25 outubro 2009

Engodo e traste

Alguns anos atrás, nosso exosférico doutor deu boas risadas qdo ficou sabendo q a indústria evangélica – plena de oportunidades – havia inspirado um "paulista com formação em Marketing e Teologia, e pós-graduação em Administração" a criar um novo negócio chamado "Igreja Bola de Neve Church".

A risada obviamente não foi pela crença evangélica: rir de crença é como rir de velhinhos tropeçando; tbm não foi pelo cunho marqueteiro da coisa: rir de marketing é como rir de BEBÊS tropeçando. Riu foi do nome q deram à coisa.

¡¿Bola de Neve Church?! ¿Por que essa puxação de saco de euaense? ¿Por que não Bola de Neve Église ou Chiesa ou Kyrka? Ah, deve ser pq vivemos num mundo "globalizado"... HAHAHAHAHA Ou seja, o marqueteiro tá automaticamente dando a entender q quem fala inglês tá mais perto de Deus do q quem fala brasilês. Brasileiro raramente pensa no significado das palavras e nunca percebe essas sutilezas. Mas "ELES" percebem.

Já o nome 'bola de neve', deve ter sido escolhido pq é uma coisa q vai crescendo aos poucos, cujo poder vai aumentando. HAHAHAHAHAHA Quem bolou esse nome tá precisando dum retiro espiritual na Clínica Dr Plausível: foi vítima duma infecção hipoplausivirótica no cucuruto. Pois se não estiver infectado, ¿como é q pode imaginar q bola de neve é uma força positiva? Bola de neve é uma coisa q vai pra baixo, vai descendo o morro crescendo e crescendo e ganhando velocidade e, qdo chega lá embaixo, já virou avalanche – e se não matou muita gente, com certeza não "salvou" ninguém.

Este blogue fez campanha pra q eles mudassem o nome (pq pô, né?) mas não adiantou. Não é só uma infecção: é uma epidemia.

Mas hoje, passeando com a patroa, nosso elevatório humanista virou uma esquina e deu de cara com um carro estacionado, e o carro estacionado tinha um adesivo da Bola de Neve Church, e no próprio adesivo, abaixo do nome esdrúxulo... ¿que será q fez o doutor rolar no asfalto desguarungrugulhando o esputo?

Tava escrito ali: "IN GOD WE TRUST"

HAHAHAHAHAHA

O bordão das notas de dólar. Isso mesmo. In God we trust. Engodo e traste. ¿Dá pra acreditar?

¿Dá pra CRER?

O doutor não acreditou e foi pesquisar no site da igreja. E ¿não é q ali eles vendem, chaveiros, adesivos, &c, tudo com o mesmo bordão euaense, in God we trust? Gente de baixa auto-estima puxando o saco do ¡¡DÓLAR!!

Esse pessoal é tão "globalizado" q o site vende "cazes" e "skeezes".


"Caze", pra gente não-globalizada como eu, é um porta-livros. Na verdade, eles queriam ter escrito "case", mas devem entender tanto de spelling como entendem de neve.


"Skeeze", eles acham q é "squeeze", uma garrafa plástica pra desportistas. Na verdade, no país do dólar, "skeeze" é gíria pra "pessoa imoral e suja; mulher mais do q vadia, mais do q puta".

HAHAHAHAHAHA

(Confira.)

In God we trust. Engodo e traste. O engodo da religião aliada ao traste do marketing.

Nosso humanitário doutor tem pelas pessoas um infinito apreço e respeito. Qdo são vítimas, então, esse apreço e respeito vira dó e piedade. Não dá pra ter outra coisa por pessoas q se gostam tão pouco q chegam a misturar a inferioridade q sentem à sombra dum deus com a inferioridade q sentem à sombra do dólar.

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Adendo:
Parece q agora eles mudaram o bordão pra "In Jesus we trust", talvez depois q alguém ali percebeu a gafe. Mas... O q antes era só uma gafe virou uma gafe + uma aberração, pois (1) não se livraram da subserviência anglofônica, (2) não se livraram da inspiração dolaresca e (3) adotaram essa moda bizarra, tbm originada nos Euá, de chamar Deus de "Jesus" – tem crente hoje em dia dizendo q o mundo foi criado por Jesus... o mesmo Jesus q veio ao mundo se sacrificar a Jesus pela humanidade, e lá na cruz olhou pro céu e disse a si mesmo, "Jesus, Jesus, ¿por que me abandonaste?"

12 outubro 2009

Fé com fé, cré com cré

Vou dizer uma coisa pra vcs, viu. Desde q aquele povo desértico inventou q a vida eterna é um prêmio por conduta moral exemplar ou apenas por seguir uma tradição esdrúxula, este mundo virou um inferno. Como se não bastasse, todos pregam q a retidão moral vem da fé (???), e portaaaanto a fé é o maior bem. Vc pode perguntar pra qqer crente de qqer religião desértica (judaísmo>cristianismo>islamismo) qual é seu maior valor e ele vai dizer q é sua inabalável fé em Deus, ou algo assim.

Toda vez q nosso exponencial doutor diz a essa gente q a fé é só uma desculpa pra juntar um pessoal, paquerar, dar risada com os amigos, checar o progresso dos sortudos e comer um churrasquinho... ele ouve um sermão q começa com “¡Nããão, que abessurdo! ¡A fé em Deus é a base de tudo!” O doutor então diz q a base de tudo é o instinto gregário, e aí ouve q “Vc tá enganado. ¡A fé é a dádiva divina devido à dívida da vida em dúvida!” ...e outras palavras de ordem...

O Dr Plausível não se mete com gente armada. Mas qdo se depara com um crente muito afoito, daqueles q até “rezam” pela alma de nosso terapeuta, ele conta uma pequena parábola pra demonstrar q religioso taria pouco se lixando prà fé se esta o privasse da vida em comunidade. O doutor chega-lhe ao pé do ouvido e fala assim:

Imagina q vc tá cara a cara com Deus no juízo final. Ele te olha de cima a baixo e troveja:

Deus: Parabéns, fulano. Foste um judeu/cristão/muçulmano exemplar e chegaste ao paraíso.
Vc: ¡Oh que ótimo, milagroso Deus misericordioso!
D: Sim, agora terás a vida eterna a meu lado e gozarás das infinitas benesses divinas.
V: Grandioso e gracioso Deus... Cantarei eternamente vossas glórias.
D: Ótimo, assim q eu gosto.
V: ¡Que maravilha magnífica é este paraíso!
D: Ah, ¿reparaste? Obrigado, obrigado.
V: ¡Sublime soberano do universo!
D: Hehehe...
V: Mal posso esperar pra rever meus pais. Qta saudade...
D: Ãã... Não, não. Eles não estão aqui.
V: Cuma?
D: Só deu pra salvar a ti.
V: ¿Meus pais não foram salvos?
D: Hmmnnnão... Deixaram a desejar.
V: Oh, que triste...
D: Mm.
V: Ãã... ¿Agora estão no inferno?
D: Yep.
V: Aaaaghh...
D: ...
V: Bem ... mas meu regozijo por estar em vossa presença sobrepuja qqer sofrimento, por mais atroz. ¿E meus tios e tias?
D: No inferno tbm.
V: ¿Nem a vó Javilda, tão casta e fiel?
D: Nnnã. Essa tbm não deu pra salvar.
V: ¿Nem ela?
D: Nnnãã. Só tu te salvaste.
V: ¿E MEUS FILHOS, MEU DEUS?
D: Nenhum.
V: O Maycson...
D: Naaa...
V: A Marisvelda...
D: Inferno.
V: Oh não... Não é possível... ¿Até a Marisvelda...?
D: Casou com um ateu. Só pensava em sexo.
V: ¡¡Nããããoo!!
D: Yep.
V: Bem, pelo menos alguém de minha sinagoga/igreja/mesquita...
D: Ninguém. Só sobraste tu mesmo.
V: Uau...
D: Pra veres como são as coisas. Como eram.
V: Puts. Vou levar um tempo pra me acostumar.
D: Pois é. Mas na eternidade, tudo se ajeita.
V: ¿E o padre Deoclécio, da igrejinha?
D: Inferno. Só tu restaste.
V: ¿O rabino Metzger, o aiatolá Khomeini?
D: Não houve jeito.
V: Bem, pelo menos vou ter a companhia dos santos... Tipo... São Francisco...
D: Nã, nã....Só pensava em comida.
V: São Benedito...
D: Inferno. Tinha pensamentos impuros.
V: Ué, eu tbm tive.
D: É, mas te arrependeste a tempo.
V: Santa Rita...
D: Duvidou de mim no último segundo.
V: Oh. ... João XXIII?
D: Inveja.
V: Maimônides?
D: Desejou incesto.
V: Abraão? Não vai me dizer q...
D: O povo exagerava.
V: Maomé?
D: Reclamou bastante, mas não houve jeito.
V: Uau...
D: ¿Não caiu a ficha? Em toda a história da humanidade, TU és o único ser digno de entrar em meu reino: só tu te salvaste.
V: Mas ¡¡a probabilidade disso acontecer é infimamente pequena!!
D: ¿Que sabes tu? Quem INVENTOU a probabilidade fui eu.
V: Mas... ¿e as criancinhas, meu Deus misericordioso? Com certeza suas almas já estão aqui...
D: Que nada. Re-encarnei todas, e todas depois se perderam na vida.
V: Mas, pôxa, não foi isso q me disseram. Era tão gostoso ali no templo, com minha família e amigos... ¿Não dava pra acochambrardes as leis divinas um tantinho, pra popular o paraíso um pouquinho?
D: O q está feito está feito. E a justiça divina não falha.
V: ¿E o amor divino, Deus meu...? ¿Por que ferraríeis toda vossa criação?
D: Ah, amei e amarei infinitamente todos os seres q criei.
V: Então?!
D: ¿Então o quê?
V: ¿E o perdão divino?
D: Já perdoei todos, mas perdão não é impunidade.
V: Quer dizer... quer dizer q de toda a história da humanidade, ¿só EU gozarei a vida eterna convosco? ¿Sem meus pais, meus irmãos, meus filhos, meus amigos, sem santos, sem religiosos, sem companhia nenhuma, só eu, eu sozinho?
D: Sim, pq o mereceste.
V: ¡¡¡gngnfgngngfn!!!
D: Não fica assim. Vamos nos divertir bastante, tu e eu. Temos a infinita eternidade pela frente. Tanta coisa pra conversar. Por exemplo, ¿sabias q, além de infinito e eterno, sou tbm incalculável?
V: Ah é? Mm.
D: ¿Não vais me louvar?
V: Ah. ... ¡Oh incalculável incandescência!
D: Então? ¿Não é divertido?
V: Ãã... Claro, bastante.
D: mmMM?
V: Sim, sim, divertidíssimo, oh divina divertância.
D: E tbm sou...


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A bem da verdade, ninguém conseguiria contar essa parábola prum crente até o final, pq já no meio ele começaria com a ladainha Deus-jamais-agiria-assim. Eles não aceitam q seu deus poderia fazer isso tanto qto qqer outra coisa. Mas é muito revelador q o Paraíso não pode ser um lugar chato, q ele tem q ter um quê de diversão. Os crentes podem perdoar os mais intoleráveis atos de Deus, contanto q ele não seja maçante. A noção dum Deus enfadonho é a extrema abominação, até na Terra. Nenhuma religião tediosa sobrevive. A chatice é um pecado imperdoável.