21 outubro 2010

¡Parla, Tiririca!

Incontados leitores têm exigido veementemente q eu termine a série sobre a origem da moralidade. Posso adiantar q o último e funesto capítulo tá bem adiantado, mas sofre com a falta de subsídios intelectuais de nosso eviscerante doutor, passando uns tempos na Inglaterra. Dizem as reportagens q, em vez de trabalhar, ele fica horas esbugalhando-se em frente ä tv assistindo ao vivo äs sessões do parlamento britânico, descabelado, com a barba chegando ao umbigo, tomando chá verde e biscoitinhos de gengibre.

Mas ¿quem há de culpar nosso emoldurante humanista? O parlamento funciona assim, ó: o governo dum lado e a oposição do outro, mediados por um mesário; este dá a palavra ao primeiro-ministro pra ele propor legislação, diretrizes, &c; o PM senta e o líder da oposição se levanta e desce o malho. Aí vira um debate cara-a-cara coalhado de sarcasmo de quem fala e hipocrisia de quem ouve, e gargalhadas do doutor. Imperdível. Ou pode ser q quem fala é o zé das finanças do partido governista – em cujo caso a malhação é liderada pelo sombra dele (ou seja, aquele q seria o zé das finanças se o partido ora em oposição fosse o governista). E assim vai.

Toda semana, o primeiro-ministro tem q se plantar ali e responder perguntas na lata, sobre qqer assunto nacional relevante, e tem q tentar convencer – ou ridicularizar – a oposição com argumentos, presteza, humor e lábia.

Vejam uma amostra, da época em q o John Major era primeiro-ministro e o Tony Blair era o líder da oposição:



Uma coisa dessas num congresso de selvagens dava em facada e tiroteio.

Ou este vídeo mais longo, engraçadíssimo, da primeira sessão de perguntas ao Tony Blair já como primeiro-ministro.


http://www.youtube.com/watch?v=MryC6qC3FYA


¡Ma quê presidencialismo o caralho!

Contraste com o sistema de governo brazuca. Há muito q o doutor gargalha, mas por oooooutros motivos:

http://drplausivel.blogspot.com/2004/11/as-cmera-nas-cmara.html


Vendo de quê é capaz um parlamento de fato, qqer um deve concordar em q, pelo menos no Brasil, o sistema presidente-e-congresso é na verdade uma discurpa pra disfarçar as grotescas inépcias verbais dos nobres deputados e senadores: lentidão, vacilo, tergivesação, confusão, afetação – sem falar na gagueira mental, né? É tipo, presidencialismo tem oratória e pedantismo; parlamentarismo tem debate e sarcasmo. Qqer um q vê vai ver q o segundo é mais, digamos, ãã... melhor.

É claro q todo político de qqer país no fundo quer a mesma coisa; há corrupção, incompetência, clientelismo em todo lugar. Mas o parlamentarismo tem suas vantagens. Não a menor delas é q um cara só chega à primeiro-ministro se for híper-inteligente, ilustrado e articulado, e tem argumentos; em conseqüência, mesmo q vc não concorde com o canalha, vc tem q no mínimo levar o cara à sério e responder à ele em fórum público, com igual inteligência.

O Brasil, no entanto, é o país da democracia total, a democracia em sua mais profunda e libertária expressão: um país em q, como já dito aqui, contanto q brasileiros alfabetizados maiores de 21 anos, um coveiro de Catingópolis ou uma mendiga de Futum do Sul podem dirigir a nação. Taí o Tiririca, q não me deixa mentir.

QUAQUAQUAQUAQUAQUA

Aliás, quem leu o acima exposto já deve tar achando q o doutor acha um bessurdo o Tiririca e a Weslian, né? É e não é. Mais, depois.