16 fevereiro 2009

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A ciência e a religião jamais vão dialogar. A ciência conta e a religião fala. A primeira lida com uma quantidade infinita de números e a segunda com um vocabulário limitado de palavras.

Já ouço alguém dizendo q, como cada um lida com um aspecto humano, então ambos são necessários. Sorry, mas a segunda não é o único assunto humano q lida com palavras; e suas limitações vocabular e temática indicam q ficam de fora a maior parte do vocabulário existente e das temáticas possíveis. A religião é na verdade um assunto pequeno na vida, mesmo dos crentes, e é justamente por isso q se lhe atribue uma importância indevida, gerando chatonildos e fanáticos.

6 comentários:

Edmilson disse...

Ah, mas bem que várias vezes as religiões tentam abraçar um vocabulário e temáticas mais amplas. Os resultados são vergonhosos, via de regra.

Isso me lembra meu professor de guitarra. Um cara novo (trinta e poucos anos) mas já com muita experiência e conhecimento musical. Ele se recusa (ah, eu acho feio recusa-se, lembra-me, então não vou usar) a pensar por conta própria em alguns aspectos.

Quando ele me falou qual guitarrista ele citaria como o melhor, disse que não faz isso de acordo com a cabeça dele, mas sim pela cabeça dos grandes músicos (caras muitos famosos, inclusive) que ele conheceu.

Achei aquilo degradante. E ele acha que pensar naquilo conta própria é arrogância. Não me assusta que seja crente e acredite em providência divina e verdades absolutas.

E no primeiro dia de aula, quando ele veio tentar me explicar o que é dom, e enfiou o fator deus no meio.

Felizmente eu fui claro já naquele dia e disse que não acreditava em deus. Se tivesse mentido para ser agradável teria que ficar aturando pregação gratuita no meio da aula de guitarra. E isso seria desanimador.

Permafrost disse...

Me lembrou aquele disco do Frank Zappa: Shut Up 'n Play Yer Guitar.

Ah, e o melhor guitarrista é sempre o último q a gente gostou.

Edmilson disse...

Hahahaha Muito boa, essa citação. Só que se eu usá-la, o tempo vai fechar.

Mas, apesar disso, ele é bem legal.

Quanto ao melhor guitarrista, faz sentido. Mas, não sempre.

Neanderthal disse...

Essa é fácil de responder: o melhor guitarrista é o Johnny Winter!

Bundão disse...

O melhor guitarrista é o que tem menos vida social, o mais chato, o mais arrogante, extremamente carente de vitamina D, e que não fala de outro assunto a não ser música. A propósito, prá que serve exatamente uma guitarra?

Camelo disse...

Caro Doutor Plausível,
A sociedade contemporânea confere à ciência um certo status de infalibilidade e veracidade que a própria ciência não possui. Este status não é fruto dos lentos, cautelosos, inseguros, controversos e provisórios avanços científicos (que pouquíssima gente acompanha e discute), mas da tecnologia que a ciência propicia. Tecnologia que nos mimoseia com arranha-céus, trens, aviões, carros, celulares, vídeo games, televisões, satélites, tomógrafos, computadores, etc., etc., etc. Tecnologia que nos dá o conforto mundano que a religião não conseguiu (ou nunca pretendeu) nos dar.
A grande virtude da ciência não é a sua capacidade de quantificar fenômenos naturais (lidar com uma quantidade infinita de números). É importante dizer que (mesmo cingida por um sublime halo de credibilidade) a ciência sempre trabalhou com precária exatidão e coerência: suas bases teóricas são indemonstráveis e seus conceitos muitas vezes beiram a pura metafísica.
A grande virtude da ciência é defrontar os enigmas da natureza com escancarada sinceridade e despretensão. A ciência não se arroga o privilégio de conhecer a verdade, nem de nos dizer o que as coisas são. Limita-se a prever fenômenos naturais e propiciar a manipulação deles (através de conceitos e cálculos). Porém, não podemos esquecer que é possível prever e manipular fenômenos naturais com conceitos e cálculos equivocados – a história nos dá vários exemplos disto.
Concordo: ciência e religião jamais vão dialogar. Pouquíssimos teólogos se atrevem a discutir ciência (e quando discutem, são poucos os que não se ridicularizam). No entanto, muitos cientistas e pensadores (Aristóteles, Pascal, Newton, Kant, Descartes, Leibniz, Espinosa, Einsten e o astrofísico contemporâneo Thinh Xuan Thuan) se aventuraram em questões metafísicas e religiosas, e o fizeram com muita lucidez e sagacidade.
Concordo que a sociedade de hoje já está farta de chatonildos e fanáticos religiosos. No entanto, eu não classificaria essas pessoas de “religiosas” e sim de simplesmente “fanáticas”: essa gente poderia aderir tão ardorosamente a uma religião como ao neonazismo (fanatismo não escolhe ideologia: nasce com ela).
Discordo que a religião seja um “assunto pequeno na vida”. Ouso dizer que ela é o tema fundamental da existência humana. Meu argumento é o seguinte: se soubéssemos (sem qualquer sombra de dúvida) que Deus existe, nossa atitude e nossa sociedade mudariam radicalmente?
A questão da existência (ou não) de Deus sempre atormentou (e ainda atormenta) as mentes dos pensadores e cientistas mais ilustres (principalmente as dos astrofísicos). E são deles que nascem os melhores textos sobre o assunto. Dar ouvidos a religiosos e fanáticos semi-analfabetos é perda de tempo.
Eu indico dois livros mui interessantes sobre o assunto:
- La Question Philosophique de l’Existence de Dieu – Bernard Sève
- L’infini dans la Paume de la Main (le Moine e l’Astrophysicien) – Matthiew Ricard e Trinh Xuan Thuan

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