27 fevereiro 2009

Painel do leitor


Caros Srs Editores da Folha de São Paulo,

Foi com muita revolta q li vossa matéria de quinta-feira, 26 de fevereiro último, no caderno Cotidiano, sobre as chuvas em SP, matéria q me leva agora a denunciar publicamente a prefeitura desta cidade. São absurdos os desmandos, favoritismos e arbitrariedades desta administração no desempenho de suas atribuições supostamente democráticas. Tenho uma horta em meu quintal e dela tiro grande parte dos alimentos para minha família de 5 pessoas. Igual a mim, dezenas de milhares de moradores nas periferias têm hortas familiares; muitos desses horitcultores chegam a usufruir de seus produtos comercialmente. E não é preciso nenhum diploma universitário para saber que os horticultores precisamos de chuva regularmente. Ora, ¿que direito tem a prefeitura de enviar chuvas exclusivamente para trens e trânsito? ¿que prepotência avassaladora, que corrupção inominável leva um administrador público a arbitrar sobre a chuva – um recurso cada vez mais escasso – e privilegiar tão descaradamente um setor da comunidade, setor este q reconhecidamente polue, incomoda e atrasa a vida de todos, até mesmo sem a chuva? ¡Chega de conchavos com chuva! ¡Toró para todos, já!

Rodoanei Vialho

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Numa cultura de desmandos e arbitrariedades, um jornal q se diz "de rabo preso com o leitor" encampou alegremente a imbecilidade sangue-de-barata da reforma ortográfica 2009 e se expõe ao ridículo-mor q a escrita duma língua pode alcançar: qdo, pra evitar mal-entedidos, a *ORTOGRAFIA* obriga o escritor a dizer algo diferente do tencionado.

23 comentários:

Vanessa disse...

Muito bem observado...rs
Esses colegas racham minha cara de vergonha...

Gostei do Blog!

Edmilson disse...

É a terceira vez que tento comentar aqui. Esse HaloScan, às vezes, enche o saco.

Seria melhor se houvesse um outra palavra.

Rain stops subway and traffic
Rain for subway and traffic

Mas, neologismo, no Brasil, é sinônimo de invencionismo e/ou burrice. Um pena.

Edmilson disse...

Mas, de qualquer jeito, isso ficou coerente com a fonética da palavra.

Se não criar uma palavra diferente, tanto na escrita, como na pronúncia, o jeito é falar de outra maneira. Subterfúgio.

numtenho disse...

Acontece que "para" do verbo parar é paraxítona e "para" preposição é átona. A pronúncia é diferente. Essa reforma ortográfica foi de uma idiotice sem igual.

Permafrost disse...

O Haloscan tem tido uns problemas mesmo.

Uma solução pra essa frase é:

"Chuvas param trânsito."

Mas aí é aquilo q disse: por causa da ortografia, vc tem q mudar o q queria dizer.

A Folha fez uma imbecilidade atroz. Agora quero ver voltar atrás. A patroa ouviu hoje um debate no rádio em q alguns dos responsáveis pela idiotice do acordo chegaram a dizer coisas como "o acordo não é ótimo mas é bom", e até "não é um acordo perfeito, e pode ser mudado"...

HAHAHAHAHAHAHA

Ok. Vai ter o Dicionário da Língua Portuguesa Versão 2009, depois o Dicionario da Lingua Portugueza Versao 2015, depois o Diccionariu da Lingua Purtugesa Versam 2030.

Ô traque de cérebro.

Permafrost disse...

Na verdade a frase tem não duas mas três interpretações:

• após feriado, chuva pára trens e trânsito

• mandaram chuva pós-feriado especialmente para trens e trânsito

• após feriado para trens e trânsito, choveu

Edmilson disse...

Legal. Essa terceira interpretação eu não tinha captado.

numtenho

E a pronúncia é diferente? Eu li em voz alta as três interpretações do Permafrost e não vi nenhuma diferença.

Não parece ser possível falar uma palavra sem enfatizar em uma das sílabas. Ou focamos no "Pa" ou no "Ra". Ou falamos "pára" ou "pará".

Neanderthal disse...

É a imprensa marrom!

Permafrost disse...

Edmilson,

Na verdade, numtenho tá certo. A atonicidade de 'para' aparece na fala comum; além disso, ela é a causa de essa preposição ser contraída pra 'pra' ou 'pa' na fala. Isso não quer dizer q ela não possa ser enfatizada. É muito comum, qdo alguém tá falando só pra enrolar (político sendo entrevistado, por exemplo), enfatizar as preposições:

"Essa verba DÔ congresso vai PÁRA os gastos NÁ análise DÔS dados."

Isoladamente, 'para' e 'pára' têm a mesma pronúncia, como vc diz. Mas no discurso, a preposição é átona mesmo:

CHUva aPÓS feriAdo para TRENS e TRÂNsito [preposição]

CHUva aPÓS feriAdo PÁra TRENS e TRÂNsito [verbo]

Edmilson disse...

Entendo, é algo mais sutil, e está relacionado ao contexto. À estrutura de acentuação sonora da frase, por assim dizer (se é que existe essa expressão).

Isso me lembrou a estrutura de uma música, em que você tem que perceber a acentuação pra identificar o tipo de compasso. Ok, viajei :P

Valeu pela explicação, permafrost. E numtenho, também.

Ser indignado com seres estúpidos disse...

Sensacional!!! Hiláriante!!!
Não tenho a mínima dúvida: até o último minuto para a transição passar a ser oficial, continuarei escrevendo como aprendi desde tenra idade. Tudo bem, quando eu era moleque apareceram mudanças mínimas e simples de serem incorporadas, como a supressão do acento circunflexo em "ele" (pronome), por exemplo. Foi fácil e fazia sentido. Mas aderir a uma palhaçada comercial para nos roubar dinheiro e ainda aplaudir é, no mínimo, muita falta de real entendimento sobre a "profundidade" do negócio, expressão que aliás combina perfeitamente com a coisa toda. E tem mais: a molecada, que já escreve um português com cara de venusiano ou coisa que o valha ( e não me refiro ao internetês, não, e sim a coisas como "asseitar", "voutar", etc.), vai boiar muito mais do que já bóia atualmente. Mas o máximo mesmo foi a professora de redação do meu menino exigir, sob pena de perda de pontos, que a classe toda escrevesse tudo imediatamente segundo a nova ortografia. Minha senhora, dê uma olhada na legislação e cuide-se para não levar um processo. Caxias!

Ser indignado com seres estúpidos disse...

Hilariante, sem acento. Escrevi "hilário", mas resolvi mudar para "hilariante", e esqueci de tirar o maldito acento.

Permafrost disse...

Ei, ser indignado, conta mais sobre essa profa.

E não liga pro acento em 'hilariante'; se fosse por mim, poria acento em 'cafezinho' e grafaria a contração a+a (à) com trema (ä).

numtenho disse...

Claro que a pronúncia é diferente. Quando a palavra é átona ela é pronunciada junto com a que lhe segue, como se fosse "paratrens" que é muito diferente de "pára trens"

Barnabé disse...

Nada disso estaria acontencendo se abolíssemos o português e adotássemos a língua de Shakespeare.

Permafrost disse...

Barnabé,
Abolir o português e adotar o inglês, eu não diria. Diria enforcar os gramáticos e adotar o laissez-faire do inglês.

Edmilson disse...

Enforcar os gramáticos! Ehh Muito bom. Mas os imortais, da academia de letras, nós cortamos a cabeça.

ARBO disse...

cabou?

Permafrost disse...

Ah não. O doutor ainda tá ocupadíssimo tratando um caso gravíssimo de hipoplausibilose, infelizmente em sigilo absoluto. Depois ele volta.

ARBO disse...

melhor assim. suerte.

Pracimademoá disse...

Tem que ser um caso muito grave mesmo para monopolizar a atenção do Dr. com tanta hipoplausibilose no mundo.

Patricia disse...

Caro Doutor,
Volte o mais rápido. Já estou sentindo falta das doses diárias de bom humor.
Abraços mineiros.
Patrícia

Permafrost disse...

Demoá, é um caso complicadíssimo. E ele tá sofrendo: é tão sigiloso q nem gargalhada ele pode dar.

E obrigado, Patrícia. O doutor tá bastante ocupado mesmo. E ele se cansa fácil pois já tá entrado em anos. Talvez não sobreviva até o final deste século.

Retorno os abraços.

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