27 março 2010

Psicografado de outro blogue

Olha o q a patroa escreveu:

Sabem o que eu adoro? Esses médiuns que juntam platéia e ficam "estou ouvindo um ême... alguma coisa com ême... alguém aqui tem um ente querido, pode ser tio, pai, avô, filho, sobrinho, cachorro cujo nome começava com ême?". E uma senhora levanta emocionada "meu marido, Manovitch!" E o que ele ouviu foi o ême, não o itch.

HAHAHAHAHA

"Estou ouvindo um bê, um bê..." "Minha avozinha Bócia!" Novamente, não o ó. Mas ele acertou! "Isso, Bócia. Ela está me dizendo que faleceu com algum tipo de dor... uma dor no corpo... eu vejo o peito... talvez o coração, o pulmão..."

HAHAHAHAHAHA

Sabem o que eu adoro mais? Que, enquanto isso, haja outros médiuns que psicografam cartas e livros inteiros sem nenhum problema de fonética espiritual, chuvisco na imagem ou linha cruzada.

HAHAHAHAHAHAHA

E sabem o que eu adoro hors-concours? Que os médiuns do "estou ouvindo um ême" embolsem muito mais dinheiro que os outros com seu talento. Esse tipo de mediunidade paga mil vezes mais por caractere.

HAHAHAHAHAHAHA

Casei com a mulher certa.

3 comentários:

camelo disse...

Caro Doutor,
Excelente texto. É o que eu não me canso de falar: a patroa tem um excepcional talento para escrever, e poderia se profissionalizar facilmente.

O texto me fez lembrar o caso Chico Xavier.
Bom, como eu um dia fui espírita (li muito sobre o assunto, conheço muita coisa que o Chico escreveu) e acabei abandonando a crença para me tornar um agnóstico, posso falar sobre o assunto com uma certa imparcialidade (se é que isto realmente existe).
Nunca encontrei nada de impressionante no espiritismo. As sessões de psicografia que presenciei durante esses anos sempre produziram cartas com conteúdo vago, estilo repetitivo e obviedades sem nenhum detalhe sobre a vida do suposto desencarnado. O que diferenciava Chico Xavier era o fato de que ele especificava detalhes, nomes e eventos (além de escrever textos complicados, em estilos diferentes, e com uma velocidade impressionante). E não eram informações óbvias. Eram relatos de conversas íntimas, de acontecimentos específicos: fatos que somente os familiares do morto conheciam.
É certo que o Chico conversava com os familiares antes das sessões e colhia informações. Porém, a riqueza de detalhes de seus textos ia muito além dessas informações colhidas (segundo os depoimentos das famílias).
Embora haja razões para se duvidar da mediunidade, não há razões para se duvidar da sinceridade e honestidade do Chico: nunca recebeu um tostão pelos livros e cartas que escreveu - tudo era doado para instituições de caridade. Se tivesse recebido por todos os livros que vendeu (mais de 20 milhões de exemplares só no Brasil) teria sido um milionário. Muito diferente dos Gasparettos que encheram o cu de dinheiro com a venda de "livros psicografados".
No entanto, é interessante notar uma coisa: algumas pessoas famosas (Houdini e Monteiro Lobato, por exemplo) deixaram antes de morrer códigos secretos para validar suas mensagens do além túmulo. Esses códigos nunca foram descobertos por nenhum médium.
Chico Xavier também deixou o seu código. E após sua morte, uma quantidade enorme de supostas mensagens do Chico pipocaram em vários centros espíritas do Brasil. Segundo seu filho adotivo (que conhece o código) nenhuma é autêntica. E acho que nunca serão (a não ser que haja maracutaia).

Toda essa história de vida após a morte me lembra uma piada. Dois fetos conversando no útero:
- Será que existe vida após o parto?
- Não sei. Nunca ninguém voltou para contar a história.

Permafrost disse...

Camelo,
A ótima questão levantada pela patroa foi perguntar como é possível tanta gente não-médium acreditar AO MESMO TEMPO q os espíritos escolham dizer a alguns médiuns apenas letrinhas enquanto a outros ditem livros inteiros. É uma excelente pergunta, e demonstra vivamente que muitos crentes (não todos) não costumam refletir sobre suas próprias crenças e incongruências.

Vc disse: "É certo que o Chico conversava com os familiares antes das sessões e colhia informações."

Ou seja, o q o C.Xavier fazia era quase exatamente a charlatanice do cold reading.


O fato de q certas pessoas não lucram diretamente de suas criações não quer dizer q não lucrem indiretamente. Há inúmeras maneiras de lucrar, tanto em dinheiro como em mercadorias como em favores como em notoriedade. O q faz de alguém um charlatão não é o dinheiro q recebe. E, se vc for analisar a coisa de frente, toda crença propalada, toda divulgação – proselitista ou declarativa – duma crença é uma forma de desonestidade: é uma pessoa afirmando algo q não viu, algo q não tem como provar, algo q só existe dentro de sua cabeça. Se ela viu então ela não crê: ela SABE, e se ela sabe, é possível provar a outras pessoas, nem q seja a alta probabilidade daquilo q ela sabe. Ou seja, q se por qqer motivo alguém publica um livro cheio de generalidades e narrativas, nenhuma informação materialmente comprovável, afirmando q foi "psicografado" e o autor não tem como comprovar materialmente nem o conteúdo nem a afirmação, então ele tá sim sendo desonesto e tá sim sendo, até prova em contrário, um charlatão.

E muito me orgulho de ter um amigo q enxergou a maquininha atrás dessa geringonça, e saiu a tempo.

camelo disse...

Caro Permafrost,
Que minha história sirva de exemplo para muitos:
Tive a sorte de estar estudando Física (pra valê mesmo!!!) na faculdade na mesma época que ingressei no espiritismo - no final da minha adolescência. Naquela época, eu conhecia muito bem os conceitos clássicos da Física, mas estava muito longe de entender o que leva o ser humano ao verdadeiro conhecimento científico. E o que me salvou das garras do misticismo, da religião e de muitas outras ilusões e tolices humanas, foi o fato de eu ter conhecido e estudado o método científico (a forma como os humanos constroem e aprimoram o saber). Naquela época, aprendi algo muito importante: o quão patético e primitivo era meu conceito de saber em relação ao conceito de saber da ciência.
Hoje eu sei como a religião pode ser sedutora e capciosa para uma mente ainda não devidamente treinada em ciência. É certo que muitos (que não foram educados em ciência) não caem no conto do vigário das religiões. Porém, podem se tornar presas fáceis de algo que considero ainda muito pior: a pseudo-ciência (que parece ciência, cheira como ciência, fala como ciência, mas que está muito longe de ser ciência). E a pseudo-ciência é muito utilizada por algumas religiões para seduzir os mais exigentes.
Hoje o que me causa espanto (e até mesmo medo!!!) é perceber a quantidade de pessoas que se consideram "bem informadas" e que agem e pensam guiadas por preceitos pseudo-científicos. E isso é uma receita para o desastre. Basta olhar para a História e perceber como a pseudo-ciência muitas vezes esteve a serviço das religiões (e de outras ilusões e tolices humanas) com o fim de legitimar as atrocidades cometidas por fanáticos desmiolados.
Hoje não tenho dúvidas: só a educação séria nos salva.

Postar um comentário

consulte o doutor