18 maio 2010

Hipermercado de hipérboles

É sempre supimpa ir às compras com nosso epifenomenal doutor. Tava lá ele no Pão de Açúcar (o mercado, não o morro), comprando umas lâmpida.

Caixa: ¿Cliente Mais?
Doutor: Não.
C: ¿Nota fiscal paulista?
D: Não.
C: Nesse caso, ¿posso pôr sua compra em nome do Hospital do Câncer?
D: Pode.
C: O Hospital do Câncer agradece. O senhor acaba de salvar uma vida.
D: Ãã? hahahahaHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAhahahahaha

05 maio 2010

O resgate dos gregos

Não, este texto não é sobre resgatar a economia da Grécia em crise.

Contrariamente ao q incontados crentes crêem, nosso eviscerante doutor não acha a Bíblia um documento totalmente idiota. Tem umas sacadas até legalzinhas. Por exemplo, João 1:1: "No princípio era o verbo." Faz sentido, né? A fala (o logos: palavra + razão = narrativa + raciocínio) é absolutamente indissociável do humano; sem ela não é possível realizar culturas, acessar as complexidades potenciais do humano ou gerar deuses.

Mas gente é fascinada por narrativas. Já por raciocínios, nem tanto. Numa roda de gente, a pessoa q expõe um raciocínio é interrompida a torto e direito, mas raramente interrompem alguém q tá contando uma história. Galileu fica ali tentando falar duma coisa super jóia q ele deduziu rolando umas bolinhas... aí o Juca interrompe pra contar uma piada, e os tronhos em volta arregalam os olhos, dão risada, começam a contar outras, e vira aquela meleca... Se vc gosta de atenção, conte histórias. Esse negócio de expor raciocínios é coisa de gente chata.

E aqui tamos nós, no ocidente: uma cultura q descende da Grécia – q 2500 anos atrás jorrava pensamentos originalíssimos, cálculos precisos, invenções assombrosas (pô, dá só uma olhada no Antikythera, pra vc ficar besta), uma curiosidade imensa, os primórdios de quase todas as idéias correntes hoje –, uma linha de raciocínio q foi INTERROMPIDA qdo da Judéia emergiram aqueles contadores de histórias divulgando um anedotário sobre um deus interessadíssimo em tua vida sexual, tuas opiniões e teu sangue. Duma hora pra outra, crer numa possível lorota incomprovável ficou trocentas vezes mais importante do q enxergar um fato escancarado. Pô, sacanagem, né? Os romanos se fantasiaram de gregos, reverberaram as narrativas judaicas, e batata: Era das Trevas e o escambau. Todos os crentes de hoje são vítimas de sua própria fraqueza por narrativas, seu tédio com raciocínios. Não por coincidência, o ocidente só começou a sair do mundo da fantasia qdo a Grécia antiga virou moda na Zoropa.

Contador de história quer ibope. O judaísmo e seus subprodutos – o cristianismo e o islamismo – tão aí o TEMPO TODO contando histórias, querendo atenção, reclamando audiência, "exigindo" prioridade... senão eles choram, esperneiam, fazem barulho, jogam bombas, tapam os ouvidos e cantam laraialará. E ¡ó anti-irênica ironia! não há evidência mais clara de nossa macaqueza do q esse fascínio pelo desenrolar dum drama.

Aliás, falando no desenrolar milenar dum drama, com a economia da Grécia pedindo arrego e o Goldman Sachs lucrando biliardariamente com a crise q eles mesmos ajudaram a criar, vai ter quem pense q este texto é sim sobre resgatar a economia da Grécia em crise, e o interprete como anti-semita.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Vai tomar chá anti-hipoplausivirótico, meu.