22 setembro 2011

O mito da intenção

Alguns sintoma da hipoplausibilose são äs vez difícil de detectar, e muitos hipoplausibilético caminham entre nós com a aparência toda de seres normal e socialmente aceitável. Nosso esmerando doutor tem q usar de tato e até de alguns estratagema pra conseguir levá-los älguma de suas clínica espalhada pelo Cafundó. Um dos sintoma difícil é a intencionalite –uma inflamação mórbida no sulco temporal superior posterior (pSTS), q é o interpretador de intenções alheia.

Não sei si vcs sabem, mas no momento o doutor tá passando uns tempo indo e voltando entre a odiosa SP e a aprazível SJC, ajudando à resolver uns trique-trique funesto entre umas ribomboca e umas parafuseta. O centro de SJC fica atìpicamente num planalto ao longo de duas aresta duma planície pantanosa chamada 'Banhado' –uma Área de Proteção Ambiental q, òbviamente, gente rica e burra com cifrões nos olho vem querendo destruir há décadas planejando avenidas, especulação imobiliária &c. Na época de menos chuva, o mato ao longo das encosta sofre incêndios freqüente. Sesdia, o doutor passava por ali qdo viu um fogaréu branco chegando pertíssimo dum edifício onde funciona o Departamento de Investigações Geral da polícia. Era um domingo, e o DIG tava fechado; nenhuma viv'alma ä vista. O doutor já foi no orelhão chamar os bombeiro, né? Aí, ói só: atrás do DIG é o lugar onde a polícia de SJC armazena carros roubado, autuado, guinchado &c ä espera do proprietário vir resgatar. O fogo foi chegando perto desses carro, e os bombeiro nada; a vizinhança dali veio ver e já foi tbm chamando os bombeiro, e eles nada; o fogo foi queimando os carro, a fumaça começou à ficar preta e certas coisa nos carro começaram à explodir, e os bombeiro nada; foi só qdo o fogo chegou aos muro do DIG q um caminhão de bombeiros apareceu (sem sirene), e dois deles com duas mangueira foram apagando o fogo nos carro, e no q restou de mato verde por ali.

O resultado foi isto (visto de cima):



(e visto de baixo).



Uma coisa engraçadíssima sobre SJC é q pràticamente a população toda sofre de intencionalite. Si vc pergunta à qqr habitante sobre a causa dos freqüente incêndio no mato, a resposta quase invariável é "Algum vagabundo q não tem o q fazê é q põe fogo aí."

HAHAHAHAHAHAHAHA

Ninguém explica como é q o vagabundo faz pra äs vez começar um incêndio numa encosta do Banhado e alguns minuto depois começar outro noutra encosta à 2km do primeiro; ou por quê ele nunca começa incêndios ä noite; ou por quê ele tem uma estranha preferência por dias de sol quente, qdo seu crime seria mais visível; ou por quê tem uma preferência mórbida por incendiar as encosta do Banhado e jamais ao centro dele, ou outras área da cidade.

Qdo chegaram os bombeiro, grande parte do estrago já tava feita. Nosso esfumeado humanista então passeou pelo mato já queimado, olhando aqui e ali e achou isto:



q tava assim:



perto disto:



Ele pegou o caco e mostrou ao chefe dos bombeiro q tava ali coordenando os outro dois.
«¿Não é isto o tipo de coisa q causa os incêndio no banhado?»
«Ah não, isso não dá ignição.»
«Então, ¿quê o Sr acha q causa os incêndio?»
«Ah, é algum vagabundo q não tem o q fazê q põe fogo aí.»

HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Ô preguiça. Admitir q os milhar de vidro jogado pela orla do Banhado possam causar incêndios resultaria no inevitável trabalho de limpar aquilo tudo –ou o de pelo menos à cada fogo vasculhar o chão em busca da causa.

A intecionalite é a forma hipoplausibilética de lidar com o desconhecido. Há toda uma hierarquia de causadores intencional pra explicar todo evento, desde a "criação" do Universo até um tropeção caseiro. Sempre um "¿quê causou?" vira um "¿QUEM causou?"

Foi Deus … quem criou o Universo.
Foi Satanás … quem criou o Mal.
Foi um anjo … quem salvou minha vida.
Foi o espírito da vovó … quem me iluminou.
Foi o Saci Pererê … quem me fez derrubar a cuia.
Foram os gay querendo casar … quem aumentaram o número de terremotos e tsunamis.
São os corrupto … quem causam o atraso brasileiro.
Foi algum vagabundo q não tem o q fazê … quem pôs fogo no mato.

HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Olha, não há profissional q nosso doutor respeite acima de bombeiro. Não há. Podem falar de professores, médicos, cientistas, astronautas, pescadores, lixeiros, policiais, &c &c &c. Esses tudo tão vários grau abaixo dos bombeiro, na estima do doutor. Si for bombeiro resgatista, então, o doutor é capaz de pagar um imposto só pra aumentar o salário da categoria.

Mas peraí. É preciso muito hipoplausivírus rondando o cérebro pra não enxergar a única causa plausível pros quase diário incêndio no entorno duma área verde rotineiramente usada como lixeira de bebum e entulheira de babaca. E, dada a demora no atendimento aos incêndio no Banhado e a falta de investigação pra prevenir futuros incêndio, o "vagabundo q não tem o q fazê" é a explicação oficial do Corpo de Bombeiros de SJC. ¿Não tou dizendo q o hipoplausivírus ataca até mesmo as pessoa mais respeitável?

12 setembro 2011

Numerência

No volume 23 de sua chatérrima obra A inumerência e a hipoplausibilose: estatísticas, crenças e acasos, nosso emergente doutor demonstra por A mais B q nenhuma língua morta ou viva tinha ou tem uma nomenclatura numérica muito eficiente. Em qqer lugar do mundo, si vc sai numa rua movimentada com intenção e toda boa vontade de contar o número de gente mal-vestida ou infeliz ou em pânico moroso, tem tanta gente pra contar q o mais provável é q vc engasgue antes de chegar na centena. Mas (ao contrário do q se crê) não é pq tem gente demais pra contar; é pq os nome dos número são longo demais. Em português, por exemplo, qdo vc chega ä dezena dos quarenta, precisa de cinco sílabas pra dizer o q se escreve com apenas dois algarismo:

45 = quarenta_e cinco.

Disso resulta q qdo vc tenta contar rápido, fica uma gororoba:

um-doi-três-quat-cinc-sei-setioit-nove-déiz &c &c

Ao chegar aos duzentos, vc já vai ficando de saco cheio:

duzentstrintaiset-duzenstrinaioit &c&c.

É um saco. Vc sai na Paulista segunda-feira ao meio-dia pra contar amebas, e 30 segundos depois vc já deveria tar dizendo "duzentos sessenta e quatro" –mas é muscularmente impossível: com tanta ameba, a língua não consegue chacoalhar na boca ao ritmo do mais evoluído cérebro.

Mas tem uma solução. Qdo o doutor ainda tava no Instituto de Plausibilática de Tallinn, e tinha q ficar até altas hora no laboratório contanto bactérias infectada de hipoplausivírus nas placa de Petri, ele inventou um sistema de contagem q usa apenas uma sílaba por algarismo. Em português funciona assim, ó:

1-2-3-4-5-6-7-8-9-10 = u-do-tê-ca-ci-mê-sé-o-nó-dé (mê = 6, da palavra 'meia')

10-20-…-90 = dé-vin-tinta-canta-cinta-menta-senta-onta-nenta

Mas a segunda sílaba das dezena equivale ao algarismo zero. Então, contando de 40 à 60, por exemplo:

canta-caú-cadô-catê-cacá-cací-camê-cassé-caô-canó-cinta-ciú-cidô-citê-cicá-cicí-cimê-cissé-ciô-cinó-menta

Outros exemplo:

13 détê, 26 vimê, 39 tinó, 42 cadô, 55 cicí, 68 meô, 71 séú, 84 ocá, 97 nóssé.

E, como todo mundo, o doutor não diz as dezena qdo a contagem fica muito rápida:

udotêcacimêsséonóDÉ udotêcacimêsséonóVÍ udotêcacimêsséonóTÍ udotêcacimêsséonóCÁ &c &c

100-200-…-900 = zeno-duno-treno-quano-quino-meno-séno-ono-neno

Pra números maior,
mil = ki (de kilo);
milhão = mi.

Então, o número 7.418.529 fica sémí-quadéôkí-quivinó

9 sílabas no sistema plausível, contra 21 no tradicional.

Não foi ä toa q, enquanto o estudante Amônio cursava o InPlauTá, venceu todos campeonato de contagem bacteriana. Hoje, em suas pesquisa pelas rua contando lagartixas, äs vez o doutor lembra de seus tempo de estudante e nossé lágrimas de saudade brotam de suas dô nobre narina.

10 setembro 2011

Comentário à lenha

A saga deste blogue em busca dum sistema de comentários decente terminou com a derrota indiscutível, inelutável, ignominiosa e humilhante deste q vos escreve. Desde q começou, em junho 2003, o blogue usou Comentar, Haloscan e aquela merda de JS-Kit; agora tentei o IntenseDebate e o Disqus; testei outros; pensei em levar tudo pro WordPress, perdendo os comentário antigo. O blogspot não importa comentários, e nenhum dos incontado sistema importa à contento. Portanto, ¿quê fiz eu pra republicar no blogspot todos comentário desde 2003 até hoje?

Copiei-os e colei-os um à um, ä mão mesmo. Uma semana de trabalho, mais ou menos 6 horas por dia. Tendinite ä vista.

Infelizmente, quase 1% dos comentário se perdeu. Talvez tejam nalgum backup por aí.

Me incomodava sobremaneira q tantos comentário tivessem sumido pq um bando de idiotas fica tendo "idéias" pra "melhorar" a internet e criar "redes social" com a "sinergia" das mais moderna "ferramenta". E pra isso acham q têm q destruir o q já existe e funciona.

Sei q pouquizíssima gente tá interessada em ler discussões e debates de 5 anos atrás; mas fiz isso pq muito me ufano dos comentarista deste blogue e, catso, EU gosto de reler os comentário. Então (por enquanto) a solução foi essa.

05 setembro 2011

O cúmulo do típico

Qdo o epulótico Dr Plausível fala das diferença entre as língua germânica e as latina, e mais especìficamente entre o inglês e o brasilês, muito leitor sério acha q numa ele só vê perfeição e na outra só defeito. Mas não é assim. O português é uma língua muito bacana, estruturalmente muito mais sofisticada do q o inglês. E é justamente por isso –por ter se sofisticado à esse ponto dentro do âmbito duma cultura, pra expressar os significante típico dessa cultura– q o português tá fadado à jamais sair do banal, do corriqueiro, do fàcilmente sintetizável em fórmulas consagrada. O inglês é mais cru, mais modular, mais rígido, e é justamente por isso q é possível ir mais longe em inglês, descrever melhor o mundo, criar mais idéias, &c &c. É quase como a diferença entre um sistema analógico e um digital: a digitalização é um tipo de modularidade, e com ela é possível realizar coisas q nos sistema analógico são impraticável.

Em qqer língua, um problema é o exagero do típico.

Em inglês, é fácil ser explícito e preciso; daí q tende-se ä picuinha detalhista; si vc não tomar cuidado, pode se deixar levar pela facilidade com q produz frases clara, e aí vai soar pedante, patronising (um conceito muito inglês, este), e gastar saliva desnecessàriamente. Já em português, é fácil ser implícito e breve, e portanto tende-se ao formulaico nebuloso; si vc não tomar cuidado, pode se intimidar pelas dificuldade gramatical da produção de significado, ou pode se deixar levar pela preguiça de administrar tanta sofisticação gramatical, e aí vai resumir demais a mensagem e acabar tendo q confiar mais no contexto do q no significado cabal das palavra e das frase.

Olha só os dois cartaz hilariante abaixo, ambos redigido por impensantes escravo de suas respectiva língua: o primeiro –numa estação de trem em Londres– supõe uma burrice básica no leitor (a questão aqui é a frase "Except by means of the footbridge"); o segundo –numa lanchonete em SJC– indica uma preguiça sintomática no redator:



HAHAHAHAHAHAHAHA



HAHAHAHAHAHAHAHA

¿Preciso dizer mais?