30 outubro 2006

McLula

Nosso efígico doutor nem ergueu o sobrolho qdo anunciou-se a eleição de Lula. Nem ergueu nem abaixou. Política é um assunto extremamente monótono.

Mas como muito antipatizante do Lula ainda se pergunta como é possível q um notório corrupto &c &c blablabla, o doutor se vê imbuído duma responsabilidade esclarecente.

Muitos anos atrás, qdo o Lula ainda ia prà cama com cheiro de graxa, um artista pobre amigo do Dr Plausível fez amizade com uma outra artista cujo pai era dono dum prédio onde havia duas salas à disposição dela. Sem o conhecimento do pai (acho), a artista ofereceu uma das salas ao amigo pra q ele abrisse um amplo atelier e economizasse o aluguel q já não podia pagar a algum outro explorador. O amigo aceitou e lá se deslanchou. Mas ele não era cego: logo notou a incongruência entre ter sido pobre e explorado e agora estar se beneficiando da exploração de outras pessoas.

E saiu-se então com esta frase lapidar: "Até q enfim o mundo é injusto a meu favor."

Pois é. Mesmo q a corrupção no governo Lula pareça incongruente com sua imagem prévia, mesmo q o Lula seja mesmo um filho da puta de marca maior, mesmo q esteja acompanhado do mesmo tipo de chiqueiro q certamente acompanharia o Alckmin, mesmo q o povão nunca se beneficie em nem um centavo de sua presidência, mesmo assim ele ainda é do povão, é um brasileiro de aparência desleixada, de fala "errada" e voz de bebum. O povão olha pra ele e diz, "Até q enfim o mundo é corrupto a meu favor."

Não é de estranhar: toda vez q o Maluf é eleito, o não-povão olha pra ele e diz, "Kibon, o mundo continua corrupto a meu favor."

Algum tonho logo vai aparecer alardeando a descoberta do "poder do povão" e tentará produzir outros Lulas em larga escala, exatamente como se tentou produzir outros Beatles em larga escala depois da descoberta do adolescente nos anos 60.

E vem aí o McLula.

29 outubro 2006

Incentivo ao crime

Saber ler pode às vezes ser uma grande desvantagem e aposto q os iletrados são menos propensos a certos acidentes do q os alfabetizados. Hoje, nosso esmeráldico doutor quase q cai da bicicleta no meio do trânsito ao ler a frase estampada na traseira, vejam vcs, ¡dum carro da polícia militar!
 
É difícil acreditar q alguém dessa nobre e poderosa corporação tenha tido uma idéia tão... tão... ãã... tão pouco encomiástica à PM. Afinal, são bem conhecidas suas antigas ligações com o SNI... Deve ter sido algum publicitário de baixo orçamento.
 
Bem, deixa pra lá. Vamos à frase q destumbelhou nosso doutor em parlapatalhas pela avenida. Imagine esses carros da PM, com todas aquelas luzes em cima, dois ou três policiais armados dentro, uma ou outra metralhadora no porta-malas e, no vidro de trás, as palavras:
 
"INCENTIVE A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS"
 
¿Preciso dizer mais?

19 outubro 2006

E o sol nascerá quadrado...

Ontem, nosso empedernido doutor se espatelou de gargalhar qdo ouviu o anúncio da nova política espacial dos Euá. O documento diz coisas como: "Os Euá preservarão seus direitos, suas potencialidades e sua liberdade de ação no espaço (...) e, se necessário, negarão a seus adversários a aplicação de potencialidades espaciais hostis aos interesses nacionais euaenses."
 
Só isso já é hilário. Mas se vc também lembra q os Euá (1) se recusam a entrar em negociações sobre armas espaciais e (2) já espionam outros países do espaço, então a coisa toda vira uma comédia de doer a barriga.
 
Além do óbvio (q vc, leitor brasileiro, já entendeu), também tem esta: no século 19, o bedelho inglês dava a volta no mundo, e dizia-se q no império britânico o sol nunca se punha. Pois é. Os euaenses (q têm uma invejinha congênita dos britânicos) agora querem estender seu império ao sistema solar, e dizer – com muito mais propriedade, porém mais cinicamente – q em seu império o sol realmente NUNCA se põe.
 
¿Não é de empafuçar as têmporas?

18 outubro 2006

Enquanto isso, na Casa Branca

What we need now is another terrorist attack.
O que precisamos agora é de outro ataque terrorista.
Ou (em português claro) ¿Cadê o bin qdo a gente precisa dele?

05 outubro 2006

eleiloto (2)

Democracia é um feriadão catástrofe. A pessoa vê a sexta-feira chegar esperando descansar, passear, brincar e inteligir; mas aí chove torrencialmente e ela passa o feriadão em casa tirando a lama, o lixo e a merda q a inundação trouxe. Com democracia, não adianta ter esperança. Sempre vai ser um cocô. Com outras formas de governo também; só q o cocô democrata dá pra ir limpando enquanto vai sujando.

Na estação eleitoral, nosso epistolário doutor costuma até passar mal de tanto rir. Mas depois q, como sempre, os maiores imbecis são eleitos, ele fica com dòzinha de quem esperava outro resultado. Por isso, ele às vezes faz seu quinhão de utilidade pública e consola as vítimas da esperancite.

O consolo é ser realista: a hipoplausibilose é inerradicável: somente a gargalhada oferece alívio. É uma ilusão achar q gente de mais tarimba faria diferença no governo. No fundo, é tudo gente e todos falam a mesma língua: os tarimbosos estariam sujeitos a iguaizíssimas condições e às mesmíssimas pressões; portanto tomariam, no fim das contas, exatamente as mesmas decisões.

The world is on auto-pilot and there's a legacy to account for. Sorry. Enjoy.