09 maio 2007

P2a: Pessoas-que-acreditam-em-coisas [1/2]

Abaixo, um resumo da primeira parte da palestra do Dr Plausível sobre a onisciência divina e o livre arbítrio humano, proferida no Instituto de Plausibilática de Tallinn, ano passado.

« Alex Castro, autor do Liberal Libertário Libertino, publicou há meses um artigo sobre as "pessoas-que-acreditam-em-coisas", em q parodiou uma conversa típica entre ele e um crente q tenta inutilmente proselitizá-lo. O crente metafórico acredita em "elefantes roxos q flutuam" e, conseqüentemente, q "não se deve vestir camisetas brancas". Em dado momento, a pessoa-que-acredita-em-coisas acusa o autor: "Ao contrário do que vc pensa em tua imensa vaidade, tua mente está fechada a tudo q não se conforme a tua visão estreita de mundo."

« Hm.

« Sempre acho graça de pessoas-que-acreditam-em-coisas. A regra fundamental pra essas pessoas é:

1. acredite em coisas
2. acredite em coisas q não contradigam o q vc já acredita
3. não acredite em coisas em q gente estranha acredita

« É sobre o ítem 2 q quero falar. Os ítem 1 e 3 contêm apenas, digamos, reações viscerais/intuitivas à vastíssima complexidade do mundo. Compreensível, dada a capacidade humana de compreender q não compreende a escala das coisas.

« Mas o ítem 2 tem ali uma palavra relacionada com lógica ("contradigam") q pretende adicionar um elemento inteligível à visceragem/intuição.

« A impressão q dá é q toda religião grande é um amontoado de ingredientes saídos de vários cérebros diferentes, cada um tendo uma idéia independente da outra e tentando encaixar tudo numa mesma panela. Parece tbm aquela história em q umas beatas se encontram pra compor uma música pruma procissão, discutem, discutem e chegam num acordo: "Ói, cês vão pa casa e faiz a muzga, e nóis vão pa casa e faiz a letra." E aí depois qdo elas se encontram é "muita letra pra pouca música."

« Uma dessas incoerências é a crença, ao mesmo tempo, na onisciência divina e no livre arbítrio humano – um dos embaraços mais conhecidos de algumas religiões grandes, um embaraço pro qual todo teólogo tem uma resposta, mas q nenhum ainda conseguiu satisfazer, sacomé? Simplesmente não é possível, sem entortar o sentido das palavras, q a primeira e o segundo sejam verdade ao mesmo tempo. É como diz meu nobre colega, o Dr PACS: "Tem gente q acredita simultaneamente q ninguém sabe a fórmula da Coca-Cola, e q já se conhece o genoma humano. As duas coisas simplesmente não podem ser verdade ao mesmo tempo." HAHAHAHAHAHAHA

« Reconheço os esforços dos trocentos teólogos do passado longínquo e próximo e do presente q tentaram e tentam criar teorias pra conciliar as duas idéias; mas a lógica resiste. A saída mais simples do dilema, reconhecida e usada na hora do aperto, é dizer, "Pô, foi Deus q criou a lógica, a justiça e a hermenêutica; então a vontade divina criou até a racionalidade q é INcapaz de entender."

« ¿¡¿Uééé?!?

« Mas então... ¿não era pra entender? »

continua...

8 comentários:

Lucas disse...

Deus muito bonzinho esse, que teoricamente sabe tudo de tudo, e que portanto propositadamente criou os humanos *sabendo* que boa parte iria para o inferno.

Deus muito bonzinho esse, que cria um ser imperfeito e o pune por seus erros.

Achar contradições em religiões é algo muito fácil; não me admira que o nosso respeitado doutor nem solte um risinho murcho ao se depara com uma delas.

Pracimademoá disse...

Eu nem ia falar nada antes de sair o resto da tal palestra, mas adorei o texto do Alex Castro, e agora mesmo, antes de vir pra casa, flagrei duas mulheres falando sobre o Papa e por que a igreja é contra a camisinha:

" - E abstinência é isso, é um comportamento seguro. Porque você sabe, os jovens de hoje em dia, eles não querem usar a camisinha para ter um sexo seguro. Eles querem usar a camisinha para iniciar a sexualidade mais cedo. E é por isso que a maioria das meninas de hoje em dia já são mães."

Me fez lembrar deste diálogo do Friends (procure por "condom"):

http://friends.tktv.net/Episodes5/summaries/5.html

Permafrost disse...

Lucas, me aguarde!

Demoá, HAHAHAHA a impenetrável lógica da estatística da moralidade da lógica do... - aaarrgh me perdi.

Pensei em vc várias vezes nos últimos dias, Demoá. Estou sendo grosseiramente atacado no orkut por um grupo de normacultores ensandecidos, alguns de baixíssimo calão. A milhas de tua ponderagem e polidez. Leia aqui: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=61576&tid=&start=1

Tou pra postar ali uma extensa explicação do q digo, dentro de um ou dois dias, só pra praticar datilografia. Claro q vc, q já conhece minha maçantice no assunto, vai achar aquilo tudo profundamente inútil.

Severino disse...

Gostei.

carioca disse...

Só uma informação: pelo menos para o Houaiss "que nem" é uma locução que significa "tal como", como quer o tal Pablo...

Pracimademoá disse...

Afe! Nunca que eu vou ler aquilo tudo! E nem vou entrar na briga, que a Milady já está cuidando direitinho de você. 8-))

Ainda não vi nenhuma baixaria, e estou gostando de todos os argumentos. O que estraga pra mim é O TEMA da comunidade. Eu acho o cúmulo da falta do que fazer ficar denunciando erro de tradução em legenda. Ou da vaidade. É como se dissessem: " - Eu não teria perdido um gol daqueles."

Tá. Cada um se diverte como pode.

Obrigado pelas palavras doces. Achei muito divertido. Logo eu, que até já fui expulso de blogues e fóruns. E depois dizem que sinceridade é uma grande qualidade... :-P

Permafrost disse...

Queisso, Demoá, aqui vc goza de imunidade.

Aliás, aqui todos gozam. :•)

Eu entro lá e denuncio pq acho anti-ético veicular tradução cagada.

Rildo Hora disse...

Façamos uma conexão entre o tema em tela e o digládio disfarçado dos últimos comentários: livre-arbítrio que gera dor de estômago, na certa. Apesar da certeza que cada parte tem de ser um Pepsamar indestrutível. Meninos, TUDO É VAIDADE. Inclusive o que permeia minhas próprias palavras. O outro lado, que convive na mesma pessoa, é Paz. O que há de contraditório? Ou existiria música sem silêncio??? Cheio sem vazio??? Ou o problema é a palavra Deus e seus demais nomes?" Live and let live".
Acho que o Dr., seja quem for, encontra sua praia em assuntos mais adaptados a uma mente que não se permite tréguas. Nisso ele é bom. O vazio e o silêncio exigem exatamente o oposto. Tentar nem pensar?

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