30 abril 2010

Varetas e envelopes

Sesdias, li uma conversa na internet q começou qdo alguém perguntou quê dizer a uma criança de 3 anos qdo ela quer saber pra onde foi seu gatinho (q morreu), ou seu avozinho querido, q não visita mais (pq foi metralhado e esquartejado por comandar um massacre de inocentes na Bósnia), perguntas desse tipo.

Interessante, não? Pq a imaginação duma criança pode ser uma maravilha da natureza, mas o cérebro dela é terra fértil, q minhoca adora. Além disso, a minhoca – já viu, né – é um conhecido transmissor de hipoplausivírus. Responder plausivelmente às crianças curiosas é questão de saúde pública, e nosso ecúmeno doutor tem infinito respeito pelos pirralhos. Com crianças, ele é um poço de ternura: tem incontadas medalhas estaduais e nacionais, e foi o grande vencedor do 19° Festival Internacional de Ternura, realizado em 1991 em Antananarivo. Então, ¿quem mais além dele seria adequado pra nos ensinar como preparar uma criancinha pra viver sem esperranços post-mortem no século XXI – o século da cisão entre o saber e o crer?

Eu sempre vi a individualidade, o EU, não como uma coisa real mas como uma miragem fortuita e passageira dum feixe de eventos, como o quadrado q só se vê qdo se olha pra quatro varetas dum certo ângulo:
, q desaparece assim q as varetas mudam de lugar. Mas isso é abstrato demais pros moleques. O doutor faz melhor. Usando uma analogia descrita por Douglas Hofstadter em seu livro I Am a Strange Loop, ele pede à fedelha q segure um maço duns 100 envelopes deste tipo:

, apertando de olhos fechados o vértice do V, e diga o q sente. A resposta é sempre algo como "parece q tem uma bolinha no meio, uma bola de gude ou de metal". Faça vc mesmo o teste; vc vai ter a nítida impressão de q tem um bola dura no meio do maço de envelopes. O doutor então desfaz o maço pra mostrar q não tinha bolinha nenhuma ali: a impressão é causada pelo amontoamento de papel verticalmente ao V. Aí o doutor explica q o gatinho, o avô, o coelhinho decapitado começando a feder embaixo da caminha da menininha, eram todos como aquela bolinha no meio do maço, só q MUITO mais complicados: a bolinha tava ali e não tava ali ao mesmo tempo; aí o maço se desfez e não dá pra montar de novo, nunca mais.

A pirralhada nunca entende a analogia na primeira; mas sua atenção é curta: logo vão tar falando doutra coisa. Caso uma criança insista, o doutor explica os dois teoremas da incompletude de Gödel e suas conseqüências teleológicas. A explicação dura uns 15 anos, e fica tudo por isso mesmo qdo a pirralha atinge a maioridade penal.

Só mesmo um cérebro imerso numa sopa de hipoplausivírus não vê a profunda e absurda maldade expedientista em fazer uma criança acreditar q seu EU sobreviverá a sua morte pra ser punida ou recompensada eternamente dependendo de seus atos infantis, suas inépcias sociais e seus impulsos naturais.

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Adendo
Pra consumo infantil, a analogia do Hofstadter pode ser contextualizada um pouquinho. Se a pirralha aperta o maço de envelopes, sente a bolinha, e aí vc esparrama os envelopes e diz q na verdade nunca houve bolinha alguma, e é isso q vai acontecer qdo ela morrer, então 10 contra 1 q ela abre o berreiro. Mas tem uma saída elegante: antes de lhe dar o maço, vc escreve em cada envelope o nome da criança; aí, depois de separá-los (qdo ela "morre"), vc risca o nome dela e vcs dois juntos endereçam cada envelope a uma coisa diferente ou a uma pessoa diferente (tanto quem ela conheça como quem não conheça): "Máicon", "Gyslaine", "Pato", "Árvore", "Pedra", &c. Qdo ela morrer, uma parte do q a formou volta à natureza, outra parte continua em outras pessoas. E vira uma brincadeira de escrever e desenhar em papel. ¡Que doces momentos....!

Claro, uma criança de 3 anos minimamente inteligente vai questionar a predestinação implícita na analogia, o uso duma bolinha real como significante duma imaginária e o nihilismo de ter envelopes vazios pra q a analogia dê certo. Nesse caso, vc tem duas opções: ou lhe dá arsênico pra ela deixar de encher o saco, ou lhe dá vitaminas pra ela ficar bem forte e, qdo crescer, encher o saco do mundo todo.

20 comentários:

Motta disse...

"Só mesmo um cérebro imerso numa sopa de hipoplausivírus não vê a profunda e absurda maldade expedientista em fazer uma criança acreditar q seu EU sobreviverá a sua morte"

Não sei o que está fazendo ao querer trabalhar com um cara mal, mano. Criei o Mateus falando exatamente isso, e ele é saudável e resolvido.
Pô, eu emprestei o nome para o blogue, mas confesso que não estou indo muito com a cara do Dr, não.
Implausibilidades deveriam se relacionar a fatos, não a ideologias. Ao rotular um Motta de mau (e nas entrelinhas burro, infantil, boboca) por crer no que vc ACHA absurdo, já perdeu o fio da meada. Implausibilidade é, por exemplo, aquele comercial do Fruthos. Vc mostra e prova que é incoerente.
Olha, não vinha aqui faz tempo, mas percebi que a tônica dos posts tem sido, na maioria das vezes, essa da religião. Deixa a gente em paz, porque ninguém fica te incomodando por ser ateu, ou fica?
Se hoje eu estivesse sem refluxo, alegrinho e saudável, na certa deixaria quieto.
A chapa do Dr tá esquentando.
Abraços na Bel.

Permafrost disse...

Pô, Motta, cita o parágrafo inteiro:
"... pra ser punida ou recompensada eternamente dependendo de seus atos infantis, suas inépcias sociais e seus impulsos naturais."

Aposto 5 bilhões de dólares q não foi isso q vc ensinou a teu filho. Do mesmo jeito q vc descartou metade de meu parágrafo, desfigurando seu sentido, ¿vc tbm não tá descartando metade da Bíblia, como fazem TODOS os crentes? E ¿como vc faz pra decidir qual parte da Bíblia é moral e boa, e qual não? A moral e a bondade não tão na Bíblia ou em qqr livro sagrado; elas tão em vc mesmo. Vc foi um bom pai pq VOCÊ é bom. Aliás, um pai q já me deixou boquiaberto. Ninguém precisou te ensinar a ser moral e bom. O "sagrado" só te dá um aval pra vc não precisar se resposabilizar pela própria bondade. Pq, por exemplo, se AMANHÃ ficasse provado q todos os escritos sagrados foram escritos de brincadeira, ou q têm significados secretos exatamente opostos ao q comumente se interpreta, desmentindo inexoravelmente todo o edifício ideológico dos últimos 3 mil anos, ¿vc deixaria de ser moral e bom? renegaria teu filho, sairia por aí matando? Claro q não. Pq VOCÊ é bom. Ninguém precisa te comandar ou te persuadir a ser bom.

Refrator disse...

"Vc foi um bom pai pq VOCÊ é bom. Aliás, um pai q já me deixou boquiaberto. Ninguém precisou te ensinar a ser moral e bom. O "sagrado" só te dá um aval pra vc não precisar se responsabilizar pela própria bondade. "

Permafrost: "EU" é uma miragem fortuita e passageira que não existe pra valer. "VOCÊ", no caso o Motta performativo, é "bom" embora seja um "EU" inexistente ("VOCÊ" enquanto "EU" que "EU" performativo não é, tal como enunciado), enquanto a Bíblia, cuja existência é um emaranhado de papéis e tinta, como tal, existe (ou poderia hipoteticamente) ao menos enquanto matéria, tão passivo do qualificativo "bom" quanto uma existência de uma miragem fortuita qualquer quanto "EU" ou "VOCÊ". Ou não? Confesso, fiquei perdido no raciocínio. Ou de outra forma, "EU" e "VOCÊ" são questões de fato? Sem mais complementos sobre perguntar e ofender.

Abraço. Desculpa a intromissão.

Permafrost disse...

Refrator,
Mas ué, eu não disse q não existo. Uma miragem existe. O próprio Hofstadter pergunta, "¿um arco-íris existe?" É claro q existe, e é claro q eu existo. Existe como fenômeno assim como a "mensagem" da Bíblia existe como fenômeno. Acho q vc gostaria bastante desse livro do DH, embora ele ãã... cófcóf... tire um sarrinho decente de Russell e Whitehead, e seu Principia Mathematica.

E pare de se desculpar. Se não se pode discutir idéias, então fodeu, né? E por favor não se desculpe por se desculpar. :•)

This is for you all:
http://www.youtube.com/watch?v=KnX2y34NvMg

Refrator disse...

Estou satisfeito. Era só isso.

Lukas F disse...

"Pô, eu emprestei o nome para o blogue, mas confesso que não estou indo muito com a cara do Dr, não. Implausibilidades deveriam se relacionar a fatos, não a ideologias."

Mais um religioso querendo ter controle editorial?

Permafrost disse...

Lukas,
Bem sacado, mas acho q não procede.

A liberdade de expressão neste blogue é máxima: qqer um pode falar o q bem entende, inclusive contra a liberdade de expressão – q não é o caso do Motta, acredite.

Permafrost disse...

Em tempo, um aviso a *TODOS* os desavisados: o Dr Plausível é um PERSONAGEM, ok?

TODA narrativa – seja bíblica, korânica, cinemática, jornalística, dísneyca ou o escambau – tem convenções e necessidades internas q, se o ouvinte não se cuidar, embotam e às vezes idiotizam a percepção da realidade. Pra ver isso, basta pegar um filme baseado numa história real e compará-lo com a história realmente real, e comparar ainda esta com os FATOS reais, se vc os presenciou. A realidade não é nem uma novela nem um filme nem um livro. Notem bem: toda narrativa tem necessidades internas pra funcionar como narrativa. Toda expressão tem necessidades internas pra funcionar como expressão. Na equação entre essas necessidades e a verossimilhança, o q sempre sai perdendo é a plausibilidade – muitas vezes, tbm a verdade. A confusão q isso causa nos tadinhos dos humanos é a um tempo triste e hilariante. Se este blogue tem algum objetivo, é o de alertar contra a embotação na percepção da realidade, embotação esta q é o sine qua non da confiança na verossimilhança de narrativas, e tbm o nec plus ultra q desfigura e falseia a realidade. O ser humano é uma vítima das palavras, tanto qto é seu mestre.

Portanto, a última coisa q se espera dum leitor deste blogue é q confunda a narrativa plausônica com a realidade de seu escritor. Sobre quase todos os assuntos tratados aqui, a opinião dele é bem mais complexa e mais filigranada do q cabe no escopo do blogue (definido no primeiro texto). Mais de uma vez, já aconteceu de o Dr Plausível gargalhar do próprio blogueiro. Pois este não é um blogue pessoal com todas as miríades de questionamentos e contradições q seu escritor tem – tal como todos têm, como vcs têm. Este é um blogue sobre idéias, com percepções q não aparecem a torto e direito no embotado consciente coletivo. Os comentadores farão bem em se lembrarem disso antes de injetar informações pessoais. Jamais haverá controle editorial dos comentários, mas prefira manter-se impessoal, como já fazem muitos comentadores.

Refrator disse...

Ah, tá bom.

["Nec plus ultra plausônica" é um pusta álbum do Beck. Ou deveria ser.]

Pracimademoá disse...

Pô, Pablo! Explicando piada?!! Não fode...

Permafrost disse...

Refrator,
Acho q vc pegou exatamente o espírito da coisa. :•) Note q o motto inglês no topo do blogue.

Demoá,
¿Pablo? que Pablo? ¿Vc quer dizer o tiozinho q deixei pôr um linque aí? Tadinho; esse é o último q fala e o primeiro q apanha.

Pracimademoá disse...

Eu não sou a favor de mentir para as crianças, mas sou a favor de omitir ao máximo em um número bem grande de casos. Tem certas coisas que eu acho melhor deixar a criança deduzir por sua própria inteligência e maturidade, sem interferências. Não acho que criança tenha formação e estabilidade emocional para levar na cara "você vai morrer, e vai ser pra sempre, você nunca mais vai existir". Fala sério, Perma, você nunca me pareceu ter filhos. Não é assim que se trata criança.

Se eu tivesse filhos, eu desconversava. Nada a declarar. Em último caso, contava algum conto do vigário para eles, tipo você vai sair do seu corpo e vai para uma fazenda bem grande, com muito espaço para você correr e brincar. É o que faz a maioria dos pais!

Depois, quando a criança estiver mais grandinha, talvez deduza por conta própria que eu menti. Foda-se. Pode me processar se quiser. Ou talvez ele/ela continue acreditando que vai para o paraíso. Em ambos os casos, que seja por dedução dele/dela. Sua própria maturidade emocional vai determinar se ele/ela está pronto para encarar a verdade.

A minha mãe até que se saiu bem nesse departamento: ela me deixou escolher cedo. Fui criado por pai e mãe espíritas kardecistas. Íamos ao centro tomar passe. Puta mico do caralho, mas tinha que ir. A base era kardecista, mas tinha um pouco de Bíblia católica no meio. Eu nunca acreditei em nada do que me ensinaram exceto conceitos perfeitamente plausíveis, como a caridade. Bem novinho, eu já coçava a cabeça com as contradições dos livros espíritas e achava a Bíblia um festival de aberrações. Eu era fascinado pelo Rei Davi, patife do caralho. "Vou até lá barbarizar os filisteus porque Deus mandou." Sei. Porque Deus mandou. Pra cima de moi... Até hoje, vejo aqueles líderes do Oriente Médio se promovendo como heróis, com fotos embelezadas artificialmente como fazia o Saddam Hussein e sempre fazem os aiatolás, e me lembro do Rei Davi, grande percursor daquela merda toda. Ô, lugarzinho xexelento!

Mas eu não falava nada, não. Ficava quietinho, meio confuso e meio emburrado com tanta besteira. Porra, aquele negócio era tão respeitado pelas pessoas à minha volta e a Bíblia pelo mundo todo, então eu ficava achando que era falha minha, eu que não estava entendendo.

Quando eu fiz 10 anos, a minha mãe veio e disse que eu não precisava mais ir ao centro se eu não quisesse. Também parou de falar de religião perto de mim. Meu pai acatou. Aquilo foi ótimo, porque os conflitos de lógica e razão só me estressavam por dentro, e eu me senti alforriado para pensar com liberdade.

Daí passou o estresse dos conflitos de lógica e razão, mas eu sofria sozinho o tormento de pensar na morte, ciente de que a morte é o fim. Eu olhava o abismo, e o abismo olhava pra mim. Aquilo também acabou sendo estressante. Devemos submeter todas as crianças a esse estresse? Eu acho que não. Se a criança se submeter por conta própria, bem, aí é problema da criança. Neste caso, é inevitável. Eu acho melhor é mentir mesmo. Certas verdades só trazem sofrimento. Que importa o que acontece depois da morte? O que vale é ser feliz em vida!

E se a sua mulher interromper o vai-vem de uma foda para lhe perguntar se você faz sexo com ela porque você a ama, porra, diga SIM! Você trepa porque a ama, e muito! Não hesite nem meio segundo. Você não vai querer passar as suas próprias camisas, vai?

Aliás, o camarada lá em cima tem razão, você só fala de religião nessa bagaça! O papo tem sido bom, mas troca o disco de vez em quando. Essa coisa toda de Deus, eternidade e transcendência são assuntos que não nos dizem respeito. Uma vez você contou que gasta o tempo lendo gibi, tocando violão e [...]

Arthur disse...

Se você sempre fala a verdade pra criança, e ela não tem nenhum motivo pra discordar de você, nem achar que você é um completo idiota como ela vai desenvolver um saudável desrespeito por figuras de autoridade?

Permafrost disse...

Demoá,
Interessante, tua história. Eu não teria adivinhado.

Sobre mentir ou omitir, acho q seria razoável se a gente vivesse numa ilha, sem influências externas de colegas, parentes &c. Pelo q sei, os pirralhos chegam pro pai e exigem saber, sim.

Arthur,
Essa foi bem sacada. Mas tem um problema, talvez: ¿será q, pra "desenvolver um saudável desrespeito" pela figura imaginária do Pai celestial, a criança precisa mesmo desenvolver um desrespeito pelo pai real? Chuquenão.

---
Em todo caso, inspirado pelos vários comentários aqui e alhures, coloquei um adendo.

Pedro disse...

" Pelo q sei, os pirralhos chegam pros pais e exigem saber, sim. "
"a criança precisa mesmo desenvolver um desrespeito pelo pai real? Chuquenão"

Por favor, jamais tenha filhos. Não é pra você.

Permafrost disse...

Pô, Pedro, explica aê. Não tendi nada. ¿Como é q vc pulou duma coisa prà outra?

Pedro disse...

Com "os pirralhos chegam pros pais e exigem saber, sim", você dá a entender que o que a criança está querendo, acima de TUDO, é saber a verdade dos fatos. Sim, isso também, mas não acima de tudo. Crianças já dão por certo que o pai e a mãe não irão só ensinar coisas quando elas perguntarem: elas também esperam que você oriente, que você mostre um mundo no qual ela possa viver. Pense nisso um pouco. Não estou dizendo que você precisa proteger a criança de qualquer coisa, porque você não vai: ela pode ser abusada sexualmente, pode ficar traumatizada com a morte do peixinho ou do hamster independentemente do que você diga, pode levar tapas constantes de uma coleguinha na escola e não ter capacidade emocional para isso. Tudo isso tem a possibilidade de acontecer e não há muita coisa que você pode fazer para mudar a situação, exceto tentar protegê-la. Mas tem uma coisa que você pode fazer: ser um esteio para a criança que não depende da sua visão de mundo. A sua visão de mundo, ao fim e ao cabo, NÃO IMPORTA PARA O TEU FILHO.

Pensa um pouco: tu concorda com tudo o que teus pais dizem? Eles te parecem idiotas com algumas opiniões que têm? Têm uma ou outra crença (teísmo, ateísmo, astrologia, democracia, capitalismo, socialismo, UFOs) idiota, talvez que tenham passado pra ti, só que depois tu percebeu que era idiota?

Te garanto que nada disso importa agora. Mas quanto tu tinha cinco anos de idade, tu queria um esteio emocional, alguém que pudesse apresentar as possibilidades do mundo e dar idéia de segurança, de que aquele era um mundo em que a criança podia ver coisas que não eram tão legais quanto um "papai do céu", mas com o QUAL ELA PODIA LIDAR. Pra isso, não precisa nem mentir e nem contar "a verdade": precisa dizer como o mundo é, não como *você* acha que ele é. Tu fala como se ter filho necessariamente te obriga a contar tudo o que tu considera verdade pra criança, a passar tua visão de mundo para a criança, mas não é assim. Não é isso que é mais importante. Tu, como pai, não tem como escapar da opção de moldar a visão da criança como a tua, mas não pode se sentir *obrigado* a isso.

Qaunto ao "precisa mesmo desenvolver um desrespeito pelo pai real", isso vai acontecer em algum grau, mesmo que mínimo, em relação a alguma coisa, em algum momento.

Permafrost disse...

Pedro,
Não posso dizer com certeza, mas acho q vc leu aquelas duas frases com a ênfase no lugar errado.

Na primeira, só imaginei uma criança de 3 anos perguntando "por quê?" sem parar. Vc deve conhecer o fenômeno. Aliás, exceto num ponto, vc só disse coisas válidas aí, de senso comum. O ponto em q vc se atapalhou foi aqui:


• não precisa contar "a verdade"
• precisa dizer como o mundo é, não como *você* acha que ele é

¿Como é q os pais precisam dizer como o mundo É, mas não dizer a verdade? E ¿como é q precisam dizer como o mundo é sem dizer como ELES acham q é?

A outra ênfase q acho q vc entendeu errado é minha pergunta sobre "desenvolver um desrespeito pelo pai real". O Golgo acima afirmou q a criança "precisa" desenvolver esse desrepeito. Então eu perguntei, "¿PRECISA mesmo?" Claro q na maioria dos casos o desrespeito aparece como vc disse, mas não PRECISA, vai? E nem os pais precisam contribuir voluntariamente pra q isso aconteça.

Abs, e volte sempre.

Arthur Golgo Lucas www.arthur.bio.br disse...

Tudo bem, Plausível?

Sabe, eu fico me perguntando se ninguém cogita responder aos filhos a verdade verdadeira, que é simplesmente "não sei". Porque quem acredita (ou não acredita) não sabe, são verbos diferentes para designar fenômenos diferentes.

Se alguém me pergunta o que acontece com a consciência depois da morte, minha resposta é "não sei", porque eu não sei mesmo. Posso explicar o que acontece com o corpo físico, posso explicar que se a consciência é uma propriedade do corpo físico então ela deixa de existir com a cessação das funções orgânicas, mas vou ficar no "se", não vou assumir a responsabilidade de afirmar que sei, que tenho certeza.

Quem não gostar da minha resposta sempre pode perguntar para mais alguém e decidir em quem acreditar, por mim tudo bem, mas não me venha dizer que sabe... ;)

Permafrost disse...

Golgo,
"Não sei" é minha resposta padrão. Aliás, é "não sei, e saber não tem a menor importância". Mas criança é um bicho insistente, né? Vc tá certo em frisar a diferença entre 'crer' e 'saber' (q já foi assunto aqui no blogue); mas – como digo sempre – crer é uma *expectativa* de saber. E eu acharia importante cortar logo na raiz a tendência do desejo e do medo à confundir os dois verbos.

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