. Mas lá todo mundo era amigo.

O anfitrião, na hora que o pessoal formou a roda e deu as mãos pra rezar, até falou: "aqui cada um tem sua crença, alguns não tem nenhuma, então a gente não precisa falar nada, mas se alguem quiser puxar uma prece ...".

Aí um outro amigo nosso fez uma oração e pronto.

Considerando todas as cerimônias sociais incrivelmente chatas como formaturas, casamentos e o diabo a quatro (que parecem que não vão acabar nunca), dois minutos em pé e de mãos dadas it's a walk in the park.

Arthur disse...

Aquilo é o monumento que foi doado pela cidade de Santos para o parque da paz da cidade de Nagazaki.

Agora ta lá perto do que chamam por ai de hipocentro da explosão.

Relembrando os perigos da bomba, e clamando por paz.

Eu não acreditei quando vi.

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