05 setembro 2011

O cúmulo do típico

Qdo o epulótico Dr Plausível fala das diferença entre as língua germânica e as latina, e mais especìficamente entre o inglês e o brasilês, muito leitor sério acha q numa ele só vê perfeição e na outra só defeito. Mas não é assim. O português é uma língua muito bacana, estruturalmente muito mais sofisticada do q o inglês. E é justamente por isso –por ter se sofisticado à esse ponto dentro do âmbito duma cultura, pra expressar os significante típico dessa cultura– q o português tá fadado à jamais sair do banal, do corriqueiro, do fàcilmente sintetizável em fórmulas consagrada. O inglês é mais cru, mais modular, mais rígido, e é justamente por isso q é possível ir mais longe em inglês, descrever melhor o mundo, criar mais idéias, &c &c. É quase como a diferença entre um sistema analógico e um digital: a digitalização é um tipo de modularidade, e com ela é possível realizar coisas q nos sistema analógico são impraticável.

Em qqer língua, um problema é o exagero do típico.

Em inglês, é fácil ser explícito e preciso; daí q tende-se ä picuinha detalhista; si vc não tomar cuidado, pode se deixar levar pela facilidade com q produz frases clara, e aí vai soar pedante, patronising (um conceito muito inglês, este), e gastar saliva desnecessàriamente. Já em português, é fácil ser implícito e breve, e portanto tende-se ao formulaico nebuloso; si vc não tomar cuidado, pode se intimidar pelas dificuldade gramatical da produção de significado, ou pode se deixar levar pela preguiça de administrar tanta sofisticação gramatical, e aí vai resumir demais a mensagem e acabar tendo q confiar mais no contexto do q no significado cabal das palavra e das frase.

Olha só os dois cartaz hilariante abaixo, ambos redigido por impensantes escravo de suas respectiva língua: o primeiro –numa estação de trem em Londres– supõe uma burrice básica no leitor (a questão aqui é a frase "Except by means of the footbridge"); o segundo –numa lanchonete em SJC– indica uma preguiça sintomática no redator:



HAHAHAHAHAHAHAHA



HAHAHAHAHAHAHAHA

¿Preciso dizer mais?

27 comentários:

tralfamadorian disse...

Pergunte a alguém que leu Hegel se em línguas germânicas é fácil ser explícito e preciso...

tralfamadorian disse...

Você acha que mandarim, uma língua considerada bastante descritiva, é particularmente boa pra expressar idéias novas?

Permafrost disse...

Tralfa,
Ué. Hegel pode ser difícil e até incompreensível ä maioria; mas isso apenas exemplificaria o q diz o Dr Plausível –q o falante pode exagerar no típico. O alemão consegue sintetizar numa só entidade idéias composta de várias parte, e assim consegue manipular idéias complexa com a mesma gramática com q manipula idéias simples, e faz isso especificando e complexificando essas idéias simples:

Por exemplo, aposto q vc meio q tropeçou numa das frase q escrevi acima; si vc pegar a estrutura simples dessa frase:

"O alemão consegue sintetizar idéias."

e especificar que tipo de 'sintetizar' e que tipo de 'idéias', o resultado fica:

"O alemão consegue numa-só-entidade-sintetizar de-várias-parte-composta-idéias."

Um texto complexo sobre idéias complexa escrito numa língua complexa por um filósofo complexo talvez não seja a melhor demonstração da eficiência quotidiana duma língua; mas certamente demonstra q essa língua, qdo manipulada por uma mente complexa, dá jogo.

Sobre mandarim, sei quase nada.

Vinicius disse...

suas ideias são interessantes mas não consigo ler com esse jeito esquisito que você escreve. desculpa. isso aí só atrapalha. existe um código e, por mais idiota que ele seja, ele uniformiza a linguagem escrita. e esse código ajuda a ler. e o seu jeito esquisito de escrever só atrapalha a LEITURA do teu texto. repensa isso aí.

Permafrost disse...

Nicius,
Vc pode abordar a leitura de meu texto como abordaria a audição dum dialeto: vai ouvindo/lendo até acostumar.

Há vários grau de dialetismo, até mesmo na escrita –e a vossa tbm tem várias excentricidade:

• apesar de pontuar coerentemente, vc começa todas frase com letra minúscula —coisa q depõe contra vossa exigência de clareza;
• mistura a segunda pessoa ("teu texto") e a terceira ("seu jeito") –coisa bem esquisita e confusa;
• é inconsistente no uso de artigo antes de pronome possessivo ("suas idêias", "o seu jeito");
• omite preposições necessária prä clareza ("esse jeito esquisito
[???] que você escreve");
• desnecessàriamente repete idéias inteira ("…esse jeito esquisito que você escreve … isso aí só atrapalha … e o seu jeito esquisito de escrever só atrapalha… repensa isso aí…").

Eu jamais teria apontado esses traço dialetal vosso si vc não tivesse reclamado dos meu; e só os apontei pq, pô, o q vc *diz* sobre meu dialeto tá em franca contradição ä maneira como vc defende o "código"… ¡mas não o usa! Pô, né, repensa isso aí. :•)

(Caso vc ache "esquisito" eu usar 'vc' com 'vosso', leia isto:
http://drplausivel.blogspot.com/2011/06/origens-linguistica-do-atraso.html )

Vin disse...

Certo, mas meus erros são comuns dentro do tal código, o que facilita. Sua falta de concordância me tira das suas ideias e me puxa para a superfície.

Nem precisava se dar a esse trabalho todo; o fato é que você insiste num libelo linguístico em detrimento do que diz. E garanto que não estou sozinho no meu desconforto. Mas se diverte aí, então. Infelizmente, não consiho acompanhar.

arbo disse...

olha, vin, concordar com um desconforto inicial, mas ñ com "você insiste num libelo linguístico em detrimento do que diz."
ñ há detrimento algum, pelo contrário, me parece q o dr. usa o LINGUAJAR em prol do que quer dizer, e ñ meramente como instrumento, mas muitas vezes utilizando uns atalhos metalinguísticos quando calham de servir como exemplo daquilo q está querendo dizer. e o melhor, quase sempre com efeito de ironia. bah, mas é o OPERANDI do blog!, vin...

já q o perma me direcionou ali para um link esclarecedor, aproveito pra perguntar sobre essa opcao pelo "intue, diminue", qdo a nocu diz "intui, diminui". eu intuo a resposta, mas se houver um argumento desenvolvido já...

tralfamadorian disse...

Ainda não consigo entender como o inglês pode "te levar mais longe"; de fato, o inglês é estruturalmente mais simples que o português, mas dizer que a complexidade influencia significativamente o esforço cognitivo necessário pra usar a língua ainda precisa de alguma confirmação científica.

O inglês costumava ter casos, o que permitia uma ordenação relativamente livre das palavras na frase, mas como ninguém usava as outras ordens as palavras foram deixando de ter a distinção morfológica dependendo do caso, até que hoje só os pronomes pessoais têm inflexão.* Pro português, embora ainda tenhamos casos é meio que a mesma coisa: tem várias maneiras de organizar as palavras de uma frase, mas quase todas elas soam estranhas e nem passam por nossas cabeças. O mesmo vale pra coisas como concordância: dizer "as casas" é "ineficiente", mas fazer as palavras concordarem em gênero e número é um processo praticamente automático. E quando a gente erra, o erro fica óbvio quase que imediatamente.

* e mesmo pra pronomes pessoais, a ordem é rígida: dizemos "I gave him the ball", mas nunca "Him gave I the ball", muito embora a possibilidade de inversão não cause nenhuma ambiguidade

tralfamadorian disse...

Pra mim pelo menos, o que exige bastante esforço cognitivo só pra satisfazer a sintaxe são coisas como orações subordinadas, mas essas existem em todas as línguas...

Permafrost disse...

Vin,
Não me leve à mal. Tou considerando as reclamação (vc não foi o primeiro; outras pessoa mais próxima me disseram quase a mesma coisa).

Mas faz-me rir qdo se fala em "código" ou "padrão". Pouca gente reclama qdo o governo –num ato arrasa-quarteirão e se metendo onde não foi chamado– destrói trocentas convenção ou costume q tavam funcionando bem (ói vc escrevendo 'ideia'…).

Então. É pra ter padrão ou não é, né?

Fui alfabetizado com o "padrão" de 1943. Já tou no terceiro. Qdo era criança, aprendi à escrever "dêmos a êle a côr dêste gaz". Houve uma reforma em 43, outra em 71 e outra em 90, isso quer dizer q um octogenário tá hoje no QUARTO "padrão".

E aí eu escrevo umas palavra sem a letra S no final, e ¡algumas pessoa têm dificuldade pra entender o q tou dizendo?… Diga a verdade: ¿não é engraçado?

Eu acho.

Pois vc há de admitir q a insistência no "padrão" indica q o ouvido/olho do decifrador de português é sensível demais da conta. Falta-lhe treino, traquejo, exposição ao mundo livre e exuberante fora do padrãozinho seguro. Si vc se dedicar à ler publicações ou manuscritos do século XVII &c, vosso olho agiliza rapidinho, e umas letrinha "faltando" em meu texto não vão atrapalhar tanto. Leio vosso comentário em minúsculas com a mesma desenvoltura com q leio uma publicação de 1750, ou uma coletânea de tuítes, ou as transcrição de contos nordestino do Câmara Cascudo.

¿Não seria trocentas vez melhor pra inteligência, variabilidade e produtividade geral da cultura brasileira si o olho leitor se agilizasse um pouquinho, um pouquititinho, em vez de promover exatamente o contrário –o completo condicionamento de toda produção lingüística à apenas *um* ambiente climatizado, sanitizado e acolchoado?

Há peixes q não sobrevivem à temperaturas além duma faixa de 5°C. Pô, tudo tem limites e ambientes, mas não quero me sentir um peixe num aquário climatizado. O mundo é muito maior do q isso, e o português tem *tantas* delicadezinha q realmente dá dó ver a quantidade de idéias perdida no éter pq as pessoa prestam atenção exatamente nas coisa irrelevante.

nervocalm disse...

Permafrost, penso parecido com o Vin, não concordo com você, mas admirei tanto essa última resposta, que dá até vontade de concordar.

Permafrost disse...

vocalm,
Então concorda, ué. :)

tralfa,
Esse é um assunto recorrente neste blogue. Acho q a melhor resposta já publicada aqui à vossa pergunta tá neste linque:

http://drplausivel.blogspot.com/2007/09/origens-lingsticas-do-atraso-brasileiro.html

mas vou pensar nalgum outro exemplo.

Permafrost disse...

tralfa,
Em inglês, não apenas é possível ir mais longe, como é *mais fácil* ir mais longe. Um exemplo bem expressivo é o q dá pra fazer com a voz passiva em inglês. Em português, a idéia expressa pela voz passiva pode aparecer em três forma diferente:

The bread was cut.
a. O pão foi cortado.
b. Cortaram o pão.
c. Cortou-se o pão.

Até aí tudo bem. Mas em inglês vc pode fàcilmente levar essa idéia pro passado, pro futuro, manipulá-la temporal e modalmente de inúmeras forma: ou seja, vc pode imaginar e expressar essa idéia em qqer ponto do tempo. As limitação do português ficam evidente pq ou as construção começam à confundir o significado, ou vc se vê obrigado à acochambrar e adaptar o vocabulário diferentemente pra cada ponto no tempo. Aqui dou quatro versões em português de cada manipulação temporal duma idéia –a última (marcada com •) é a q sairia naturalmente da boca dum brasilesante:

I was told that donkeys were trained here.
a. Fui informado de q asnos eram treinados aqui.
b. Me informaram (de) q treinavam asnos aqui.
c. Informou-se-me de q treinavam-se asnos aqui.
• Me disseram q aqui eles treinavam uns asnos.

You will be told that donkeys had been trained here.
a. Vc será informado de q asnos haviam sido treinados aqui.
b. Te informarão (de) q haviam treinado asnos aqui.
c. Informar-se-te-á de q tinham-se treinado asnos aqui.
• Vão te dizer q eles tinham treinado uns asnos aqui.

I am told that donkeys will be trained here.
a. Tou informado de q asnos serão treinados aqui.
b. Tou sabendo q treinarão asnos aqui.
c. Informar-se-me-á de q treinar-se-ão asnos aqui.
• Me falaram q vão treinar asnos aqui.

We should have been told that donkeys might be trained here.
a. Deveríamos ter sido informados de q asnos talvez seriam treinados aqui.
b. Deveriam ter-nos informado (de) q talvez viessem à treinar asnos aqui.
c. Dever-se-ia ter-nos informado de q talvez se treinariam asnos aqui.
• Deviam ter dito prà gente q iam treinar asnos aqui.

E olha q só mexi na superfície do problema: vc poderia combinar o tipo 'a' com o 'b', &c.

E é isso q chamam de "riqueza do português". HAHAHAHAHAHAHA

A realidade é q tudo isso junto é uma gororoba inútil e paralisante. As demanda da gramática portuguesa são prática em apenas uma pequena parte do q é possível cognizar –ie, o século 19, "o banal, o corriqueiro, o fàcilmente sintetizável". Se vc quiser sair desse eixo central da experiência, o português te puxa de volta. E aí ficamos: no centrão medíocre, subserviente e pagador-de-royalties da tecnologia, das arte, da cultura, do humor, da informática, dos negócio, da política.

O português/brasilês é uma língua ótima pra muitas coisa, mas todas na vizinhança do aqui-e-agora.

Permafrost disse...

tralfa,
Note tbm como, até mesmo dentro das versão de cada frase, há várias questão dúbia:

Vc vai ser/será informado (de) q asnos haviam/tinham sido treinados aqui.
Informou-se-me (de) q treinava(m)-se asnos aqui.

A cabeça de quem fala português é uma baderna: tem q manobrar a fala e a escrita através de tantos beco sem saída, tantas concordância &c q a coisa não anda, e o melhor é ficar no corriqueiro mesmo.

Permafrost disse...

arbo,
Tscupaê o atraso na resposta. O comentário em q explico pq escrevo 'intue' &c foi um dos q perdi, então repito aqui.

É pq com algumas fonte é difícil distinguir visualmente entre 'intui' (3ª pessoa, presente) e 'intuí' (1ª pessoa, passado). Por exemplo, coloca a frase abaixo em Arial:

"O q ele intui agora não é o mesmo q intuí então."

A ortografia q uso é, aliás, um dos detalhe abolido nalguma das 'reforma' ortográfica q esquartejaram esta língua.

Eduardo Marques disse...

"muito leitor sério acha q numa [língua inglesa] ele [o doutor] só vê perfeição e na outra[língua portuguesa] só defeito."

"o português tá fadado à jamais sair do banal, do corriqueiro, do fàcilmente sintetizável em fórmulas consagrada"

Tem alguma coisa errada aí. Por favor, não ache que eu estou repreendendo seu pensamento. Só gostaria que assumisse logo essa posição, de ver mais defeito que vantagem. Eu também concordo com o que o doutor diz.

Permafrost disse...

Duardo,
A questão aqui é a hipoplausibilose em achar q qqer língua se presta igualmente äs mesma tarefa, q elas comunicam com idêntica eficiência, q o desenvolvimento do Japão teria sido igualzinho si lá se falasse francês, q o do Brasil teria sido igualzinho si aqui se falasse hindu &c, q o q importa é a história, a cultura, a política e o caráter coletivo dum povo.

O brasilês/português tem som agradável e funciona bem pra generalidades, pra implementar soluções criada alhures, pra tocar com a barriga um país ãã "em desenvolvimento", pro senso de humor escrachado, pruma vida simples e feliz. Isso ela tem em comum com quase todas língua nacional.

Gosto bastante do brasilês, em parte pq ele permite "falar sem dizer" –coisa muito útil prä hipocrisia (q, como disse um tempo atrás, é um dos pilar da civilização)–, mas tbm por sua informalidade: é um língua q age como se tudo já estivesse resolvido, e há q se admirar isso –essa abertura pro espairecimento. As língua germânica tão numa busca constante; a busca é útil, pois quem procura acha –mas não relaxa.

Anônimo disse...

Acho que não estou apto a participar dessa discussão porque não estou vendo o problema. Eu consigo ver ainda outras formas do que foi dito e não vi onde estava a confusão. É ruim ter muitas maneiras de dizer a mesma coisa? Qual foi a nuance de significado que se perdeu nas versões em português? Não estou pescando nada. Voei...

Permafrost disse...

Nôni,
"É ruim ter muitas maneiras de dizer a mesma coisa?"

Não. O ruim é não ter uma maneira simples, direta e cristalina de expressar *idéias* mais complexa. Note a letra (a) do último exemplo. Até mesmo um gramático experimentado hesitaria alguns segundo antes de dizer qual destas é a mais clara ou a mais "correta" ou a mais aceitável:

• Deveríamos ter sido informados de q asnos talvez seriam treinados aqui.
• Devíamos ter sido informados q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
• Deveríamos haver sido informados de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
• Devíamos ter sido informados q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.

E quase todaquelas frase no artigo têm variantes assim. ¡Que baderna, hem? A questão posta é q, ä medida em q vc vai saindo do corriqueiro e comum, o português/brasilês vai ficando mais inepto, confuso, indistinto; nem precisa ir muito longe.

Ou seja, o português/brasilês é tão complicado q ele só produz idéias simples, pensamentos corriqueiro. Contraste isso com a clareza, diretez e limpidez das frase em inglês.

Anônimo disse...

Engraçado: as quatro frases me parecem bastante claras. Não vejo mesmo a dificuldade. E a forma em inglês é assim tão mais simples?! Não tive essa impressão. É... dessa discussão é melhor eu não participar.

Permafrost disse...

Nôni,
Ao portuguesante, essas frase "parecem bastante claras" por um motivo: o português é tão cheio de informações desnecessária, q o ouvido filtra a mensagem atentando apenas ao q faz sentido. No exemplo abaixo, os asterisco indicam unidades de informação q podem muito bem ser deixada de fora sem perda de compreensão, e os parêntese contêm unidades redundante:

• Dev*íamo(s) *er sido informad(os) * que asnos talvez *ssem * ser* treinad(os) aqui.

Ou seja, o q vc achou "bastante claro" foi apenas isso aí; foi essa a mensagem q vc entendeu em cada variante. A frase acima produz tanto a versão enxuta:

• Devíamo er sido informad que asnos talvez âssem ser treinad aqui.

qto a versão acoruta:

• Deveríamos haver sido informados de que asnos talvez viessem a ser treinados aqui.

qto uma logorréia de versões intermediária –cada uma com um "errinho" embutido pra vir alguém reclamar de meu português. Vc pode testar: pega algum conhecido q escreva bem; informa q vc vai testar a compreensão dele; vc vai dizer uma frase apenas UMA vez pra q ele trascreva o q entendeu; informa q não tem pegadinha nenhuma; com ele de lápis e papel prontos, vc lê a versão enxuta em voz alta, com ritmo e ênfase normais (e diga 'treinad', não 'treinadj'); aí checa a quantidade de coisas q, na escrita, ele adicionou sem vc tê-las *dito*.

Mas apesar de todo o exposto acima, a ênfase aqui não é na compreensão, mas na *produção* de frases. Se trocentos detalhezinho não tem efeito algum sobre o conteúdo da mensagem, e se vc à cada duas ou três palavra tem q tomar uma decisão q não afeta *em nada* o conteúdo da mensagem, então ¿quê é q os detalhe tão fazendo ali? ¿Qtas vez vc já, enquanto escrevia, pausou pra decidir como dizer algo –ou seja, teve q desviar vossa atenção pra se concentrar nalgo q não modificaria o CONTEÚDO de vossa mensagem? Isso se torna um hábito pra quem produz significado em português: o hábito de perder tempo, de se desconcentrar, de inserir informações inútil, de não perceber ironias nas própria palavra (por exemplo, qdo vc mesmo diz "parecem bastante claras"). No contexto duma cultura em q *todos* fazem o mesmo, esse não é um problema muito grande; mas cada vez q um portuguesante entra em negociação direta com um germânico ou japonês, o contraste entre a fala de um e a do outro traz ä tona a inanidade de grande parte do q o portuguesante deixa escapar pela boca. E é aí q se *começa* à achar uma explicação pro atraso intelectual da cultura brasileira.

Pracimademoá disse...

Fazia um tempão que eu não visitava este blogue. Visito hoje, e estou decepcionadíssimo com essa porcaria de dialeto que o Perma inventou pra escrever. Que catso??? Nem parece que tem mulher em casa. Bel, dá um tapa no occipital desse desnorteado. Faz ele falar que nem gente de novo.

Permafrost disse...

Demoá,
"Bel, dá um tapa no occipital desse desnorteado."

HAHAHAHAHAHAHAHA

Si vc tivesse visto qto ri qdo li isso… HAHAHAHAHA Valeu meu dia. E olha, ela é contra tbm. Mas lê minha resposta ao Vin aí acima.

Anônimo disse...

Eu estava no embalo de discutir e ainda estou freiando...

Vc insinua que há uma contradição entre as palavras "clara" e "parecer".
"Parecem bastante claras" / "seem pretty clear". Pode-se dizer a mesma coisa (meu inglês não é essas coisas, talvez vc escolhesse palavras melhores) nas duas línguas (portanto não é apanágio do português) e também não vejo ironia ou contradição. Pra mim são claras, mas isso é questão subjetiva. Talvez pra vc não sejam. Por isso o "parecem". Eu convivi com gente "sensivel" minha vida inteira e já me acostumei a relativizar meus pronunciamentos pra evitar atritos que nunca consigo antecipar - e, mesmo assim, se produzem. Não é com vc.

Permafrost disse...

Nôni,
Acho q não tou explicando direito o problema. Sim, a maioria daquelas frase passam a mensagem à um bom entendedor. A questão não é a recepção das frase mas sua produção. Pra transmitir a mensagem

We should have been told that donkeys might be trained here.

¿qual das frases abaixo vc escolheria?

Deveríamos ter sido informados de q asnos talvez seriam treinados aqui.
Deveríamos haver sido informados de q asnos talvez seriam treinados aqui.
Deveríamos ter sido informados de q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Deveríamos haver sido informados de q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Deveríamos ter sido informados de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Deveríamos haver sido informados de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Deveríamos ter sido informados de q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Deveríamos haver sido informados de q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Deveríamos ter sido informados de q talvez se treinariam asnos aqui.
Deveríamos haver sido informados de q talvez se treinariam asnos aqui.
Deveríamos ter sido informados de q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.
Deveríamos haver sido informados de q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.

Devíamos ter sido informados de q asnos talvez seriam treinados aqui.
Devíamos haver sido informados de q asnos talvez seriam treinados aqui.
Devíamos ter sido informados de q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Devíamos haver sido informados de q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Devíamos ter sido informados de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Devíamos haver sido informados de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Devíamos ter sido informados de q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Devíamos haver sido informados de q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Devíamos ter sido informados de q talvez se treinariam asnos aqui.
Devíamos haver sido informados de q talvez se treinariam asnos aqui.
Devíamos ter sido informados de q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.
Devíamos haver sido informados de q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.

Deveriam ter-nos informado de q asnos talvez seriam treinados aqui.
Deviam ter-nos informado q asnos talvez seriam treinados aqui.
Deveriam ter-nos informado de q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Deviam ter-nos informado q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Deveriam ter-nos informado de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Deviam ter-nos informado q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Deveriam ter-nos informado de q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Deviam ter-nos informado q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Deveriam ter-nos informado de q talvez se treinariam asnos aqui.
Deviam ter-nos informado q talvez se treinariam asnos aqui.
Deveriam ter-nos informado de q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.
Deveriam ter-nos informado de q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.

Dever-se-ia ter-nos informado de q asnos talvez seriam treinados aqui.
Dever-se-ia ter-nos informado de q asnos talvez fossem ser treinados aqui.
Dever-se-ia ter-nos informado de q asnos talvez viessem a ser treinados aqui.
Dever-se-ia ter-nos informado de q asnos poderiam vir a ser treinados aqui.
Dever-se-ia ter-nos informado de q talvez se treinariam asnos aqui.
Dever-se-ia ter-nos informado q poder-se-ia vir a treinar asnos aqui.

E vc pode dobrar esse número de possibilidades adicionando 'nós' e tirando o 'de'.

¿Percebe? Si toda frase em português tem trocentas variante pra dizer uma coisica só (sendo q nenhuma variante adiciona ou modifica seu peso semântico), ¿QUAL vc escolhe? ¿Qto tempo vc perde escolhendo? ¿Qtos neurônio vc usa inutilmente pra delinear um caminho no labirinto?

Permafrost disse...

O q o inglês tem de diferente são as pronúncia.

O primeiro-ministro diz no parlamento:

We should have been told that donkeys might be trained here.

Um lixeiro de Londres diz na praça:

We shudda bin teld tha' dunkays moight be trined 'ere.

Mas os dois usam exatamente a mesma estrutura. Eles não precisam ficar à cada duas palavra decidindo qual estrutura vão usar. Além disso, a estrutura é simples e concisa, são só uns tijolinho q eles vão montando sem rococós ou excesso de argamassa.

Anônimo disse...

Vc sofre tanto assim para escolher qual estrutura usar?!

Como vc se afastou do discurso radical a discussão perdeu a graça e eu vou capitular também.
Eu concordo que a oralidade do português é prejudicada pelo marcado contraste entre a norma culta e a língua falada. E concordo também que no meio de um frase vc às vezes tem que voltar e dizer de novo, porque a forma escolhida não dá pra terminá-la de modo aceitável gramatical e semanticamente. Assim, jogando conversa fora com vc, eu acabei entendendo o porquê das declinações, numa língua que realmente faz uso inteligente delas, como o latim. Para os falantes do latim, escrever (e falar) corretamente era fácil - difícil era depois entender (mas talvez menos do que pra gente). No alemão (do pouco que eu sei - corrija-me se estiver errado), declinação é só pra encher o saco pois a frase é toda ordenadinha, se vc tirar as declinações a compreensão da frase não muda em nada. O português fez exatamente o contrário. Quis manter a liberdade do latim sem ter uma estrutura gramatical que a isso permitisse.

Vc já deve ter percebido que sua reclamação não leva a nada. Não dizem que o que importa é modificar o mundo?
Fazer o que pra consertar? Ensinar todo mundo a falar inglês?!

Eu acho que a solução disso é com vcs escritores. O ser humano é um ser mimético. Eu falo mal e, quase por conseguinte, escrevo mal, porque não me acostumei a ouvir gente que fale bem. Eu, vc e todo mundo. As pessoas educadas da geração anterior à nossa falavam melhor (e escreviam melhor tb). Faltou a nós treinamento.

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