31 agosto 2007

"uai, ¿ovo não tem pelo?"

Nosso emulsificante doutor viu o debate promovido pelo Estadão sobre a blogosfera. Chama-se "Responsabilidade e Conteúdo Digital."

hahahaha

HAHAHAHAHAHA

HAHAHAHAHAHAHAHA

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Raras vezes ouviu tanta besteira junta.

Debatedor é um tipo de fazendeiro mineiro, não é? No fim do dia, senta na sala com a família e joga conversa fora até a hora da caminha.

(Ah... Tá bem. De vez em quando alguém fala algumas palavras sensatas.)

29 agosto 2007

Houaiss x Oxford

Um caro leitor deste blogue pediu a nosso ecoante doutor q desse uma resposta final e definitiva à pergunta q não quer calar no peito de tantos amantes sopeados da língua portuguesa:

Afinal, ¿o português tem mais palavras q o inglês, ou o inglês tem mais palavras q o português?

Uma empreitada dessas requer uma certa pachorra. O doutor —q tem uma edição eletrônica do Houaiss— se dispôs a contar o número de verbetes total. Não é tão difícil. O Houaiss traz um buscador onde vc pode chamar todos os verbetes q, por exemplo, começam com P e terminam com A (ou seja, p*a). O resultado mostra também o número desses verbetes —q, no caso, são 3.711. Isso não quer dizer q todos esses 3.711 verbetes sejam palavras. Temos, por exemplo:

PA: sigla do estado do Pará
Pa: símbolo de protactínio

Também há verbetes q começam ou terminam com hífen (os sufixos, prefixos e elementos de composição), além de verbetes q terminam em ponto final (as siglas como F.O.B. e abreviaturas como loc. cit.).

Pois então. Fazendo a soma de todos os verbetes q começam com A, Á, Â, B, C ... .Z e terminam com A, Á, Ã, B, C ... Z, mais todos os prefixos &c, mais todas as siglas &c, o número total de verbetes do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é...

186.252

Hm. Tirando os prefixos &c, as siglas, os símbolos e as abreviaturas, o número total de palavras ou locuções é

175.705

Hm.

O prefácio do Houaiss fala em 228.500 "unidades léxicas". A discrepância talvez se explique pelo fato de q uma mesma palavra pode ter mais de um significado. Se for esse o caso, o prefácio deveria ter falado em "unidades semânticas" e não "léxicas". Houaiss indeed.

O prefácio tbm indica q no Houaiss também tão incluídas muitas palavras usadas exclusivamente em Portugal, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique – por exemplo, as portuguesíssimas palavras djila, macuaiela, lunyaneka, e ocaviiúla.

Hm.

Mas como a pergunta q não quer calar é sobre o número de palavras e não de unidades semânticas, fiquemos com 175 mil.

Dessas, muitas são apenas variantes. Por exemplo, dentre os verbetes "p*a" temos, por exemplo:

pacata = pacatez
pachocha = pachoucho
páfia = empáfia
pagadoiro = pagadouro &c &c &c

Mas já q o Houaiss deve tbm ter "se esquecido" de muitas palavras (tipo 'bicicletaria', q não consta), digamos q o número total de palavras da língua portuguesa teja por volta de 175 mil mesmo.

Hm. Resta mais um "hm".

Agora vamos ao inglês.

O Oxford é um dicionário bastante conservador. Sua edição atual tem 20 volumes.

http://en.wikipedia.org/wiki/Oxford_English_Dictionary
http://www.oed.com/public/about

A maior parte do espaço desses 20 volumes é constituída de exemplos. O Oxford pega um pouco pesado nos exemplos (todos tirados de fontes externas), e esse é um dos motivos por quê digo q ele é conservador. Mas digamos q, tirando todos os exemplos, sobrem 5 volumes.

Hm.

A edição de 1989 define e/ou ilustra 615.100 palavras e locuções. Agora observe um fato revelador. O Oxford tem um conceito q eles chamam de "main entry" (verbete principal). Essas 615 mil palavras aparecem dentro de 301 mil main entries, assim como as 228 mil "unidades léxicas" do Houiass aparecem em suas 175 mil palavras.

Só que...

O Houaiss é feito nos moldes dos dicionários brasileiros: talvez pra inflar o tamanho (e certamente fazendo pouco caso da inteligência do usuário), cada palavra tem um verbete independente, inclusive todas as derivadas (exceto advérbios formados com -mente). Por exemplo, cada uma das palavras abaixo tem um verbete independente no Houaiss:

destrucionismo, destrucionista, destruição, destruído, destruidor, destruir, destruível, destrutibilidade, destrutível, destrutividade, destrutivismo, destrutivista, destrutivo, destrutor

Já o Oxford, utiliza a inteligência do usuário e coloca muitas dessas palavras dentro do mesmo main entry, como derivadas.

Outro exemplo. No Houaiss, temos estes 18 verbetes independentes:

fenil, fenila, fenilalanina, fenilalanínico, fenilamina, fenilanina, fenilbutazona, fenilcetonuria, fenilcetonúria, fenilcetonúrico, fenilefrina, fenilênico, fenileno, fenilenodiamina, fenilidrazina, fenil(o)-, fenilo, fenilpirúvico

HAHAHAHAHAHAHA

Já no Oxford, temos o verbete único phenyl, no qual tão incluídas as correspondentes inglesas de todas as palavras acima, mais uma caralhada de outras do mesmo grupo químico. Veja vc mesmo:

http://fds.oup.com/www.oup.co.uk/pdf/0-19-861186-2.pdf

Então é MUITO diferente o Houaiss ter 175 mil palavras e o Oxford ter 301 mil main entries, não é? O q o Houaiss faz é um tipo de ilusionismo.

Caso reste alguma dúvida sobre qual das duas línguas tem mais palavras, dê uma olhada nisto:

http://www.urbandictionary.com/

um dicionário colaborativo q, claro, não tem critérios tão rigorosos como os do Oxford. Muitos verbetes são gírias localíssimas, e muitos são apenas trocadilhos. Mas se algum ufanéscio, depois de dar uma olhada no Urban Dictionary, ainda falar da "riqueza" da língua portuguesa, vc pode levá-lo amarrado à filial mais próxima da Clínica Dr Plausível.

O português tem inúmeras qualidades. O número de palavras não é uma delas.
________________

Adendo:

No Brasil (mais: em toda a América Ibérica) todos reclamam do atraso, da ignorância, dos erros administrativos, da corrupção, da pobreza, da lentidão nos processos, da incompetência na execução, do desprimor nos resultados. Todo reclamante tá basicamente invocado com um enigma: "Entende-se o atraso na África, no Paquistão, até na China. Mas ¿por quê nós —logo nós, descendentes diretos da Europa— estamos assim?"

Todas aquelas moléstias têm múltiplas causas. Mas pro Dr Plausível, uma causa é comum a todas elas —a ferramenta-mor da sociedade: a língua.

Dizem —com razão— q o mau artesão reclama das ferramentas q tem; mas não dá pra construir um Porsche com as ferramentas e os processos q se usa pra construir um Corsa.

A América Latina é uma fábrica de Corsas q recebeu o encargo de produzir Porsches; claro, as máquinas não tão produzindo com a qualidade necessária. Numa fábrica, qdo uma máquina não funciona com precisão, pode ser pq não tá bem calibrada. Quem determina isso é o inspetor de qualidade. Chama-se então o ferramenteiro pra calibrar a máquina. Este usa instrumentos de medição, q tbm devem tar calibrados. Quem determina se eles tão calibrados é o metrologista.

Nosso excomungável doutor só (!) tá dizendo q o metrologista, o ferramenteiro, o inspetor de qualidade e o operador da máquina latino-americana atribuem a baixíssima qualidade de seus Porsches ao salário, às condições de trabalho, à incompetência da chefia, às dificuldades do projeto &c, qdo na verdade o problema é a máquina em si. Seria preciso trocar de máquina, assim como o Brasil precisaria trocar de língua —pois a língua portuguesa, left to its own devices e do jeito q é proposta pelo gramático-metrologista, jamais vai produzir o Porsche da sociedade justa, culta, complexa, competente, asseada e otimista q seus falantes almejam.

Ou então optar pelo caminho mais honrado porém mais difícil de mandar o projeto-Porsche às favas de onde veio e procurar descobrir pra quê serve afinal a língua portuguesa, qual universo cultural ela pode engendrar, qual organização social, ideológica e pragmática ela tá univocamente posicionada pra criar, desenvolver e exportar.

E contra isso tudo está a poderosa, estúpida e aviltante pressão ideológica e política exercida pelos gramáticos e lexicógrafos da NoCu.

¿A esperança do Dr Plausível? Zero.

24 agosto 2007

Engulho de ser brasileiro

That which we call a rose
By any other name would smell as sweet.

W Shakespeare


Uma ironia de ser latino-americano é q, por mais desenvolvidas q venham a se tornar estas plagas num futuro hipotético, parece q o amor-próprio, a valorização da cultura e da personalidade latino-americanas jamais se associarão à tecnologia e a uma visão progressista. Que pena. Latino-americano sempre se sentirá consumidor ao invés de produtor de tecnologia.

¿Tá fazendo cara feia, leitor?

Pois então, olha aqui algumas das mais conceituadas marcas do mundo:

Bic, Boeing, Chevrolet, Citroën, Colgate, Ericsson, Ferrari, Firestone, Ford, Gerdau, Hewlett-Packard, Honda, Honeywell, Johnson's, Lamborghini, Lockheed, Mercedes-Benz, Nestlé, Olivetti, Opel, Peugeot, Philips, Pirelli, Porsche, Renault, Rolls-Royce, Siemens, Suzuki, Yamaha*

¿Notou uma coisa? São todos sobrenomes de seus fundadores.

Muito brasileiro, muito latino-americano, se diz orgulhoso de seu país ou amante de sua terra e sua língua. É natural. Mas ¿será plausível? A próxima vez q vc ouvir alguém dizer algo assim, deixa passar uns dois dias, aí leva o indivíduo prum cantinho calmo e pergunta:

¿Vc compraria um carro Gonçalves?

Apresentamos o novo Gonçalves Crioulo 300L, com injeção eletrônica.

¿Viajaria num avião Coutinho?

Conforto e segurança. Tecnologia e beleza. Coutinho 737.

¿Teria um televisor López?

Televisor López tela plana. Sua melhor imagem.

¿Usaria o creme dental Freitas?

Hálito puro, sorriso Freitas.

Ao ouvir essas sugestões na pesquisa feita pelo Instituto de Plausibilática, 97% dos respondentes deram risada, sugeriram outros produtos e eslôgãs ("Almeida, a marca do homem." "Venha para o mundo de Ipatinga." &c), e nem notaram o desserviço q prestaram ao próprio orgulho.

Seria de se perguntar se um Moreira, um Quintana ou um Sampaio alguma vez visualizou, com orgulho e total seriedade, um carro, um avião ou um televisor com seu nome. E caso não (o q é mais provável), ¿por que não? ¿Por que é q tecnologia com nome português ou espanhol parece piada?

Outra ironia é q um sobrenome é o nome duma família, e portanto duma linha genética. Toda vez q um Silva ou um Sánchez compra um creme dental Colgate pra fazer bonito com uma Costa ou uma Ramirez e com ela gerar filhinhos, ele tá automaticamente promovendo ao mesmo tempo o nome duma linha genética totalmente outra. Cada dente branco dele é uma chance a mais prum cromossomo Colgate.

Quando vem aqui um grupo de executivos, digamos, alemães da ThyssenKrupp (dois sobrenomes) pra checar se os nativos tão fazendo tudo direitinho [e vira aquela polvorosa na empresa: secretárias, engenheiros e executivos brasileiros suam frio pra falar alemão e, nas reuniões, fazem papel de colegial recitando tabuada na frente da classe], os visitantes – mesmo q não se chamem Thyssen ou Krupp – tão o tempo todo conscientes de q tão promovendo e defendendo os interesses duma firma alemã, ou seja, dum sobrenome alemão, ou seja, duma linha genética alemã com a qual compartilham ou os olhos azuis ou a pele branca ou o cabelo amarelo ou somente a língua.

E a vc, leitor amigo – q se lembra, por exemplo, dos Souza Cruz e dos Camargo Corrêa, &c e q, apesar de entender lá no íntimo a piada com o Gonçalves quatro-portas e o fio dental Freitas, atribue a graça à sonoridade, à estranheza, &c –, lembro q é bem diferente a reação de, digamos, um euaense à idéia dum DVD de marca Smith e a dum brasileiro à dum de marca Simões. O euaense ri da incompatibilidade mercadológica. O brasileiro ri da improbabilidade tecnológica.

¿Por quê?
______________________

*Como já vieram me dizer via email q nem todos aqueles nomes de empresas são sobrenomes, aqui vai a lista dos fundadores, separados por país e data de fundação das empresas:
Alemanha: 1811 Friedrich Krupp, 1847 Werner von Siemens, 1860 Friedrich Thyssen, 1863 Adam Opel, 1871 Karl Benz, 1931 Ferdinand Porsche; Brasil: 1901 Johann Kasper Gerdau; Euá: 1806 William Colgate, 1886 Robert & James Johnson, 1900 Harvey Firestone, 1903 Henry Ford, 1906 Mark Honeywell, 1911 Louis Chevrolet, 1912 Alan & Malcolm Loughead (Lockheed), 1916 William Boeing, 1939 William Hewlett & David Packard; França: 1882 Armand Peugeot, 1899 Louis & Marcel Renault, 1919 André Citroën, 1945 Marcel Bich (Bic); Holanda: 1891 Gerard Philips; Inglaterra: 1906 Charles Rolls & Frederick Royce; Itália: 1872 Giovanni Pirelli, 1908 Camillo Olivetti, 1929 Enzo Ferrari, 1963 Ferruccio Lamborghini; Japão: 1897 Torakusu Yamaha, 1909 Michio Suzuki, 1948 Sichiro Honda; Suécia: 1875 Lars Ericsson; Suíça: 1866 Henri Nestlé.

22 agosto 2007

O estado do direito

Antes de pensar em se propor a ter a intenção de falar alguma besteira pré-imputante contendo palavras tais como 'mensalão' ou 'petista', leia isto.

(E antes q alguém já saia correndo denunciar nosso equipado doutor à Liga das Senhoras Cansadas, lembro q [1] o linque fala apenas do processo penal: nada a ver especificamente com mensalão ou não mensalão; [2] o Brasil é um país vastíssimo com uma capital artificialmente instalada no meio do nada; [3] o Dr Plausível é totalmente apartidário: absolutamente todos os políticos deveriam estar na cadeia, junto com quase toda a população; [4] a justiça não é cega: só está vendada; [5] ainda bem q pelo menos está vendada: se não, não haveria hipocrisia.)

20 agosto 2007

a rephórma hortográphica

¡Não tou falando, catso? Além de haver gente q não pensa, tem gente-q-não-pensa ditando decretos.

E ¿não é q um bando de desocupados mentais resolveu porque resolveu q o português precisa de mais uma reforma ortográfica?

¿Vai acabar nunca, essa ladainha? HAHAHAHAHAHAHAHA

¡Ô miasarma!

Três anos atrás, nosso euforizante doutor já havia denunciado a pantafaçuda imbecilidade nessa mais-uma iniciativa de decretar quais letras e acentos o povãozão do Brasilzão DEVE usar. Ninguém deu ouvidos ao doutor (claro, ¿já viu funcionário público dar ouvidos?) e agora sai um decreto criando novas confusões, adicionando problemas e... lóóóógico... enchendo a bola do nicho dos incompetentes dicionários brasileiros, cujo principal diferencial não é a clareza nem a iluminância nem a pesquisa nem a abrangência nem o bom-senso (tirando poucos, como o da UNESP, do Francisco da Silva Borba), mas as palavrinhas soletradinhas de acordo com a última reforma ortográfica.

Sem falar na bizarrice das reformas. ¿Por que combas não se pode grafar 'óptimo' em Portugal e 'ótimo' no Brasil? ¿Causa alguma confusão entre essas culturas TÃO distintas, Dona Nhoca? ¿Será porque ninguém mais pronuncia o P de 'óptimo'? Se é assim, então ¿por q cargas d'água esses decretistas impunes não tiraram também "estorvos" comuns:

• o L de palavras como 'culpa' (todo mundo pronuncia 'cuupa')
• o E de palavras como 'desculpa' (todo mundo pronuncia 'tscupa') e de todas as palavras q comecem com o prefixo 'des'
• o I átono de palavras como 'lástima' (todo mundo pronuncia 'lastma')

e dezenas de outros?

¿Por q catralhos esse pessoal não deixa o povão escrever em sua própria língua o q bem entender do jeito q bem entender e assim estimular a inteligência do discurso e a percepção dos significados em vez de emburrecer ainda mais e limitar ainda mais a concentração do portuguesante naquilo q está escrevendo, e forçá-lo a prestar ainda mais atenção em como está escrevendo? Depois reclamam q brasileiro não sabe escrever. Claro q não, Pedro Bó. O brasileiro é alfabetizado numa ortografia aos 7 anos e depois aos 8 tem q aprender outra. Desse jeito, os professores q não sabem mais onde pôr acento vão achar mais fácil ganhar a vida pondo o assento em outro lugar... (haja visto, né, q 37%...)

HAHAHAHAHAHAHAHAHA

¡Ôô miasarma!

Alguém tem q deter esses decretistas, meu santo. Alguém tem q dar um BASTA. Já deu flor. O Dr Plausível gostaria imensamente q ao menos UM dos grandes jornais olhasse essas reformas de soslaio e simplesmente dissesse "NÃO! CHEGA. VAMOS DEIXAR COMO ESTÁ." ¿Q aconteceira? ¿O governo chiaria? ¿Mandariam a rádio-patrulha investigar? o exército invadir? o executivo cassar o alvará? ¿Q jerdas podem fazer esses decretistas de picuinhas contra quem simplesmente se recusa? NADA. ¿Então por q é q todos os bichinhos aceitam as coleirinhas, meudeusdocéu?

¡Ôôô miasarma!

¡Ôôôôô miasarma!

19 agosto 2007

Chutebol, o esporte das multidões

¡Tou falando q tem gente q não pensa!

¿Viram esse bafafá sobre alguém q disse q futebol não é jogo pra gay?

Pois então. Uma revista paulista publicou hoje o resultado duma enquete perguntando quais profissões "podem" ser seguidas por homossexuais. Aqui as porcentagens de quem disse "sim" (atente aos negritos):

padre católico: 45%
pastor evangélico: 47%
militar: 69%
presidente da república:69%
juiz ou promotor: 72%
governador: 73%
prefeito: 73%
ministro: 72%
senador ou deputado federal: 77%
futebolista profissional: 79%
professor: 82%

Supõe-se, disso, q 37% dos respondentes (ie, 82 menos 45) acham q gay "pode" ser professor mas "não pode" ser padre. Ou seja, 37% têm uma opinião marcada por um moralismo baseado na religião: se Deus desaprova a gayzice, então gay não pode ser padre.

Mas... mas... ¿¡¿UÉÉÉ?!? Ser padre ¿não exige justamente q se renuncie dos impulsos da carne? E se Deus desaprova a gayzice, ser padre ¿não seria justamente a melhor opção pra quem tem impulsos carnais gayzais?

HAHAHAHAHA

E se o motivo é q "todos sabem" q não existe padre totalmente casto, q todo padre suja a hóstia de vez em qdo, então pra isso ¿é preferível ter padres héteros?

HAHAHAHAHAHAHA

E se o motivo pra "desaprovar" o homopadre é q ele pode se valer de sua posição pra corromper a molecada, então ¿é preferível q o gay seja ¡¿professor?!?

HAHAHAHAHAHAHA

E ¿não é ironiquérrimo q esses 37% parecem justamente ter prestado mais atenção às aulas de catecismo na igreja q às aulas de lógica na escola?

Nhééé...

Ôô, 37%, usa a cachola aê, vai, quebressegalho.

18 agosto 2007

wit against time

Palmas pro Wittgenstein, q ele merece.

05 agosto 2007

to beng or not to beng, zhat is zhe questiong

Nosso expedito doutor, concordando com um insigne leitor deste blogue, gargalha aos borbotões qdo alguém "prevê" q num futuro não muito distante, o chinês vai tomar o lugar do inglês, q tomou do francês, q tomou do latim, o papel de lingua franca internacional. ¿Sabe QUANDO isso vai acontecer? Nunca.

A moda de prever o declínio dos Euá ao mesmo tempo em q se "prevê" a ascensão da China é uma espécie de esporte jornalístico; vem da crença despistada de q o desenvolvimento econômico é uma conseqüência inescapável do crescimento populacional. Claro q não há desenveconô sem a produção incansável de bebês pobres. Mas é preciso mais do q um contingente crescente de pobres num país pra forçar executivos dum outro a aprender a língua do primeiro.

O chinês (tanto o mandarim quanto o cantonês, entre as oito línguas lá faladas) tem características q pouquíssimos ocidentais estariam a fim de aprender. É uma língua em q a entonação duma palavra é parte integrante de seu significado. É como se, em português, "dusa?" significasse 'perto', "dusa!" significasse 'pizza' e "duuusa?!" significasse 'metalinguagem'.

Esse simples fato tem conseqüências culturais e geopolíticas. Cito aqui apenas duas, dentre as várias q o Dr Plausível listou e demonstrou recentemente, no XII Congresso Exurbano de Geoplausibilática Funcional:

(1) Quando um chinês está fulo de raiva e quer dar uma bronca no filho porque não lavou os palitinhos antes de comer, ele não pode sair gritando, como qualquer ocidental, "SEU PORCÃO! VAI JÁ LAVAR OS PALITO!!", porque se ele gritar como um ocidental, sua entonação vai mudar, e portanto o significado do q ele diz também vai mudar. ¿Q faz, então? Em vez de berrar, ele tensiona o pescoço e engrossa a voz: "Seu porcão. Vai já lavar os palito." Alugue algum DVD de filme chinês e confirme. Assim, a música cantada chinesa tradicional não pode ter qualquer melodia com uma letra em cima: muda-se a melodia e muda o sentido. As canções chinesas tradicionais são indecifráveis aos ouvidos ocidentais. "¿Como é q alguém pode gostar disso?" é o q se pergunta qualquer brasileiro q escuta. O mundo é cheio de variedade, mas ¿sabe QUANDO a cultura chinesa vai pegar no ocidente?

(2) Uma cultura em q a expressão visceral dos sentimentos é codificada num padrão travado de entonações é o palco perfeito pra governos totalitários. ¡Não há nisso crítica alguma contra governos totalitários! O progresso chinês é a prova de q pode dar certo, e a cultura chinesa é provavelmente a q mais influenciou a história da civilização. Mas dentre os ocidentais – acostumados à exuberância de suas artes, idéias e berros –, pouquíssimos aceitariam a influência direta da China sobre seus gostos e palavras. Em 1999, o então presidente Clinton dos Euá tentou dar umas bronquinhas no primeiro ministro chinês visitante, Zhu Rongji, sobre infrações de direitos humanos na China, mas o Zhu deu-lhe um chega-pra-lá irrespondível, equivalente a "Calma lá, cara-pálida, q vocês ocidentais não sacaram ainda como as coisas funcionam lá." E, de fato, é outro mundo.

Apenas por esses dois motivos, é fácil ver q o chinês não é a "próxima" língua. A China deve ser recebida com raras honrarias ao clube dos países desinglesados, mas terá q praticar o maldito verbo to be e o present perfect como todo o mundo. ¿Tá pensando o quê?