21 junho 2007

bosta vejo

There is no cabbiment, minha gente. Dois meses depois de o Dr Plausível ter insuflado as massas populares com uma crítica certeira e feroz ao bustv, ¿q é q me aparece? : uma portaria da prefeitura de São Paulo dando a entender q tudo bem, q emerdar os ouvidos de passageiro de ônibus é legal.

Dá uma olhada:

[São Paulo, 15 de junho de 2007.]

Portaria n.º 79/07–SMT.GAB.
"Art. 5° Na área interna dos veículos será permitida a afixação de publicidade no vidro atrás do motorista (anteparo) e na parte superior das janelas (frechal ou sanca), bem como a utilização de dispositivos para transmissão de sons, imagens e dados, resguardando o espaço destinado à publicidade institucional e de caráter informativo."

E ¿aquele aviso em todos os ônibus: "é vedado o uso de aparelhos sonoros"?

Mas... Mas... Qual não foi minha surpresa ao ler o NOME do secretário municipal de transportes q assinou essa aleivosia: Frederico Bussinger.

Ah, não, peraí... ¡Dá um tempo, Ironyman! ¿¡¿Frederico Bussinger?!?

¿BUS SINGER?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

A gente se ferra mas se diverte.

17 junho 2007

A música das esperas

¿Lembra q recentemente nosso elogioso doutor soltou uma gargalhada num restaurante?

É q ele já tava de bom humor. O restaurante era o Carlota. E ele não tava de bom humor pela comida, não.

Conteceu assim. Depois duma espera de mais de hora e meia num ambiente à parte, entramos no salão principal. Logo ao entrar se nota q o lugar, cuja comida não é de se jogar fora, tem ãã... uma trilha sonora. Qdo fomos, tavam tocando BUM-BUM-BUMxcaBUM. Num lugar com comilões conversantes, só se ouve, claro, o BUM-BUM do bumbo e o TS-TSk-TS-kTS do ximbau. Só q ali... volume ALTÍSSIMO. Nada aconchegante. Digestivamente contraproducente, eu diria. Gastronomicamente ulcerante.

O doutor ficou se perguntando por q cargas d'água a gerência prefere transformar numa ante-sala de danceteria um ambiente onde se janta comida-q-não-é-de-se-jogar-fora a preço-de-olhos-da-cara. Ficou ali matutando até q decidiu perguntar a um garçom. Delicadamente, claro.

A resposta foi: "pra evitar q as pessoas ouçam a conversa das outras mesas".

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

¡¡There is no cabbiment, meu expensivo esperador!! ¿Quem será q inventou essa desculpa pra fingir q um lugar é descolado? Algum descolado, certamente.

Descolado da realidade.

06 junho 2007

Origens lingüísticas do atraso brasileiro, parte 2

Tava lá nosso emblemático doutor escrevendo um artigo sobre a substantivação de adjetivos pro Cadernos de Plausibilática, e procurava sem sucesso como falar da qualidade de 'errado' (erritude? erridão? erratidão?) – e amaldiçoando o ouvido sensíííível de quem fala português –, qdo finalmente, após quase 50 anos de pesquisas, chegou ao centro da questão: ¿Por que é q os povos latinos produzem comparativamente menos idéias, menos filosofias, menos tecnologia e menos conhecimentos do q os povos germânicos? ¿Por que é q os latinos são povos mais afeitos a remanchar prazerosamente enquanto q os povos germânicos, pra chegar a tal refinamento, precisam beber?

A resposta está no ACENTO das palavras.

Tal como já é costume aqui, vou comparar o português ao inglês. Tome-se isso como uma comparação genérica entre as línguas latinas e as germânicas (exclua o francês, q é uma língua meio híbrida).

Olha só o q acontece com o acento das palavras na derivação, em português e em inglês.

Em inglês:
chAste > chAstity
rIght > rIghtness
fAt > fAtness
wrIte > wrIter
wOrld > wOrldwide
mOtor > mOtorist
Ugly > Ugliness
beaUty > beaUtiful > beaUtifully
sEnse > sensAtion > sensAtional

Em português:
cAsto > castidAde
cErto > certEza
escrIta > escritOr
gOrdo > gordUra
mUndo > mundiAl
motOr > motorIsta
fEio > feiÚra
bElo > belEza > belamEnte
sEnso > sensaçÃo > sensacionAl

¿Notou uma coisa? Ao derivar palavras em inglês, o acento continua caindo no radical da palavra, exceto no caso do sufixo latino -ation. Mas ao derivar palavras em português, o FOCO da palavra se desloca de seu radical pra seu sufixo, ou seja, de sua SEMÂNTICA pra sua GRAMÁTICA, ou seja, de seu SENTIDO profundo pra sua CLASSE gramatical. Uma outra vítima desse processo são os verbos e as conjugações. Enquanto q em inglês, o acento cai sempre no radical (sIng, sIngs, sAng, sInging, sUng), em português isso acontece apenas nos tempos simples (cAnto, cAntas, cAnta, cAntam, cAnte, cAntes, cAntem; mas cantAmos, cantAvam, cantarEi, cantarIas, cantÁramos, cantAsse, cantArmos, cantAndo, cantAdo, &c).

Essa diferença tem amplas conseqüências. Numa frase inglesa, a força das idéias geradoras é mantida a cada palavra derivada:

The tEacher wrOte some extrEmely Interesting descrIptions of his nAtive land.

O professOr escrevEu umas descriçÕes extrEmamEnte interessAntes de sua terra natAl.

Faça o teste vc mesmo. Diga em voz alta as palavras abaixo colocando o acento no radical, em vez de no sufixo. Compare com a sensação q vc tem qdo põe o acento no sufixo:

cAstidade, cErteza, escrItor, gOrdura, mUndial, mOtorista, bEleza, bElamente, sEnsação, sEnsacional, profEssor, escrEveu, descrIções, extrEmamente, intEressante, nAtal

¿Sentiu um deslocamento pro sentido profundo da palavra? ¿Não parece, de algum modo, q a palavra fica mais clara, menos difusa? Hm. Nas línguas latinas, vc tem a sensação de raramente estar falando das coisas, de raramente olhar pra elas de frente, de ficar rodeando os assuntos interminavelmente, de estar prestando atenção na forma muito mais do q o necessário. É por isso q as línguas latinas têm tanta dificuldade em criar palavras novas a partir das antigas, e ficam dando voltas e mais voltas em torno dum vocabulário q ainda não saiu do Iluminismo.

Não admira q o q é dito numa língua latina soe tão mais superficial do q o q é dito numa língua germânica, inclusive pra seus falantes; daí q, depois q a ciência de várias nacionalidades cuidou do básico no século XIX, o bojo de tudo q se pensou, se criou e se descobriu no mundo a partir do século XX tenha partido das línguas germânicas, q expressam idéias complexas com mais facilidade e clareza. O mundo latino é empurrado prà frente pela pujança, flexibilidade, praticidade e criatividade das línguas germânicas e pra isso, claro, paga royalties.

O futuro, ninguém sabe. É inteiramente possível q "remanchar prazerosamente" venha a ser a melhor maneira de viver, depois q os germânicos pensarem, criarem e descobrirem tudo q é possível pensar, criar e descobrir; e talvez aquele seja mesmo o objetivo de pensar, criar e descobrir – objetivo esse q os latinos já alcançaram sem muito falatório. Vá saber. O certo é q, por agora, é muito frustrante querer expressar uma idéia e se incomodar com o som q ela tem.