26 novembro 2011

Como criar um debate na tv*

1. Use apenas UM dos modelo abaixo pra criar uma pergunta:

¿Quem [verbo] mais blabla bla blablablabla blablabla, o homem ou a mulher?
¿Quem [verbo] mais blabla blablabla blablablabla, o homem ou a mulher?
¿Quem [verbo] mais blablablabla blabla blablablabla blablabla, o homem ou a mulher?

Outras possibilidades são:

¿Quem [verbo] mais bla blabla bla blablablabla bla blablabla, o homem ou a mulher?
¿Quem [verbo] mais blabla bla blablablabla blablablablabla bla blablabla, o homem ou a mulher?

2. Entregue ä produção, com a recomendação de incluir a opinião dum psicólogo qqer.

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*A receita tbm funciona em jornais e revistas.

21 novembro 2011

Xaviecando a lei

Olha, vou dizer uma coisa pra vcs, viu: ¡não tem fim, a variedade do mundo!

Sesdia, nosso espirituoso doutor foi consultar um advogado dos mais respeit-oso/ado/ável do Brasil e, conversa vai taxímetro vem, o jurista olhou de soslaio e mencionou de passagem a Associação Jurídica Espírita do Brasil.

Hm.

A epiglote doutoral começou à tremelicar. Voltando à seu consultório, ele achou isto:

http://jusvi.com/artigos/45003

A AJE-Br promove seminários, palestras, congressos &c buscando quórum lobista pra legalizar e regulamentar… ãã… (tou até com dificuldade pra escrever isto…) o testemunho de espíritos em processos jurídico.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

¿Consegue imaginar algo mais tonto do q um bando de adultos discutindo estratégias pra incluir psicografias como prova ou evidência ou testemunho ou mesmo *assunto* num processo? ¡¡Os cara tem até um projeto de lei!!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

É como propôr q os paleontólogo enfiassem a orelha num tubo fincado no chão pra ouvir esqueletos de dinossauro no subsolo reclamando de osteoporose. Tenha a santa.

Não se trata nem de acreditar ou não numa besteira desse tamanho. Se trata, sim, de q jurista com um mínimo de cérebro incontaminado pelo hipoplausivírus jamais nem cogitaria aceitar testemunhos de terceiros como prova num processo jurídico. Êi, ¿não fez direito a faculdade? Não se aceita como prova ou sequer evidência um Fulano qqer dizendo "Ói, eu mesmo não conheço o Sicrano pessoalmente; mas ele me ligou ontem jurando pel'alma da própria mãe q ele não escorregou num tomate e bateu a cachola numa jaca; ele foi assassinado pelo Beltrano de Paula Cândido Xavier, meu vizinho."

Ou seja q, mesmo si toda a patranha espírrita fosse verdadeira, ainda assim uma psicografia não poderia èticamente ser aceita num processo pois provém dum terceiro; e si o gajo mediúnico pretendesse autenticar uma psicografia assinando o nome do falecido e reconhecendo a firma, seria processado por falsificação. ¿Esse pessoal não conhece as lei?

Pô, daqui à pouco então eu mesmo posso abrir um Escritório de Psicografia pra ganhar a vida espalmando o xavier na testa e mascarrando uns garrancho pra juiz ver.

O Dr Plausível não ri de passatempo alheio e muito menos da ilusão de voltar à se comunicar com algum finado obsessivamente querido. Mas pô, ¿como não gargalhar de hipoplausibiléticos de raciocínio tão atravessado por desejos, à ponto de acharem não só plausível mas *ético* apresentar à um juiz umas confabulação imaginária?

Olha, tou pra ver, viu?

11 novembro 2011

Meta-ectomeleca



Sesdia, nosso ectoplasmático doutor espirrou e a meleca no lenço formou a perfeita imagem de Elvis Presley espirrando. ¿Há melhor prova de q Elvis realmente já morreu?

06 novembro 2011

A untuosidade genérica

Ontem, nosso epigráfico doutor teve saudade de sua infância querida, da aurora de sua vida. ¿Quê fez, então? Ora, foi à uma padaria comprar um pote de ChicaBon pra comer com rodelas de banana: uma empreitada destinada ao fracasso. Não é q as doutoral papila gustativa tenham minguado com a degeneração geral de seu metabolismo. O q mudou foi o ChicaBon. Analise a embalagem abaixo. ¿Quê tá errado?



Pois é.

¿Como é q a mesmíssima embalagem diz “clássicos” e “nova receita”?

HAHAHAHAHAHAHA

¿Como é q a mesmíssima embalagem diz “sabor original” e “cremosíssimo”?

HAHAHAHAHAHAHA

Ora, os quatro termo simplesmente *não podem* ser verdade ao mesmo tempo. Si é um sorvete clássico, não tem nova receita. Alguém tá mentindo; alguém tá engabelando o povaréu e ajudando à disseminar o hipoplausivírus semântico (aquele q impede o cérebro de ENXERGAR a distinção entre as palavra). ¡Que vergonha, Kibon!

E pior: si tem sabor original, não pode ser cremosíssimo. “Mas, doutor, ¿quê tem à ver o sabor com a cremosidade?”

Tá. Essa é um pouco mais difícil de enxergar, mas vamos lá.

Prezado leitor, perceba a enorme vastidez quantitativa de coisas cremosa hoje em dia. ¿Já experimentou aquele sorvete novo, o Diletto? Ugh. Cobrando os olho da cara pela “cremosidade”. Cremoso é um não-líquido e não-sólido grudento e… e… soft, feito pra gente sem dente, q mastiga com as gengiva e digere no esôfago. A cremosidade não se limita äs comida; a untuosidade genérica do cremoso vem se alastrando como um plasma pelo mundo todo: ¿já viu quadro de criança lacrimejando? ¿já deu atenção à espírita? ¿já leu um artigo de jornal “dando espaço pros dois lado da questão”? ¿já ouviu platéia gemendo “uóóóóó
” qdo entrevistado diz uma imbecilidade amorosa? ¿já leu autor se desculpando por ter sido machista num livro pq só usou o masculino genérico, e não o feminino? ¿já viu um imbecil pedindo uma imbecil em casamento à altos brado num lugar público? ¿já ouviu música evangélica (digo, a *música*, não a letra)? ¿já viu o design de aparelhos de som à venda na Marabrás? ¿já viu gente escrevendo seu nome com @? ¿já ouviu a nova versão de “atirei o pau no gato”?

não atire o pau no gato-tô-tô
pq isso-sô não se faz-faz-faz

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Por coincidência, ontem mesmo o doutor tava folheando a tradução brasileira de 2666 –um catatau do chileno Roberto Bolaño– qdo deparou-se com o seguinte parágrafo:

– A coincidência … é a outra face do destino e também algo mais. … Algo que escapava ao meu amigo por uma razão muito simples e compreensível. Meu amigo … acreditava na humanidade, portanto acreditava na ordem … Acreditava na redenção. No fundo, é bem possível que acreditasse no progresso. A coincidência, pelo contrário, é a liberdade total a que estamos expostos por nossa própria natureza. A coincidência não obedece a leis, e se as obedece, nós as desconhecemos. A coincidência, se me permite a comparação, é como Deus que se manifesta a cada segundo em nosso planeta. Um Deus incompreensível com gestos incompreensíveis dirigidos a suas criaturas incompreensíveis. Nesse furacão, nessa implosão óssea, se realiza a comunhão. A comunhão da coincidência com seus rastros e a comunhão de seus rastros com os nossos.

¡Que profundo, hem! Puxa, o doutor quase verteu lágrimas. Quase até lembrou de Jung, sincronicidade e o escambau –pq jendia é só falar de coincidência q já aparece alguém falando em sincronicidade. Mas… mas… ¿O parágrafo não soa meio jeca? meio cremoso? aliás, completamente sem sentido algum? tipo ¿Como assim, cara-pálida, q “a coincidência é a outra face do destino e se manifesta a cada segundo em nosso planeta”? ¿Ficou biruta, Robertinho? Aí o doutor foi procurar o original e descobriu q o autor não tava falando de 'coincidência' porra nenhuma. Tava falado de 'acaso'. Olha só a diferença:

– O acaso… é a outra face do destino e também algo mais. … Algo que escapava a meu amigo por uma razão muito simples e compreensível. Meu amigo … acreditava na humanidade; portanto acreditava na ordem … Acreditava na redenção. No fundo, é bem possível que acreditasse no progresso. O acaso, pelo contrário, é a liberdade total a que estamos expostos por nossa própria natureza. O acaso não obedece a leis e, se as obedece, as desconhecemos. O acaso, se me permite a comparação, é como Deus que se manifesta a cada segundo em nosso planeta. Um Deus incompreensível com gestos incompreensíveis dirigidos a suas criaturas incompreensíveis. Nesse furacão, nessa implosão óssea, se realiza a comunhão. A comunhão do acaso com seus rastros e a comunhão de seus rastros com os nossos.

Aaaah… AGORA faz sentido. Pq pô, nestes tempo cremoso, 'coincidência' é entendida como quase o exato OPOSTO de 'acaso'. Na tradução brasileira do parágrafo (e, pasmem, tbm na euaense) parece q o Bolaño tá esclerosado: só faltava ele ter na sala um quadro dum menino chorando e chupando um Diletto.

Mas o Bolaño tá imune, apesar de a untuosidade genérica do mundo de hoje atingir à quase todos: desda camponesa q pendura o menino chorando na sala até o grande literato q se mete à traduzir OU q tá à mercê de certos tradutor.

Mas ¿será q é inevitável? ¿Será q –qdo qqer compositor medíocre, apoiado pela “fé”, consegue fazer ouvir sua cremosidade nos quatro canto dum país; qdo qqer camponês pode escolher entre ter na parede uma foto da Xuxa ou uma imagem produzida por Van Gogh; qdo a Kibon pode te enganar descaradamente na cara duma embalagem e cremosificar uma receita clássica– será q faz sentido o doutor olhar tudo isso e lamentar?

¡Claro q NÃO faz! Só faz sentido gargalhar:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA