30 maio 2011

Os livro

Saiu a resenha de nosso ebuinte doutor na Copa de Literatura Brasileira. ¡Não deixe de ignorar!

26 maio 2011

Ponto & ação

Pelamãedoguarda, nestas última semana nosso êufono doutor só faltou peidar o Hino de tanto rir. ¿Viram o bafafá todo sobre o livro do MEC? Catso. ¡Como tem palhaço no mundo, e como tem gramático amador neste país! Um hipoplausibilético fala do assunto num saite do iG, e o Brasil inteiro vira um trololó amorfo.

Qdo o assunto é o brasilês, é assustadora a velocidade da perna depois q bate o martelinho do certo-e-errado. Tem algo de traumático aí —tipo, qdo o assassino começa à suar frio só de ver um moleque fantasiado de guarda rodoviário. Todo brasileiro sabe q não fala como escreve, q o brasilês tem uma discrepância hipócrita e esquizofrênica entre o falar e o escrever. Então. Dum artigo no iG ä tevê, foi um relâmpago. Antes de se lançar numa diatribe pré-redigida seguindo as regrinha e lida no teleprompter, um tal de Alexandre Garcia demonstrou como *realmente* fala:



Se pra ele a NoCu é tão essencial pra “vencê na vida”, é de se perguntar como é q ele venceu falando assim em público. ¿E aí, Xandim?, contaê pa turma comé q foi.

HAHAHAHAHA

Òbviamente, “falar errado” significa “falar como 99,9% da população brasileira, q não segue as regra de concordância lavrada pela NoCu”. Mas pros NoCuísta, “falar errado” é um eufemismo pra “falar soando como pobre anarfa”. Freud explica: o ego soa como pobre anarfa e o superego procura à todo custo reprimi-lo e sublimar o conflito num surto psicótico normativo.

Se vc conhece a —HAHAHAHAHA— polêmica, dá uma lida no texto q (teòricamente) a originou.

http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf

Lendo isso, vc pode confirmar q o circo inventado e erguido pela imprensa não tem *NADA* à ver com o q é dito no livro —q é excelente, como a maior parte do material do MEC, e usa exemplos de português popular *justamente* pra auxiliar no ensino da “norma” “culta”. O máximo à q chega é responder ä pergunta: “¿Posso falar ‘nói vai’?” A resposta é “Claro q pode.” querendo dizer “Vc não vai ser preso por dizer ‘nói vai’; vc PODE tbm passar o resto da vida repetindo ‘gugugú-gogogó’ à cada 30 segundos: vc PODE; e PODE tbm sentar num formigueiro de saúvas cantando ópera, e PODE fritar um ovo podre todo 15 de fevereiro: não há nenhuma lei contra essas coisa.” Aí os paciente terminal da imprensa pegaram o “vc pode” e interpretaram como uma autorização do PT à *ensinar* ‘nói vai’ como padrão.

HAHAHAHAHA

Devia-se ensinar ‘nói vai’, mesmo. É claro e suficiente.

O q mais diverte nosso êufono doutor é ver tanto gramático amador defendendo a “norma” “culta”. O executivo diz em casa: “A gente vai querê umas déiz. Déiz tá bão, né?”; mas numa reunião com clientes, pra demonstrar q domina a NoCu à outros q tampouco a dominam, diz: “Eu acho q nós vamos querer dez. Dez são o bastante, não?” Se *realmente* dominasse, diria o estrupício: “Quereremos dez, creio. Dez bastarão, não bastarão?”

HAHAHAHAHAHAHA

Mas não é nem disso q o Dr Plausível mais ri.

***Prestenção agora.***

¿Qdo é, minha gente, QUANDO É, meus leitor, *QUANDÉ* q todo esses caga-regra normativo, esses cretino ortográfico, esse contingente continental de gramáticos amador vai perceber q o importante, o essencial, o sine-qua-non na comunicação escrita inteligente, clara e suficiente NÃO É A ORTOGRAFIA NEM A CONCORDÂNCIA VERBAL, NOMINAL OU ESCAMBAU; É, SIM, APENAS E TÃO-SÒMENTE A PONTUAÇÃO?

A pontuação, gente. Existe um remédio contra a hipoplausibilose q ataca toda aula de português NoCu neste país, todo cérebro empanturrado de regrinhas imprática, todo bacamarte em pânico achando q a lógica da língua tá na concordância e tendo surto psicótico toda vez q alguém fala em “linguagem popular”. Esse remédio se chama FOCO NA PONTUAÇÃO.

Observe bem o parágrafo abaixo; o único problema nele é q o autor não tem em seu vocabulário as palavra ‘cateto’, ‘hipotenusa’ e ‘ao quadrado’:

“Ói, ¿sabi aqueis triango q tem um canto quadradin? Ce vai vê q os dois lado q fais o canto quadradin são mais curto q o lado do otro lado. Aí, ói só: si ocê midí os lado tudo, ce vai vê q, si ocê murtipricá o cumprimento dum dos lado mais curto por eli memo e murtipricá tamén o cumprimento do otro lado mais curto por eli memo, e aí ocê somá uma murtipricação mais a otra, o resurtado deça conta é a mema coisa q si ocê murtipricá o cumprimento do lado mais cumprido por eli memo.”

CQD.

Não há absolutamente NADA de errado ou inconsistente no parágrafo acima. De não-convencional, pode ser. Mas ¿e daí? Vc, leitor, é uma pessoa única no mundo; milhões de coisas em vc não são convencionais; e teu cérebro tem direito, até obrigação, de expressar o q ele É —não apenas o q tá em concordância com as convenção. Vc PODE.

E aí, surge do nada um GIGANTESCO e iradíssimo pânico nacional sobre ‘os livro’ e ‘nói vai’, e ninguém (NIN-GUÉM) fala do essencial prä transmissão lógica do pensamento pela escrita, q é a pontuação.

Ô país formalista, viu? Ô bando de trouxa. Ô gente obedientezinha. Nos Euá, a frase “Yes, we can.” elegeu um presidente negro; no Brasil, a frase “Claro q pode.” vira um escândalo nacional. Não, vc não precisa colocar todos pluralzinho nos lugar certinho, não precisa transformar uma frase numa série rocambolesca de arabescos rococó, tipo “Oss meuss livross francesess verdess foram vendidoss amarradoss todoss juntoss.” —q reflete com certeza a idéia portuguesa de beleza:



Vc só *precisa* dizer e escrever “Meus livro francês verde foi vendido amarrado tudo junto.”

O brasileiro, se tomasse plausivirol, faria o q tem q ser feito pra curar o brasilês dessa esquizofrenia do “escrever é diferente de falar”: mandar as regra de concordância e as convenção ortográfica prä PUTÍSSIMA QUE AS PARIU.

HAHAHAHAHAHAHA

A partir de hoje, este blogue vai publicar todos plural sem os arabesco inútil e patético da concordância.

11 maio 2011

Morte dum muçulmano mau

Um leitor pediu encarecidamente q nosso eutéxico doutor comentasse a morte do binLaden.

Hm.

O doutor não é muito de ficar notando estrepolias de super-potências. É um assunto meio enjoativo: é claro q eles vão abusar de seu poder; é claro q os outros vão reclamar. Ele até q deu umas risadas. Lembrou-se dum episódio do Batman (da tv) em q o Coringa coloca um quadro seu numa exposição de arte. O quadro é uma tela toda branca. Qdo alguém lhe pergunta de quê se trata, o Coringa faz um gesto melodramático e diz q o quadro se chama "Morte dum Morcego Mau".

Então. A morte do binLaden é a mesma coisa: a tela em branco e o pintor melodramático.

10 maio 2011

Elevação e queda do ensino

Não sei se vcs sabem disso, mas o Brasil até q já teve uns nativos admiráveis.

Um brasileiro q tem o saudável apreço de nosso eufônico doutor é Anizio Teixeira, q nasceu pràticamente imune ao hipoplausivírus e teve a presença de espírito de aprender, aplicar, imitar e adaptar algumas idéias educativas do gênio euaense John Dewey num país até então notòriamente avesso à aprender e aplicar, embora já bem versado em imitar e adaptar. Se vc, ilustrado leitor deste blogue, nasceu na segunda metade do século passado, então deve ao Dewey (e, por associação, ao Teixeira) a maior parte das coisas boas em tua educação escolar; as coisas ruins foram (e são) ranço dos carunchos pré-teixeirinos …ou estultices educacionais pós-teixerinas.

O Dr Plausível não é muito de sair por aí admirando qqer um, não; mas o Teixeira até q se saiu bem nesse quesito. Como se vê neste documentário, foi preciso ter galhardia pra promover neste país a escolarização gratuita, laica e obrigatória. O cara foi perseguido como ateu e comunista, pelo Estado Novo, pela igreja e pelos militares; teve q esconder-se no sertão e exilar-se no estrangeiro. Ainda assim, parte de suas propostas foram implantadas –mais por pressão da curva de Gauss do q por iluminarem-se os retrógrados.

Não deu totalmente certo –mormente por causa do clima tropical, favorável ä proliferação do hipoplausivírus. É difícer educar a mente e administrar um país em português; muitos tombam no caminho. A mistura de provincianismo e progressismo, de intelijumência e inteligência, de escamoteio e escola é evidente até mesmo no texto do documentário sobre esse q chamam de 'maior educador do Brasil'. Vejam, por exemplo, a confusão de tempos verbais neste trecho:

«Nesta[?] época, Caitité era conhecida como "a corte do sertão". Ainda em Caitité, Anizio faz o curso primário no São Luiz … q era da Ordem dos Jesuítas. A Europa vive a primeira grande guerra qdo Anizio viaja pela primeira vez para Salvador … Anizio quis entrar para a Companhia de Jesus … mas essa decisão[?] foi veementemente combatida por seus pais. O desejo de seu pai … era q ele seguisse carreira política e, assim, o convence à estudar direito no Rio de Janeiro, onde ele se forma em 1922.»

Isso parece escrito por duas pessoas q não se conversam; ou pior: por dois lados do cérebro q não dialogam. No brasilês escrito, é comum demais pra não ser causado por uma deficiência generalizada na formação educacional da mentalidade brasileira.

Irônico, não?

(Aliás, ¿tem coisa mais horrenda do q o galicismo de, em biografias, usar o presente histórico –q, segundo o Houaiss, "dá mais vivacidade e atualidade ao texto"? HAHAHAHAHA)

Irônica foi a morte de Anizio Teixeira. Por insistência de amigos, candidatou-se à uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Pra conversar sobre o assunto, foi ao apartamento de Aurélio Buarque de Holanda; depois da visita, saiu do apartamento e não mais foi visto. Seu corpo foi encontrado alguns dias depois no fundo do fosso do elevador. Há quem veja aí um assassinato pelo governo militar, mas é possível q ele não tivesse… ãã… verificado se o mesmo encontrava-se parado naquele andar. E ¿por quê? Há várias explicações, mas a irônica é pq ainda não era obrigatório nas portas de elevadores daquela época esse aviso de redação estapafúrdia, ignorante e semi-letrada.