27 dezembro 2008

Os princípios infelizes (II)
[aviso: texto longo e chato]

Toda editora deveria ter um Ambulatório Plausibilógico. Há anos q nosso epacmástico doutor faz lobby em Brasília pra obrigatorizar o AP, mas esse é o tipo de coisa q só acontece no Brasil depois q os Euá tomam a iniciativa. Quando o hipoplausivírus ataca um paciente saudável, o Dr Plausível entra em atendimento de urgência. Como poucas editoras têm AP, quase nunca dá pra evitar o estrago: qdo vê, o paciente já foi prà editora, já foi publicado, já tá à venda, já foi comprado. Foi o caso dessa tradução do Happy Prince de Oscar Wilde publicada no Brasil pela Ediouro.

Conforme prometido, reproduzo abaixo alguns trechos coletados meio a esmo do primeiro conto do livro, The Happy Prince, pra dar uma pequeníssima amostra do resultado da decisão editorial de tirar dos olhinhos de brasileirinhos a oportunidade de se encantar com palavras, de se intrigar com significados, de suspeitar uma inteligência maior q a dum Cebolinha. Tá: em inglês, há várias versões simplificadas desse conto; só q tem o original, né?

Alguns avisos:
• O primeiro parágrafo é só pra vc ter uma idéia do q se trata.
• Os trechos sublinhados no original indicam o q foi cortado/mutilado.
• As interrogações entre colchetes na tradução indicam os pontos onde a graça do original foi cortada/mutilada; exclamações indicam uma rasteirização particularmente dolorosa.
• Os trechos em negrito na tradução indicam os pontos em q o tradutor viajou na maionese.

Entre outras coisas, note:
• A despoetização; por exemplo, veja o segundo trecho.
• A pauperização; por exemplo, na remoção sumária de referências culturais e geográficas.
• A retardização; por exemplo, na explicação do q no original está implícito e na supressão dos subentendidos irônicos.
• A rasteirização geral; por exemplo, em vez de dizer "professor de ornitologia", a tradução prefere "professor entendido em aves"; se a criança não ouve a palavra em casa e o livro não quer ensinar, aí fica difícil, né?

High above the city, on a tall column, stood the statue of the Happy Prince. He was gilded all over with thin leaves of fine gold, for eyes he had two bright sapphires, and a large red ruby glowed on his sword-hilt.
Na parte mais alta da cidade, havia uma coluna em cujo topo ficava a estátua do Príncipe Feliz. Era toda coberta de finas folhas de ouro; os olhos eram duas safiras brilhantes e um enorme rubi enfeitava o punho da espada.

(...)
“He looks just like an angel,” said the Charity Children as they came out of the cathedral in their bright scarlet cloaks and their clean white pinafores.
“How do you know?” said the Mathematical Master, “you have never seen one.”
“Ah! but we have, in our dreams,” answered the children; and the Mathematical Master frowned and looked very severe, for he did not approve of children dreaming.
Um menino do orfanato [?] achou que o príncipe parecia um anjo, para grande espanto do professor de matemática:
– Como assim? Você nunca viu um anjo!
Respondeu que sonhava com os anjos; o professor fechou a cara, pois não gostava que os meninos sonhassem.

(...)
One night there flew over the city a little Swallow. His friends had gone away to Egypt six weeks before, but he had stayed behind, for he was in love with the most beautiful Reed. He had met her early in the spring as he was flying down the river after a big yellow moth, and had been so attracted by her slender waist that he had stopped to talk to her.
Uma noite, chegou à cidade uma andorinha. Há seis semanas que suas companheiras, fugindo ao frio, tinham voado para as terras quentes do Egito; ela se atrasara por estar apaixonada pela beleza dum caniço, [?] encontrado ao acaso, quando perseguia no rio uma borboleta amarela [?].

“Shall I love you?” said the Swallow, who liked to come to the point at once, and the Reed made him a low bow. So he flew round and round her, touching the water with his wings, and making silver ripples. This was his courtship, and it lasted all through the summer.
“It is a ridiculous attachment,” twittered the other Swallows; “she has no money, and far too many relations”; and indeed the river was quite full of Reeds. Then, when the autumn came they all flew away.
– Você quer ser meu namorado? – perguntou a andorinha, que nunca perdia tempo com muita conversa.
O caniço concordou, inclinando-se com elegância. Ela ficou esvoaçando em torno dele, fazendo ondulações prateadas na água com as pontas das asas. [?]
– Que namoro mais bobo! – exclamavam as outras andorinhas. [?!?]

After they had gone he felt lonely, and began to tire of his lady-love. “She has no conversation,” he said, “and I am afraid that she is a coquette, for she is always flirting with the wind.” And certainly, whenever the wind blew, the Reed made the most graceful curtseys. “I admit that she is domestic,” he continued, “but I love travelling, and my wife, consequently, should love travelling also.”
Quando as amigas partiram, [?] a andorinha começou a enjoar-se do namorado:
– Este caniço nunca diz uma palavra! Além do mais, é bem possível que ele esteja também de namoro com a brisa. [?!?] Ainda por cima, quero casar-me com alguém que adore viajar.

“Will you come away with me?” he said finally to her; but the Reed shook her head, she was so attached to her home.
You have been trifling with me,” he cried. “I am off to the Pyramids. Good-bye!” and he flew away.
Um belo dia, cansada daquela vida, perguntou ao caniço:
– Você vai ou não vai comigo para o Egito?
Muito apegado à terra natal, ele disse não com a cabeça. A andorinha não gostou:
– Quer saber duma coisa? Você não me serve. Vou visitar as pirâmides do Egito. Adeus!

(...)
All day long he flew, and at night-time he arrived at the city. “Where shall I put up?” he said; “I hope the town has made preparations.”
Then he saw the statue on the tall column.
“I will put up there,” he cried; “it is a fine position, with plenty of fresh air.”
So he alighted just between the feet of the Happy Prince.
Voou um dia inteiro e chegou à cidade, [?!?] instalando-se aos pés da estátua do Príncipe Feliz.

“I have a golden bedroom,” he said softly to himself as he looked round, and he prepared to go to sleep; but just as he was putting his head under his wing a large drop of water fell on him. “What a curious thing!” he cried; “there is not a single cloud in the sky, the stars are quite clear and bright, and yet it is raining. The climate in the north of Europe is really dreadful. The Reed used to like the rain, but that was merely her selfishness.”
– Que beleza o meu quarto dourado! [?]
Quando ia enfiando a cabeça debaixo da asa para dormir, caiu-lhe em cima uma grossa gota d’água.
– Que coisa esquisita! – exclamou. – Está chovendo com o céu todo estrelado! Que clima horrível! [?]

Then another drop fell.
“What is the use of a statue if it cannot keep the rain off?” he said; “I must look for a good chimney-pot,” and
he determined to fly away.
But before he had opened his wings, a third drop fell, and he looked up, and saw - Ah! what did he see?
[?!?] Já abria as asas para sair dali, quando caiu uma outra gota. Olhou para cima e viu... Ah, imaginem só o que viu a andorinha?

The eyes of the Happy Prince were filled with tears, and tears were running down his golden cheeks. His face was so beautiful in the moonlight that the little Swallow was filled with pity.
“Who are you?” he said.
“I am the Happy Prince.”
“Why are you weeping then?” asked the Swallow; “you have quite drenched me.”
Os olhos do Príncipe Feliz estavam cheios de lágrimas, e lágrimas corriam-lhe pelas faces de ouro. Era tão bonito o rosto dele, à luz do luar, que a andorinha se sentiu comovida.
– Quem é você?
– Sou o Príncipe Feliz.
– Se é feliz por que está chorando? Estou toda molhada!

“When I was alive and had a human heart,” answered the statue, “I did not know what tears were, for I lived in the Palace of Sans-Souci, where sorrow is not allowed to enter. ... My courtiers called me the Happy Prince, and happy indeed I was, if pleasure be happiness. So I lived, and so I died. And now that I am dead they have set me up here so high that I can see all the ugliness and all the misery of my city, and though my heart is made of lead yet I cannot choose but weep.”
...
“Far away ... in a little street there is a poor house. One of the windows is open, and through it I can see a woman seated at a table. Her face is thin and worn ... In a bed in the corner of the room her little boy is lying ill. He has a fever, and is asking for oranges. His mother has nothing to give him but river water, so he is crying. Swallow, Swallow, little Swallow, will you not bring her the ruby out of my sword-hilt? My feet are fastened to this pedestal and I cannot move.”
– Quando eu era vivo – respondeu a estátua – tinha coração de gente. Nem sabia o q era choro, pois morava no Palácio da Boa Vida, onde a tristeza era proibida de entrar. ... Chamavam-me de Príncipe Feliz. E eu era realmente feliz, se é q se pode dar o nome de felicidade às coisas boas da vida. Assim vivi e assim morri. Depois de morto, colocaram-me aqui no alto, de onde posso ver todas as misérias da minha cidade. Mesmo com um coração de bronze, não consigo reter as lágrimas.
...
Lá longe, num beco, há um casebre. Pela janela aberta, vejo uma pobre mulher, a face magra e cansada ... Na cama a um canto, o filho doente pede à mãe uma laranjada. Ela só tem para dar a água q apanha no rio. Andorinha, minha boa andorinha, será q você podia levar para aquela mulher o rubi da minha espada?

“I am waited for in Egypt,” said the Swallow. “My friends are flying up and down the Nile, and talking to the large lotus-flowers. Soon they will go to sleep in the tomb of the great King. The King is there himself in his painted coffin. He is wrapped in yellow linen, and embalmed with spices. Round his neck is a chain of pale green jade, and his hands are like withered leaves.”
“Swallow, Swallow, little Swallow,” said the Prince, “will you not stay with me for one night, and be my messenger? The boy is so thirsty, and the mother so sad.”
– Estão me esperando no Egito. Minhas amigas já estão a passear pelo rio Nilo. [?!?!?] Não posso me demorar mais.
– Andorinha, andorinha, fique comigo uma noite; seja a minha mensageira. O menino está ardendo de febre e a mãe dele está morrendo de infelicidade!

(...)
When day broke he flew down to the river and had a bath. “What a remarkable phenomenon,” said the Professor of Ornithology as he was passing over the bridge. “A swallow in winter!” And he wrote a long letter about it to the local newspaper. Every one quoted it, it was full of so many words that they could not understand.
Mal amanheceu, voou para o rio e tomou um banho. Um professor entendido em aves, que atravessava a ponte, parou espantado:
– Que raro fenômeno! Uma andorinha no inverno! – E escreveu ao jornal uma carta, contando o acontecimento, mas com palavras tão difíceis que ninguém entendeu nada: por isso mesmo, foi muito elogiado.

(...)
“Swallow, Swallow, little Swallow,” said the Prince, “will you not stay with me one night longer?”
“I am waited for in Egypt,” answered the Swallow. “To-morrow my friends will fly up to the Second Cataract. The river-horse couches there among the bulrushes, and on a great granite throne sits the God Memnon. All night long he watches the stars, and when the morning star shines he utters one cry of joy, and then he is silent. At noon the yellow lions come down to the water’s edge to drink. They have eyes like green beryls, and their roar is louder than the roar of the cataract.”
“Swallow, Swallow, little Swallow,” said the Prince, “far away across the city I see a young man in a garret. He is leaning over a desk covered with papers, and in a tumbler by his side there is a bunch of withered violets. His hair is brown and crisp, and his lips are red as a pomegranate, and he has large and dreamy eyes. He is trying to finish a play for the Director of the Theatre, but he is too cold to write any more. There is no fire in the grate, and hunger has made him faint.”
– Andorinha, minha boa andorinha, passe mais uma noite comigo.
– Estou sendo esperada no Egito. Amanhã, minhas amigas vão visitar uma cachoeira, perto do lugar onde há hipopótamos e leões. [?!?!?]
– Andorinha, lá longe vejo um rapaz [?] debruçado sobre a mesa cheia de papéis. Tem uns olhos grandes e sonhadores. Quer terminar a peça de teatro que está escrevendo, mas o frio impede que ele contiue o trabalho. [?] Vai desmaiar de fome daqui a pouco.

(...)
But at last he knew that he was going to die. He had just strength to fly up to the Prince’s shoulder once more.
“Good-bye, dear Prince!” he murmured, “will you let me kiss your hand?”
Uma tarde, sentindo q ia morrer, mal teve forças para voar pela última vez aos ombros do Príncipe.
– Adeus, querido príncipe – murmurou. – Quero beijar a sua mão.

“I am glad that you are going to Egypt at last, little Swallow,” said the Prince, “you have stayed too long here; but you must kiss me on the lips, for I love you.”
“It is not to Egypt that I am going,” said the Swallow. “I am going to the House of Death. Death is the brother of Sleep, is he not?”
– Fico feliz de saber q você vai afinal para o Egito. [?]
– Não é para o Egito q eu vou. Vou para o País da Morte. A Morte é irmã do Sono, não é?

And he kissed the Happy Prince on the lips, and fell down dead at his feet.
At that moment a curious crack sounded inside the statue, as if something had broken. The fact is that the leaden heart had snapped right in two. It certainly was a dreadfully hard frost.
Beijou o Príncipe e caiu morta a seus pés.
No mesmo instante, um estranho estalido soou dentro da estátua, como uma coisa que se quebra. De fato, o coração de bronze partira-se em dois. [?!?!?]

(...)
So they pulled down the statue of the Happy Prince.
“As he is no longer beautiful he is no longer useful,” said the Art Professor at the University.
Depois, derrubaram a estátua do Príncipe Feliz. O professor de arte sentenciou:
– Como deixou de ser belo, não serve mais para nada.

------------------------

A tradução tem tbm problemas difíceis de demonstrar apenas comparando parágrafos. Por exemplo: no final desse conto, o prefeito da cidade passeia com um grupo de vereadores puxa-saco q repetem em coro as últimas palavras de toda fala do prefeito. Wilde não perde a piada:

“Dear me! how shabby the Happy Prince looks!”
“How shabby, indeed!”
“... in fact, he is little better than a beggar!”
“Little better than a beggar!”
“We must have another statue, of course, and it shall be a statue of myself.”
“Of myself,” said each of the Town Councillors, and they quarrelled. When I last heard of them they were quarrelling still.


Já o tradutor, perdeu não só a piada como a sátira toda:

– Olhem só! Como o Príncipe ficou horroroso!
– O senhor tem toda razão: que horroroso!
– ... Parece um mendigo!
– É mesmo! Parece um mendigo!
– Temos de fazer outra estátua. A minha, por exemplo.
– A minha, a minha – gritaram todos os homens importantes. Aí começaram a discutir de qual deles seria a estátua; e até hoje ainda estão discutindo.

Ou seja, o tradutor tentou explicar uma piada q nem contou.

Pensando melhor, o tradutor fez um extenso tour pela maionese.

Pra quem leu este artigo chato até aqui, lá vai um brinde: John Gielgud lendo The Happy Prince. Está dividido em duas partes (tempo total: 20 minutos).

primeira parte:


segunda parte:


O YouTube tbm tem uma versão simplificada e animada, em três partes. A primeira está neste endereço:
http://www.youtube.com/watch?v=YI92hDyI2HY

34 comentários:

Herpes da Fonseta disse...

Eu entendi certo? Quando o doutor vai lavar a louça, ele ouve um cd de um ator gay lendo um conto de um escritor sodomita no qual um passarinho macho beija um príncipe na boca, e enquanto lava a louça o doutor chora?

Permafrost disse...

HAHAHAHAHA

Só q ele lava a louça q nem macho: dispensa o avental...

Linha disse...

é de fato assustador, mas evitemos jogar a culpa de tudo nas costas do tradutor. Uma vez minha editora (provavelmente algum revisor analfabeto) fez uma merda imensa (pense em IMENSA) em uma tradução minha e mandou pra gràfica. A parte triste é que era uma edição bilingue.

O que me assusta mais é a burrificação sistemàtica do texto. Seu comentàrio foi bem no ponto: se os pais não dizem em casa e o livro não quer ensinar... olha, deu medo de verdade. Ainda bem que não tenho filhos. Nem sei o que daria pra eles lerem. (além de Monteiro Lobato, claro)

Permafrost disse...

Linha,

De fato vc tem razão. Via de regra, o tradutor é a ponte mais frágil no sistema todo. Antes e depois de seu trabalho, todo mundo vem dar pitaco.

Neste caso, embora eu ache q o P.M.Campos seguiu diretrizes da Ediouro, ele assinou uma introdução de página e meia q termina:

"Todas as histórias contidas neste livro gozam [da] novidade eterna dos antigos mitos; podem servir de alimento às almas de todas as idades.

"Ao adaptá-las, meu intuito foi ampliar ainda mais essa grande faixa de interesse, eliminando as dificuldades de sintaxe ou de vocabulário q pudessem afastar das narrativas de Wilde a juventude q se encontra vivendo as primeiras encantadas experiências da literatura."

Quer dizer, a burrificação foi de propósito. E parece conversa mole pra esconder a preguiça de elaborar a tradução.

Pra mim, o pior é q essa tradução é de 1970 (Paulo M.Campos morreu em 91), e ainda tá aí, sendo re-impressa e vendida no Brasil como padrão há 38 anos.

Achei num site um tradução completa, porém bem fraquinha, provavelmente portuguesa:

www.gargantadaserpente.com/coral/contos/ow_principe.shtml

Eu até gostaria de publicar uma tradução minha (ou seja, q eu aprovasse na íntegra), mas ter q me digladiar no mercado contra gente com a reputação do P.M.Campos, q tem até verbete na Wikipedia, cansa só de pensar.

Imagino a cena na livraria: o freguês com as duas versões na mão chega ao vendedor, pedindo recomendação. O vendedor diz, "Ah essa aqui é do Paulo Mendes Campos, né? E tá mais adaptada pra crianças, tá mais fácil de ler. Esse outro tradutor, não conheço."

O importante é ter reputação; por isso há tantas putas no mundo.

Lucas disse...

Não entendi que parte da piada o tradutor perdeu...

Ele meio que explicou ali no final que eles discutiram porque cada um disse que a estátua era dele próprio, o que tá implícito no original, mas o que ele errou no resto?

Pracimademoá disse...

[aviso: texto longo e chato]

Abrindo com disclaimer? Medo do que os outros vão achar? Tá ficando velho, hem. Tá perdendo a pegada.

Você tem certeza que público de livraria pede recomendações a vendedor? Eu acho que não.

Permafrost disse...

Lucas,

A piada é q os puxa-sacos repetem mecanicamente e *em coro* as últimas palavras das falas do prefeito. Primeiro q, ao inserir expressões desnecessárias ("o senhor tem toda razão", "é mesmo", "por exemplo") q cortaram o efeito da repetição em coro, o Paulo M.Campos debilitou a sátira ao puxa-saquismo mecânico. Depois vem a piada: qdo os puxa-sacos repetem "of myself", tão repetindo mecanicamente; é só qdo cada um ouve os outros dizerem "of myself" é q a briga se instala, pois cada um interpreta q os demais falaram com intenção. Dá até pra imaginá-los se entreolhando antes de começar a briga.

nervocalm disse...

Pracima, o quê?! Eu já fui vendedora de livraria e te garanto que muita gente pede recomendação a vendedor assim que entra, sem nem se dar ao trabalho de percorrer as prateleiras e ler uma orelha ou outra antes. E são perguntas do tipo "que livro novo é bom?" (pra quê?), "de qual você acha que eu vou gostar?" (quem é você?), "que livro eu dou pro meu avozinho amado que está no hospital e adora ler?" (mais nenhuma informação). Essa última aconteceu de verdade uma vez. As outras duas, várias.

Permafrost disse...

Demoá,

Não só velho como velho chato. Mas, sério, fico com dó de publicar coisa longa, impondo minhas picuinhas aos leitores. Por isso dei um brinde no fim; horas e horas gravando e legendando o texto todo...

Chico Nobre disse...

Prezado Dr.
Talvez fosse mais útil para nós, os leigos, que comentasse sobre as boas traduções. Algo como a tradução (ou re-escrita??) de Ulisses, do Joyce, pelo Antônio Houaiss. Digo útil pq seria um aprendizado de como deve ser feita uma boa tradução.

numtenho disse...

Duas perguntas:

1)vc escreve tão bem, por que não é mais construtivo e faz, vc mesmo, a tradução? Estou certo que ficaria magnífica.
Não adianta nada ficar implicando com brandura mental...

A propósito,
2)vc escreve profissionalmente? Onde? O quê? Esse blog funciona como um heterônimo seu? Ou vc só escreve aqui?

nervocalm disse...

Numtenho, aceitamos encomendas de tradução. Você trabalha em editora? Conhece editores? Ou vai pagar do próprio bolso? Enfim, estamos aí pra combinar prazo e preço. Enquanto isso, continuamos a fazer nossas traduções já remuneradas, que o dia não tem horas infinitas e a gente precisa morar e comer.

Permafrost disse...

Chico e numtenho,

Não sei se vcs leram o texto anterior. Ali se vê q tou abordando a questão como consumidor de livros. Se tem um livro de q gosto no original e quero dá-lo de presente a uma criança q só lê em português, ¿que faço? Vou até a livraria e, com sorte, acho uma tradução boa.

Parafraseando Samuel Johnson, não é minha profissão fazer cadeiras mas basta me abundar numa pra saber se o carpinteiro é bom ou se é um picareta. E se toda loja de móveis só vende cadeiras desse picareta, ¿não tou certo em xingar?

Aliás, acho q tou plenamente justificado em postular q um consumidor é construtivo justamente qdo xinga. Meu objetivo aqui é jogar alguma luz na complexidade envolvida em traduzir, é compungir algum editor q apareça, é diminuir as vendas dessa picaretagem, abrindo espaço pruma tradução melhor. ¿Não tou sendo construtivo?

Falar de traduções boas é muito mais difícil do q parece. Se alguém traduz "the dog killed the cat" pra "o cachorro matou o gato", ¿que há pra dizer? O bom tradutor sabe q não fez mais do q sua obrigação. Mas se ele traduz pra "o gato comeu um sanduíche", e aí o editor publica, vende e lucra em cima de leigos, desculturados e outros vulneráveis, então o tradutor e o editor vão ter o q ouvir. ¿Não tou certo?

A questão aqui é q picaretagens como essa da Ediouro encontram mercado no Brasil *justamente* pq o sentador brasileiro costuma não reclamar da cadeira em q se abunda.

Pracimademoá disse...

Nervoca: se você diz, eu acredito. Então deve ter também o famoso comprador de livro por metro, né? "Me vê aí dois metros de livros marrons para a estante nova que eu encomendei." É assim mesmo?

Perma, você que legendou? Que paciência, hem.

Gostei da resposta sincronizada. Achei fofo. :-))

numtenho disse...

Bem, mais uma vez foi vc que não me entendeu. O mundo é feito de burros, pelos burros e para os burros. Não adianta agitar um calhamaço de dinheiro na frente de um burro e esperar que ele trabalhe melhor ou faça coisas bem feitas. Experimente com um dentista lambão ou um causídico desses que se formam às carradas. Tente fazê-los trabalhar melhor. Não dá. Não é má vontade. Eles já atingiram o limite deles... e tem tanta gente ainda para consumir a porcaria de serviço que eles prestam. Não é vc, nem seus 14 leitores que vão fazer qualquer diferença.
Embora vc não seja descendente, tá parecendo aqueles intelectuais portugueses cujo único assunto é o atraso e a estupidez de seu país. Ao invés de fazerem eles próprios alguma coisa relevante ficam implicando com a burrice dos burros. Repito o que falei: vc escreve muito bem e acho que esse blog é pouco pra vc.

Chico Nobre disse...

Dr
Não questiono a necessidade (imperiosa, até) de expor aos leigos tal situação. Mas, como falei acima, seria muito útil, pelo menos para mim, que escrevesse como deve ser uma boa tradução. Apenas não consigo achar nada interessante e com senso de humor para tornar a leitura agradável - talvez exatamente por culpa dos "maus" tradutores (e respectivos editores). Claro que sempre temos o "google translator". Só que eu gostaria de dar um passinho à frente disso!
Obrigado

Permafrost disse...

numtenho,
Ah, vc deve ser o "comentador" na Copa. Agradeço o elogio implícito, mas acho q vc tá errado.

Tbm acho q no mundo tem burro saindo pelo ladrão. Mas vc tá fixado na situação como ela está, e meu foco é em como ela pode ficar. Há tbm duas coisas q vc desconsidera: (1) o q era 'inteligente' 5 mil anos atrás seria o burro de hoje; ou seja, a evolução existe; (2) essa é uma tradução de um original, ou seja, *existe* um original e ele evidencia q há gente inteligente produzindo coisas amplamente reconhecidas como boas e valiosas; tbm só é possível reconhecer o valor dessas produções usando uma certa medida de inteligência.

Repito o q disse lá na Copa: tirando o gênio ocasional, só há boa literatura onde há boa crítica; só há bons carpinteiros onde abundam reclamações.

Permafrost disse...

Chico,
Não sei se entendo o q vc quer dizer. O bom tradutor é aquele q acessa as duas línguas a partir do significado; ou seja, ele sempre se pergunta: "¿Como é q um brasileiro diria isso se estivesse na mesma situação querendo dizer a mesma coisa?" Por exemplo: alguém chega na janela de um escritório e diz:
"Oh, I can see my house from here."

Traduções ruins seriam:
"Oh, eu posso ver minha casa daqui."
"Ah, consigo ver minha casa daqui."
"É possível ver minha casa daqui."

Um tradução boa seria:
"Olha só; daqui dá pra ver minha casa."

O tradutor se imagina na mesma situação e pensa o q ele diria.

Pra mim, traduções como a Ulysses pelo Houaiss (q conheço só de folhear) são um disparate do começo ao fim. São como tentar tocar um concerto de piano com um quarteto de flautas. Pode até ser exeqüível, com quatro flautistas virtuoses, mas ¿fazer isso pra quê? Se o Houaiss entendeu o Ulysses original, ¿por quê não usou os insights q aprendeu pra escrever seu próprio romance, ambientado no Rio, por exemplo? Pergunte a qqer um dos 7 leitores da tradução se ele acha q o Houaiss fez um trabalho relevante ou pertinente.

numtenho disse...

Três comentários.
1)Tenho cá minhas dúvidas se quem era inteligente há 5.000 anos é burro agora. Com o advento da escravidão, ser burro passou a ser seletivamente vantajoso, e como houve épocas em que a grande maioria era de escravos isso deve ter feito muita diferença. Eu acho que construir o conhecimento foi muito difícil. Observar as estrelas e detectar padrões não é trivial pra ninguém hoje em dia. Descobrir a direção de ilhas através do padrão de ondas, visto por uma cama-de-gato (dos polinésios), ainda me parece extraordinário. Conhecimentos, da idade da pedra, que tinham que ser elaborados muito rapidamente, entre uma fome e outra, entre uma guerra e outra, entre uma doença e outra.
Há muito que a inteligência deixou de ser selecionada pela evolução. Veja a prole das mulheres inteligentes na nossa cultura. É nenhuma ou muito pequena. Acho que a dos homens, também, não é grande coisa. Pelo menos não se destaca pela quantidade. Em compensação...

2)Agora me diga: e se o Oscar Wilde perdesse o tempo dele reclamando da má qualidade dos contos infantis ou das traduções mal feitas de contos Grimm, Perrault? Vc faz melhor do que só criticar. Estou certo disso. Acho até que vc deve ser alguém que vive de escrever e o faz profissionalmente. Só não sei o nome que vc assina.

3)A boa literatura precede em muito a crítica. Eu tenho certeza que nenhum jornal de literatuta comentou a publicação dos Lusíadas, da Odisséia e esses outros clássicos que tem por aí. Enquanto todo mundo uma vez ou outra se senta e sabe avaliar o conforto de uma cadeira, nem todos lêem e nem todos os que lêem são inteligentes. As mulheres da minha família eram devoradoras de livros... qualquer livro. Principalmente esses de bolso que se vendiam em banca de jornal e que os escritores produziam às toneladas (tem um japonês que chegou a escrever 3 num dia, conforme ele mesmo se gabava).
Vc acha a crítica serviu para alguma coisa? Eu não sou consumidor de literatura, acho que existe pouquíssima coisa que se aproveite e acho que tenho mais o que fazer do que ficar acompanhando o pensamento de gente mais burra que eu. Eu imagino que faça parte de ser admirador de literatura, não ser muito inteligente - só assim é possível se encantar com o pensamento do escritor. Seria um prazer poder ler mais coisas como as do Malaquias Malazartes do "fi-lo porque filosofi-lo". O resto, eu prefiro ficar resolvendo sudoku.

Permafrost disse...

numtenho,

Acho q vc tá romantizando várias coisas aí. Não, não escrevo profissionalmente. O mais perto q chego disso é q às vezes (tipo uma vez por ano, em média) aparece algum texto pra traduzir pro inglês – q isso eu sei q faço direito, e cobro os olhos da cara (por isso só aparece de vez em qdo: em 2008, zero). Geralmente são coisas high profile, tipo brochuras de hotéis 5 estrelas, portfolios de agências de publicidade internacionais, coisas do tipo. Tenho pouquíssimos contatos, e esse trabalho nem me interessa muito.

Sou só um músico velho q duas ou três vezes por mês escreve num blogue e mora num quarto-e-sala. Por aí se vê q as coisas são MUITO mais complexas e variegadas do q romantizações tais como "houve épocas em que a grande maioria era de escravos" ou "há muito que a inteligência deixou de ser selecionada pela evolução" ou "a prole das mulheres inteligentes na nossa cultura é nenhuma ou muito pequena" ou "a boa literatura precede em muito a crítica" ou "de literatura existe pouquíssima coisa que se aproveite". O mundo é vasto e variado, e tem lugar pràs Biancas e Sabrinas e até pra traduções do Ulysses.

Note q o Dr Plausível ri da tradução do O.Wilde não pq seja ruim, mas pq é considerada boa ou, pior, pq é considerada suficiente pelos editores, e não por burrice deles mas por preguiça, por menosprezo premeditado do público leitor; os mesmos editores q nos coquetéis reclamam da ignorância e burrice geral do povo brasileiro. Esses são o mesmo tipo de pessoa com a mesma atitude imbecil q propôs, implementou e aprovou a nova reforma ortográfica. Não é gente burra: é gente q não pensa. A cultura brasileira se beneficiaria de mais reclamões "perdendo tempo" xingando os picaretas. O brasileiro é muito bonzinho. Pra mim, é sintomático q o P.M.Campos, ao traduzir a fala vaidosa, peremptória e cínica

"We must have another statue, of course, and it shall be a statue of myself."

a tenha transformado numa mera proposta vacilante e conciliatória:

"Temos de fazer outra estátua. A minha, por exemplo."

Isso não é por burrice, entende? ¿Vc consegue visualizar o P.M.Campos xingando um carpinteiro picareta?

numtenho disse...

Tá bom, fiz minha tentativa. Vc acha que melhora o mundo fazendo a sua crítica - ok, a crítica tava boa.
Já eu acho que fiz a minha parte instigando gente como vc a ser mais produtiva. Não colou. Paciência.
Eu escrevo mal (sem cadência, sem brilho, sem interesse) por limitação... tenho a impressão de que quem escreve não o faz só pelo dinheiro, ainda mais que não se ganha assim essas fortunas. Se o pessoal não fez uma tradução mais literal e mudou pra pior é porque pensou, alguém pensou, ao contrário do que vc disse. Pensou com as limitações que a natureza lhe deu - e deu nisso. Acho também que eles preferem que se diga que a opção foi deliberada por desprezo ao povo em geral (não fiquei convencido)e não por falta de inteligência - visões de mundo diferentes.

Já que vc não escreve, tenho outra pergunta: vc sabe quem é o Malaquias Malazarte? Por que ele não escreve mais?

Já ia esquecendo, não Nevocalm, minha área é outra.

Permafrost disse...

O Malaquias Malazarte é um pintor. O q escreve nunca é simples e corriqueiro, e requer tempo. Há muito ele anda sem. Falei com ele sesdias ao telefone e ele disse q tá preparando uma fornada de textos. É o jeito dele: fica meses escrevendo várias coisas e aí publica tudo junto.

Não sei de onde vc tirou q escreve mal.

nervocalm disse...

Numtenho, sua resposta pra mim - minha área é outra - resume bem sua discussão toda com o Permafrost. Se o cara produz boas críticas, por que você está sugerindo que ele largue essa vida e vá produzir outra coisa? A área dele é outra.

Pracimademoá disse...

Um 2009 bem plausibilético pra vocês...

...na medida do possível. Já seria o máximo. ;-)

numtenho disse...

Nervocalm (ontem mais nervo que calm), eu tinha feito uma pergunta, o Dr. respondeu, e eu entendi as razões dele. Se ele carregasse bolsas na feira, e carregasse bem, tipo assim umas quatro em cada mão, eu acho que seria legítima a pergunta: por que vc não compra um carrinho? O trabalho dele continuaria sendo "carregar".
A resposta dele poderia ser as mais diversas: porque a guarda municipal apreende, porque não tem dinheiro, porque ainda não tinha pensado nisso, porque não quer. Algumas respostas admitiriam mudanças, outras não. Adivinhar é proibido.
No caso da crítica literária, com a escrita ágil dele e os conhecimentos de inglês que tem, poderia fazer a tradução ele próprio. A área é a "escrita". Descabida seria a pergunta: por que vc não compra um carrinho?
Eu sinceramente pensava que ele escrevesse profissionalmente: comentário político, econômico, de arte, em jornais ou revistas e afastasse um pouco a sisudez nesse blog.
Como disse, a escrita não é minha área... mas imagino que a tradução seja mais permanente e "valiosa" que a simples crítica. Fica para a posteridade, pelo menos. Mas só imagino. Não tenho essa pulsão de escrever e não sei bem o que motiva vcs... por isso pergunto e insisto na pergunta, para que as coisas fiquem cristalinas - para mim.
Eu sou, digamos assim, dentista. Outra área... mas já vou virar editor! Estava só esperando que vc se oferecesse para fazer traduções pra mim. Aguarde meu contato.

Linha disse...

Meus cinco centavos:

Escrever "bem", se usado como sinônimo de escrever "corretamente", não é talento, é obrigação. Quase todo mundo confunde os dois.

Eu tinha pensado em dizer um monte sobre essa historia da critica x boa produção artistico-literària, mas sou preguiçosa (escrevo por profissão, mas acabo so produzindo quando me pagam e por isso nunca consegui ter um blog a sério).

Vou so dizer que essa questão é muito mais ampla do que o simples "em vez de criticar, faz melhor", que pra mim é algo do mesmo naipe do "não me inveje, trabalhe" que a gente vê naqueles carros mais velhos do mundo.

Concordo que o Permafrost escreve muito bem, claro, mas não é por essa razão que teria a obrigação de viver disso ou de produzir suas proprias traduções (nota bene: ser escritor nunca foi sinônimo de ser tradutor. Tà cheio de livro traduzido ai assinado por 'grandes nomes da literatura' e que não presta de jeito nenhum como tradução, por mais estilismos que se possa ter empregado). Isso seria o mesmo que dizer que um critico de arte deveria começar a pintar. Se ALEM de fazer o que faz para viver ele ainda tiver mais essas balas no cartucho, melhor para ele.

Concordo com a analogia da cadeira (sem levà-la ao pé da letra, logico). A função do critico não é 'criticar' uma obra, mas formar um *pùblico* de arte.

Permafrost disse...

Demoá,
Obrigado, o mesmo pracimadocê.

Permafrost disse...

Linha,
Escritor traduzindo livro alheio se mete a liberdades, amiúde levadas por erros de interpretação. Vc me fez lembrar uma tradução de Pygamlion pelo Millôr Fernandes, bizarra, com erros de leitura e equívocos de caracterização.

Veja esta. Higgins tá falando de Liza, com ela presente:

HIGGINS: She's so deliciously low – so horribly dirty –
...
PICKERING: You're certainly not going to turn her head with flattery, Higgins.
MRS PEARCE: Oh, don't say that, sir: there's more ways than one of turning a girl's head: and nobody can do it better than Mr Higgins, though he may not always mean it.

Tradução:
H: Tão deliciosamente vulgar – tão horrorosamente porca...
...
P: Acho q com essa espécie de lisonjas, vc não vai mudar o comportamento dela, Higgins.
MP: Não aposte nisso, coronel. Ninguém sabe ser mais lisonjeiro do q o professor [Higgins], mesmo qdo faz tudo ao contrário.

No caso aqui é óbvio q ele tomou liberdades pq entendeu errado o q Pickering quis dizer com "turn her head with flattery", resultando numa distorção grotesca do q Mrs Pearce quis dizer, ie, com o jeito grosseiro de Higgins, Liza corre perigo de se apaixonar por ele.

---

Sobre eu traduzir, até já pensei bastante nisso. Meu telefone não pára de tocar o gancho.

Linha disse...

A distorção do sentido da frase ai no Millôr tà bem obvia mesmo. Não difere muito (no tipo de 'interpretação') da discussão dos conselheiros do prefeito no Principe Feliz. No "Trinta anos de mim mesmo" tem uns textos dele sobre algumas traduções e as opções que escolheu em determinados casos. Mas jà li faz muitos anos, antes de trabalhar com isso.

Tem muitos exemplos desse tipo, de escritor que quer meter seu bedelhinho de fardão no texto alheio, so porque o alheio não tem como se defender. Na tradução do Monteiro Lobato para Hucleberry Finn so falta aparecer a Emilia. E olha que eu sou a maior fã do sujeito.

Acredito que você seria (ou jà é) um otimo tradutor, mas não porque escreva "bem" ou porque "saiba inglês"; é preciso mais que isso pra fazer um tradutor (claro que você e nervocalm sabem disso muito bem).

Aliàs, o que tem de gentalha que fez quatro anos de Fisk me pedindo indicação pra traduzir nas editoras em que trabalhei não tà no gibi. Perco o amigo, mas não mancho minha reputação indicando esse pessoal.
Abraços.

JLM disse...

olá

gostaria q vc revelasse quais livros te marcaram em 2008, talvez os Top5. o q me diz?

1 abraço

Permafrost disse...

JLM,

¿Vc quer dizer os cinco livros q eu li?

Tá bom, vou lá.

Rômulo Arbo Menna disse...

mto bom, começamos bem 2009 assim.
numtenho ressalvas.

Daniel Brazil disse...

Ótimo post, Doutor! Ri bastante durante a leitura. Mas responder com um "via de regra" é bem feinho, não acha?
Diz a sabedoria popular que via de regra é vagina...

Guilherme disse...

Outro dia fui reler o Conde de Monte Cristo, arrumei um em circunstâncias divertidas, e quase não consegui chegar ao final de tão confusa a tradução/resumo. Vi que saiu uma edição nova, feita de acordo com o original francês, de 1.300 páginas. Pois é, o meu, velho, da Ediouro, tem 300 páginazinhas. Acho que nem foi feita uma tradução, foi simplesmente mal e porcamente recontado. Um crime.

Postar um comentário

consulte o doutor