18 abril 2010

A propos

Contrariamente ao q pretendem todos os religiosos, a mediunidade não é um clame circunscrito ao espiritismo. Praticamente TODA religião tem médiuns. ¿Que outra coisa são os padres, sacerdotes, mulás, dervixes, rabinos, monges, druidas, xamãs, dalai-lamas, presbíteros, capelãos, zacos, abdalás, pais-de-santo, pastores, agapetos, imames, alfaquis, bonzos e pajés q "entendem" suas religiões melhor do q os tronhos q os seguem, e podem assim melhor "interpretar" o q "dizem" ou "disseram" seus deuses?

Como diz o Pat Condell em seu último vídeo no YouTube:

"A number of people have kindly offered to answer any question I may have about the Koran. I can't help but wonder why I should have any questions if it's the pure word of God. Is God not capable of expressing himself clearly and directly without ambiguity...?"

Assim como se fala de "poder mediúnico", tbm se poderia falar de "poder bíblico", "poder korânico", "poder dísneyco": a capacidade q os sacerdotes afirmam ter e os tronhos a eles atribuem de interpretar "sinais" e símbolos. Os médiuns têm poder, sim, mas é poder político. Noutras palavras, lábia.

Ou seja, a ambigüidade q o Condell condena é JUSTAMENTE a chave. Em religião, qqer transparência congruente é anátema, e os religiosos fogem dela como o diabo da cruz.

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(1) ¿Notou a palavra 'clame' na primeira frase? Pois é. A partir de agora, essa palavra entra no vocabulário português, significando a mesma coisa q o inglês 'claim' – q antes não tinha correspondente na Flor do Lácio.
(2) As reticências na pergunta do Pat Condell: "...even in a crass and unsubtle language like English?" (pq lhe disseram q, pra ser compreendido, o Korão tem q ser lido em árabe...)

15 comentários:

Permafrost disse...

Um leitor mais argutos diria: "Mas... mas... ¿o q vc tá fazendo aqui não é TAMBÉM política? Então."

Refrator disse...

Eu diria mais, mas vou me contentar com menos.

Eduardo disse...

O crédito do 'clame' tem de ser devidamente dado à Superinteressante, né, Dr.? Lembra?

Permafrost disse...

Duardo,
HAHAHAHAHAHA
É verdaaaade...

Aliás, é quaaase verdade. Eles usaram o verbo existente 'clamar' como tradução do verbo 'claim', e eu usei o substantivo 'clame' como uma palavra nova, q **corresponde** ao substantivo 'claim'. É uma finíssima distinção, admito. Apesar de aceitar 'clame', tenho um pé atrás com 'clamar' sendo usado nesse sentido.4

Pracimademoá disse...

"Clame"? Vergonha alheia. Tsc, tsc...

Vamos mudar de assunto: http://www.youtube.com/watch?v=0UV_v1mdniQ

Permafrost disse...

HAHAHAHAHAHApffHAHAHAHAprrHAHAHA

(É isso q digo eu; os vilões têm q ser ridicularizados.)

....

Sobre 'clame', ¿fazeoquê? prr Mas vergonha alheia sinto eu pfrfr todo dia... Foi um dos motivos pq pff parei de ler traduções. Era como bf ver os calouros do Sílvio Santos.

camelo disse...

Caros amigos,
O link que o Pracimademoá postou acima é de chorar de rir. Ridicularizar esse pessoal é fácil, pois eles já estão a um passo do ridículo: basta dar um empurrãozinho. No entanto, se o objetivo é desbancar os charlatões, expor suas falcatruas, ou diminuir seu número de adeptos, o método (usado no video acima) é completamente ineficaz. Pessoas propensas a cair nas garras de charlatões não acham esse tipo de coisa engraçado. Isso só aumenta a fé dos indecisos e transforma o charlatão em “vítima de gente irresponsável e leviana”.
Ridicularizar charlatões apenas reforça a descrença dos incrédulos. A piada só faz sucesso neste restrito grupo, e não passa disso. Se alguém realmente acredita que a veiculação desse tipo de piada vai causar a debandada de crentes das igrejas, está ingenuamente se iludindo (pois, felizmente!!!, não conhece como funciona a cabeça dum crente).

O método que já se provou eficaz é o utilizado por James Randi. Nos anos 80 ele conseguiu causar o fechamento da igreja do curandeiro Peter Popoff. Vale a pena assistir:
http://www.youtube.com/watch?v=BABymwujXro
http://www.youtube.com/watch?v=q7BQKu0YP8Y

Tirar um sarrinho da cara de charlatões é uma atividade sadia e recomendável para todos, porém é preciso estar perfeitamente ciente de que isso não ajuda a desmascará-los nem expô-los ao ridículo diante de seus adeptos.

Barnabé disse...

Adotarei o "clame" doravante.

Popoff disse...

Cada macaquinho no seu galhinho. Quem não tem a capacidade de entender de cara o que lê, conforme-se com sua ignorância e tente mais tarde. É como um livro qualquer, tipo didático, daqueles da escola. Está tudo claro, quem o escreveu não tem dúvidas, porque domina a matéria. Para aluno Fulano é tão claro quanto, para Sicrano é grego. Sicrano tem menos capacidade de compreensão, precisará de muitas lidas para compreender uma fração do que Fulano entendeu na hora.
Por isso tem gente que lê uma frase bíblica qualquer, não entende, e põe a culpa no livro, pq na certa é superior, o erro TEM que estar no texto. Cala-te e lê logo mais. Quem sabe não salta aos seus olhos o que antes lhe era obscuro? "Aos que muito tem, muito será acrescentado, aos que pouco tem, até este pouco lhes será tirado". Nossa- dirão alguns- Jesus era um tirano!!! Esses não entenderam. TODOS os textos sagrados, sejam Cristãos, Budistas, Maometanos ou o que for, só farão "sentido" quando o leitor tiver mudado seu acanhado paradigma, e parado de se achar o supra-sumo da compreensão. Mas aí é pedir demais para um saco de excrementos, fluidos gerais e ninho de doenças que é o ser humano e que, a despeito de ser isso tudo aí, ainda é vaidoso.

MIZAMED disse...

Prezado Doutor, gostaria de saber sua opinião à respeito do comentário do Popoff! Como disse o Refrator... "Eu diria mais, mas vou me contentar com menos".
Saudações

nervocalm disse...

Entre as trocentas e duas denominações cristãs, Popoff, fundadas justamente nas diferenças de interpretação de tão clara Bíblia, qual é a que entendeu certo? Alguma?

Permafrost disse...

Popoff & Miza,
Acho q ficou ali esquecido o requisito "without ambiguity". A Bíblia se contradiz a rodo. Vejam por exemplo esta moderada lista:

http://www.youtube.com/watch?v=RB3g6mXLEKk

Além disso, o aparente ecumenismo do Popoff descarta com um gesto de mão não só as contradições mas tbm o quase total desacordo entre "cristãos, budistas, maometanos ou o que for".

Os escritos "sagrados", longe de serem claros pra quem "tem a capacidade de entender de cara o que lê", precisam OU de médiuns q os filtrem e interpretem (e portanto controlem), OU de ignorância sobre outras passagens q contradizem as passagens q o vaidoso entendedor "entendeu" logo de cara.

Outra coisa, a vaidade tá na crença, não no ceticismo. O crente confunde crer com saber justamente com o objetivo inconsciente de achar q SABE algo de valor sobre o grande mistério da existência. O cético jamais se arrogaria uma vaidade tão imensa.

Popoff disse...

"Interpretação de tão clara Bíblia" já diz tudo: interpretou, pois não viu logo de cara, aí colocou seu "acervo pessoal" em ação, concatenou raciocínios e tirou uma conclusão. Isso funciona bem para questões racionais, mas se a razão fosse a Meta Suprema o mundo estaria a salvo deste caos em que se encontra. Qualquer passagem da Bíblia QUE CONTENHA O CERNE DO ENSINAMENTO, ISTO É, A VOLTA À CASA PATERNA, O RELIGARE, necessariamente dispesa o raciocínio. Deus é simples, já que Ele mesmo Se intitula o Alfa e o Ômega (Criador-Criatura, o Seco e o Úmido, o Masculino e o Feminino), o Todo que em tudo está, sendo a manifestação e sua potencialidade. Por isso o símbolo Oroboros, a serpente mordendo a própria cauda.
Vai daí, as "contradições" bíblicas são contradições para quem não enxerga, na aparente dualidade, o Uno que mostra o Caminho. Não se preocupe, Deus é assim, "contraditório", pois a Alquimia é acender o caldeirão até o limite do vaso, para depois apagar o fogo e ir sutilizando o seu conteúdo.

Cristãos, Maometanos, Budistas, etc, só se digladiam por se apegarem às minúcias, e não ao cerne da filosofia. A volta à Casa Paterna, que é o objetivo mesmo de qualquer religião, o Cristão chama de Reino de Deus, o Budista de Nirvana, o Maometano de Paraíso. Vê? É a mesma Verdade, apenas vestida com roupas diferentes, pois cada Avatar pregou numa determinada época, usando a linguagem e os termos familiares ao seu povo. Certamente hoje a pregação seria vestida com roupas atuais, mas o núcleo, o Religare, este se manteria.

A vaidade é certamente um monstro a ser morto, é uma praga que acompanha o gênero humano desde sempre. Digo isso sempre a mim mesmo. Difícil é por certo se livrar dela. Quando isso acontecer, não haverá mais nenhuma barreira que impeça o crente de amar por amar, sem esperar nada em troca, pois o Amar será completo em Si mesmo. A serpente abocanhando a própria cauda.

Tudo isso é apenas a maneira mais simples que encontrei de finalmente gostar de Deus. E que fique bem claro que tipinhos como o Popoff me dão nojo também, pois não só não tão nem aí com Deus, como ainda usam Seu nome para enriquecer. E morrem logo mais, como todo mundo.
Mas longe de mim só gostar de quem gosta Dele. Afinal, a despeito de me sentir muito bem em Sua companhia, eu sou apenas mais um saco finito de doenças, um mero Zé Qualquer.

Abraços e tudo de bom em suas vidas.

Permafrost disse...

Popoff,
É tudo muito bonito, de verdade, mas de qqer jeito vc tá interpretando. Não dá pra escapar de "colocar teu acervo pessoal". A religião de cada um é o modo como ele espera q seus problemas se resolvam. Se, no "religare", o Muçulmano acha q terá 60 virgens a sua disposição, o cristão acha q terá o infinito prazer de "viver" num paraíso, o budista acha q finalmente atingirá o supremo Nirvana do Nada, então o religare é apenas a idealização duma resolução de problemas terrenos. A coisa q produz esses efeitos é a linguagem, a contradição irresolvível entre símbolo e objeto. É claro, óbvio e evidente q há um problema profundíssimo no Universo e outro problema profundíssimo no Humano. Mas este último é um problema cognitivo/simbólico q, pra mim, não se resolve superpondo OUTRO simbolismo encima do simbolismo da linguagem e dizendo q um é o mesmo q o outro – e, mais, dizendo q é tbm a resolução do Universo. Essa interpretação do mundo servia qdo se achava q o Universo todo era o Oriente Médio repousando sobre uma tartaruga, tudo embaixo duma tenda respingada de estrelinhas, e qdo cada tribo usava sua religião pra justificar suas ambições e preconceitos contra as outras tribos. Hoje não serve mais. Já se demonstrou q o mundo é muitíssimo mais complexo e difícil do q se pensava. Hoje, a todo momento há situações em q se diz a um crente, e em q ele diz a si mesmo: "Tá bom, vc crê nisso aí, muito bonito, mas ¿que fazer sobre ESTE problema insolúvel AQUI, ESTE dilema desesperador sobre a qual teu livro sagrado não sabia absolutamente nada, e não te dá respaldo nenhum pra RESOLVER?"

Um exemplinho mínimo, mínimo:

http://www.youtube.com/watch?v=_GDsuSk1vdA

Arthur disse...

Sempre achei engraçado que enquanto a maioria das religiões da como o objetivo do crente um tipo especifico de vida após a morte o objetivo do budista é se livrar da vida após a morte.

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