22 agosto 2011

Res confessionali

The devil can cite Voltaire for his purpose.
Amônio Shakespeare

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Não sei si vcs sabem, mas o consultório de nosso eutrapélico doutor äs vez fica tão vazio q ele tem q fazer bico de marceneiro. Sesdia, ¿não é q acabou fazendo um servicinho no setor de biológicas do Mackenzie SP, a augusta instituição calvinista presbiteriana de ensino q há 140 anos resiste, persiste e insiste? Si vosso menino já tem dentinhos, vc pode colocá-lo numa cesta e deixá-lo no saguão do Mackenzie com a completa confiança de q –contanto q vc pague os olho da cara– daqui à 25 anos ele sairá de lá um homem feito, foito, harto, hirto, cauto, culto, lesto e testo. E si for menina, tbm. Nosso humanista conhece gente äs penca saída do Big M e, entre altas e baixos, constata q o Mac tem qualidades inegável como instituição de ensino –pq pô, né, além de custar uma fortuna, o currículo tem q seguir diretrizes nacional, né; não pode ficar ao Deus-dará.

Tampouco admira q apareça serviço de marceneiro numa instituição originada por um carpinteiro. Toda vez q carpinteiro faz bobagem, chamam marceneiro pra consertar. Mas foi só o doutor abrir a maleta, pegar o serrote e olhar em volta –tal como faz qqer um q pega um serrote– pr'ele cair na gargalhada qdo viu um aviso na parede. Olha, vcs podem elogiar a augusta aparência do doutor qto quiserem; mas ver um cara de metro e noventa segurando um serrote e gargalhando a glote num corredor de faculdote vai assustar até o calvinista mais supralapsário.

O aviso dizia o seguinte:

BIÓLOGOS
o melhor estudo para vocês.
BpB
Bate-papo Bíblico
Estude a Bíblia Conosco

bpmack.blogspot.com

¿¡¿O melhor estudo pra vcs?!?
HAHAHAHAHAHAHAHA

Como se vê, copiar idéia ruim de euaense tem longa tradição. Apesar de obrigatòriamente regida por diretrizes educacional laica, o Big Mac se compele à enxerir recadinhos bíblico –especìficamente à biólogos, nada menos– pra simular aqui o debate q há lá. Agradeçam novamente ao Anizio Teixeira, viu, pois pelo menos copiou uma idéia decente –e adicionou uma sua melhor ainda: o aval dum deus não é considerado prum alvará do Estado.

Um dos motivo pra essa diretriz é q escritor de livro sagrado costuma ser péssimo biólogo. Olha no Levítico 14:2-52, por exemplo, o método q Deus deu pra curar leprosos:

Pegarás dois pássaro. Matarás um deles. Molharás o pássaro vivo no sangue do morto. Salpicarás o sangue no leproso sete vezes. Libertarás o pássaro vivo. Matarás um cordeiro. Passarás o sangue dele na orelha, polegar e dedão do leproso. Salpicarás óleo sete vezes e passarás óleo na orelha, polegar e dedão do leproso. Repetirás o ítem anterior. Pegarás outros dois pássaro. Matarás um deles. Molharás o pássaro vivo no sangue do morto. Passarás o sangue na orelha, polegar e dedão do leproso. Com o mesmo sangue, salpicarás a casa do leproso sete vezes.

Sorry, mas isso é vudu.

HAHAHAHAHAHAHAHA

Então, si os mantenedor duma faculdade apóiam a mensagem de q "o melhor estudo" pra alunos de biologia é a Bíblia, licença pra gargalhar. Pq pô, né?

Pra se promover no cérebro, toda crença se vale de confusões lingüística, trocadilhos inconsciente, generalizações disfarçada, coisas do tipo. Por exemplo, olha só uma das primeira cláusula do contrato de prestação de serviços educacional q todo aluno superior do Mac assina:

2.1 – Ao firmar o presente contrato, o (a) CONTRATANTE [ie, o aluno] declara ter conhecimento do caráter confessional da instituição, com base no art. 20, inciso III, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.394, de 20/12/1996), regendo-se, portanto, pelos princípios da ética e da fé cristã reformada, comprometida com valores e princípios do Instituto Prebisteriano Mackenzie, entidade mantenedora da Universidade Prebisteriana Mackenzie (…)
[http://passosdomestrado.wordpress.com/2010/04/06/instrumento-contratual-de-prestacao-de-servicos-educacionais/]

Aquele "portanto" (grifo nosso) já é engraçadíssimo por si só; mas vejamos o q diz o tal inciso:

Art. 20º. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias:
(…)
III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas
que atendem a orientação confessional e ideologia específicas (…)

Leitor desavisado sai achando q escola confessional atende à ideologias específica. Mas nananinanão: quem "atende" à orientação confessional e à ideologia específicas são as pessoa física ou jurídica q instituíram a instituição, não a instituição em si. Então, ¿por que cargas d'água o aluno tem q declarar *em contrato* q já ouviu falar do "caráter confessional" dessa instituição, e q desse CC se depreende q ela se rege por princípios de ética e de fé duma vertente pós-medieval retentivo-anal do cristianismo q… q… ¡Êpa! ¿Será esse, o motivo? a economia das feze?

HAHAHAHAHAHAHA

Nosso ecumênico doutor reconhece o valor intrínseco da fixação na fase anal como algo à se elogiar sublimemente numa instituição de ensino, em particular numa obrigada à seguir os parâmetro do MEC. Pô, ALGUÉM tem q ter disciplina, né, ô?

Mas o parágrafo citado tem mais divertimentos. ¿É impressão do doutor ou realmente o contrato supõe existir algo q se possa chamar de "ética cristã"? Pra responder, vejamos outro documento –este livremente distribuído como folheto na Universidade Mackenzie– chamado "Liberdade de Expressão – Carta de Princípios 2011 do Mackenzie".

Apesar de encharcado de bom-senso-século-21 sobre a liberdade de expressão –q o doutor òbviamente apóia, pois não é bobo–, esse é um documento engraçadíssimo, de várias risada por parágrafo. É quase uma obra de arte, pela maestria com q a linguagem foi manipulada pra só conter entrelinhas. A entrelinha principal é q esse documento aparece na esteira duma longa luta de seu autor contra os direito civil dos homossexual, pela qual ele provàvelmente se viu direta ou indiretamente acusado de "incitar ódio". Note qtas vez nosso epidérmico doutor riu:

"(…) há outro elemento que não pode ser ignorado, o fato de que o ser humano … resolveu tornar-se independente de Deus e viver uma vida autônoma (!). O livro de Gênesis (3.1-24) registra (!) esse momento, que na teologia cristã recebe o nome de "Queda", termo que indica que essa busca de autonomia implicou em uma caída daquele estado original de liberdade de consciência e expressão (!!). Não que o homem tenha perdido essas liberdades – ele ainda as mantém. Só que tanto a sua consciência quanto a sua capacidade de julgar e escolher entre o bem e o mal, tendo abandonado a Deus como referencial (¡quê?), são inclinadas ao mal, ao erro, ao egoísmo (!). E como decorrência, sua expressão, embora livre, reflete essa tendência ao mal (!). Uma das manifestações do impacto da Queda na liberdade humana é a tendência de se procurar suprimir a liberdade dos que discordam de nós (!!). Os que professam a fé cristã devem reconhecer que todas as pessoas, inclusive aquelas que não acreditam em Deus e que têm práticas contrárias à ética cristã (!!), têm o direito fundamental de pensar e acreditar no que quiserem e de viver de acordo com suas crenças. Os cristãos entendem também que se manifestar contrariamente ao que pensam e fazem (!) essas pessoas não é incitamento ao ódio (!!!), mas o exercício desse mesmo direito fundamental."
[http://tempora-mores.blogspot.com/2011/02/carta-de-principios-2011-liberdade-de.html]

Então ¿agora o Éden era um "estado original de liberdade de consciência e expressão"? HAHAHAHAHAHAHAHAHA. Religioso é uma espécie de sanguessuga: qqer novo conceito criado independentemente da religião –e muitas vez em franca oposição à ela– é absorvido, pasteurizado e regurgitado sem o menor sentido ou lógica, só pra enganar incautos.

E sorry, augusta instituição, mas não existe "ética cristã" ou "ética muçulmana" ou "ética contábil". Existe ética; ponto. Aliás, não me venha falar de ética aqui gente q adora, promove e toma "como referencial" um deus q manda matar à torto e direito, inclusive crianças e bebês (veja, por exemplo, 1Samuel 15:3, ou Êxodo 11:4-7 e muitos outro). Muito cristão diz apaixonadamente q o deus do Novo Testamento é mais bonzinho q o do Velho. Mas não se engane: a "autoridade infalível" da Bíblia implica em q o deus do Velho Testamento é o *mesmíssimo* do Novo; e essa gente implìcitamente crê de pé-junto q a Suprema Autoridade do Universo pode à qqer momento, à seu bel-prazer, comandar um crente à matar e esquartejar criancinhas pra dizimar um grupo étnico q o desagrada.

Òbviamente, uma augusta instituição jamais promoverá o assassínio de criancinhas inocente. Primeiro q hoje isso é ilegal: dá cadeia. Segundo q manter as criancinha viva –de qqr grupo étnico– já provou ser muito mais vantajoso. Os vários professor decente de biológicas do Mackenzie assim como de toda instituição confessional –q fazem um trabalho digníssimo e coalhado de lutas diária– mereciam coisa melhor do q ter suas palavra abertamente descartada por seu próprio empregador. ¿Tou certo, ou tou errado?

"Ceux qui peuvent vous faire croire des absurdités peuvent vous faire commettre des atrocités" –ou algo assim. Voltaire

24 comentários:

Neanderthal disse...

Eu diria que:
1) O quadro em prol do BpB não reflete necessariamente a opinião da instituição - até porque a instituição é inanimada e não tem opinião. Muito provavelmente foi feita por um grupo de crentes.
2) A única razão para a clausula citada é impedir que um aluno entre com ações judiciais contra o Mackenzie pelo fato da sua administração seguir diretrizes cristãs.

Esse termo "supralapsário" me lembrou da teoria do desenvolvimento econômico. Max Webber escreveu um livro "A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo" que desvenda um dos fatores importantes do desenvolvimento, relacionado à crença na predestinação. É devido a esse fator que os países protestantes tendem a se desenvolver melhor do que os católicos. Para os protestantes supralapsários, como alguns dos colonizadores norte-americanos, Deus mostra, através do progresso pessoal, quem foi escolhido para adentrar o reino dos céus. Ou seja, as pessoas tem que visar o sucesso - leia-se "trabalhadores honestos". Além disso, precisam mostrar que "praticam o bem", ou seja, contribuem com a comunidade.

Já a filosofia católica prega o "perdão". Será que preciso expandir?

Arthur disse...

Mackenzie: Tradição e Pioneirismo na Educação.

Permafrost disse...

Derthal,
"A única razão para a clausula citada é impedir que um aluno entre com ações judiciais contra o Mackenzie pelo fato da sua administração seguir diretrizes cristãs."

No caso específico do Mackenzie, acho q isso não tem à ver com a administração, não. O Mackenzie é notório por ter vários professor de biológicas q abertamente inserem criacionismo em aulas de ensino superior. Pelas diretriz curricular nacional, eles não podem exigir isso em exames. Então há a possibilidade de o aluno questionar essas inserção como perda de tempo e tentativa de proselitismo em aula. Mas o contrato admitindo conhecimento do "caráter confessional" da escola pretende desestimular o aluno contra *esse* aspecto, não contra a administração q fomenta "papos bíblico". O q tentei demonstrar ali é q o inciso na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional explìcitamente define o "caráter confessional" da instituição à partir da crença de seus mantenedor, NÃO da instituição, NÃO do currículo ministrado. O artigo do contrato se baseia em –ou se vale de– um mal entendido. Pelas diretriz nacional, os mantenedor de instituição de ensino superior podem ter a crença q bem entenderem, mas eles *tem q dar* o currículo nacional. Qdo o aluno se formar, quem vai outorgar a certificação da CFBio é o Estado, e ele tem q garantir a idoneidade dos conhecimento do aluno.

"as pessoas tem que visar o sucesso"

E só por isso, o protestantismo já deveria ser indiciado por crime de lesa humanidade. :•D

Permafrost disse...

Arthur,
É isso mesmo: o quadrado triangular.

Crente tem uma espécie de ojeriza do próprio anacronismo, então ele tende a acochambrar o significado das palavras (a redefinição interesseira de palavras; em inglês, isso se chama humpty-dumptying) pra ele tbm poder se gabar de contemporaneidade. Na própria página donde copiei o trecho da Carta de Princípios, um leitor disse: "não existe nada mais revolucionário do que viver o evangelho." HAHAHAHAHAHAHA

Aposto q se virar moda professar algo positivo tal como "espética sugestânea", algum crente vai dizer q Abraão, Cristo ou Maomé foi o primeiro "espeta sugestâneo" da história.

Rafs disse...

" 'as pessoas tem que visar o sucesso'

E só por isso, o protestantismo já deveria ser indiciado por crime de lesa humanidade. :•D"

Rio muito. Também me desanimo um pouco. É triste e engraçado ao mesmo tempo.

Neanderthal disse...

"as pessoas tem que visar o sucesso"

"E só por isso, o protestantismo já deveria ser indiciado por crime de lesa humanidade. :•D"

Também acho uma merda, mas essa merda encoraja o desenvolvimento - e a sua falta é uma merda maior ainda. Pena que essa filosofia não tenha feito parte da história do Brasil, onde as pessoas são desencorajadas a estudar/trabalhar/produzir algo, mas são encorajadas a roubar e serem perdoados.

Rafs disse...

É engraçado com é que no Brasil as coisas sempre se distorcem das maneiras mais toscas. O protestantismo aqui sugou o perdão católico pra si e virou a última salvação pra quem tá na merda. Você pisou na jaca? Tá perdoado, venha louvar o senhor.

Neanderthal disse...

Não é qualquer protestantismo que afeta positivamente o desenvolvimento econômico e social. É apenas o protestantismo calvinista. Uma pena, porque se não, o Brasil certamente estaria no primeiro mundo.

Permafrost disse...

Derthal,
Bom, Weber era ele mesmo calvinista, então tem q ler o livro dele with a grain of salt. Eu acho o desenvolvimento o maior conto do vigário. Ainda mais conto do vigário pq o próprio calvinismo acredita em predestinação. Faz favor, né? Pro calvinista, Deus já elegeu lá atrás no começo do universo quem seria "salvo" e quem não; portanto, ao se considerarem "eleitos", qqer sucesso é esperançosamente visto como prova de sua "superioridade". O ideal calvinista é eles serem um bando de FDP muito parecido com a TFP lucrando abusivamente em cima do trabalho do povão. O máximo à q um calvinista "não eleito" poderia almejar é q no fim dos tempos Deus abra uma exceção pros q apoiaram os "eleito". Nesse ponto, prefiro muito mais a visão dos católico, –q sabem q a vida é uma merda, e q o desenvolvimento só existe pra trazer conforto fugaz e entretenimento.

Além de tudo isso, se vc olhar fundo no calvinismo, vai enxergar o francesismo pomposo e arrogante q o originou. Olha só algumas frase típica de calvinista:

La corruption totale; l'élection inconditionnelle; la rédemption particulière; la grâce irrésistible; la persévérance des saints.

Dá licença, né? Calvin tava de gozação.

O desenvolvimento baseado na ciência e no livre intercâmbio de idéias é realizado através da LÍNGUA q vc fala. Ponto. Fale uma língua germânica = desenvolva-se. Fale uma língua não-germânica = imite o desenvolvimento alheio. Note q nem em francês o calvinismo deu muito certo.

Neanderthal disse...

A teoria do desenvolvimento não se limita unicamente ao calvinismo. Trata-se de um dos fatores. Há outros tão ou mais importantes:
1) Acesso a financiamento para fomentar a ciência.
2) Radicalismo governamental que teve um papel no desenvolvimento "tardio" de diversos países.
3) Fatores geográficos.
4) A figura do "Empresário Shumpeteriano".
5) Instituições.
6) Educação.

Não me lembro de tudo, mas sei que Max Webber não é considerado teórico do desenvolvimento econômico, mas sim um sociólogo - um dos pais da sociologia - entretanto, seu trabalho foi analisado posteriormente dentro da teoria econômica.

Apesar do calvinismo ser um lixo, o desenvolvimento é bom. lembrando que "desenvolvimento" é uma coisa e "crescimento" é outra.

Não vejo porque a língua também não poderia ser considerada um fator importante no desenvolvimento. Talvez o seja mesmo. Podemos tentar ganhar o Nobel com essa teoria. A teoria "Plausível-Neanderthalesca". Que tal?

Arthur disse...

Existe alguma evidencia que a teoria do Webber ta certa mesmo?

Sobre a língua, a importância dela é quantificável não? Quer dizer, pelo menos a correlação dela com o desenvolvimento é quantificável, controlando pra outras variáveis importantes.

Podemos comparas os estados alemães pre-Alemanha, a Alemanha, a Áustria,a Holanda, a Bélgica, a Inglaterra, com outros países e ver qual o real efeito da língua. Será que existe já?

Neanderthal disse...

Arthur,

O problema é que, para ser precisa, a análise estatística pressupõe uma massa amostral maior de dados do que temos a disposição. Além disso, verificamos que a língua está correlacionada com o desenvolvimento, mas também com outras variáveis, entre elas o próprio protestantismo. Como separar o efeito de uma variável de outra? Como identificar "correlação" x "causa e efeito"? Ou seja, eventos podem estar correlacionados sem necessariamente haver uma relação de causa-efeito.

"É por isso que as pessoas estudam as matérias coadjuvantes da estatística" (Prof. Abraham Laredo).

A teoria de Webber foi desenvolvida à luz do século 19 e poderia ser classificada como análise "exploratória" de um fenômeno que foi observado. Suas conclusões são baseadas em avaliações muito mais qualitativas do que quantitativas. Depois, isso foi incorporado à teoria do desenvolvimento , que é em si uma "ciência social" bastante "qualitativa", fortemente calcada em análises históricas.

Permafrost disse...

Derthal,
Então. Mas, tal como comentei acima, o calvinismo não vingou nem na França, apesar de ter se originado dum francesante. A própria disseminação do calvinismo e do luteranismo se deu em línguas germânica, pois as cultura baseada nelas são mais afeita à minuciosamente seguir scripts de regras geral. Já as cultura baseada em línguas latina são mais afeita ao "cada caso é um caso", sem inferir regras geral. A ciência pós-iluminismo (ironicamente com contribuições substancial da cultura francesa) vem demonstrando q, entre os dois, o espaço mental criado por línguas germânica é mais eficiente pro desenvolvimento de confortos material e entretenimentos escriptado –os dois único objetivo do progressismo capitalista. Qqer pessoa ou cultura pêga nessa rede germânica vai identificar o calvinismo e/ou o luteranismo como ideologia útil e necessária, sem perceber q é tudo estruturado pela língua. O engraçadíssimo resultado é ver tanto calvinista, luterano e evangélico brasileiro falando brasilês e se deixando levar por scripts q mal podem ser expresso em português –ou seja, como bons latino, vão atrás da imagem e das frase feita, sem de fato serem capaz de recriar a substância (ie, o substrato lingüístico q estruturou essas ideologia).

Hilário.

http://drplausivel.blogspot.com/2007/03/mostruoso-texto-sobre-uma-pequena.html

Neanderthal disse...

Acho que você tem um ponto aí.
Podemos traçar um paralelo com o âmbito do direito. Os países latinos tendem a seguir a doutrina do "Direito Romano" (Roman Law), na qual há uma tendência de deliberar para "cada caso é um caso" e na qual os "enquadramentos" precisam ser bem descriminados no texto da lei. Já os países "germânicos", particularmente Inglaterra e Estados Unidos, o direito se baseia muito mais em regras gerais e na questão da jurisprudência, ou melhor, na questão de "interpretações" que são herdadas para casos posteriores em que pode ser traçada a devida analogia. É por isso que vemos em filmes americanos, naquelas cenas passadas em tribunais, citações do tipo "... lembrando que em 1959, no caso Johnsson vs. Mitchell a decisão tomada foi etc... etc... etc... ".

Voltando ao tema e para concluir: será que podemos dizer que "o calvinismo influencia positivamente o desenvolvimento, mas a língua, entre outros fatores culturais, tem forte influência na aceitação e disseminação do calvinismo"?

Permafrost disse...

Derthal,
Olha só a cultura brasileira se manifestando sobre Max Weber:

http://www.youtube.com/watch?v=RdVJxz3PDVc&feature=youtu.be

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAggggtóstósgngnnn

Neanderthal disse...

E assim caminha a humanidade, LOL.

Mas, realmente, o baixo nível educacional e falhas no processo de socialização são fortes barreiras ao desenvolvimento. Países que tiveram um desenvolvimento "tardio", em geral, contaram com elevada qualidade da educação - principalmente no ensino fundamental e médio, mas também no superior. Um exemplo disso é o Japão, que, na virada do século 19 a 20, possuía 99% da população alfabetizada. Isso é considerado um dos impulsionadores do seu desenvolvimento, junto com um relativo "radicalismo" político e acesso a crédito de fomento.
Uma coisa que mostra como a cultura japonesa se relaciona com o desenvolvimento foi a seguinte: após a 2a guerra, o estado distribuiu determinadas tarefas na reconstrução econômica que não seriam lucrativas para executar, mas que seriam comunitariamente benéficas - digamos, puramente como exemplo ilustrativo, "abrir uma bicicletaria no bairro X" ou "montar um serviço de coleta de lixo seletivo no bairro Y". Os japoneses brigavam para conseguir receber essas incumbências porque lhes daria um tipo de "reconhecimento" ou "respeito" da comunidade que o dinheiro não consegue comprar.

Permafrost disse...

Derthal,
Então. A gramática japonesa é super fácil e quase não tem exceções. Ou seja, é ainda mais rígida do q a das língua germânica. Nas latina, particularmente no português, vc aprende estruturas episòdicamente:

• "Veio uma carta pra vc." mas "A carta veio sem remetente."
• "¿Com quem vc não quer ir?" mas "¿Quem vc não quer ir sem?"

&c &c &c &c

Por ter uma estrutura simples e rígida, o japonês facilita a expressão de idéias nova e revolucionária, q são montada modularmente –coisa muito mais difícil de realizar numa língua episódica e cheia de regras como o português. Foi a língua japonesa o q permitiu a assombrosa ascensão econômica do Japão.

A fácil criação e adaptação de idéias nova tbm dá ao japonês uma característica q compartilha com as língua germânica: a criação e aceitação corriqueiras de palavras nova, especialmente palavras trazida pelo inglês:

bīru = beer
suriru = thrill
tīkappu = teacup
baketto = bucket
ōtobai = motorbike
esukarētā = escalator
heddohon = headphone
hankachi = handkerchief
toirettopēpā = toilet paper
suchuwādesu = stewardess
kurisumasutsurī = Christmas tree

Agora vai falar disso pro Aldo Rebelo ou pros NoCuísta de plantão, pra ver o q eles acham.

Neanderthal disse...

Em português, particularmente no Brasil, temos uma excelente aceitação de novos termos:

budget,
performance,
deadline,
empowerment,
real time,
gap analysis,
top down,
go to market,
turnkey,
share of the mind,
drill down,
off line,
end to end,
downsize,
deliverables,
update.

Quer melhor que isso?

Permafrost disse...

Derthal,
Esses termo têm todos à ver com empresas e tecnologia, com inovações internacional do mundo dos negócio. Mas pô, ¿¡¿japonês ter um termo estrangeiro pra coisas corriqueira como 'xícara de chá'?!? pra 'balde'?!?

Outras:
basu = bath
kappu = cup
bōifurendo = boyfriend
shottō katty = shortcut
redī fāsuto = ladies first

Veja mais aqui: http://tinyurl.com/3nu3u6k

A questão q tou enfatizando é q o japonês é muito mais receptivo pra termos estrangeiro do q o português, e produz uma cultura mais rica, *porque* tem uma semântica analítica numa estrutura 'pobre', enquanto q o português tem uma semântica sintética e é comparativamente 'rico' em estruturas. Ou seja, é mais fácil ser claro e descritivo em japonês do q em português; é mais fácil focar no q tá de fato sendo dito sem o ruído do "como" tá sendo dito. ¿Vc realmente acharia possível q um país super-produtivo e super-populoso numa ilhota maltratada pela natureza se organizasse em português? Sorry, not possible. Aliás, já foi tentado…

Arthur Golgo Lucas disse...

Plausível, se tu acreditas mesmo nisso tudo que disseste sobre a estrutura da língua alavancar o desenvolvimento, então tu tens que te tornar o maior entusiasta do Esperanto desde Zamenhof.

Permafrost disse...

Golgo,
Muitos e muitos ano atrás, me deu vontade de estudar Esperanto. Depois, passou. Agora seria um empreendimento em q não botaria fé –ainda mais pq o nome já me dá irque; o próprio doutor já identificou essa doença perniciosíssima, a esperancite:

http://drplausivel.blogspot.com/2004/02/alis.html

Arthur Golgo Lucas disse...

HAHAHAHAHA!!!

Plausível, VONTADE E EMPENHO é o que mantém o Esperanto vivo. Não te deixa enganar pelo nome aparentemente sonhador da língua, porque originalmente não era esse!

O nome original do Esperanto era LINGVO INTERNACIA (pronúncia: língvo internatsía). Quem se chamava "Doktoro Esperanto" era o próprio Zamenhof, criador da língua, que escolheu esse pseudônimo meio em cima da perna, por falta de coisa melhor.

Aí a Lingvo Internacia - nome horrível - começou a ser chamada de "língua do Doktoro Esperanto", que foi encurtado para "língua do Esperanto" que virou "língua Esperanto" e aí sumiu o "língua" e ficou só Esperanto mesmo, do mesmo jeito que se fala língua portuguesa ou apenas português.

Pracimademoá disse...

Perma, esse texto aí, sobre o Mackenzie, seria absolutamente genial, histórico e memorável... se você não o tivesse maculado com essa infantilidade inacreditável de escrever em língua própria inventada. Pelamãedrogada, quanta vergonha alheia! Eu precisava muito recomendar este blogue para uns tantos amigos e conhecidos, uns inteligentes que se divertiriam muito e outros hipoplusibiléticos que talvez tenham alguma chance de tratamento. Mas com esse dialeto, não, sem chance. É muito constrangimento.

Que grande lástima. Essa história toda do Mackenzie é de esbugalhar os olhos.

Permafrost disse...

Demoá,
¡Bem vindo de volta!

Mas ah, vai, não tá tão ruim assim. Só tou economizando numas letrinha no final dumas pouca palavra. É só ler tal como vc ouviria um sotaque. E si vc achou "absolutamente genial" (¡obrigado!), então já tá ótimo…

É só dizer pra vossos amigo: "Ói, o blogue tá em dialeto, mas tem umas coisa absolutamente genial." :•D

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