02 agosto 2006

A aspa do negócio

Talvez vcs não saibam, mas o Dr Plausível é absolutamente contra a permanência e o uso de carros particulares nas cidades. Nesta em q reside, ele se locomove com facilidade (e com freqüência mais rápido) a pé, de bicicleta, de táxi, de ônibus e de metrô. Se dependesse dele, os carros particulares seriam vehiculum non gratus nas cidades, e foda-se a economia.

Só q um inconveniente dessa restrição seria q, aumentando-se o transporte público, ¿o q aumentaria junto? Logicamente, os anúncios. Jendia, até os táxis têm reclames estampados na carroceria. Já-já alguém vai ter a brilhante idéia de tatuar propagandas na testa de criminosos. A propaganda em si não é lá tããão insidiosa. O problema é deixá-la nas mãos de pessoas não certificadas pelo Instituto Dr Plausível; pois se qqer taxizinho pode passear um reclame qqer pela cidade, então qqer publicitário jecamental pode perpetrar qqer tontice neles, ¿ora pois não?

Vejam só esta. Sesdias, nosso ebuliente doutor acenou prum táxi na rua e, qdo este parou, o doutor aos gargalhos recusou-se a entrar, se desculpou e pediu ao taxista encafifado q seguisse seu caminho sozinho. Pois ali na carroceria, algum desavisado achou por bem escancarar pela cidade o seguinte slogan dum produto chamado Fluviral:

"Gripou?" "Desgripa!"

(Q, pela diagramação, tbm pode ser lido como "Gripou?" Fluviral "Desgripa!")

Ora...

¿O q é q dá na cabeça dum publicitário pra q, ao mesmo tempo em q inventa o excelente e útil verbo 'desgripar', tbm insista em mostrar sua carteirinha da Confederação e Lobby Contra Agressões à Norma Culta (CoLoCANoCu)? Pois ¿q raios estão fazendo aquelas aspas no slogan? Se alguém vier insistir q a CoLoCANoCu não existe, q é invencionice minha, então a única explicação restante é q nem o publicitário botou muita fé em sua criação, nem o fabricante bota fé em seu Fluviral: pois se o Fluviral ""desgripa"", quer dizer q não desgripa tanto assim, não é? Óbvio!

Talvez eu esteja sendo injusto com o criador de 'desgripar'. Um anúncio é produto de várias cabeças e, em casos como este, a palavra e as aspas podem ter saído de duas cabeças diferentes. Mas pra alguém sendo humilhado como passageiro dum táxi desses, não faz muita diferença quem exatamente foi o irresponsável responsável pela decisão de aspear uma palavra simplesmente porque algum livreco de regritchas diz q deve-se aspear os neologismos.

5 comentários:

Pracimademoá disse...

"DEVEM-se aspear os neologismos."

Voz passiva. "Os neologismos DEVEM ser aspeados." Sujeito plural, verbo no plural.

Ô, dificuldade...

Permafrost disse...

Tscupaí, Demoá, mas não houve dificuldade nenhuma nesse caso. Foi pensado, proposital e até, eu diria, manifestário. Esse lance de dar toda uma volta pela voz passiva pra justificar uma preferência não cola, particularmente num caso como o dos verbos auxiliares como 'dever', em q aquilo q 'deve' ser feito é o VERBO e não o substantivo.

"Deve-se respirar profundamente."
"Deve-se ter paciência."
"Deve-se gentilmente mostrar os erros de julgamento influenciados por preconceitos lingüísticos profusamente esquadrinhados em livrecos de regritchas."

Nessas sentenças, a parte em itálico corresponde a tudo o q está englobado em cada 'deve-se'. E é esse o mecanismo subjacente toda vez q alguém usa 'deve-se' assim. ¿Pra quê ficar dando murro em ponta de faca se esse mecanismo é perfeitamente válido?

Herpes da Fonseta disse...

"pra alguém sendo humilhado como passageiro de um táxi desses"

kkkkkk

adilson disse...

o que na verdade o fluviral combate?

Permafrost disse...

Devre ser gripre q se propagra em rios.

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