13 setembro 2008

TV = PF

Desde q desistiu de tevê a cabo e passou a singrar os mares da pirataria e do YouTube, nosso erpe doutor nunca nem ligou o aparelho, sequer pra ver Ratimbum. Sequer ligou a antena coletiva; daí q só a Globo tem uma imagem manimeni decente.

Sesdias, comeu um PF ali na esquina, pegou uma infecção alimentar e acabou de cama com 39°C de febre. Ô miasarma. Uma tarde, tava naquela morosidade e, to add insult to injury, resolveu escoar a febre vendo a Globo. Lá pelas tantas, já não sabia se estava delirando de febre ou se realmente se desenrolavam no tubo algumas das cenas mais imbecis de toda a história da teledramaturgia mundial. 9 horas de Globo são como uma papa insossa regurgitada por um ruminante apalermado.

¿Quantas novelas viu naquele dia? ¿Foram cinco? sete? duas? E aquelas pessoas insípidas fingindo ser outras ¿eram atores e atrizes? Aquelas cenas em q a trilha tocava um sambinha ou algo igualmente alegrinho ¿eram pra ser espirituosas? Aqueles diálogos e tramas saídos dum manual terápico pra mongolóides ¿era realmente o q o povão quer consumir? E ¿por que catso naquele dia não apareceu nenhuma cena com a Lílian Cabral*?

Depois o doutor riu contando suas cólicas mentais ao ver algumas cenas:
• durante o treino dum time de futebol, uma moça linda e gostosa inventa de entrar em campo e, numa filmagem amadorística, acochambrada e apressada, vai chutando a bola, dribla todos os jogadores profissionais duas vezes maiores do q ela e marca um gol. AAAAAAARRRGGGHH
• a mãe duma das várias heroínas supostamente morre e ela (a mãe) resolve ir observar seu "enterro"; numa filmagem amadorística, acochambrada e apressada, fica se esgueirando por entre as lápides a alguns metros de 50 pessoas q a conhecem e estão em volta de seu "caixão". AAAAAAAAARRRRRGGGGGHHH
• e o coup de grâce clássico de novelas da Globo – mãe falando com a filha atormentada: "Ah, vai descansar uns meses em Paris." BRAAAAAAAAAARRRRRRGGGGGHHHHH

¡Chega!

O doutor até se condói com aquela gente toda. Deve ser difícil pra burro ser diretor ou ator administrativo e manter por meses a fio o mesmo tom falso, o mesmo matiz de morosidade – a morosidade do PF q não caiu bem –, repetir e repetir a mesmíssima cara de jaca encostada, o mesmo olhar de emoção Pasteur. Algumas atrizes mais velhas, com a cara esturricada de plásticas requentadas, já nem precisam fazer esforço: a cara entra em cena igual e sai do mesmo jeito há 30 anos. Os atores são piores: têm o olhar parado e indolente do funcionário público q já chegou onde queria chegar, a inércia de carimbador fazendo pose de importante. No fim do mês vem o salário e tá tudo certo.

Alguns dias depois, o doutor estava bem de novo. As toxinas dum PF estragado devem ter reagido com as do outro, e se anularam mutuamente. Mas o senso de humor de nosso egrêgio humanista ainda está de revertério.
_________
*Lílian Cabral é a atriz brasileira favorita do Dr Plausível e ganhou o Plausuto de Ouro 2001 por sua atuação num filme bobo e esquecível.

4 comentários:

Rômulo Arbo Menna disse...

incomentável o incomível

Herpes da Fonseta disse...

"cara de jaca encostada"

hahahaha

Neanderthal disse...

ha ha ha.

O pior deve ser ter que comparecer ao programa do Faustão e demosntrar todo o entusiasmo com o papel durante horas numa entrevista. Isso sim é que é ser ator.

Permafrost disse...

"isso sim é q é ser ator"

HAHAHAHAHA

Mas nem isso é verdade: o script é sempre o mesmo... A Globo deve ministrar o curso de "como fazer cara de emoção mesmo encarando o Faustão".

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