20 março 2008

O estômago e a barriga (parte 1/2)

Entre as coisas q mais divertem nosso espanipelágico doutor (qdo sobe à tona) está a intersecção entre natureza, cultura e economia. É uma esquina em q acontece toda sorte de engarrafamento hipoplausibilético. Não há marronzinho q agüente; não há semáforo q organize.

Um dos engarrafamentos mais comuns é o problema da mulher grávida q procura emprego.

Em 1969, o Dr Plausível introduziu nos Cadernos de Plausibilática uma coluna pra meter o pau nas partes femininas da legislação trabalhista. Os penetrantes artigos q inseriu ali jamais geraram rebento algum, e o pateticamente estéril projeto foi finalmente abortado.

Observe o q AINDA acontece. A licença-maternidade hoje dura 120 dias. Por lei, uma candidata a emprego não pode ser obrigada a fazer teste de gravidez. Essa lei foi implementada pra evitar q o empregador rejeite preventivamente o prejuízo futuro de pagar salário por 4 meses a alguém q não está trabalhando. A posição do empregador é totalmente compreensível.

Só q... passados alguns meses, não dá pra esconder gravidez. Uma mulher visivelmente grávida q procura emprego é entrevistada normalmente, é indagada sobre sua experiência, é informada sobre a vaga, tudo bonitinho, mas JAMAIS consegue o emprego. A hipocrisia é instituída pela lei: o entrevistador não pode informar a barriguda q "necas de pitibiribas, não temos interesse em teu estado interessante" pq negar emprego explicitamente por causa de gravidez é uma contavenção punível.

¿Não é gozado? O errado não é fazer a coisa, mas confessar um motivo. E mais gozado ainda pois, novamente, o motivo do empregador é totalmente compreensível.

Mas o MAIS gozado (tristemente) é a situação da grávida. Ela é legalmente impedida de abortar mas, incoerentemente, tbm pode ser impedida de ter uma vida independente e decente. No entanto, a decisão de abortar é tão compreensível qto a decisão do empregador: ¿por q cargas d'água um indivíduo deve ser incriminado se age segundo suas necessidades?

Se a lei contra o aborto é uma instituição estatal – q obviamente existe não por motivos religiosos mas pq em tese o aumento populacional fomenta a economia* –, então deveria recair sobre o estado um ônus compesatório: a mulher grávida desempregada deveria ser amparada e paga pra ter o bebê. Afinal, isso aqui não é a Romênia de Ceaucescu**.

Ou então, libera o aborto aí, meu.

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* E não me venha com religiosismos; o aborto só foi e é moralmente estigmatizado pq creu-se e crê-se q assim é melhor prà economia.
** Mais sobre isso na 2ª parte.

15 março 2008

Criâncias...

Não admira q as línguas ibéricas tenham uma taxa baixa de criação de novas palavras. Entre os portuguesantes, por exemplo, esquece-se a origem das existentes a uma velocidade assustadora. Ou seja, a criação de palavras novas é inibida pelos meandrosos processos de germinação vocabular: quase toda palavra nova parece invencionice.

Nosso epigramático doutor ilustra a questão transetimologicamente.

criança = criância = processo/ofício de criar [breed]
entrar = passar a uma posição 'entre' [between] (quatro paredes, &c)
gramado = terreno onde se plantou grama [grass]
enfrentar = ir em frente, pôr-se em frente [in front]
desprezo = negação de valor, de preço [price]
arquibancada = conjunto assentos [bench] perante algo

The breedance betweened inthe grassed and infronted the dispricing ofthe arch-benched.

08 março 2008

Aversão oficial

"Este é um país consentido."
do nobre colega Dr W Sesana

Nosso eqüipendente Dr Plausível diz a verdade, doa a quem doer, mesmo q o dolente seja ele mesmo. Sesdias, me confessou algo q me deixou estupefacto — ainda mais porque era visível e comovente seu sofrimento ao manter-se inabalavelmente fiel a sua dedicação à verdade.

Disse q estava almoçando num restaurante qdo sentaram-se à mesa ao lado um deputado paulista e outro sujeito. Via de regra, qdo acontece algo do gênero, vira matéria pra gargalhadas já q político em restaurante fala alto e nosso efetuoso humanista, por princípio, não acredita N-U-M-A P-A-L-A-V-R-A dita ou escrita por ou de outro modo saída de qqer político por qqer partido em qqer ocasião sobre qqer assunto.

Mas dessa vez, algo fenomenal aconteceu q levou o Dr Plausível a rever seus princípios e admitir q, às vezes, em circunstâncias muito especiais, dentro de situações controladas e verificáveis, um ou outro político é capaz de dizer algo remotamente crível.

O incidente foi qdo o deputado, após se sentar e aspergir algumas inverdades, de repente se distraiu e disse, "Peraí q eu vou ao toalete.", se levantou e saiu em direção ao dito cujo.

Nosso doutor não viu se ele entrou no toalete ou não. E foi aí q a pontada de crença penetrou seu coração. O doutor acreditou q o deputado realmente foi ao toalete. Por alguns minutos, sua intensa dor de acreditar na declaração dum político só foi levemente mitigada por um cagagésimo de esperança na raça humana.

O sistema imunológico enfraquecido deve ser a velhice chegando.