16 novembro 2008

Pamonhas, pamonhas

Depois da campanha Cidade Limpa, com q o prefeito Kassab mandou tirar toda aquela parafernália de anúncios e placas comerciais, tá na hora da campanha Cidade Muda. Pq tem dó, né? ô gente pra fazer barulho, produzir ruído e criar algazarra.

Sesdias, tava nosso eternífluo doutor numa esquina desta metrópole q nunca pára quieta, qdo vem da esquerda devagar um furgãozinho com duas caixas acústicas encima* soando algum aviso; e o q o doutor ouviu foi isto:

"...da caixa d'água da Vila Mariana uma cadela cinza com orelhas pretas. Se vc tiver alguma informação, por favor ligue para cinco..."

e a mensagem desceu a rua, inaudível...

HAHAHAHAHAHA

Tadinha da criancinha q jaz enferma esperando sua cadelinha de volta. Mas ¿quem terá sido o descerebrado q inventou o alto-vagante? Criou um problema insolúvel. Se o furgão pára de vez em qdo pra soar o aviso, vai perturbar mais do q ajudar; se o furgão vai devagar, ninguém ouve a mensagem toda.

O doutor já imaginou lá na frente alguém no remanso de seu lar, ouvindo o furgão passar:

"...três nove quatro. Leve a felicidade a uma criança doente. Vc será recompensado. Atenção, por favor. Alguns dias atrás..."

Aiaiaiaiai.
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* Ué? ¿Não se junta 'embaixo'? ¿Vai encarar?

08 novembro 2008

train is train, jog is jog

¿E aí, viram os Euá?

Ganhou o candidato da oposição, perdeu o da situação.

O Dr Plausível rachou de dar risada com toda a hipoplausibilose envolvida. Teve tanta coisa pra se gargalhar nessa eleição, q enumerar tiraria a graça. Foi uma comédia do começo ao fim, não foi? Diga a verdade. Pelo menos não foi tragicômico. Comédia sempre tem final feliz.

Vejamos só o principal.

Todo o mundo vê o presidente mulato* e enxerga um novo e emocionante horizonte a se descortinar no grandioso futuro da raça humana. Calma lá. Pra começar, com aqueles dois pernetas do republicano, até eu, meu. Os buchinchos na Casa Branca tanto tiro deram no próprio pé, e o casal Zé Caquético e Maria Fuinha da chapa republicana eram tão impróprios, q a dúvida toda virou se "branco" votaria em "preto". Mas nem isso é verdade. A questão era mais "vencerá ¿por quanto?"

Euaense é um povo esquisito. O raciocínio lá é todo baseado em scripts, tal como já demonstrado aqui. Pra quem funciona à base de script, "script é script"; ou seja, ninguém pode sair dum script: ao sair de um, vc entra em outro. Pra euaense, Obama é 'negro'. Mas pô, chamar esse cara de negro é uma espécie de tergiversação ideológica. É a escolha entre dois scripts, dois raciocínios IDÊNTICOS e igualmente falaciosos:

1. Obama é filho de negro; portanto, é negro.
2. Obama é filho de branca; portanto, é branco.

O mundo na era digital é muito confuso.

A emoção e a tensão toda veio dessa ambivalência no Obama, e não da nomenclatura 'negro' q se dá nos Euá a qqer "desvio da norma branca". Obama venceu; mas MESMO com todo mundo fantasiando a prioridade de destituir da Casa Branca um tronho hipócrita semi-letrado – a quem se atribuem todos os males do mundo desde o aquecimento global até a crise econômica –, o senador venceu por uma MAGRÍSSIMA margem. Perto da urgência de tirar aquele pessoal de lá, 6% é quase nada.

Pois pensem cá com o doutor. Imaginem duas situações hipotéticas: nas duas, o mesmíssimo candidato democrata, o mesmo tipo, as mesmas palavras, o mesmo ideário, &c, só q:

Obama.x é filho de casal negro
Obama.y é filho de casal branco

¿Como teria reagido o eleitorado euaense? O Instituto Chutométrico Dr Plausível verificou q...

Obama.x teria perdido, com apenas uns 40% do voto.**
Obama.y teria ganho de lavada, com uns 80%.

Em geral, euaense não pára pra pensar, não: já vai logo aplicando o script, (diferentemente do brasileiro, q tbm em geral não pára pra pensar: vai logo fazendo o q lhe dá na telha.)

Com o povão sabendo do pai negro e da mãe branca, a consciência de q nem uma coisa nem outra aconteceria tornou a campanha obamesca uma mescla rara de bom-senso e maquiavelismo. Uma coisa imperdoável foi o uso apelativo e interesseiro da esperancite. ¡Ô moléstia q não larga o pé! Político q usa a esperancite ou tá de brincadeira ou NÃO tá de brincadeira; difícil saber qual é pior.

Mas esse Obama sendo o bem-melhor candidato, nosso epulótico doutor ficou contente, tanto pelo pequeno passo rumo à igualdade plena qto pela novidade. Sair um pouco da monotonia. No entanto, há q lembrar q trata-se dum presidente euaense – q na melhor das hipóteses nunca é flor q se cheire –, q os Euá não vão duma hora pra outra parar de soltar bomba, q os efeitos deletérios da mera existência duma potência militar cheia de gente ignorante não vão se curar como por milagre. Se a coisa correr bem, daqui a quatro (ou oito) anos, tudo vai continuar mais ou menos como está, só um pouquinho diferente.

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* sorry, ele mesmo se definiu como 'mutt', palavra usada pra falar de cães mestiços
** é, eu sei q não se conta assim nos Euá

05 novembro 2008

obaoba mamá

Não dou seis meses.

(...conhecendo aquele povo, como conheço)

03 novembro 2008

O rei tá new

¿Viram só essa da Folha de São Paulo? Agora toda segunda-feira tem o suplemento New York Times.

HAHAHAHAHAHA

¡Ô miasarma!

Toda segunda, 6 páginas traduzidas diretamente do NYT. Claro, é um teste pra ver se cola. Mas se colar, já viu, né?

O editor junta o pessoal na sala de redação e anuncia
— Oquei, gente, ¿sabe essa coisa de escrever sobre arte, ciência, negócios, tecnologia e política internacional? Então. Vamos deixar com aquele pessoal q sabe raciocinar e escrever ao mesmo tempo. Porque em português, a gente se confunde. Depois a gente traduz.

Aí um jornalista lá no canto pergunta
— Mas ¿e a tradução? será q fica boa? A gente sabe q...

O editor edita
— Se preocupa não. Ninguém nunca entende nada mesmo, e quem entende já lê em inglês direto na internet. Nada de novo, só tamos agora sendo honestos e dizendo quem realmente escreve sobre essas coisas na Folha há várias décadas.

A moça do café pergunta
— Mas então ¿pra quê colocar o nome nuiortaimes no encarte?

O editor revisa
— Ué, ¡é o NUIORTAIMES, Dona Geralda! ¡Jornal de respeito! ¿Tá pensanoquê?

Um cara passando por ali a caminho da feira pergunta
– Mas peraí, ¿é um suplemento ou é um encarte?

O editor ergue o sobrolho e franze o texto
– Vamos colocar uma nota na primeira página anunciando a novidade. Pra evitar confusão, vamos chamar de 'suplemento' no primeiro parágrafo e de 'encarte' no segundo.

A redação toda sorri e levanta o queixo aprovando
– ¡Aaaaah, ISSO é q é escrever!

Nada de novo. Essa de publicações brasileiras terem encartes com traduções de jornais e revistas euaenses e europeus não é novidade. Le Monde, The Washington Post, TIME, &c já ganharam uns trocados franqueando sua reputação no Brasil. Não só isso, mas o template de revistas inteiras é rotineiramente copiado no Brasil. O caso mais recente é da revista Piauí, q calca na New Yorker até o TOM dos artigos.

Isso q dá, né?

E enquanto isso, a maior "conquista" recente do povo brasileiro é a reforma ortográfica.