05 outubro 2006

eleiloto (2)

Democracia é um feriadão catástrofe. A pessoa vê a sexta-feira chegar esperando descansar, passear, brincar e inteligir; mas aí chove torrencialmente e ela passa o feriadão em casa tirando a lama, o lixo e a merda q a inundação trouxe. Com democracia, não adianta ter esperança. Sempre vai ser um cocô. Com outras formas de governo também; só q o cocô democrata dá pra ir limpando enquanto vai sujando.

Na estação eleitoral, nosso epistolário doutor costuma até passar mal de tanto rir. Mas depois q, como sempre, os maiores imbecis são eleitos, ele fica com dòzinha de quem esperava outro resultado. Por isso, ele às vezes faz seu quinhão de utilidade pública e consola as vítimas da esperancite.

O consolo é ser realista: a hipoplausibilose é inerradicável: somente a gargalhada oferece alívio. É uma ilusão achar q gente de mais tarimba faria diferença no governo. No fundo, é tudo gente e todos falam a mesma língua: os tarimbosos estariam sujeitos a iguaizíssimas condições e às mesmíssimas pressões; portanto tomariam, no fim das contas, exatamente as mesmas decisões.

The world is on auto-pilot and there's a legacy to account for. Sorry. Enjoy.

9 comentários:

Herpes da Fonseta disse...

Trocadalho do carilho.

Domingos Junior disse...

O que diria a lusitana das vírgulas sobre a colocação pausal do "prince de la sociologie brésilienne"? Fico tão curioso...

Permafrost disse...

"Por mais que se discutam as vírgulas e os depois das vírgulas, a inflação continua sob controle." FHC

Domingos Junior disse...

Vive la royauté de Nossa Alteza!
Ô Permafrost?! Você não me respondeu por que escolheu o título dessa música do Magazine (a banda, não a turminha do Kid Vinil, bien sûr) para ser sua alcunha.
Mande lembranças ao querido Doutor.

Permafrost disse...

¡E eu nem sabia q havia uma muzga de uma banda Magazine, q eu nem sabia q havia!

"Permafrost" é mais ou menos pra indicar q, abaixo de minha superfície afável e sedutora, sou permanentemente gelado (aliás, como todo o mundo...).

O doutor agradece a lembrança e avisa q agora tem um blog em inglês, q está apenas começando:

http://drplausible.blogspot.com

E preciso visitar o teu mais amiúde...

Domingos Junior disse...

Pois há. E existem outras ótimas no mesmo disco que contém "Permafrost" ("Play"/1980), daí o questionamento sobre a escolha da dita.
Já visitei e dei boas-vindas ao Doctor Plausible. By the way, o Doutor, algures, já ponderou sobre a maneira um pouco anglófila com que tece suas edulcorosas observações?
Confesso que até eu preciso freqüentar meu blog periodicamente, pa móde capiná o roçado. A falta minha, no entanto, não invalida a visita alheia, dada a quantidade razoável de textos "antigos" que podem ser apreciados, en portugais, claro.
Vamos indo e vindo. Acho bom.

Permafrost disse...

De anglófilo ele não tem nada. Só respeita três coisas dos ingleses: a língua, o humor e o parlamento.

Domingos Junior disse...

Ó, a capa da obra cometida (só serviu pra avaliar minha memória):
http://www.gemm.com/item/TOLEDO-c-ARY/NO--FINO--DA--BOSSA--LIVE--FROM--THEATER--RECORD--------BRAZIL--LP/GML90131488
O Doutor se diverte com esse tipo de humor nativo? Estou curioso. O disco parece ser bem interessante.

Domingos Junior disse...

Pabl'uno: O Doutor foi consultado antes de ter sido revelado o número das primaveras passadas?
Eu tenho é inveja, sabia? O mais próximo da música infantil a que eu cheguei foi "Pir-lim-pim-pim". A memória acusa preponderantemente Bozo, Sérgio Malandro e, claro, Xuxa. Lembro vagamente do sítio do pica-pau amarelo, o que é uma pena. Lamento ainda mais não ter visto/escutado "Vila Sésamo". Ah, esse sim, como eu lamento!
Eu andei fuçando no meu disco rígido e vi que tenho um disco do Ary Toledo de 1969. Não é aquele do Paramount, mas se interessar, me avise. D'accord?

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