19 outubro 2006

E o sol nascerá quadrado...

Ontem, nosso empedernido doutor se espatelou de gargalhar qdo ouviu o anúncio da nova política espacial dos Euá. O documento diz coisas como: "Os Euá preservarão seus direitos, suas potencialidades e sua liberdade de ação no espaço (...) e, se necessário, negarão a seus adversários a aplicação de potencialidades espaciais hostis aos interesses nacionais euaenses."
 
Só isso já é hilário. Mas se vc também lembra q os Euá (1) se recusam a entrar em negociações sobre armas espaciais e (2) já espionam outros países do espaço, então a coisa toda vira uma comédia de doer a barriga.
 
Além do óbvio (q vc, leitor brasileiro, já entendeu), também tem esta: no século 19, o bedelho inglês dava a volta no mundo, e dizia-se q no império britânico o sol nunca se punha. Pois é. Os euaenses (q têm uma invejinha congênita dos britânicos) agora querem estender seu império ao sistema solar, e dizer – com muito mais propriedade, porém mais cinicamente – q em seu império o sol realmente NUNCA se põe.
 
¿Não é de empafuçar as têmporas?

8 comentários:

Pracimademoá disse...

Não entendi.

Permafrost disse...

Talvez eu devesse ter dito "leitor não-euaense", mas "leitor brasileiro" fica ainda mais engraçado, já q a mera existência do Brasil é resultado de um tratado entre Espanha e Portugal meio análogo à declaração unilateral de intenções espaciais euaenses. Leia aqui:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/6063926.stm

Pracimademoá disse...

Essa parte eu entendi. Mas os EUA sempre foram poderosos, folgadinhos, donos do mundo, e nunca esconderam o desejo de tomar conta do espaço. Então, o que há de extraordinário na notícia? Onde está a hipoplausibilose? Quererem ser donos do espaço? Mas eles podem mesmo. Têm a tecnologia para isso e o poderio militar para dar cascudo em quem chiar.

Quando os caras são sorrateiros, a gente reclama. Quando escancaram, a gente reclama. Eita.

Permafrost disse...

Ah, mas a palavra-chave ali é "hilário". O doutor não liga pra geopolítica, e jamais reclamaria de quem lhe fornece gargalhadas.

Se não fossem os euaenses, seriam os russos; se não estes, os brasileiros; se não estes, os árabes. Tanto faz. Mas o fato de q foram os euaenses deixa a coisa peculiarmente engraçadíssima, pois eles são notoriamente diretos em suas interações - não têm, por exemplo, a nebulosidade das interações entre brasileiros, em q há uma enorme discrepância entre o q é dito e o q é feito -, mas os caras da Casa Branca querem ser dissimulados; só q estão numa posição geopolítica e (vale dizer) lingüística em q não têm muita margem prà dissimulação. O resultado é q a linguagem de declarações desse tipo fica um texto todo cuidadosinho e pisa-em-ovos pra q seja passível de interpretar como verdadeiro apesar de conter uma batelada de malandragens.

Fora essa ironia hilária, há a hipoplausibilose dos custos econômicos e humanos. Eles ficam dando uma de q podem falar de tomar conta do espaço quase como se falassem de ir comprar pão na padaria sem tropeçar na esquina. Um declaração desse tipo no fundo quer dizer, "Ok, a partir de hoje propômo-nos a não mais perpetrar cagadas. Basta gastar mais dinheiro."

Além disso, há vários níveis de ironia q qqer aluno de Plausibilática II já aprendeu a ridicularizar; por exemplo, a ironia q os brasileiros conhecem bem, tipo de como uma declaração de poder dos portugueses 500 anos atrás em Tordesilhas se ampliou até q todas as incompetências e contradições internas de Portugal e da língua portuguesa se materializassem em 180 milhões de povinho bunda q não dão a mínima pros lusitanos; ou então as bem conhecidas ironias do império inglês; ou da sede do império romano ter se tornado a da igreja católica; e por aí vai. Uma comédia altissonante atrás da outra.

Acho q vc não aprovou a gargalhada do doutor talvez porque ache q está plenamente justificado em ter uma espécie de assombro por eles. Se for isso, skéce. Eles são cagõezinhos exatamente como nóis. :-)

Herpes da Fonseta disse...

Você tem subentendidos muito diferentes dos subentendidos dos outros. Assim fica difícil.

Paulo F. disse...

Por nada não, mas tu tá ficando meio chato.

Manda o estagiário embora que o Permafrost antigo era melhor.

Permafrost disse...

Ah, chato sempre fui. O fator novidade esconde; mas depois q vc acostuma, a chatice vem à tona.

ADVANUM disse...

O imperialismo americano não tem limites. Já não se contentam mais com sua ditadura global, querem dominar o espaço. Daqui algum tempo vão querer tomar posse do sistema solar.

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