21 dezembro 2009

Habeas copas

Se vc, leitor, tem sentido falta de textos longos, erráticos e irrelevantes, leia a resenha de nosso eviscerante doutor na Copa de Literatura Brasileira.

24 novembro 2009

A ideo-ilogia do ideólogo

Há pessoas praticamente imunes ao hipoplausivírus; mas às vezes mesmo nelas ele causa uma febrinha de qdo em vez.

Um desses episódios febris é qdo o vírus se manifesta através da crença de q todo texto humano – e extrapolando, toda ação humana – tá incluído numa ideologia. O sintoma principal dessa afecção é reclamar de pessoas q não atribuem suas ações e/ou palavras (ou algumas de suas ações e/ou palavras) a uma ideologia. O tratamento se faz demonstrando os limites daquela generalização. Dizer q a ideologia tá em todo lugar, inclusive na pessoa q nega ter ideologia, é como dizer q o ateísmo tbm é uma crença. ¿Como é q pode a AUSÊNCIA de crença ser uma crença? ¿Como pode a ausência de ideologia tbm ser uma ideologia?

Há inúmeros textos e inúmeras ações q não tão "imersos na ideologia de seu autor" (Althusser parafraseado pelo blogueiro Alex Castro). Não há ideologia em atitudes instintivas ou textos instigados por instintos; ou em textos buscando resolver um problema real baseados na determinação duma verdade, por exemplo, ¿a qual temperatura a água ferve a 3mil metros de altitude?

Daí se vê q o principal remédio contra essa febrinha é admitir q há pelo menos dois campos não incluídos na ideologia – um na base e outro no topo –: os instintos e o conhecimento. A ideologia é a baderna entre os dois. Dos instintos nem vou falar, pois nem precisa: é meio como o excipiente do xarope. Se o paciente é alérgico ao argumento de q as ideologias tão incluídas no instinto e não o oposto, então já é um caso mais sério.

Conhecimento = saber + raciocinar.

A diferença entre ideologia e conhecimento é como a diferença entre crer e saber. O foco do crer é um futuro abstrato; o do saber é o presente concreto. Assim como o presente caminha pro futuro, não há crer q não almeje tornar-se um saber.

Há quem diga q também o conhecimento é ideológico – q o foco em certas informações é uma escolha instigada por uma ideologia. Acho q pode-se dizer isso de muitos focos, mas não do conhecimento em si: ou vc SABE uma coisa ou não sabe. Não existe ideologia em 1+1=2 (a menos q se extenda a definição de 'ideologia' até ela se tornar sinônimo de 'consciência'). As ideologias vão e vêm; mas ninguém nunca pede desculpas por SABER algo, ou se arrepende de saber algo.

Notem q o campo mais fértil à ideologia são os assuntos onde a verdade não é conhecida ou totalmente conhecida – por exemplo, nas antagônicas interpretações sobre as delimitações do holocausto nazista; outro: 100 anos atrás era imensamente maior a proporção de biólogos q baseavam na ideologia religiosa suas objeções a Darwin/Wallace. Hoje, qdo a Teoria da Evolução já tá suficientemente comprovada como MUITO próxima à verdade total, não há ideologia em quem SABE do q se trata: a coisa é o q é. Já houve objeções ideológicas até contra o eletro-magnetismo...

Haverá quem diga q nosso evocável doutor tá dizendo q o oposto da ideologia é "A Verdade", tal como posto por outra blogueira.

A ideologia tem seus usos, mas a vida tem muitos aspectos em q a ideologia não tem por quê se meter, mas se mete – pq... pq se acha a fodona, oras, ¿todo fato não tem uma ideologia por trás?

Não.

Uma máxima Plausível: "O objetivo da ideologia não é conhecer a verdade; é obter a vitória."

A verdade é aquilo q REALMENTE acontece, não aquilo q as pessoas pensam ou interpretam q acontece. O conhecimento da verdade é o q efetivamente modifica a sociedade, não são as ideologias. Por quê? Ora, pq a ideologia não modifica a verdade, só modifica como ela é interpretada. O jogo de ideologias tende a MANTER o status quo; pode-se dizer q esse jogo É o status quo. Mas por mais q um ideólogo insista em alterar os fatos, a natureza destes SEMPRE acaba predominando. Por quê? Pq são os fatos, ora.

Os fatos não tem um ideological bias, mas um truth bias: toda interpretação q não se baseia na verdade termina em caca.

09 novembro 2009

O descaminho das pedras

Êi, ¿ouviram falar o q fizeram aqueles ãã crentes na Somália? Mataram a pedradas um cara por adultério.

Tadinho.

Mas o cara tinha engravidado a amante. Aí ¿sabe o q decidiram? Ué, claro: tão esperando o bebê nascer pra SÓ AÍ matar a moça a pedradas tbm.

HAHAHAHAHAHAHA

Ô mundo cão.

25 outubro 2009

Engodo e traste

Alguns anos atrás, nosso exosférico doutor deu boas risadas qdo ficou sabendo q a indústria evangélica – plena de oportunidades – havia inspirado um "paulista com formação em Marketing e Teologia, e pós-graduação em Administração" a criar um novo negócio chamado "Igreja Bola de Neve Church".

A risada obviamente não foi pela crença evangélica: rir de crença é como rir de velhinhos tropeçando; tbm não foi pelo cunho marqueteiro da coisa: rir de marketing é como rir de BEBÊS tropeçando. Riu foi do nome q deram à coisa.

¡¿Bola de Neve Church?! ¿Por que essa puxação de saco de euaense? ¿Por que não Bola de Neve Église ou Chiesa ou Kyrka? Ah, deve ser pq vivemos num mundo "globalizado"... HAHAHAHAHA Ou seja, o marqueteiro tá automaticamente dando a entender q quem fala inglês tá mais perto de Deus do q quem fala brasilês. Brasileiro raramente pensa no significado das palavras e nunca percebe essas sutilezas. Mas "ELES" percebem.

Já o nome 'bola de neve', deve ter sido escolhido pq é uma coisa q vai crescendo aos poucos, cujo poder vai aumentando. HAHAHAHAHAHA Quem bolou esse nome tá precisando dum retiro espiritual na Clínica Dr Plausível: foi vítima duma infecção hipoplausivirótica no cucuruto. Pois se não estiver infectado, ¿como é q pode imaginar q bola de neve é uma força positiva? Bola de neve é uma coisa q vai pra baixo, vai descendo o morro crescendo e crescendo e ganhando velocidade e, qdo chega lá embaixo, já virou avalanche – e se não matou muita gente, com certeza não "salvou" ninguém.

Este blogue fez campanha pra q eles mudassem o nome (pq pô, né?) mas não adiantou. Não é só uma infecção: é uma epidemia.

Mas hoje, passeando com a patroa, nosso elevatório humanista virou uma esquina e deu de cara com um carro estacionado, e o carro estacionado tinha um adesivo da Bola de Neve Church, e no próprio adesivo, abaixo do nome esdrúxulo... ¿que será q fez o doutor rolar no asfalto desguarungrugulhando o esputo?

Tava escrito ali: "IN GOD WE TRUST"

HAHAHAHAHAHA

O bordão das notas de dólar. Isso mesmo. In God we trust. Engodo e traste. ¿Dá pra acreditar?

¿Dá pra CRER?

O doutor não acreditou e foi pesquisar no site da igreja. E ¿não é q ali eles vendem, chaveiros, adesivos, &c, tudo com o mesmo bordão euaense, in God we trust? Gente de baixa auto-estima puxando o saco do ¡¡DÓLAR!!

Esse pessoal é tão "globalizado" q o site vende "cazes" e "skeezes".


"Caze", pra gente não-globalizada como eu, é um porta-livros. Na verdade, eles queriam ter escrito "case", mas devem entender tanto de spelling como entendem de neve.


"Skeeze", eles acham q é "squeeze", uma garrafa plástica pra desportistas. Na verdade, no país do dólar, "skeeze" é gíria pra "pessoa imoral e suja; mulher mais do q vadia, mais do q puta".

HAHAHAHAHAHA

(Confira.)

In God we trust. Engodo e traste. O engodo da religião aliada ao traste do marketing.

Nosso humanitário doutor tem pelas pessoas um infinito apreço e respeito. Qdo são vítimas, então, esse apreço e respeito vira dó e piedade. Não dá pra ter outra coisa por pessoas q se gostam tão pouco q chegam a misturar a inferioridade q sentem à sombra dum deus com a inferioridade q sentem à sombra do dólar.

----
Adendo:
Parece q agora eles mudaram o bordão pra "In Jesus we trust", talvez depois q alguém ali percebeu a gafe. Mas... O q antes era só uma gafe virou uma gafe + uma aberração, pois (1) não se livraram da subserviência anglofônica, (2) não se livraram da inspiração dolaresca e (3) adotaram essa moda bizarra, tbm originada nos Euá, de chamar Deus de "Jesus" – tem crente hoje em dia dizendo q o mundo foi criado por Jesus... o mesmo Jesus q veio ao mundo se sacrificar a Jesus pela humanidade, e lá na cruz olhou pro céu e disse a si mesmo, "Jesus, Jesus, ¿por que me abandonaste?"

12 outubro 2009

Fé com fé, cré com cré

Vou dizer uma coisa pra vcs, viu. Desde q aquele povo desértico inventou q a vida eterna é um prêmio por conduta moral exemplar ou apenas por seguir uma tradição esdrúxula, este mundo virou um inferno. Como se não bastasse, todos pregam q a retidão moral vem da fé (???), e portaaaanto a fé é o maior bem. Vc pode perguntar pra qqer crente de qqer religião desértica (judaísmo>cristianismo>islamismo) qual é seu maior valor e ele vai dizer q é sua inabalável fé em Deus, ou algo assim.

Toda vez q nosso exponencial doutor diz a essa gente q a fé é só uma desculpa pra juntar um pessoal, paquerar, dar risada com os amigos, checar o progresso dos sortudos e comer um churrasquinho... ele ouve um sermão q começa com “¡Nããão, que abessurdo! ¡A fé em Deus é a base de tudo!” O doutor então diz q a base de tudo é o instinto gregário, e aí ouve q “Vc tá enganado. ¡A fé é a dádiva divina devido à dívida da vida em dúvida!” ...e outras palavras de ordem...

O Dr Plausível não se mete com gente armada. Mas qdo se depara com um crente muito afoito, daqueles q até “rezam” pela alma de nosso terapeuta, ele conta uma pequena parábola pra demonstrar q religioso taria pouco se lixando prà fé se esta o privasse da vida em comunidade. O doutor chega-lhe ao pé do ouvido e fala assim:

Imagina q vc tá cara a cara com Deus no juízo final. Ele te olha de cima a baixo e troveja:

Deus: Parabéns, fulano. Foste um judeu/cristão/muçulmano exemplar e chegaste ao paraíso.
Vc: ¡Oh que ótimo, milagroso Deus misericordioso!
D: Sim, agora terás a vida eterna a meu lado e gozarás das infinitas benesses divinas.
V: Grandioso e gracioso Deus... Cantarei eternamente vossas glórias.
D: Ótimo, assim q eu gosto.
V: ¡Que maravilha magnífica é este paraíso!
D: Ah, ¿reparaste? Obrigado, obrigado.
V: ¡Sublime soberano do universo!
D: Hehehe...
V: Mal posso esperar pra rever meus pais. Qta saudade...
D: Ãã... Não, não. Eles não estão aqui.
V: Cuma?
D: Só deu pra salvar a ti.
V: ¿Meus pais não foram salvos?
D: Hmmnnnão... Deixaram a desejar.
V: Oh, que triste...
D: Mm.
V: Ãã... ¿Agora estão no inferno?
D: Yep.
V: Aaaaghh...
D: ...
V: Bem ... mas meu regozijo por estar em vossa presença sobrepuja qqer sofrimento, por mais atroz. ¿E meus tios e tias?
D: No inferno tbm.
V: ¿Nem a vó Javilda, tão casta e fiel?
D: Nnnã. Essa tbm não deu pra salvar.
V: ¿Nem ela?
D: Nnnãã. Só tu te salvaste.
V: ¿E MEUS FILHOS, MEU DEUS?
D: Nenhum.
V: O Maycson...
D: Naaa...
V: A Marisvelda...
D: Inferno.
V: Oh não... Não é possível... ¿Até a Marisvelda...?
D: Casou com um ateu. Só pensava em sexo.
V: ¡¡Nããããoo!!
D: Yep.
V: Bem, pelo menos alguém de minha sinagoga/igreja/mesquita...
D: Ninguém. Só sobraste tu mesmo.
V: Uau...
D: Pra veres como são as coisas. Como eram.
V: Puts. Vou levar um tempo pra me acostumar.
D: Pois é. Mas na eternidade, tudo se ajeita.
V: ¿E o padre Deoclécio, da igrejinha?
D: Inferno. Só tu restaste.
V: ¿O rabino Metzger, o aiatolá Khomeini?
D: Não houve jeito.
V: Bem, pelo menos vou ter a companhia dos santos... Tipo... São Francisco...
D: Nã, nã....Só pensava em comida.
V: São Benedito...
D: Inferno. Tinha pensamentos impuros.
V: Ué, eu tbm tive.
D: É, mas te arrependeste a tempo.
V: Santa Rita...
D: Duvidou de mim no último segundo.
V: Oh. ... João XXIII?
D: Inveja.
V: Maimônides?
D: Desejou incesto.
V: Abraão? Não vai me dizer q...
D: O povo exagerava.
V: Maomé?
D: Reclamou bastante, mas não houve jeito.
V: Uau...
D: ¿Não caiu a ficha? Em toda a história da humanidade, TU és o único ser digno de entrar em meu reino: só tu te salvaste.
V: Mas ¡¡a probabilidade disso acontecer é infimamente pequena!!
D: ¿Que sabes tu? Quem INVENTOU a probabilidade fui eu.
V: Mas... ¿e as criancinhas, meu Deus misericordioso? Com certeza suas almas já estão aqui...
D: Que nada. Re-encarnei todas, e todas depois se perderam na vida.
V: Mas, pôxa, não foi isso q me disseram. Era tão gostoso ali no templo, com minha família e amigos... ¿Não dava pra acochambrardes as leis divinas um tantinho, pra popular o paraíso um pouquinho?
D: O q está feito está feito. E a justiça divina não falha.
V: ¿E o amor divino, Deus meu...? ¿Por que ferraríeis toda vossa criação?
D: Ah, amei e amarei infinitamente todos os seres q criei.
V: Então?!
D: ¿Então o quê?
V: ¿E o perdão divino?
D: Já perdoei todos, mas perdão não é impunidade.
V: Quer dizer... quer dizer q de toda a história da humanidade, ¿só EU gozarei a vida eterna convosco? ¿Sem meus pais, meus irmãos, meus filhos, meus amigos, sem santos, sem religiosos, sem companhia nenhuma, só eu, eu sozinho?
D: Sim, pq o mereceste.
V: ¡¡¡gngnfgngngfn!!!
D: Não fica assim. Vamos nos divertir bastante, tu e eu. Temos a infinita eternidade pela frente. Tanta coisa pra conversar. Por exemplo, ¿sabias q, além de infinito e eterno, sou tbm incalculável?
V: Ah é? Mm.
D: ¿Não vais me louvar?
V: Ah. ... ¡Oh incalculável incandescência!
D: Então? ¿Não é divertido?
V: Ãã... Claro, bastante.
D: mmMM?
V: Sim, sim, divertidíssimo, oh divina divertância.
D: E tbm sou...


----
A bem da verdade, ninguém conseguiria contar essa parábola prum crente até o final, pq já no meio ele começaria com a ladainha Deus-jamais-agiria-assim. Eles não aceitam q seu deus poderia fazer isso tanto qto qqer outra coisa. Mas é muito revelador q o Paraíso não pode ser um lugar chato, q ele tem q ter um quê de diversão. Os crentes podem perdoar os mais intoleráveis atos de Deus, contanto q ele não seja maçante. A noção dum Deus enfadonho é a extrema abominação, até na Terra. Nenhuma religião tediosa sobrevive. A chatice é um pecado imperdoável.

21 setembro 2009

A teoria na prática é outra (conclusão)

Olha, vou dizer uma coisa pra vcs, viu; não é à toa q nosso estuante doutor não conseguiu terminar sua epopéica obra em quatro volumes Apologia da hipocrisia: tinha assunto q não acabava mais.

Por isso, resolveu o problema de forma tipicamente hipócrita. A melhor maneira de fazer uma apologia da hipocrisia, de demonstrar sua utilidade e capilaridade, sua abrangência e imiscuência, sua ressonância e retumbância, a melhor e mais direta maneira de homenagear a hipocrisia é tbm a mais espontânea e singela: não dizer nada.

Isso. Não dizer nada: jogar fora tudo q escreveu, todo insight relevante, toda percepção revelante, tudo. A tadinha da hipocrisia – já enfraquecida por séculos de insultos e preconceitos – talvez não resistisse a uma divulgação clara e detalhada dos inúmeros, sutis, complexos e assombrosos mecanismos psicológicos, sociais e políticos com que ela tranformou macacos em seres humanos, amparou todo o progresso tecnológico e mantém a civilização micro-afinada alguns passos aquém de explodir. O amadorismo do macaco é comovente: o macaco é um mero aprendiz de hipócrita.

Minha pergunta meses atrás foi ¿qual é o elemento mais construtivo pra chegar a, e manter, a civilização: a hipocrisia ou o cinismo? Só pra q não fiquem com raiva deste pobre digitador, aqui vai a resposta oficial deste blogue:

A hipocrisia ampara; o cinismo estimula. Na construção da civilização, a hipocrisia são os pisos e o cinismo são os pilares. Há quem imagine q sem a sustentação dos pilares, não haveria construção, e por isso o cinismo é mais construtivo. Muito se enganam. O fato é q sem a sustentação dos pisos, nem sequer faria sentido ter uma construção. A construção existe exatamente pra q haja pisos, pois somos todos reféns da gravidade. Ou seja, embora o cinismo auxilie a inteligência nos avanços civilizatórios, a razão de ser da civilização tá emaranhada indissoluvelmente com a hipocrisia. Sempre esteve. A civilização é praticamente uma CRIAÇÃO da hipocrisia. Não ver isso é a versão psico-social de acreditar em Papai Noel.

Há tbm quem imagine a emoção como energia, a inteligência como engrenagens, o cinismo como atrito e a hipocrisia como lubrificante. É uma imagem bonitinha, mas ingênua e idealista. Não. Se a civilização é um carro, o cinismo são as rodas e a hipocrisia é a estrada.

A hipocrisia é o lugar onde a civilização acontece.

07 julho 2009

O doutor na padaria

¿Quêêêêêê?

¿¡¿O velório do Máicon Djacson passou na tv no mundo inteiro?!?

HAHAHAHAHAHAHAHA
 
HAHAHAHAHAHAHAHA
 
HAHAHAHAHAHAHAHA

23 junho 2009

Lins e Silva

...

HAHAHAHAHAHA

16 junho 2009

A lógica crente
e a apologética moderna

1. Aquele cara afirma ser Napoleão.
2. Então talvez ele seja Napoleão.
2.1. Se é possível q ele seja Napoleão, segue-se q ele deve mesmo ser Napoleão.
3. Portanto, tá claro q ele é o próprio Napoleão.

HAHAHAHAHAHAHA

06 maio 2009

A teoria na prática é outra

Lanço uma pergunta aos argutos leitores deste blogue:

¿Qual a diferença entre um cínico e um hipócrita? Não olhe no dicionário.

Ou seja, ¿o q uma pessoa precisa *fazer* pra q vc a chame de cínica? ¿o q ela precisa *fazer* pra q vc a chame de hipócrita? Não vale dizer q os dois termos são equivalentes – tal como fazem alguns dicionários e muitos ingênuos –, ou q são diferentes graus da mesma coisa, ou até q um é o oposto do outro.

Em particular, nosso eqüípede doutor sabe q a civilização teria sido inalcançável sem o sólido suporte da hipocrisia e do cinismo – tadinhos, tão vilipendiados. Mas é difícil saber qual dos dois foi mais construtivo. ¿O q vc acha? Não seja idealista: olhe prà realidade tal como ela É, olhe prà civilização tal como ela chegou até onde estamos – com todas essas maravilhas e tragédias – e me diga: ¿qual dos dois vc acha q foi mais construtivamente importante – o cinismo ou a hipocrisia? Não venha com moralismos: se vc vive em sociedade, então em vários âmbitos de tua vida vc é hipócrita ou cínico/a, como todo mundo. Pode-se até generalizar e defender a tese de q certos grupos (p.ex. o islamismo) encheriam menos o saco se fossem mais hipócritas, e outros grupos (p.ex. o cristianismo) encheriam menos o saco se fossem mais cínicos, enquanto ainda outros grupos (p.ex. o judaísmo) encheriam menos o saco se simplesmente deixassem de encher o saco. Um dado importante, claro, é q tanto o islamismo qto o cristianismo são apenas tipos de judaísmo; mas isso não vem ao caso: pense na civilização como *um todo*; pense em todos os ajustes milimétricos necessários na relação entre pessoas, entre profissionais, entre grupos, entre países. O cinismo e a hipocrisia certamente têm um papel preponderante. A questão é, segundo *tua* definição dos dois, ¿qual é construtivamente mais preponderante? Não importa aqui se vc acha q houve outros fatores mais preponderantes do q o cin. e a hip. – tais como o amoooor, a inteligêêêêêência, o respeeeeeeeito, a compreensãããããããããããão: olhe pra TUA definição de cin. e hip. e diga qual dos dois mais contribuiu positivamente pra construir a civilização.

Não vale dizer: (1) nenhum dos dois, nem (2) os dois igualmente.

Depois, olhe a definição de 'cinismo' e 'hipocrisia' em teu(s) dicionário(s) e diga se a definição ali confere com a idéia q vc fazia dessas palavras.

02 maio 2009

louros e papagaios

Deu hoje num jornal aí:

Mulher é a 1ª poeta laureada no Reino Unido

(Uma tentativa patética de traduzir "first female poet laureate".)

Tão tá.

Já é clichê neste blogue dizer q tem de gente q não pensa. Mas tem tanta coisa tonta nessa chamadinha, q nosso enxuto doutor se pergunta se 'pensar' é a palavra certa.

¿Lembram da Erundina? É como se a manchete do dia seguinte a sua eleição tivesse sido:

Mulher é a 1ª prefeito eleita em São Paulo

HAHAHAHA

Outra:

Homem é o 1° ser humano a pisar na lua

HAHAHAHAHA

O clichê aqui poderia virar "tem gente q nem desconfia".

27 fevereiro 2009

Painel do leitor


Caros Srs Editores da Folha de São Paulo,

Foi com muita revolta q li vossa matéria de quinta-feira, 26 de fevereiro último, no caderno Cotidiano, sobre as chuvas em SP, matéria q me leva agora a denunciar publicamente a prefeitura desta cidade. São absurdos os desmandos, favoritismos e arbitrariedades desta administração no desempenho de suas atribuições supostamente democráticas. Tenho uma horta em meu quintal e dela tiro grande parte dos alimentos para minha família de 5 pessoas. Igual a mim, dezenas de milhares de moradores nas periferias têm hortas familiares; muitos desses horitcultores chegam a usufruir de seus produtos comercialmente. E não é preciso nenhum diploma universitário para saber que os horticultores precisamos de chuva regularmente. Ora, ¿que direito tem a prefeitura de enviar chuvas exclusivamente para trens e trânsito? ¿que prepotência avassaladora, que corrupção inominável leva um administrador público a arbitrar sobre a chuva – um recurso cada vez mais escasso – e privilegiar tão descaradamente um setor da comunidade, setor este q reconhecidamente polue, incomoda e atrasa a vida de todos, até mesmo sem a chuva? ¡Chega de conchavos com chuva! ¡Toró para todos, já!

Rodoanei Vialho

----

Numa cultura de desmandos e arbitrariedades, um jornal q se diz "de rabo preso com o leitor" encampou alegremente a imbecilidade sangue-de-barata da reforma ortográfica 2009 e se expõe ao ridículo-mor q a escrita duma língua pode alcançar: qdo, pra evitar mal-entedidos, a *ORTOGRAFIA* obriga o escritor a dizer algo diferente do tencionado.

16 fevereiro 2009

1234567890 x ...d...g...j...

A ciência e a religião jamais vão dialogar. A ciência conta e a religião fala. A primeira lida com uma quantidade infinita de números e a segunda com um vocabulário limitado de palavras.

Já ouço alguém dizendo q, como cada um lida com um aspecto humano, então ambos são necessários. Sorry, mas a segunda não é o único assunto humano q lida com palavras; e suas limitações vocabular e temática indicam q ficam de fora a maior parte do vocabulário existente e das temáticas possíveis. A religião é na verdade um assunto pequeno na vida, mesmo dos crentes, e é justamente por isso q se lhe atribue uma importância indevida, gerando chatonildos e fanáticos.

12 janeiro 2009

Eu sô o Jair, ocê é a Nair

Se vc tem um produto e quer q o Dr Plausível compre, não anuncie. Nosso erviço doutor não acredita em anúncio. A lógica é implacável: se uma firma precisa anunciar seu produto, é pq não tá vendendo bem; se não tá vendendo bem, ou é pq o produto é ruim ou é pq é exorbitante. Mas se um ramo de indústria está regulado por normas, os produtos não devem diferir muito entre si em qualidade. Então – já q quem paga pelo anúncio acaba sendo o consumidor – é preferível comprar de quem anuncia pouco.

Sesdias, nosso educante humanista esteve em Brasília pra dar consultoria a uns auditores das contas do senado, e foi de avião. Desta vez, ele decidiu ir de Ocê é a Nair. Ida e volta por R$286 – mais barato q a Gol e bem mais barato q a Tam. Tinha espaço de sobra pra esticar as pernas, comeu um lanchinho quente bem decente, os vôos não atrasaram, &c. ¿Sabe quando o Dr Plausível vai voar novamente de Gol ou Tam, q espalham anúncios por aí q nem moscas? Nunca.

Sabendo q eu acharia exagero, o doutor tirou umas fotos no aeroporto de Brasília pra provar sua lógica. Olha o check-in da Ocê é a Nair:





Note a data, o dia de Natal. Agora olha a fila de gente pro check-in da Tam:





E não é pq era em Brasília: a partida de São Paulo foi a mesma maciota.

Passagem barata, check-in rápido, vôo sem atraso, poltrona espaçosa e lanchinho quente são coisas q esse pessoal crédulo, hipoplausibilético, bobo-de-marca, não conhece – essencialmente pq não distingue a diferença entre anúncio e produto.

A propaganda e o marketing podem ser ferramentas utilíssimas pra mostrar à comunidade quais marcas evitar.

07 janeiro 2009

Sí, que son simpáticos

Tigamente, anúncio de rádio – embora curto e grosso – tinha uns floreios do recém-descoberto sonho de consumo:

"Para se lavar da prole, use o bidê Ragnoli."

Hoje é diferente. Não há mais sonho de consumo; há devaneios de poder. Sesdias, nosso estuoso doutor ouvia alegremente seu radinho de pilha, qdo foi tomado de súbito não-poder – não-poder respirar de tanto esguarunfralhar a púncia às lágrimas. Haja fôlego pra rir, viu.

Imagine q a língua da vez fosse o tosquês. Aí vc – abjetamente ignorante de qqer toscância exceto "Ro mum trwiflo?" e o prático "Nupo qwerty!" – ouve no rádio um anúncio mais ou menos assim:

voz 1: Icos um ruvol aigla ipugi?
voz 2: Jusa... nofa?
voz 1: Jolfra tibu unbo?
voz 2: Glopi gwiba... nofa...?
voz 1: Lortomusdwiba ruvol mum broituban?
voz 2: Am... am... am.....
locutor: Se tua última entrevista de emprego foi assim, ¡tá na hora de estudar tosquês na Qwerto!
Qwerto, o tosquês esperto.


Qual é tua reação? Obviamente vc salta da cadeira e vai direto se matricular na Qwerto, né? Afinal, vc não entendeu nada, entendeu? Então.

HAHAHAHAHA

Ô miasarma.

Pois é assim mesmo q o Seulépi tá anunciando curso de ingrês no rádio. Incrível, né? Sim, pq não sei se vc percebeu, mas a última fala da voz 1 tem um erro gritante, inspirado no anúncio do Seulépi, em q a última fala do entrevistador é:

Where do you see yourself three years now?

HAHAHAHAHAHAHA

Meu. Diga a verdade, dona-de-casa, ¿não é de esguarunfralhar a púncia? Os caras fazem anúncio numa língua q o público-alvo não entende e ¿ainda deixam passar uma gafe dessas? Ou seja, pro ouvinte q não sabe ingrês, o anúncio não quer dizer nada; pra quem sabe, o Seulépi se estrépi.

¿Q será q deu nessa gente?