29 novembro 2007

Monumento dá bandeira

As a foreigner is very apt to conceive an idea of the ignorance or politeness of a nation from the turn of its public monuments and inscriptions, they should be submitted to the perusal of men of learning and genius before they are put in execution.
Joseph Addison, The Tombs in Westminster Abbey in "The Spectator", 30 de março, 1711


Nosso extracurricular doutor sempre sai de fininho qdo alguém começa a falar da "função da arte", ou F*art, mais conhecida como "fart": às vezes faz barulho, às vezes não faz, mas sempre cheira bem a quem a produz.

Mas...! como todo sábio, nosso exegético humanista sabe q arte pode não ter função, mas certamente tem conseqüências.

Pois se a arte usa símbolos, então esses símbolos têm significados, não? E, mesmo q não percebibos conscientemente, se os significados aparecem como símbolos, estes necessariamente sugestionam de volta aos significados, ainda q inconscientemente, ora pois não?

Então.

Desde criança, qdo nosso doutorzinho passava ao largo do Monumento às Bandeiras (MaB) recém-inaugurado, a caminho do Instituto Infantil de Plausonomia, alguma coisa naquele trambolho lhe parecia fora de lugar. Jendia, em respeito ao trabalhador paulistano, nosso sexagenário doutor evita passar perto, pra não engarrafar o trânsito com suas estrondosas gargalhadas, q fazem revoar os gansos do parque e contagiam os motoristas, q páram onde estão e riem sem saber do quê.

A hipoplausibilose galopante da primeira metade do século XX – q dizimou cérebros inteiros do 3° mundo – é a única explicação pra q um estorvo conceitual daquela enormidade tenha sido descarregado sobre esta valorosa cidade e sido ou pessimamente idealizado ou pessimamente compreendido, a tal ponto q jendia muito paulistano se orgulha do MaB, e nem levanta um pelinho do sobrolho qdo ouve os desavisados de plantão chamando-o de tudo qto é nome ufanista, tipo "emblema histórico e arquitetônico de São Paulo",
"a mais completa tradução da cidade"... ¡Ôô miasarma!

Porque, note bem, meu leitorado, enquanto todo povo q se preza constrói monumentos fálicos e verticais, como flechas apontando o céu, simbolizando pujança, poder, &c, alguns tronchos descerebrados acharam por bem construir no meio de São Paulo um símbolo fálico deitado ao contrário e... ¡¡indo pra trás!!



HAHAHAHAHAHAHA

É um símbolo desfálico, caído ali.

Mas se fosse só isso, não tinha problema. No entanto, o escultor encheu sua obra com mensagens subliminares de prepotência, embromação, obstrucionismo, malandragem, burrice, &c – essas coisas q, todo o mundo sabe, não fazem a glória dum povo...

Olha isto aqui:



¿Vc diria, leitor amigo, q esse indivíduo está imbuído na nobre tarefa de puxar a canoa das monções, desbravando com seu suor as matas brasileiras? Engana-se. Claro q ele NÃO está. Observe o colégua do outro lado:



Ao sair das mãos, as cordas fazem uma curva lânguida, caída, frouxa. Vc poderia dizer q ela acompanha a curvatura da canoa, claro. Mas...! olha mais de perto. Aqui está a continuação da corda da direita:



e aqui a da esquerda:



A corda ali toda desmilingüida só pode dizer uma coisa: ¡Os caras tão FINGINDO q trabalham!

Olha só este aqui:



ââârgh... ûûûrgh... O cara prendeu a corrente entre a perna e o casco, e finge q faz força... ûûûûrgh... ûûûûrgh... ¡Ufa ufa, q calor!

¡Ôô malandragem!

HAHAHAHAHAHAHA

Agora veja isto:



Tadinho, né? Desfaleceu-se de tanto trabalhar.

Mas ¿por q cargas d'água tão carregando o desfalecido? ¿Não seria muito mais ãã inteligente levá-lo dentro da canoa? Em vez disso, desperdiçam o muque de dois homens fortes q poderiam estar puxando a c... ãã... fingindo q puxam a canoa. Pô. ¡Incompetência, sô!

Agora considere este grupinho:



¿Q é q esses tão fazendo parados aí, pergunto? Uma festinha? ¿Com uma coisa ali q parece suspeitosamente com uma pizza?

(Tá bom, tá bom, já sei. Mas se logo atrás deles tem aquele cara q *supostamente* está puxando a canoa, ¿q é q estão os outros fazendo ali, obstruindo o caminho? ¿Qual é a idéia?)

Tem mais este grupo aqui:



Com os dois líderes à frente a cavalo, ¿não parece um bando de autômatos puxa-sacos? Diga a verdade. E ¿q é q estão fazendo? ¿Q são essas cordas em volta do pescoço? ¿Notou q um deles tem uma cabeça ínfima e um braço q parece uma perna? ¿E q os da frente estão fazendo um esforço desgraçado pra não parecerem mais altos q os líderes?

¡Ôô miasarma!

¿E os líderes? Olha bem pra esses líderes:



Dois cavaleiros viajando sentados, distanciados do resto, fazendo absolutamente NADA pra ajudar, mesmo com aquele monte de corda sobrando, e... ¡¡um deles ainda faz pose empinadinho olhando pra trás!!

!!!

Em lugar de usar a cachola e fazer os cavalos puxarem a canoa, temos q lá na outra ponta, onde seria a desglande, tem UM só gato-pingado, um nativo deste continente, um índio q não tem nada a ver com a história toda, o ÚNICO q parece estar tentando fazer alguma coisa de útil:



(É apenas por causa desse índio q o povo apelidou o MaB de "deixa-que-eu-empurro". Ou seja, todo o mundo instintivamente vê o q está acontecendo.)

Note também a corda toda, q está ali como estão todos os recursos desta terra: desusados, fazendo peso. E aí fica patente a pior idéia desse monumento: a própria presença da canoa, seu status ambíguo de raison d'être e tranqueira inútil, sua condição de peixe fora d'água na inglória terra firme. A canoa em terra torna este um monumento ao atrito, à lentidão, ao uso errado dos recursos, à deselegância.

E pra completar a piada, como a inscrição original no monumento já está ilegível, o CONDEPHAAT mandou colocar uma plaquinha mais modernosa ali perto...



...onde há um detalhe q o próprio monumento simboliza:



HAHAHAHAHAHAHAHAHA

.......

Mas ¿pra quê notar tudo isso, né?

A questão q abre as ilhargas do riso no doutor é a profunda vala entre o q o MaB pretende simbolizar (a conquista do Brasil, a colaboração entre as raças) e – por ser conceitualmente tão mal-ajambrado – aquilo q ele termina simbolizando no inconsciente de quem passa por ali todo dia, todo dia, vendo o líder q não ajuda, os autômatos puxa-sacos, aquela corda q não está tesa, o índio q trabalha sozinho, o doente estorvando o trabalho, a festinha no caminho do progresso. Seria ingênuo e hipoplausilético acreditar q a incompetência do artista não conspurca o inconsciente do povo.

(O Dr Plausível não é o único a ver essas coisas: por algum motivo o Brecheret teve q negociar durante 25 anos* com sucessivos governos pra conseguir terminar o MaB.)

A opinião do doutor é q o povo paulista não merece ser escarnecido e enganado permanentemente. Esse Monumento do Esforço Inútil, esse embaraço estadual perpetrado em granito, esse trambolho troncho e falso-moderno, tinha q ser dinamitado, transformado em cascalho e relegado à memória – onde nunca deveria ter entrado.

Mas ¿a expectativa de q isso aconteça? Zero.

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*Descontados os anos da 2ª guerra.

17 novembro 2007

Money makes the world go down

Nosso ebirridente doutor acaba de ver o recente filme de Michael Moore, Sicko, e tem isto a dizer:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Vale a pena ver, nem q seja pelo magnífico timing.

Moore compara, dum lado, os amplamente satisfatórios sistemas de saúde do Canadá, Inglaterra, França e Cuba, responsabilidade de seus governos, e, do outro, o desastroso sistema de saúde euaense, regido pelo lucro das seguradoras (HMOs = health maintenance organizations, tipo planos de saúde). Este país (ie, o Brasil) – cujo sistema de saúde caminha incerto em cima do muro entre o modelo europeu e o euaense, pendendo perigosamente pra este último – faria bem em ver esse filme e meditar um tantinho.

Foi o q fez o doutor. Sicko não roça nem de leve no assunto "aborto". Mas isso não vai deter o doutor, vai?

Um aspecto, digamos, pouco visível nesse documentário é q nos quatro países extra-Euá visitados, duas coisas coincidem: (a) o aborto é legal e (b) o atendimento médico é eficiente e universalmente gratuito. Ou seja, se funcionar direitinho, nesses países (1) há uma limitação no número de nascimentos mas (2) toda vida q nasce é amparada e tem seu bem-estar assegurado pro máximo gozo.

Em contraste, nos Euá (a) o aborto é legal mas (b) o sistema de saúde extorsivo, ineficiente e corrupto deixa à míngua uma parcela enorme da população. Ou seja, se funcionar direitinho, nos Euá (1) há uma limitação no número de nascimentos mas (2) não se garante o bem-estar dos q nascem.

Já no Brasil, (a) o aborto é crime e (b) o sistema de saúde ineficiente e corrupto deixa à míngua uma parcela enorme da população. Ou seja, se funcionar direitinho, no Brasil (1) não há limitação no número de nascimentos E (2) não se garante o bem-estar dos q nascem.

Temos q:
Canadá, Inglaterra, França e Cuba: +a +b
Euá: +a –b
Brasil: –a –b

Nessa área, as leis brasileiras idealmente tendem a fazer do Brasil um país com população de alta rotatividade – gente nasce aos borbotões, tem lá sua vida ativa e, qdo dá defeito ou envelhece, definha rapidamente e bye-bye. É a política do "sai da frente, q atrás vem gente".

Ou seja, brasileiro nasceu pra trabalhar.

Qdo vc ouvir algum político, órgão do governo ou militante anti-aborto falar em "valorizar a vida", já sabe o q significa: aumentar o preço da vida útil. O retrato fiel do Brasil proposto são as empresas privadas de transporte público abarrotado de gente apinhada indo trabalhar, com um letreiro incongruente dizendo "Transporte: Um Direito Do Cidadão, Um Dever Do Estado".

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

13 novembro 2007

O googlette

Admito q não é fácil entender alguns raciocínios do Dr Plausível, como alguém q dissesse "Ah, hoje de manhã vou comprar uns tomates, aproveitar e pagar umas contas, e depois à tarde vou entender um raciocínio do doutor."

Mas tá aumentando a freqüência com q nosso enigmático doutor dá de nariz contra uma porta.

Uma dessas portas é o pesquisador de Google, o googlette. O Google tem se tornado cada vez mais a fonte padrão de referência pra assuntos intra-internet, embora todo mundo reconheça q é dúbio, escorregadio e manipulado. A principal característica dele q é tida como contrapeso a esses obstáculos é q o Google tem toda a cara de ser... ãã... completo. Tem tanta coisa, né, ué? Só pode ser completo. O mundo inteiro tá no Google, não tá? Então.

Antes era: não passa na tv = não existe.

Hoje é: não está no Google = não existe.

HAHAHAHAHAHAHA

Mas o bom de ser discípulo do Dr Plausível é q ele ensina a prestar atenção na ESCALA das coisas. Há q lembrar o CDA:

mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima
mas nem por isso me achariam no Google

Ainda bem q não tinha Google à época do JLBorges. Imaginem o diálogo:

JLBorges: ¡Tou dizendo q vi com meus próprios olhos! Um verbete na enciclopédia sobre Uqbar, q falava do Orbis Tertius e...
Bioy Casares: Toma jeito, Zé Luís. Não tem nada no Google.

Mas o pior mesmo é o massacre contra o senso de humor promovido pela impressão de q tudo se sabe. Falando de Borges, se Funes não conseguia dormir porque não se esquecia de nada, o googlette não consegue rir porque pensa q pode saber tudo.

Êitcha.
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Adendo:

Pode-se eXtender a definição de 'googlette' pra 'pessoa-referente'. Pro googlette não existe nada q não esteja devidamente referenciado, seja num dicionário ou numa enciclopédia, seja na CARAS ou na NewScience. A pergunta recorrente do googlette é "¿onde vc viu isso?". O googlette não enxerga as palavras: só vê as informações. (Está claro, espero, q na interneta o googlette pode nem ser uma pessoa, mas uma persona.)

Pro googlette, as informações são tijolos claros e inquebráveis q nunca se entrecruzam pelo mero prazer de. O q se perde ao ser uma pessoa-referente é o senso de humor q vem da ambigüidade e sutileza da comunicação. Se vc faz uma piada óbvia com alguma informação claramente espúria e o ouvinte pede referência a uma otoridade, vc já sabe q o senso de humor e o simancol plausibilático caíram juntos do 8° andar durante uma briga feia.

Pior, vc já sabe q tá falando com alguém q fala muito em "cultura", do jeito peculiar com q o brasileiro usa essa palavra: "cultura" é coisa séria – uma espécie de nirvana q vc atinge depois de ler trocentos livros, ver trocentos filmes, ouvir trocentas sinfonias e turistar em trocentos países. Nunca ocorre ao googlette q o objetivo de ler, ver, ouvir e turistar é sempre, em última análise, rir.

11 novembro 2007

Tia Norma, professora de cálculo retardado

Há tanto achismo em quem prescreve a NoCu q parece torcedor brasileiro durante copa do mundo: só porque o cidadão joga umas peladas e reconhece os jogadores da seleção, já pensa q é técnico.

Gente q cultiva o raciocínio e idealiza a língua geralmente acha q a NoCu e o raciocínio andam juntos, e às vezes até fazem analogia com a matemática.

HAHAHAHAHAHAHA

Coisa mais despistada, sô. Junta um raciocínio simplório a um conhecimento vago, e é nisso q dá. Pra explicar a complexidade da coisa, nosso encomioso doutor se sente às vezes como se falasse de flores e abelhas pra explicar às crianças o instinto da trepada e sua influência na história das civilizações. Mas q seja, então:

A língua é um produto orgânico, e os sistemas orgânicos são notórios por sua exuberância, variabilidade e interdependência. Tem desde mamífero q bota ovo a peixe q voa, passando por planta carnívora e pássaro sem asa.

A "norma" "culta" – com a imposição arbitrária explícita em 'norma' e a ofensa arrogante implícita em 'culta' – não é a língua. É um pseudo-dialeto, fruto duma padronização simplista e simplória de apenas uma pequena parcela dos fenômenos da língua. Dada a exuberância, variabilidade e interdependência das centenas de dialetos do português, é ridículo, ilusório e autofílico postular q a distribuição de inteligência e racionalidade na população brasileira coincide com a distribuição de conhecimento da NoCu.

Anotem aí: raciocínio e inteligência nada têm a ver com fala padronizada, decoreba de ortografia e recursos de estilo. Sorry.

Se tivesse, não existiria (e notem o produto orgânico) a síndrome de Beuren-Williams, q é um tipo de retardamento mental aliado à loquacidade e correção gramatical. Nem haveria os vários outros tipos de retardamento q contêm em suas síndromes o uso de gramática rebuscada ou de palavras incomuns ou de encadeamentos perfeitamente sintáticos e lógicos porém absolutamente patéticos. No outro extremo, se o raciocínio tivesse a ver com a NoCu, não existiriam tantos gênios matemáticos incapazes de abrir a boca sem empapuçar a própria sintática (tipo "Essa fórmula aqui não dei maior importância nem menos q pràquela.").

A NoCu é apenas mais um poço enganoso de idealismo q serve de armadilha pros tontos incautos: democracia, justiça social e pimba! norma culta. A exuberância, variabilidade e interdependência das ideologias, ideais e dialetos é q é a regra.

O lema "Ordem e Progresso" é o maior desserviço q já se fez a este país.

06 novembro 2007

Falha humana: culpismo

O pesadelo do culpismo são acontecimentos como o 11 de setembro. A culpa por tanta destruição estava tão claramente estampada na testa dos seqüestradores suicidas, q o governo euaense viu-se imobilizado por um anti-clímax angustiante: eles não podiam nem se dedicar ao instinto de procurar os culpados, nem ao de puni-los, já q todos tinham virado churrasquinho. ¿Q fazer, então? ¿Q faz um ser humano normal num impasse? Claro, tem um ataque de nervos e quebra alguma coisa. "¿Tá pensando o quê, louça feia? Nunca gostei de vc. ¿Pensa q vai sair dessa impune?"

Os euaenses então saíram pelo mundo quebrando a louça feia do Afeganistão e do Iraque. É o q dá ser romântico herdeiro de Rousseau.

Ao contrário do q Rousseau penseau, o Contrato Social não existe pra facilitar a colaboração entre indivíduos. Existe meramente pra q as gentes se dediquem a seu instinto social favorito: botar culpa em alguém. A sociedade só existe pra aumentar o número de coisas q podem dar errado – e portanto o volume de culpa q pode ser alocado. Há tanta culpa por alocar q já não há limites. A lógica é assim: se o aquecimento global pode não ser um fenômeno natural, então não é: alguém TEM q levar a culpa. Se ainda ninguém leva a culpa por terremotos é porque ninguém ainda descobriu como um terremoto pode ser causado por uma falha humana.

Cai um avião matando 200 pessoas, e ¿de quem é a culpa?, pergunta-se o populacho.
Cai um viãozinho matanto 8, e... ¿de quem é a culpa? pergunta-se a plebe rude.

Tem gente q já vai botando a culpa no piloto, claro. E mais claro ainda, tem gente q já vai denunciando quem faz isso:

"Iiiihh, meu Deus. Já vai ter quem bote a culpa no piloto. Essa gente não presta mesmo, hem?"

Mas, ué? Se acidente de carro quase sempre é culpa dum motorista, ¿por q é q acidente de avião não pode ser do piloto?

Também tem o oposto, aqueles q decoraram a frase "ainda é cedo pra se falar em falha humana." Mas ¿q outra falha existe, ô júnior? Um acidente com artefatos humanos só ocorre porque mais de uma pessoa se distraiu num momento crítico – seja na idealização ou na construção; seja na manutenção ou na operação. Quer dizer, na realidade, se existe culpa – a responsabilidade por desencadear um evento desagradável –, ela está longe de ser individualizada: pode-se culpar igualmente o piloto como o inventor da aviação.

Morreram 200 pessoas em Congonhas porque Congonhas existe, ora pois não?

É claro q, no estado de direito, a atribuição de culpa foi promovida de instinto social a meramente uma ferramenta legal pra descolar uns trocados. Desindividualizar a culpa seria a pior estratégia dum advogado. A neurose principal da sociedade moderna é q tudo tem q funcionar perfeitamente. Faça alguma coisa mais natural – como tropeçar, cochilar, distrair-se – e ai de vc. Uma vez assassino, sempre assassino.

Mas deixa pra lá. Só estou tagarelando enquanto espero nosso enaltecível doutor voltar de viagem.