26 maio 2011

Ponto & ação

Pelamãedoguarda, nestas última semana nosso êufono doutor só faltou peidar o Hino de tanto rir. ¿Viram o bafafá todo sobre o livro do MEC? Catso. ¡Como tem palhaço no mundo, e como tem gramático amador neste país! Um hipoplausibilético fala do assunto num saite do iG, e o Brasil inteiro vira um trololó amorfo.

Qdo o assunto é o brasilês, é assustadora a velocidade da perna depois q bate o martelinho do certo-e-errado. Tem algo de traumático aí —tipo, qdo o assassino começa à suar frio só de ver um moleque fantasiado de guarda rodoviário. Todo brasileiro sabe q não fala como escreve, q o brasilês tem uma discrepância hipócrita e esquizofrênica entre o falar e o escrever. Então. Dum artigo no iG ä tevê, foi um relâmpago. Antes de se lançar numa diatribe pré-redigida seguindo as regrinha e lida no teleprompter, um tal de Alexandre Garcia demonstrou como *realmente* fala:



Se pra ele a NoCu é tão essencial pra “vencê na vida”, é de se perguntar como é q ele venceu falando assim em público. ¿E aí, Xandim?, contaê pa turma comé q foi.

HAHAHAHAHA

Òbviamente, “falar errado” significa “falar como 99,9% da população brasileira, q não segue as regra de concordância lavrada pela NoCu”. Mas pros NoCuísta, “falar errado” é um eufemismo pra “falar soando como pobre anarfa”. Freud explica: o ego soa como pobre anarfa e o superego procura à todo custo reprimi-lo e sublimar o conflito num surto psicótico normativo.

Se vc conhece a —HAHAHAHAHA— polêmica, dá uma lida no texto q (teòricamente) a originou.

http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf

Lendo isso, vc pode confirmar q o circo inventado e erguido pela imprensa não tem *NADA* à ver com o q é dito no livro —q é excelente, como a maior parte do material do MEC, e usa exemplos de português popular *justamente* pra auxiliar no ensino da “norma” “culta”. O máximo à q chega é responder ä pergunta: “¿Posso falar ‘nói vai’?” A resposta é “Claro q pode.” querendo dizer “Vc não vai ser preso por dizer ‘nói vai’; vc PODE tbm passar o resto da vida repetindo ‘gugugú-gogogó’ à cada 30 segundos: vc PODE; e PODE tbm sentar num formigueiro de saúvas cantando ópera, e PODE fritar um ovo podre todo 15 de fevereiro: não há nenhuma lei contra essas coisa.” Aí os paciente terminal da imprensa pegaram o “vc pode” e interpretaram como uma autorização do PT à *ensinar* ‘nói vai’ como padrão.

HAHAHAHAHA

Devia-se ensinar ‘nói vai’, mesmo. É claro e suficiente.

O q mais diverte nosso êufono doutor é ver tanto gramático amador defendendo a “norma” “culta”. O executivo diz em casa: “A gente vai querê umas déiz. Déiz tá bão, né?”; mas numa reunião com clientes, pra demonstrar q domina a NoCu à outros q tampouco a dominam, diz: “Eu acho q nós vamos querer dez. Dez são o bastante, não?” Se *realmente* dominasse, diria o estrupício: “Quereremos dez, creio. Dez bastarão, não bastarão?”

HAHAHAHAHAHAHA

Mas não é nem disso q o Dr Plausível mais ri.

***Prestenção agora.***

¿Qdo é, minha gente, QUANDO É, meus leitor, *QUANDÉ* q todo esses caga-regra normativo, esses cretino ortográfico, esse contingente continental de gramáticos amador vai perceber q o importante, o essencial, o sine-qua-non na comunicação escrita inteligente, clara e suficiente NÃO É A ORTOGRAFIA NEM A CONCORDÂNCIA VERBAL, NOMINAL OU ESCAMBAU; É, SIM, APENAS E TÃO-SÒMENTE A PONTUAÇÃO?

A pontuação, gente. Existe um remédio contra a hipoplausibilose q ataca toda aula de português NoCu neste país, todo cérebro empanturrado de regrinhas imprática, todo bacamarte em pânico achando q a lógica da língua tá na concordância e tendo surto psicótico toda vez q alguém fala em “linguagem popular”. Esse remédio se chama FOCO NA PONTUAÇÃO.

Observe bem o parágrafo abaixo; o único problema nele é q o autor não tem em seu vocabulário as palavra ‘cateto’, ‘hipotenusa’ e ‘ao quadrado’:

“Ói, ¿sabi aqueis triango q tem um canto quadradin? Ce vai vê q os dois lado q fais o canto quadradin são mais curto q o lado do otro lado. Aí, ói só: si ocê midí os lado tudo, ce vai vê q, si ocê murtipricá o cumprimento dum dos lado mais curto por eli memo e murtipricá tamén o cumprimento do otro lado mais curto por eli memo, e aí ocê somá uma murtipricação mais a otra, o resurtado deça conta é a mema coisa q si ocê murtipricá o cumprimento do lado mais cumprido por eli memo.”

CQD.

Não há absolutamente NADA de errado ou inconsistente no parágrafo acima. De não-convencional, pode ser. Mas ¿e daí? Vc, leitor, é uma pessoa única no mundo; milhões de coisas em vc não são convencionais; e teu cérebro tem direito, até obrigação, de expressar o q ele É —não apenas o q tá em concordância com as convenção. Vc PODE.

E aí, surge do nada um GIGANTESCO e iradíssimo pânico nacional sobre ‘os livro’ e ‘nói vai’, e ninguém (NIN-GUÉM) fala do essencial prä transmissão lógica do pensamento pela escrita, q é a pontuação.

Ô país formalista, viu? Ô bando de trouxa. Ô gente obedientezinha. Nos Euá, a frase “Yes, we can.” elegeu um presidente negro; no Brasil, a frase “Claro q pode.” vira um escândalo nacional. Não, vc não precisa colocar todos pluralzinho nos lugar certinho, não precisa transformar uma frase numa série rocambolesca de arabescos rococó, tipo “Oss meuss livross francesess verdess foram vendidoss amarradoss todoss juntoss.” —q reflete com certeza a idéia portuguesa de beleza:



Vc só *precisa* dizer e escrever “Meus livro francês verde foi vendido amarrado tudo junto.”

O brasileiro, se tomasse plausivirol, faria o q tem q ser feito pra curar o brasilês dessa esquizofrenia do “escrever é diferente de falar”: mandar as regra de concordância e as convenção ortográfica prä PUTÍSSIMA QUE AS PARIU.

HAHAHAHAHAHAHA

A partir de hoje, este blogue vai publicar todos plural sem os arabesco inútil e patético da concordância.

25 comentários:

Maria Isabel disse...

Vc que é profe de ingles...Como faria para ensinar a um falante de outro idioma, o NOSSO idioma, se não fossem as regras gramaticais? Como um executivo estrangeiro que aprendesse portugues em alguma escola de línguas em seu país (com toooodas as regrinhas) entenderia o objetivo de uma reunião de sua filial no Brasil se os outros executivos se expressassem apenas pela norma popular?? Tipo assim: Tamu reunidu aqui pra resorve indondi apricá us lucru tudu. Ceis tem argum pitaco pra dá?? (ah, e claro, usariam giria também, já que ela faz parte da fala popular). Responde pra eu, fafavor.

raf disse...

Hahaha

Maria

Qual o problema nessa frase? E qual o problema com gírias? Todo mundo usa gírias constantemente. Não só adolescente.

Dr.

Isso me lembrou um vídeo do college humour:

http://www.youtube.com/watch?v=N4vf8N6GpdM
(Grammar Nazis)

Primeiro pensei que deviam fazer o mesmo que acontece no vídeo. Mas depois fiquei com dó. Ô povo sem noção.

Permafrost disse...

Isabel,
Primeiro q o ensino duma língua pra estrangeiros é uma situação TOTALMENTE diferente do aprendizado natural duma língua. Então, não se aplicam os mesmos parâmetros.

Segundo, q se ensina português a estrangeiros do mesmo jeito q se ensina inglês, turco ou venusiano: começa-se com as frases mais comuns e se as pratica como fórmulas associadas a situações. As fórmulas se transformam em quase como unidades de vocabulário: "tamo reunido aqui" é ouvido como a palavra "tamoreunidoaqui". Aluno não suporta aula de regrinhas, e ensiná-las *não adianta absolutamente NADA* pro aprendizado; só atrapalha, pq o cérebro não usa regrinhas pra falar: usa associações e percepções estatísticas. Essa frase "popular" q vc apontou aí tá perfeitamente correta, e qqer falante fluente de qqer variante de português é capaz de entendê-la. Não é essa, a questão. O estrangeiro tem com o brasilês o mesmíssimo problema q o brasileiro tem com o estrangeiro, q é a velocidade q o fluente tem ao aplicar fórmulas. Ontem eu tava numa loja de ferragens, e ouvi um capiau dizer pro atendente: "euquÉraquépécInquipõenamÁqdassáfrÃ". Esse mesmo falante certamente é capaz de dizer uma palavra separada da outra: "eu quero aquela pecinha que põe na máquina de assá frango". Mas pro NoCuísta, a fluência assombrosa dele não vale nada; o NoCuísta só insistiria q tá "errado" dizer "pécInquipõenamÁq". Ele diria q o correto, de acordo com a tia Norma, é dizer "pécInquisipõenamÁq". Pra mim, o capiau taria perfeitamente justificado em mandar o NoCuísta pro inferno por sua empáfia, enxerice e desrespeito —e tbm por sua ignorância proposital dos mecanismos naturais da língua.

d'uso disse...

A frase do seu exemplo, Maria Isabel, está gramaticamente estruturada. Só tem um certo sotaque, por assim dizer. O seu executivo estrangeiro que tivesse aprendido português poderia ter alguma dificuldade em entender esse sotaque, mas ninguém pode esperar que todo falante de uma língua estrangeira tenha o mesmo sotaque de seu método ou professor. Se um executivo brasileiro for a uma reunião no Alabama ou no Alentejo, por exemplo, ele provavelmente vai escutar um equivalente da sua frase e vai demorar um tempinho pra se acostumar.

Permafrost disse...

raf,
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Tem q mostrar esse vídeo pra todo NoCuísta q reclama da "educação no Brasil".

E se eu tivesse com tempo, faria um vídeo do tipo "Hitler reacts", tipo "Hitler reage ao livro do MEC".

Pracimademoá disse...

Also sprach Permafrost:

"Aluno não suporta aula de regrinhas, e ensiná-las *não adianta absolutamente NADA* pro aprendizado; só atrapalha, pq o cérebro não usa regrinhas pra falar: usa associações e percepções estatísticas."

Fale por você. Eu aprendi inglês e francês só na base da regrinha. Meu francês é pobre, abandonei os estudos, mas é correto, e meu inglês é perfeito. Já fui colaborador de um site americano, não só escrevia artigos como corrigia os artigos dos outros articulistas antes que fossem publicados.

Meu português é nativo, não podia ser diferente, mas aprendi praticamente todas as regrinhas da língua portuguesa além da falância nativa descompromissada e levo por aí fama de escrever bem. Há até quem ache que eu falo bem, com distinção.

Já espanhol eu ouvi muito na vida por contato com falantes do espanhol, mas como nunca estudei, dou vexame toda vez que me atrevo a falar.

Você pode não gostar de regrinhas, é direito seu, mas o seu jeito de aprender não é o único.

Quem não aprender sintaxe, onde começa e termina uma oração, ou seja, quem não for capaz de apreciar a língua como ***um código*** (pois é isso mesmo que ela é) tem pouquíssima chance de escrever com clareza.

Português é rococó? Bem, alemão é complicado pra caralho, e da Alemanha vieram muitos dos maiores filósofos da era contemporânea. A complicação do alemão não atrapalhou o raciocínio dos filósofos. Comparação razoavelmente semelhante poderia ser feita sobre como os anglófonos são práticos, modernos e avançados (como você vive alegando), mas são notoriamente "tapados" em muitas atitudes. Não têm o traquejo, o poder de abstração, o "think out-of-the-box" que a brazucada tem em inúmeras situações.

E afinal, os plurais formados com abundantes "esses" estão igualmente presentes em francês e espanhol, e francês também não fala como escreve, usa gíria aos montes... E daí? Francês também é rococó? Ou estão perdoados porque têm a bomba atômica e bebem vinho no almoço em vez de Tubaína?

São muito deficientes essas suas teorias sobre uma suposta relação entre características da língua portuguesa e o atraso do progresso brasileiro. Se a língua não agrada o seu gosto, ok, sem problema. Mas, como se dizia na minha juventude, o cu não tem nada a ver com as calças.

Maria Isabel disse...

Li sua resposta, caríssimo Permafrost...e continuo achando que vc "tá" inventando moda...tsk, tsk, tsk. Fico com o portugues cheio de regrinhas mesmo! Bemmió!

Permafrost disse...

Demoá,
Tou preparando um texto em q falo mais aprofundadamente desses problemas do português.

Sobre aprender outras línguas com as regras… Hm… Pra pessoas q já têm uma cabeça voltada pra gramática, sem dúvida ela é uma boa ferramenta auxiliar no aprendizado de língua estrangeira. A maioria das pessoas quer ver a gramática de costas no horizonte em viagem ä Mongólia. E tbm é altamente duvidoso de q por 'regra' vc teja querendo dizer o mesmo q eu, nesse contexto. A gente aprende outra língua com leitura dicionário exercício prática leitura dicionário exercício prática centenas e centenas de vezes, até assimilar "o outro". Além disso, o inglês q vc fala deve ser diferente, e pra propósitos diferentes, do falado no dia-a-dia de inglesantes; deve ser um inglês mais formal, menos lúdico, mais rígido.

Tbm preciso esclarecer uma coisa já esboçada em outros textos aqui: não sou fã do progresso, do desenvolvimento &c. Qdo muito, sou meio ambíguo: gosto de ciência, de conhecimento, de tranqueiras tecnológicas &c, mas *DETESTO* as condições necessárias pra q essas coisas apareçam, em particular a superpopulação e suas conseqüências. Como já disse, "a pobreza é o estado natural do humano"; prefiro muito mais o mundo como era (fìsicamente, não polìticamente) entre 1920 e 1960 —um estado de coisas em q as inadequações do português não faziam muita diferença. Então, qdo falo do "atraso brasileiro", é tirando sarro de quem *é* fã do progresso, de quem acha possível o português "norma" "culta" de hoje ser a língua de algo mais do q um país vassalo, imitativo e consumidor de idéias. Bom, isso incluiria vc, né? Mas é na boa. Nunca jamais qqer coisa dita neste blogue fez, faz ou fará diferença.

Permafrost disse...

Isabel,
"Fico com o portugues cheio de regrinhas mesmo!"

Claro, vá em frente. ¿Quem sou eu pra prescrever a vc como se relacionar com tua língua?

A questão do "preconceito lingüístico" é q nem vc nem NINGUÉM tem direito a precrever ao outro como se relacionar com sua língua, *ainda mais* qdo vc mesma não domina aquilo q prescreve: é como vc ter um objetivo ainda não alcançado e prescrever q os outros *tbm* tenham esse objetivo.

Sesdias, me diverti muito discutindo com um tronho no YouTube. Quase *toda* réplica dele continha "erros" de NoCu, e ele insistia e insistia q a NoCu é o máximo, q o MEC tá errado, q ele teve professores ótimos, &c &c. Se vc tiver tempo, o linque é este:

http://www.youtube.com/all_comments?threaded=1&v=ZLggVRBEnzY

Veja as discussões com um cara chamado "williamdore2009". Ele é um exemplo de todas essas pessoas q tão por aí contra o livro do MEC sem saber um pingo de i sobre o assunto.

Neanderthal disse...

Se quiser discutir gramática, ou se quiser usar o umlaut onde deveria haver uma cráse tudo bem; mas, convenhamos, desenvolvimento econômico não é a sua praia.
"Ne sutor supra crepidam." Ou, "não vá o sapateiro acima da sandália."

Não confunda "desenvolvimento econômico" com "crescimento econômico". Ambos são interligados, mas não a mesma coisa. Desenvolvimento não depende de superpopulação. A Europa, por exemplo, apresenta declínio da população, principalmente em alguns países bastante desenvolvidos.

Particularmente, sou a favor do desenvolvimento. Veja um pequeno exemplo: hoje posso gravar meu grupo de rock em 36 canais e mixar isso, obtendo resultados de qualidade, apenas com um notebook e uma interface USB, que me custaram uma ínfima fração do que teria custado no passado num estúdio como o Mosh, usando um equipamento de gravação em fita de 24 canais, uma mesa soundcraft automatizada, rack de efeitos etc waves.

Permafrost disse...

Derthal,
Pra mim, achar q, pq a população tá minguando nalguns lugares mais desenvolvidos da Europa, então o desenvolvimento não depende de aumento populacional, é como achar q Alphaville é um lugar desenvolvido q não depende da proliferação de favelas em volta. Se alguns países menos populados parecem mais desenvolvidos agora é pq, com o dinheiro ganho no passado, eles concentram mais investidores do q outros países, e a produção atual de seus bens vem sendo terceirizada pra países em q a população tá aumentando. Ou seja, *sempre* é o aumento populacional. Não precisa ser no mesmo país em q se vê o desenvolvimento.

O corte nos custos é uma ilusão: parece q a população duplica mas o preço das coisas é um décimo de antes. Mas tem mais duas variáveis aí:
(1) o q é produzido hoje tá nas costas do q foi produzido ontem, resulta dum acúmulo; ou seja, o ferro duma mega-máquina q uma indústria tem hoje foi extraído 5, 10 anos atrás; a maior parte da tecnologia deles vem sendo desenvolvida desde 100 anos atrás; &c.
(2) os produtos hoje duram MUITO menos do q os de antes; pega, sei lá, uma máquina de costura caseira: tem Singers de 50 anos atrás ainda funcionando, mas as produzidas hoje tem a maioria de suas peças feitas de plástico q duram uns 5 anos, com a mesma taxa de uso.

Então, em parte vc tá certo: não é SÓ o aumento populacional; é tbm o aumento de produtos cada vez menos duráveis, ou seja, o aumento de lixo: a tranformação do conceito de *posse* dum objeto pelo conceito de *aluguel* dum produto. Tou dizendo: não sou fã do progresso. E tem outra: o mesmo progresso q te possibilita gravar teu roque perfeitamente em casa é o progresso q possibilita a meu vizinho me aporrinhar a toda hora qdo ouve sertanejo no último volume num estéreo de qualidade q ele pagou baratíssimo mas só vai durar 3 anos.

¿É ou não é assim?

Agora, fala mais desse programa aí. ¿Que é q vc usa?

Neanderthal disse...

"Progresso" é uma coisa, um jargão muito usado por governos autoritários. "Desenvolvimento" é outra coisa, tem um significado dentro das ciências econômicas que você deveria pesquisar.

Lista do equipo mencionado:
- Note Acer Aspire 5745-5387, equipado com HD Seagate Momentus 500GB, 7200RPM.
- Interface USB Roland UA-101 com 10 canais simultâneos.
- Software: Reaper (http://www.reaper.fm/)
- Plugin de reverb freeware: SIR2 Christian Knufinke
- Outros plugins VST diversos freeware.
- Mics Overs e proximidade de tambores: Naiant. Mic Beta-58 do vocalista.

Pracimademoá disse...

PARTE 1/2:

Segundo Permafrost:

"Além disso, o inglês q vc fala deve ser diferente, e pra propósitos diferentes, do falado no dia-a-dia de inglesantes; deve ser um inglês mais formal, menos lúdico, mais rígido."

Errou de novo. Sou profundo conhecedor de gíria e inglês coloquial... porque faz parte da regra! Faz parte do código. Sempre soube disso, então tratei de estudar o código inteiro. Quantas vezes já não brinquei aqui com você, saltando de um registro para outro? Faço isso em inglês também se aprouver.

Mas sei que gíria também é código, uma ferramenta. Mania chata que as pessoas têm de achar que gíria não é código nem é formal só porque a gíria é mais ishperta, malemolente, malandrinha e safadinha (ou mais "lúdica" como você preferiu eufemizar)! É código, nem melhor nem pior que a escrita empolada dos advogados.

"A gente aprende outra língua com leitura dicionário exercício prática leitura dicionário exercício prática centenas e centenas de vezes, até assimilar"

É assim, mas não é bem assim. Já ensinei inglês para algumas pessoas. Todo esse sofrimento aí é porque se ensinam as regras erradas. Existe muita miopia e astigmatismo no ensino e aprendizado das línguas.

Outra coisa importante é que língua é comunicação. Boa comunicação é aquela que ressoa e opera dentro da cabeça do outro, do interlocutor, não da sua. É como sexo: se você fizer um sexo que preste, vai se ocupar tanto ou mais dos mecanismos do corpo e do prazer do(a) parceiro(a) do que só com o seu. Você roda o projetor aí, na sua salinha de edição e projeção, mas é na tela do interlocutor que ele vai ver o filme.

(a) Essa sua mania de achar que norma culta traz conflito com o pensamento;
(b) sua mania de querer que a língua seja "lúdica" (gostei do eufemismo!);
(c) sua intransigência ao ponto de inventar um código próprio (trema em lugar de crase u.s.w.);

me dizem que você tem excesso de interesse em brincar (o tal do "lúdico") com suas próprias idéias, próprios pensamentos, na sua própria língua, quer estrelar o próprio filme; tem menos interesse do que deveria em comunicar, falar a língua do grupo, aceitar e usar o código que se convencionou para comunicação do grupo. Você quer imprimir seu próprio dinheiro, hastear sua própria bandeira, cantar seu próprio hino, marchar ao ritmo do próprio tambor, como dizem os gringos.
(...)

Pracimademoá disse...

PARTE 2/2:

Escute. Consulte qualquer mapa decente. Veja como há vários desenhinhos minúsculos espalhados por todo o mapa. Repare que o mapa tem um espaço no canto que revela o significado de cada desenhinho. Aquilo se chama CONVENÇÃO. Você há de convir que aquela explicação torna a leitura do mapa MUITO mais fácil. Sem ela, o usuário do mapa teria que ficar quebrando a cabeça, decifrando o significado de cada desenhinhoinho.

Língua é convenção. A população mundial está perto dos 7 bilhões de indivíduos. Imagine se cada um desse monte de filhos da puta puder conceber e impôr sua própria língua, que pandemônio o mundo seria. Sim, porque você não acha que só você, cover de Hugo Chavez, pode, mui ludicamente, inventar e impôr sua própria língua, acha? Não, sinhoire! Se tu podes, o mundo todo também pode. E então ninguém mais se entende nem pra dar bom-dia.

Eu também podia brincar de Marcelo, Marmelo, Martelo, ficar inventando meu código particular numa punheta mental bem gostosa e provar o óbvio: que o código poderia ser diferente. Na verdade, fiz isso no tempo de escola, quando não existia computador e criptografia à disposição do populacho como existe hoje. Inventei uma escrita bem diferente, para que ninguém pudesse ler minhas anotações. Aí sim, né? Se meu objetivo era IMPEDIR a comunicação, eu estava indo na direção certa. Mas, para nos comunicarmos, todo mundo tem que entrar no esquema. Não tem outro jeito. É um código, e não pode ser secreto. Graças a esse código, dois panacas podem ficar discutindo e se entendendo, mesmo discordando. Aliás, discordar é entender.

Ô, criança chatinha que você é. Venha cá, que vou escrever um bilhetinho para os seus pais. Espere só até eles verem o seu boletim.

Neanderthal disse...

Pracima:
1) Quando você diz que a gíria também faz parte da regra, de certo modo você defende o autor do referido livro. Então se você tá a favor, o Perma tá contra?
2) O nome do quadro no cantinho do mapa é legenda. Eu devo saber, porque tenho experiência na confecção de mapas.
3) Essa brincadeira de inventar uma língua me lembrou da primeira vez que experimentei maconha quando adolescente. Um gringo, um amigo e eu ficamos horas criando e tentando falar uma nova língua, cujo vocabulário girava em torno de "peitos", "bundas" etc....hahahaha.

Permafrost disse...

Demoá,
Tava sentindo tua falta. Voltou em plena forma. Obrigado.

Vc interpretou 'lúdico' como 'giriesco', mas meu sentido foi outro: eu quis dizer q vc certamente brinca menos dentro do inglês do q um inglesante brinca —ora imitando sotaques de certas regiões ou pessoas pra enfatizar certas mensagens (em particular geopolíticas), ora criando palavras pra dizer algo não previsto no cânone ou mesmo fora da gíria, ora "errando" de propósito pra fazer uma piada com sons parecidos, trocadilhos &c &c. Há muitas maneiras de ser 'lúdico' q nada têm a ver com gíria. Meu uso de 'lúdico' nada tem de eufêmico.

Sim, a língua é um código. Mas ela não existe SÓ pra expressar idéias &c com clareza. É um código usado pra confundir o interlocutor tanto qto pra esclarecê-lo.

Tenho grande apreço por convenções. Vc deve conhecer o texto do Stephen Fry naquele vídeo q termina com ele dizendo "Context, convention and circumstance are all." Nada mais sensato e irretocável; eu não discordaria disso nunca. Se não conhece o vídeo, veja aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=J7E-aoXLZGY

Mas tbm concordo com TODAS as outras coisas q ele diz (claro, são coisas q eu mesmo digo). Em particular prestenção em duas:
• no q ele diz sobre os diversos prazeres da língua. ESSE é o pior defeito da NoCu: o único prazer q ela dá é o estético —e mesmo assim, com exceções: veja, por exemplo, "quereremos dez" (coisa feia).
• nos "erros" q os puristas inglesantes tentam corrigir nos outros: quase *todos* eles não são erros formais mas semânticos, tais como "five items or LESS"; em português, quase *ninguém* fala desse tipo de coisa; ninguém percebe, por exemplo, a redundância semântica ridícula em dizer 'o meu pé' (em vez de 'meu pé'); ou seja, pro NoCuísta de português, apenas a FORMA importa e é por isso q os dicionários de português tão repletos de definições vagas, indistinções entre palavras e sinônimos inúteis (pq, pelo uso indiscriminado, aos poucos seus significados vão coincidindo); os NoCuístas de inglês tão vários níveis acima pq ninguém nunca regulamentou o inglês (e levaria bordoada, se tentasse) e a ênfase da correção é quase sempre na semântica.

Se cada um falasse sua própria língua, não seria pandemônio nenhum. Esse é um pânico infundado; é como dizer, "Oh, se liberar o casamento homossexual, ¡daqui a pouco vai ter gente querendo casar com chimpanzé!" A língua é um mecanismo auto-regulatório —não precisa ninguém baixar decreto. Tão aí no mínimo 10 mil anos de história pré-normatização pra provar.

E ¿não é super-legal eu PODER "hastear minha própria bandeira, cantar meu próprio hino, marchar ao ritmo do próprio tambor"? Pode ser imprático em certos contextos; mas ¿daí a reprimir isso por ser anti-convencional?… I don't think so. E ¡longe de mim me prescrever a outros! Se alguém adotar minhas convenções, provàvelmente não vou gostar.

Permafrost disse...

Demoá,
Note q o Stephen Fry diz "That's an issue of fitness or suitability; it has nothing to do with correctness." ¿Lembra algum livro do MEC?

Isto tbm é interessante:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,mesticagens-da-lingua,722281,0.htm

Neanderthal disse...

Claramente o Stephen Fry, nesse vídeo, segue 99% das regras da língua inglesa, caso contrário, não conseguiria expressar claramente os seus pontos de vista complexos.

Permafrost disse...

Derthal,
Há uma certa confusão sobre o q quer dizer 'regra'. Gramática é uma coisa, e regra gramatical é outra. Se o Juca Marão diz "Nói vai cumê as batata.", ele tá seguindo uma gramática e, a partir dela, é possível inferir regularidades, e dessas regularidades instituir regras, de modo q dessas regras se pudesse deduzir a "correção" da frase "Eles vai fritá os bife." dentro daquela gramática. Minha picuinha com a NoCu é q nem o Juca Marão nem o Stephen Fry aprenderam suas gramáticas by beating their brains into submission à regras exógenas à seu ambiente. O Fry tem a vantagem de q ele pode escrever exatamente com a gramática com q ele fala —um privilégio vedado ao Juca Marão *por decreto*. O problema principal da NoCu é q ela (deeeeesde o Brasil colônia) é como se fosse outra língua q é imposta ä maioria dos brasileiros, um objetivo inalcançável *até mesmo* por quem defende a NoCu e ACHA q a domina. O Demoá com certeza tem tino pra línguas; mas não se pode esperar q todo brasileiro tenha ouvido e cérebro pra ser bilíngüe popular/NoCu, nem se pode execrá-lo por isso. Ordem e Progresso, indeed.

Camelo disse...

Caro Todos,
Mais um vídeo interessante de Stephen Fry sobre a língua inglesa. Vale a pena assistir:
http://www.youtube.com/watch?v=wBOCHPCYnDw

Permafrost disse...

Camelo,
Muito legal esse outro vídeo. Obrigado. Mas eu tenho uma curiosidade sobre vc particularmente. ¿Vc já foi NoCuísta? Conta aí tua história.

Camelo disse...

Caro Perma,
Já acreditei que a norma culta tinha uma certa importância. Já acreditei ingenuamente que sem a norma culta uma língua poderia se ramificar em dialetos e linguajares incompreensíveis, se barbarizar e empobrecer. Até que um dia downloadei um longo documentário sobre o desenvolvimento histórico da língua inglesa: “The Adventure of English”. Nele um orgulhoso e entusiasmado apresentador chamava a língua inglesa de “mongrel language”, e exaltava sua anárquica construção histórica. Nesse documentário percebi que, sem a existência de uma instituição regulamentadora, a língua inglesa não só se tornou mais rica (hoje seu dicionário tem o maior número de verbetes do planeta) mas também mais prática (com menos cacarecos gramaticais). Sem uma instituição regulamentadora, o falante da língua inglesa sempre se sentiu à vontade para substantivar verbos, verbalizar substantivos, derrubar conjugações, eliminar preposições, introduzir estrangeirismos, e abarrotar sua língua de hibridismos, onomatopéias, nuances e construções inusitadas.
Hoje estou convencido que qualquer língua está sujeita às mesmas leis evolutivas que ditam a diversidade das espécies de vida nesse planeta. Novas formas de falar surgem motivadas por necessidades impostas pelo habitat, algumas sobrevivem e proliferam, muitas sucumbem, outras se tornam raras, e a diversificada e exuberante fauna/flora lingüística vai se modificando e evoluindo por leis naturais e irrefreáveis. Qualquer tentativa de cercear a espontânea mutação de uma língua (mesmo no intuito de “melhorá-la” com o uso da norma culta) está fadada ao fracasso. É uma tola eugenia nazista professada por quem sonha com a quimérica “raça pura”.
A norma culta só tem uma serventia: funcionar como instrumento de discriminação social. No Brasil, onde grande parte da classe média é inculta e classista, a norma culta cai como uma luva para aquele que quer espezinhar o pobre, o favelado, o caipira e o nordestino sem ser tachado de preconceituoso ou racista. E o que é mais ridículo em tudo isso é que os próprios defensores da norma culta não sabem usá-la, e constantemente falam e escrevem “errado” (segundo a norma culta) como todo brasileiro - uma hipocrisia sem tamanho. Num país onde poucos lêem (ou sentem prazer pela leitura), onde a educação básica é levada nas coxas, onde a universidade é apenas um incômodo necessário para se conseguir um emprego melhor, onde o guri estudioso é visto como um ser-doutro-planeta, um incapacitado social, um “nerd”, é no mínimo estranho que tanta gente se preocupe tanto com o português bem falado e escrito. Este excessivo policiamento lingüístico (patrocinado pelos guardiões do “certo ou errado”) é indício de que o brasileiro não sente prazer pela língua que fala, escreve e lê, e por isso se sente inseguro, incapaz, medroso e estático diante do universo de possibilidades que ela oferece.

Natália disse...

não vou nem comentar os comentários dos gramatiqueiros de plantão q apareceram por aqui. só quero agradecer ao autor do post por ter falado tão bem e me feito rir tanto. :) o vídeo é uma pérola, o melhor dos melhores! e a foto do rococó me fez chorar de rir.

Natália disse...

p.s.: faltou mencionar a melhor abreviação para "norma culta" jamais feita!

Permafrost disse...

Camelo,
A patroa disse admirada q vc disse organizado o q eu disse anárquico. (Não é exatamente isso, mas ficou bonitinho.)

Natália,
Obrigado. *Alguém* riu. Eu já tava ficando preocupado.

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