14 setembro 2007

Origens lingüísticas do atraso brasileiro, parte 3

Após ler o adendo a este artigo, o Alex Castro me aperguntou a següinte coisa:
«mas agora eu queria te ver explicando pq a lingua portuguesa nao produz porshes... o que ela tem intrinsicamente de diferente, digamos, do ingles ou do alemao que a impede de fazer isso ou ou aquilo... alias, isso ou aquilo o que?»
Levei a pertinente indagation a nosso embasbacante doutor, q me arrespondeu numa conversa de quase 14 horas, ao mesmo tempo chatíssima e interessantíssima. (¡Vai dar exemplo assim lá em Torquemada!) Posso dizer, sem medo de passar ridículo, q não me alembro nem de 10% do q ele disse, embora eu tenha, por assim dizer, “pegado a idéia geral” – essa categoria de pensamento q é o ganha-pão de professor de faculdade.

Tãovamolá.

a tese
A civilização – entendida como o processo complexificante de civilizar – depende da acumulação de instruções e obediência a elas: qto mais complexa e civilizada é uma cultura, tanto mais instruções se descobrirá permeando toda sua estrutura. Uma instrução é qqer declaração q direcione uma ação: leis, decretos, regras, manuais, avisos, comandos, &c.

Uma instrução sempre almeja a explicitude. Pra ser explícita, uma instrução precisa ser seca, direta e clara. Sem instruções assim, é impossível juntar 10 mil pessoas numa organização amparada por uma comunidade de 100 mil, inserida numa cidade de 1 milhão, suprida por um país de 10 milhões, e esperar q aquelas 10 mil construam Porsches.

A tese do doutor é simples. O português e o espanhol, com suas rocoquices e frescuras, são línguas em q a explicitude dá trabalho demais. O brasilês é pior ainda. Já o inglês, o alemão e o japonês são línguas explícitas: secas, diretas, claras. A explicitude das instruções vem duma característica presente mais claramente no japonês: o ideograma. O ideograma é um símbolo imutável: vc bate o olho e já vê o q é, sem referência à gramática circundante. Em ing, ale e jap, essa imutabilidade está presente também na língua falada: as palavras têm poucas variantes gramaticais (em inglês, por exemplo, adjetivos, preposições, artigos e advérbios são imutáveis; verbos têm no máximo 5 formas, exceto o be q tem 8; substantivos só mudam em número). Assim, as instruções podem ser dadas como seqüências de ideogramas.

Além disso, essas línguas mantêm a mesma ortografia há séculos, auxiliando a função ideogramática de seus vocábulos.

exemplo inglês
Veja este exemplo, tirado do manual de treinamento de novos funcionários duma firmeca inglesa:
Let trainee read task instructions.
Allow trainee time to complete task.
Report task completion to your supervisor.
Ou seja, com uma série seca de palavras-ideogramas, a instrução diz q o treinador deve deixar o treinando ler as instruções duma tarefa, dar um tempo pra q ele a realize e, qdo este terminar, avisar o supervisor dele (do treinador) q a tarefa foi terminada.

Tente escrever essas instruções em português. Pior: tente em brasilês. Vc vai ter q incluir preposições, artigos, concordâncias; vai ter q acochambrar as traduções de 'allow time', 'report' e 'completion', e pra arrematar, vai ter q dar um jeito de esclarecer q é o supervisor do treinador e não o do treinando q deve ser avisado.

Essas coisas ocupam um espaço precioso na cabeça do portuguesante e, pior, um tempo precioso em sua vida.

A seguir, dois exemplos de instruções originalmente idealizadas e redigidas em português. Vc vai querer chiar q esses exemplos todo o mundo vê q foram mal redigidos, &c. Mas nem se incomode. A questão q o doutor quer esclarecer não tem a ver diretamente com a redação.

exemplo brasilês 1
Uma lei promulgada pelo governo do estado de SPaulo determina q o seguinte aviso deve ser afixado em toda porta de elevador no estado.
ANTES DE ENTRAR NO ELEVADOR, VERIFIQUE SE O MESMO ENCONTRA-SE PARADO NESTE ANDAR.
Ok. Essa é velha. Largamente criticado e escarnecido. Mas atente pros detalhes.

“ANTES DE ENTRAR NO ELEVADOR ... NESTE ANDAR”
• Ô, Pedro Bó, só é possível entrar no elevador se ele está parado neste andar. Se entro no elevador, ele não pode estar na quarta dimensão dum buraco negro. Só por essa, o aviso já parece saído de alguém de mente confusa.

“...VERIFIQUE SE...”
• Ou seja, não precisa CONFIRMAR QUE ele está no andar. Basta verificar SE ele está ali.
– Ok, já abri a porta e verifiquei. Ele NÃO está. ¿Posso atravessar a porta agora?

“...O MESMO...”
• Questão gramatical amplamente discutida na internet, orkut, &c, onde se tende a sugerir “...verifique se ELE se encontra...”. (Note o seguinte, leitor: grande bosta. Essa é a parte do aviso semanticamente MENOS absurda, e ¿o q acontece? Milhões de portuguesantes reclamam dela pq trata-se duma questão formal. Êitcha.)

“...ENCONTRA-SE PARADO...”
• ¿Como assim, “encontra-se” parado? ¿Pq, se dissesse “está parado”, daria a impressão de “está quebrado”?
– Olha lá aquele cara na esquina. ¿Ele encontra-se parado ao lado do poste?
– Olha lá o sapato no chão. ¿Ele encontra-se jogado embaixo da cama?
– Olha lá meu carro. ¿Ele encontra-se estacionado em frente ao banco?

“...NESTE ANDAR.”
• Não, Pedro Bó, estou neste andar pra pegar o elevador no andar de cima.

Parafraseando a mensagem lógica desse aviso, o q ele de fato DIZ é algo assim:
Antes de entrar no elevador, veja se é possível NÃO entrar. Se for possível entrar, entre. Se NÃO for possível entrar, entre assim mesmo.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

A barbaridade do aviso existente não quer dizer q a idéia central dele não possa ser facilmente expressa em português. Veja:
CUIDADO! NÃO ATRAVESSE ESTA PORTA SE O ELEVADOR NÃO ESTIVER DO OUTRO LADO.
Simples, não?

exemplo brasilês 2
A rocoquice do português confunde o redator. Ele acha q a instrução q redige é tão pedante qto a gramática q quer usar. Observe esta protuberância, excretada por não menos q o Ministério da Saúde (via ANVISA):
AO PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.
uma frase q igualmente poderia ser interpretada como “quando os sintomas persistirem, pois certamente persistirão, é provável q o único médico do mundo seja consultado por alguém.”

QUA QUA QUA QUA QUA QUA

¿Por que não faz assim, ó:
“SE OS SINTOMAS PERSISTIREM, CONSULTE UM MÉDICO.” ?
É tão fácil.

prestenção agora
Mas a questão q o Dr Plausível enfatiza é COMPLETAMENTE OUTRA. O problema do português não é q ele tem maus redatores q escrevem coisas ilógicas e pedantes. O problema [¡prestenção!] é q o leitor ENTENDE o q o redator quis dizer. As rocoquices confundem tanto a cabeça do redator qto a do leitor.

Vc pode ter achado q nosso exosférico doutor entrou em contradição, pois ¿como é q diz q o leitor “entende”, se as rocoquices o “confundem”? Veja bem: o leitor entende o q o redator quis dizer, e não outra coisa, apesar de q é a outra coisa q está efetivamente sendo dita.

Pois é. Citando o artigo q começou esta série: “Não pode ter muito a dizer uma língua em q algo de significado contraditório pareça fazer sentido porque, no contexto, só pode ter outro significado.” O significado entendido é sempre aquele q mais costumeiramente se adapta ao contexto. Esse é um problema gravíssimo pra uma cultura numa era tecnológica: ele condena o brasilês a ficar preso a lugares comuns, a repetir idéias comuns, a sempre voltar ao eixo caseiro e banal das percepções, a jamais prover a base pra pensamentos revolucionários, a sempre consumir idéias importadas de línguas q facilitam a criação de idéias q estarão cada vez mais fora do meramente intuitivo.

E então, de todas as coisas hilariantes q poderiam acontecer a esta língua provinda dos confins da Europa – ali, antes de acabar o mundo conhecido – aparecem, como lagostas entediadas emergindo do mar de sargaço a q estão relegados, os reformadores da ortografia.

Exatamente o q o português precisava. 250 milhões de analfabetos instantâneos.

26 comentários:

Andre disse...

Mas doutor, nos seus próprios exemplos você colocou uma forma direta e explícita de dizer a mesma coisa.

Não seria, portanto, o falante da língua que complica?
Explico melhor: vc já respondeu que sim, o problema é que APESAR do falante da língua complicar, o ouvinte da língua entende. Mas não significa que não se possa falar SEM a complicação.

Ou seja, o português oferece uma forma de se falar que é direta e explícita, como o inglês, mas tbm oferece uma forma toda cheia de penduricalhos. As pessoas acabam escolhendo os penduricalhos pq acham mais bonito. Talvez por causa da nossa cultura, que, antes da língua, já é toda cheia de trique-triques e carnavais e fantasias, enquanto o inglês (não a língua, o nascido na Inglaterra) e o americano são pq são pragmáticos.

Faz sentido? Não?

Permafrost disse...

Sim, o português pode ser mais direto e explícito do q geralmente transparece.

Só q há dois pontos.

(1) veja q até mesmo minhas versões das instruções contém mais argamassa entre os tijolos do q as instruções do primeiro exemplo em inglês;

(2) o problema maior é q o leitor entende o q o redator quis dizer, e NÃO OUTRA COISA, apesar de q é a outra coisa q está efetivamente sendo dita.

Hm... Acho q vou incluir essa frase acima no artigo. Obrigado, Andre.

Ed disse...

A impressora neste momento está a trabalhar.

Único problema de ler posts impressos é a impossibilidade de comentá-los. Quando ler, eu volto.

Herpes da Fonseta disse...

Acho uma perda de tempo diagnosticar o "atraso brasileiro" se você nem tem esperança de que o Brasil se desenvolva. E contraditório também, porque por outras coisas que disse neste blog, você parece não aprovar o progresso nem um pouco, na verdade.

Todas essas suas observações são bem interessantes, mas você só parece estar querendo desinflar ainda mais o ego nacional, que já está bem murchinho.

comentador disse...

Por que a argamassa do francês não impediu o progresso de franceses, suiços e belgas?

O treinando lerá as instruções e terá tempo pra executar a tarefa. Comunica o término da tarefa ao teu supervisor.

que parágrafo mais idiota!

Quanto tempo? o tempo necessário? que critério? todo o tempo que ele quiser?! a tarefa é dele mas o supervisor é meu? tenho que provar ao supervisor que sei comunicar o final da tarefa? Tem que ser rápido ou pode ser depois? Quem está sendo monitorado, sou eu ou o treinando? será que adianta ele fazer primeiro a tarefa e depois ler as instruções? será que ele chega a "pleno" se precisa que lhe digam esses truísmos para executar uma tarefa?

isso é que é clareza...
e isso é que é a estupidez, como os rótulos das embalagens americanas que explicam que uma faca pode cortar e ferir...

Com esse nível de clareza eu escrevo em português a mesma coisa com menos palavras.

O treinando seguirá as instruções. Comunica a conclusão da tarefa ao teu supervisor.

Herpes da Fonseta: o compromisso do nosso arauto é com aparecer e ganhar!
prepare-se para aplaudir mais uma vitória :-)))))))

Permafrost disse...

comentador, (1) só não coloquei os tempos ao lado pra não ser pedante (e pq não me lembro agora exatamente qto era); (2) entre as instruções há outras mais detalhadas; só lembrei essas pq eram as relevantes à pauta; (3) a questão das instruções é q, no "processo complexificante de civilizar", elas comandam ações cada vez menores, mais detalhistas e individualmente cretinas, q só fazem sentido se tomadas em conjunto; a questão levantada nesse artigo é q o português não consegue, de moto próprio, chegar ao detalhamento/padronização necessários pra construir uma civilização q (metaforicamente) construa Porsches; (4) observe q nem sequer tua versão dos comandos contém a padronização necessária: é um fenômeno comum em portuguesantes, q misturam classes de informações, por exemplo:

VENDEMOS:
-prateleiras
-estantes
-fazemos consertos e reparos
-banquetas

Em apenas 2 ítens vc se viu obrigado a misturar tempos verbais (imperativo, futuro determinista); imagine o q faria numa lista de 200 instruções desse tipo.

Note também:
1. vc foi obrigado a colocar um artigo (e portanto alocar a informação inútil do gênero) pra cada substantivo
2. pra "supervisor", colocou dois determinantes reduntantes: "o" e "teu" (basta "teu")
3. "o treinando seguirá as instruções" dá um cunho determinista q não configura uma instrução
4. pra deixar claro de quem é o supervisor, vc foi obrigado a destoar do português corrente formal; muita gente "estranharia"
5. há uma ambigüidade inerente à palavra "conclusão" q só se esclarece pelo contexto

São detalhezinhos q vão embolando o meio de campo aos poucos.

Não espero convencer ninguém. Só estou mostrando q é tudo uma questão de ESCALA.

comentador disse...

Acho que vc concorda que sem se preocupar em economizar palavras se consegue dizer exatamente o que se quer em português.

Na feira do livro da cinelândia do ano passado eu vi montes de um livro branco com inscrições em verde e preto que tratava da redação em português a partir da linguística. Custava R$ 5,00 e eu comprei uma meia dúzia que já distribuí. O autor delirava muito mas no meio do delírio fazia muitas observações interessantes. Vc iria gostar de ler. Não estou com ele aqui.
Concordo que o português que se escreve podia melhorar muito. (Esquecer o inglês como padrão a ser imitado seria um bom começo.) Mas seus argumentos estão longe de me convencer pois ainda há o contra-exemplo do francês, com seu monte de letras inúteis (até porque em grande parte nem se pronunciam), conjugações, tempos compostos, partitivo, frases completas, expletivos, etc., que não impediu o progresso da França, Bélgica e Suiça. Traduza ao pé da letra um texto em francês e veja a estultice que dá em português.

E tem mais: nem vc nem eu falamos japonês, mas, ao contrário do que vc fala uma das famas do japonês é que é uma língua perfeita para a diplomacia, pois pela excessiva polidez da cultura nada é taxativo. E em japonês usa-se muita onomatopeia para preencher os óbvios - palavra de uma japonesa amiga minha.

Os ideogramas do japonês foram importados do chinês e, que eu saiba, se referem somente a substantivos - e mesmo assim poucos. Não importaram a coleção completa. Pelo que entendi, vc não fez críticas aos substantivos do português - nem acho que estes gerem equívocos.

Ser uma língua talhada para a diplomacia é dito também do português - o que se verifica mais facilmente nos jornais portugueses. É imenso o constrangimento dos redatores quanto têm que fazer uma assertiva. Tudo que eles falam é pelas beiradas, nada incisivo. Uma das críticas que nos fazem os hispânicos strictu sensu é a nossa falta de assertividade - isso é cultural, não é culpa da língua.

F. Arranhaponte disse...

Let trainee read task instructions.
Allow trainee time to complete task.
Report task completion to your supervisor.

Deixe o trainee ler as instruções da tarefa
Dê tempo para que ele complete a tarefa
Comunique a conclusão da tarefa ao seu supervisor

Ok, o "seu" é ambíguo, mas acho que 100% dos leitores entenderão como o supervisor da pessoa a quem a mensagem é dirigida. Se fosse o supervisor do trainee, seria simplesmente

Comunique a conclusão da tarefa ao supervisor do trainee

Qual é o big deal, afinal?

PS: Em alemão, eu aposto, se gasta mais tinta do que em português para dizer o mesmo (e me quebrem a cara se não)

PS 2: Eu sei que você deve ter uma resposta afiada na agulha

Permafrost disse...

Comentarista,
assim como o inglês é estruturalmente rígido, o francês é uma língua de estrutura extremamente ritualizada, e portanto – assim como o inglês – mais livre do q o português pra criar termos novos, derivações múltiplas e micro-distinções entre conceitos. Por causa de sua menor extensão fonética, o francês se enche de picuinhas racionalizantes e (conseqüenteemente) tem uma queda pràs ciências sociais. Com suas racionalizações e pedantismo, o francês deu-se bem melhor na tecnologia q o português ou o espanhol. Um filme q dá uma noção de certas conseqüências da língua francesa é Ridicule.

http://www.imdb.com/title/tt0117477/

Arranhaponte,
não digo q é impossível expressar em brasilês o q se expressa em línguas mais diretas. Digo q dá muito trabalho. Veja, em tua tradução, o malabarismo em "para que ele", e a ambigüidade de "conclusão" e "ao seu". O trabalho q dá faz o falante/redator buscar simplificações q resultam em...? em...? lugares-comuns, chavões, baixa criatividade, inércia.

CQD

F. Arranhaponte disse...

Dê ao trainee tempo para completar tarefa

(só tem o 'ao' a mais, não chega a ser um escândalo)

e 'conclusão' no outro sentido exigiria "conclusão sobre a tarefa", se entendi o que vc quis dizer. Conclusão 'da' tarefa não me parece ambíguo.

Mas vamos lá, mostre mais do seu chumbo

Permafrost disse...

A solução ficou razoável.

Mas ¿viu o trabalho q deu, e pra chegar num resultado apenas razoável? Imagine isso multiplicado por todas as instruções transmitidads entre 180 milhões de pessoas diariamente.

Não há praticidade q agüente. Vira o reino do lugar-comum. As revoluções sempre vêm de fora.

comentador disse...

Na França também fazem campanha contra os neologismos e as palavras em inglês usadas indiscrimidamente... que nem aqui. Mas por falta de equivalentes nacionais, ou por ser mais distinto falar em lingua estrangeira, o uso de palavras inglesas é generalizado - como em qualquer parte do mundo. E eu continuo vendo o francês como contra-exemplo da sua tese. Eles podem se destacar mais nas humanidades mas estão muito bem no resto. Se os lusófonos estivessem como eles, estariam bem. E eu não vejo a língua deles ganhando da nossa em nada.

Por conseguinte, o problema nosso não é a língua.

O francês têm mais palavras?! Deve ser incompetência dos nossos dicionaristas, pois a adoção de palavras francesas se fez sempre, sem maiores escrúpulos. Se ainda não adotaram as outras 200.000 palavras é por preguiça ou porque não fazem falta.
Resolva essa questão do francês, que eu assino sua petição pra que se adote o inglês como língua nacional e que, finalmente, atinjamos o nível de desenvolvimento de Índia, Nigéria, Malawi, Jamaica, Guiana e quejandos, que vc tanto parece invejar.

comentador disse...

esqueci de comentar seu primeiro comentário:

O treinando deverá seguir as instruções.
(Deve ser dado ao treinando tempo para executar a tarefa, conforme instruções)
Terminada a tarefa, avise o supervisor dele do fato.
(Terminada esta, comunique o fato ao supervisor)

Isso lhe soa como instrução de um mesmo tipo?

1. O artigo não é inútil, e existe tb em inglês.
2, 3, 4, e 5 ok

Permafrost disse...

Comentador,

Não tou propondo (!) q se mude de língua, mas q se deixe a língua mudar. Essa discussão já vem de longa data neste blogue. Muita gente pensa q estou propondo a outra coisa. É bem comum o retruque citando a Nigéria, a Guiana, &c.

O retruque vai mais ou menos assim. "A Nigéria tem 135 milhões de habitantes. A língua oficial é o inglês. Se o inglês é tão fodão, ¿por que a Nigéria não é mais desenvolvida q o Brasil?"

Sim, o inglês é a língua oficial da Nigéria ao lado das outras 510 (quinhentas e dez) línguas faladas lá. Não confunda "língua oficial" com "língua efetivamente falada por toda a população". Veja aqui:

http://en.wikipedia.org/wiki/Languages_of_Nigeria

E uma palhinha desse artigo:

"English, however, remains an exclusive preserve of a small minority of the country's urban elite, and is not spoken in rural areas. With approximately 75% of Nigeria's populace in the rural areas, the major languages of communication in the country remain tribal languages."

O inglês é falado por "uma pequena minoria da elite urbana". Provavelmente o Brasil tem mais gente q fala inglês do q a Nigéria.

Neanderthal disse...

Não. O problema não é a lingua. O problema é o comportamento das pessoas.

Neanderthal disse...

O que impede o Brasil de ir para frente é o "Familismo Amoral".

Permafrost disse...

Familismo amoral é a mesma no mundo todo. Corrupção é a mesma no mundo todo. Inércia é a mesma no mundo todo.

¿Q é q não é a mesma no mundo todo?

A língua.

Neanderthal disse...

Tudo bem, mas o problema é a proporção.

Mentor Intelectual disse...

Pô, Pablóide, após uma rápida visita, depois de meses, venho constatar que a idéia inicial do blog se perdeu, hein? Isso aqui tá parecendo mais uma filial da briga interminável naquela M de Orkut. Volte aos tópicos mais afeitos ao assunto implausibilidade explícita. Abraços de um idiota.

comentador disse...

Digamos que sim... Basta um contra-exemplo: Jamaica... eles falam alguma outra língua que não o inglês?

Importante: já vivi em vários lugares e vi que são todos bem diferentes... é completamente delirante esse chavão que diz que as sociedades são todas iguais e que a humanidade é a mesma em todo canto. Tenho certeza do contrário, que, tal como as pessoas, as sociedades são todas diferentes.

E a Jamaica que é uma ilha e fala inglês como na Inglaterra daqui a pouco vai estar colecionando prêmios nobéis... nem sei porque ainda não começou...

Karin Kolln disse...

Olha só como em alemão é simplíssimo:

1.Lassen Sie Auszubildenden Aufgabe-Instruktionen lesen.
2.Erlauben Sie Auszubildend-Zeit, Aufgabe zu vollenden.
3.Berichtsaufgabe-Vollziehung Ihrem Oberaufseher.

Se for assim, o alemão é tão ruim quanto o português, já que a maioria das "partes" suprimidas em inglês, no alemão têm necessariamente de aparecer. Como por exemplo o "Sie" - you. Em português podemos dizer simplesmente "deixe...", em alemão isso não faria o menor sentido.

Permafrost disse...

Karin,
Me parece q vc usou um tradutor automático. Conselho: jamais confie.

Na instrução 2, as palavras 'trainee time' não formam uma locução. Portanto a tradução não é "Auszubildend-Zeit". O sentido de allow aí tem mais a ver com a estrutura 'lassen sie genug Zeit zu etwas'.

Na instrução 3, 'report' é um verbo, não um substantivo. Então "report task completion" tem mais a ver com 'avisar q a tarefa foi terminada' e não (como está em alemão) "o término da tarefa de avisar". Uma tradução mais correta dessa parte seria "Melden Sie die Aufgabe-Vollziehung".

Tem outros problemas menos sérios. Reitero: jamais confie.

O alemão tem suas peculiaridades e cachoeiras de letras, sim. Mas são notórias sua precisão, flexibilidade e criatividade.

Note um detalhe importante. Pra quem vê de fora, a ortografia do alemão é um porre. Mas ela permanece praticamente inalterada há vários séculos – tal como a do inglês, do francês, do italiano. Isso concede às palavras dessas línguas o caráter ideogramático q os imbecis reformadores da ortografia portuguesa ainda não perceberam ser o mais fundamental da escrita – e, ouso dizer, da alfabetização e toooooooodas suas conseqüências.

Andre disse...

Olá Dr!
Minha filha nasceu. Por causa disso, eu tenho andado às voltas com fraldas, mamadeiras, chupetas, e outros produtos desse tipo. Pois então, ontem eu vi uma coisa que me fez pensar imediatamente neste seu post.

Foi assim: eu estava vendo uma caixa de cobertor e tava lá, bem grande: "não alérgico". A primeira coisa que pensei foi: "claro né! dãããr, só faltava, um cobertor que espirra, ou que aparecem manchas em seus pêlos, sei lá". Aí lembrei dessa frase: "Veja bem: o leitor entende o q o redator quis dizer, e não outra coisa, apesar de q é a outra coisa q está efetivamente sendo dita."

Claro que, antes de vir aqui, passei pelo dicionário pra não falar besteira né. E tava lá: alérgico - aquele que possui alergia. E alergênico - aquele que CAUSA alergia. O correto, portanto, seria "não alergênico", ou "anti-alergênico".

Aparentemente, o termo "não alérgico" ou, o mais comum, "anti-alérgico", levados ao pé da letra são contra as pessoas que têm alergia, não contra a alergia!

MAAAAAS eu, e qualquer outra pessoa entendemos que o cobertor não produz alergia. Ou seja, entendemos o que o escrevente QUIS DIZER, não o que ele DISSE.

Acho que esse exemplo é mais rapidinho de explicar do que o do elevador, né? :-)

Abraços!

Permafrost disse...

Antes de outra coisa, ¡¡meus parabéns!!

Exemplo claro, simples e elegante. ¡Ê, paizão!

E ¡meus cumprimentos à patroa!

Herpes da Fonseta disse...

A frase "ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado" tem um defeito nada lingüístico. Ela estimula abusos na auto-medicação. Segundo muita gente entendida no assunto, a frase tinha que ser "antes de consumir qualquer medicamento, consulte um médico"

Isaías Caminha disse...

Plausível,
Seqüência lá da nossa conversa na Copa, vim conferir o artigo e li a série. Gostei muito. "Comida pra pensamento"... Não vou entrar no mérito de língua x poder/desenvolvimento/civilização. Impérios comandados por potências de línguas germânicas até onde sei são coisas recentes (século XIX e XX). Impérios de línguas latinas não triunfaram por menos tempo. O que me interessa mais é língua e literatura. E nisso, tenho minhas dúvidas de que estrutura de língua (mesmo com todos os entraves à expressão e toda a energia dispendida na forma em lugar do conteúdo no caso de algumas línguas, como a nossa) possa determinar qualidade literária. Ajudar ou atrapalhar tanto como vc dá a entender. Como explicar grandes variações de qualidade das literaturas nacionais ao longo do tempo, se a estrutura da língua é mais ou menos a mesma? Como não pensar em fatores externos à língua pra explicar o que russos e franceses fizeram na literatura do século XIX ou que americanos, alemães e argentinos fizeram na do XX? Pode ser que línguas germânicas sejam melhores pra filosofar e literaturar, mas não acho que a história da literatura indique isso de forma tão clara. Não quero dizer que a maneira como uma língua se estrutura (e o controle autoritário dessa estrutura) é algo irrelevante para a produção de conhecimento ou de arte naquela língua, mas me parece exagerado atribuir-lhe tanto poder.

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