25 janeiro 2007

Muunarquia

Sesdias, o Dr Plausível levou o maior susto. Descobriu q tem pessoas otherwise normais q aiiiinda se encontram na nódoa do espaço-tempo imperial brasileiro. Tipo, "época boa foi aquela em q o Brasil se curvava perante um imperador, hem?; não essa verrrrgônha q é hoje." Bom, tem gosto pra tudo, né? Uma das passagens mais hilariantes da história deste país foi a inclusão da opção "monarquia" no plebiscito de 1993, no qual muita gente optou pela dita cuja, influenciada menos por uma ideologia coerente do q pela leitura de contos de fadas em q os reis são todos magnânimos, os príncipes são nobres de espírito, os cavaleiros são valorosos e todas as princesas são lindas. Muitas dessas pessoas seriam mais felizes idolatrando o Rei do Iêiêiê e cantando o Hino Monárquico em fox-trot:

Eu sou aquele súdito à moda antigaaa
do tipo que ainda manda flores,
aquele que no peito ainda abrigaaa
recordações de seus grandes senhores...


Chutar cachorro morto não é do feitio de nosso equilibrado doutor, q sempre reserva uns sorrisos condolentes pràs vítimas contumazes do hipoplausivírus. Ele olha essas coisas, pensa na aparentemente infinita capacidade cômica do ser humano (quer dizer, ninguém assiste SÓ Animal Planet, né?), e resolve – às vezes – levar a sério.

E aí é q retumba sua gargalhada.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Porque – diga a verdade, dona-de-casa – tem q estar com o cerebelo meio se achando cérebro pra apoiar um monarca e jurar-lhe lealdade, ora pois não? Pois veja só três coisinhas:

•Ter um rei significa sustentar uma família real: mulher, irmãos, filhos, priminhos, tias, sobrinhos, netos, avós, cunhados, genros, sogros... uma parafernália de gente enchendo o saco do povo com suas estrepolias, picuinhas e ambiçõezinhas. Na monarquia possível nos dias de hoje, a família real é pouco mais q um grupo de funcionários públicos regiamente (!) pagos pra cumprir chatices tipo inaugurar pontes e visitar vítimas de calamidades, e pra isso já temos, obrigado.
•A família real é necessariamente um pool genético. Ou seja, um monarca brasileiro seria necessariamente de apenas uma raça ("¡Branca, branca!" teimariam monarquistas em pânico) subindo ao trono, assim como quem não quer nada, acima de gente de tudo qto é raça e cor e cultura, como se fosse superior a todos. ¿Sabe quando ia dar certo? ¿Sabe quando, no pé em q está a história, um negro castiço ou um nissei de raça se curvaria perante um português?
•Uma das primeiras coisas q o hipoplausivírus deteriora é a noção da dimensão das coisas neste vasto mundo. ¿Será q alguém aí consegue imaginar 180 m-i-l-h-õ-e-s de pessoas de repente dum dia pro outro virando súditos? Aliás, ¿será q os monarquistas não riem da própria piada? ¿Será q acham q tem tanta gente burra, simplória, dócil e raspa-bunda no território nacional? Êta!

Bom, essa foi só pra constar.

18 comentários:

Domingos Junior disse...

Ô, Pabl'uno?! Lendo o blogue daquele senhor e ainda tentando argumentar com seus fiéis asseclas? Tanta coisa boa por aí nesse mundão de meu deus! Não perca tempo, não.
O Doutor precisa prescrever melhor os medicamentos do seu receituário. A farmácia popular vai degringolar desse jeito...
E, ó: você conseguiu as musgas do cama de gato? Que achou?
À bien tôt!

Pracimademoá disse...

A grande liberdade e anarquia dos blogues revela uma fauna absolutamente embasbacante. O Dr. Plausível deve sentir-se um biólogo na Amazônia. Ah, a riqueza da criação divina!

Permafrost disse...

DomJr, tou conseguindo várias aos poucos no eMule. É ótimo, apesar de q um amigo meu chama as coisas deles de "cocaína carioca". Mas o som da música instrumental brasileira de hoje tem a cara deles, né?

Demoá, é mesmo. Imagine Darwin entrando pela primeira vez na Mata Atlântica. ¿Viu meus versos lá?

Domingos Junior disse...

Seu amigo tem razão, Pabl'uno. Esse pessoal tipo Cama de gato faz um instrumental muito esnobe pro meu gosto. Algo assim: "-Cara, olha aonde eu consigo chegar. Vão ouvir e achar isso revolucionário!". Até aí, passa. O problema começa quando o virtuosismo, adquirido depois de muito sobe-e-desce harmônico e de noites sem dormir debruçado sobre o estudo trogentésimo de Chopin, acaba por mascarar a falta de originalidade melódica e de perspicácia artística, tomando a música só pela música. É a popularíssima "música para músicos". (Eu achei o disco inteiro aqui:
http://abracadabra-br.blogspot.com/2006/11/cama-de-gato-sambaiba-1990-sdg-0451990.html
Sobre instrumental setentista e oitentista, no final dos 70, a Philips lançou uma série chamada MPBC (Música Popular Brasileira Contemporânea), com discos de Nelson Ayres, Nivaldo Ornellas, Robertinho Silva... É uma boa amostra do que se fazia na época em termos de música instrumental.
Mas, pelo sim ou pelo não, a influência do que fez o Cama de gato na música instrumental de hoje é enorme. E é exatamente aqui que entra a máxima do Abelardo: "Nada se cria, tudo se copia." Quando esse pessoal resolver acrescentar alguma coisa, prometo que presto atenção.
Inté!

Pracimademoá disse...

Vissim, Perma. É bem bonitinho.

6 2 tão falando de masturbação, né? Tô sacando.

Sávio disse...

Que me perdoem os detratores, mas o blog do tal senhor é simplesmente genial.

Permafrost disse...

Sávio, ninguém aqui disse q ele não era. ¿Vc é aparentado com o saudoso professor de violão Isaías Sávio?

Demoá, ¿não gosta de muzga insdrumendal?

Domingos, baixei o disco todo. ¿Onde é q vc arranja esses sites, meu santo?

Pracimademoá disse...

Quando o músico toca para o público, eu gosto. Quando toca para ele mesmo, eu fico constrangido.

Domingos Junior disse...

Saravá! Sim, o blog do nobre Bunda é muito bom mesmo, mas não acho que se deva levá-lo a sério. A finada Aracy de Almeida dar-lhe-ia (a mesóclise é parte integrante da homenagem) "10 mangos pelo calibre da jaca".
A música instrumental brasileira dos anos 60 é, de longe, a mais surpreendente já feita por humanos lugar. Tinha "joie de jouer", sem rompantes ególatras, como jamais se (ou)viu novamente.
Ué, Pabl'uno, na própria interdrec, né? E no soulseek, porque o e-mula não agüenta o tranco, não.

Permafrost disse...

Blog bom é este: oticaoticaotica.blogspot.com

Leia, por exemplo, isto:
http://oticaoticaotica.blogspot.com/2007/01/rainy-days-and-mondays-always-freak-me.html#links

Hermes Trimegisto disse...

Dr. com todo o respeito, essa foi fraquinha fraquinha. Que tal comentar a tal da "sustentabilidade" que ficou em voga com a Sao Paulo Fashion Week. A futilidade e tudo mais que vem junto estao ali dando sopa para varias consultas do Dr.
Um abraco.

Permafrost disse...

Sao Paulo Fashion Weak? ¿Quesquecé?

Pracimademoá disse...

Interessante o blogue da oticaoticaotica. Sério, é divertido mesmo.

Mas já notou como sesdias a maioria dos blogues se diverte à custa da inferioridade intelectual alheia? No começo, a onda dos blogues era "meu querido diário...". Hoje, a grande onda é um bando de gente se reunir em volta de uma página e rir junta da burrice, ingenuidade, nescidade, estupidez, miopia, displicência, convicção ou idiossincrasia da plebe rude e ignara que não presta muita atenção nisto ou naquilo (como fazem pessoas de todos os níveis sociais e culturais e blogais), ou que simplesmente não compartilha os mesmos interesses e escala de valores de quem tem um blogue na mão e um bocado de tassiachando na cabeça.

E fica umas 25 vezes mais grotesco ver a tertúlia que siacha "enriquecendo" o caldo com comentários como "haha!", "mandou ver", caretinhas e recados de abraços e lembranças pro pai e pra tia.

Eu sou tão mórbido quanto qualquer serumano e até me divirto com as tiradas insolentes de um ou outro blogue do predominante estilo eu-sou-mais-eu. Mas pular de um pra outro e dar de cara sempre com o mesmo tema subjacente me dá uma impressão, tipassim, que tá enchendo. Sabe?

Pode ser boa hora de se ir a uma loja com bom crediário e comprar um Zeitgeist novo, que esse já me parece meio encardidão.

Permafrost disse...

É vrdad, Demoá. Dá um porre, né? Mas vc deve estar com overdose de Dr Plausível, pq aqui, ué, é SÓ esse tipo de coisa.

Eu talvez tenha escolhido mal o exemplo da otica. Tem um monte ali q é ela só chorando as pitanga. E bem escrito, diga-se.

Pracimademoá disse...

Nem tanto, Perma. Acho que existe aqui um tom meio cruel e debochado às vezes, mas o Dr. Plausível chama nossa atenção para graves distorções insalubres que realmente merecem denúncia e destaque em nome do sanitarismo. Ao contrário de uns blogueiros por aí que ficam naquelas de

"hoje eu encontrei uma pessoa sem-noção e, diante da feliz oportunidade de humilhar DUAS VEZES um semelhante inferior (primeiro ali na hora e depois aqui no blogue), sapequei-lhe uma resposta que vem bem a calhar para mostrar a vocês, leitores inteligentes e tassiachantes como eu, a minha incrível perspicácia"

ou

"veja só esta pessoa de lugar ou site tal que eu achei ridícula, vamos todos apontar o dedo pra ela e dar risada, HAHAHA"

Não tem nada de utilidade pública nisso.

E os comentários daqui são MUITO melhores, não é mesmo?

Sim, a moça do oticaoticaotica escreve bem. Os assuntos é que são chatos.

Permafrost disse...

Reaallmente, os níver dos comentário aqui é bom. ¡Tem até polêmica!

Mas assunto é assunto. Tanto faz um como outro. Vendedor bom consegue fazer esquimó comprar iglu.

Pracimademoá disse...

Pfalanisso, tem notícia da Bia Berna? :-) Por onde será que ela anda?

Permafrost disse...

"Por onde será que ela anda?"
Está a parecer que (a) deu-se um sumiço; (b) vestígios da pessoa mentada, não há. Anime-se, Para-Cima-De-Moi!

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