14 agosto 2006

Adilson Catarrino

Uma amostra dos efeitos nefários da NoCu sobre a inteligência² é o trabalho de gramáticos como o Prof DilsonCatarino – um trabalho árduo, paciente e não recebedor do correto grau de respeito q lhe caberia, fosse este um mundo justo. (Não é a primeira vez q o DiCa é mencionado aqui. A primeira menção foi num comentário de leitor a este artigo.)

Esse professor escreve pro UOL esclarecendo 'dúvidas' de gramática portuguesa, e tbm tem um site próprio bem estruturado em q dirime direitinho e iluminantemente várias inquietações ortográficas, distúrbios regenciais, aflições concordânticas e moléstias prepositórias.

Às vezes ele até extrapola.

Tal como numa de suas "pegadinhas gramaticais": criticando a frase "antes que tudo exploda", labirintou-se por "verbos defectivos" e "formas rizotônicas" até concluir q o "correto" é dizer... (difícil não rir) ... "antes que tudo estoure" HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... O DiCa, tal como deixou transparecer na resposta q deu a meu leitor, parece não ter muito apreço por senso de humor.

Outra "pegadinha" critica a frase "É preciso tornar mais rigorosas as normas e os critérios". Após uma explicação desfilando uma série de se-isto-então-aquilos, falando de "elemento acessório" e outros badulaques, ele "corrige" a frase pra "É preciso tornar mais rigorosos as normas e os critérios", q soa exatamente como eu: feio, chato e pobre.

Pra responder muitas 'dúvidas' de leitores, basta fazer o q eles não fazem: olhar num dicionário. Mas algumas são questões gramaticais de leitores desorgulhados e desenganados pela NoCu pedindo a alguém q lhes ensine a falar a própria língua. Por exemplo, respondendo a uma 'dúvida' de leitor, o DiCa diz q o "correto" não é dizer "Este sanduíche está delicioso. Você está servido?", mas "Este sanduíche está delicioso. Quer experimentá-lo?" HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Pro Dr Plausível, é evidente o q acontece na cachola do DiCa: ele deixa as regras pensarem por ele; ou seja, ao meditar sobre a língua, ele não PENSA. Vejam este exemplo:

Uma leitora pergunta qual é a frase correta:
Por favor, ao passar, manter a porta fechada. ou
Por favor, ao passar, mantenha a porta fechada.

Após vários exemplos de imperativo e infinitivo, ele conclue q "as duas frases apresentadas estão adequadas ao padrão culto da língua".

¡Só se for língua de autista, meu caro! Pois tem q usar um olho muito obtuso pra não ver q, se vc mantiver a porta fechada ao passar, não há como passar. Em vez de analisar o q frase DIZ, o NoCulto se perde nas mirabolâncias q toda regra vai acumulando q nem ferrugem. Alguma porta certamente se fechou, pois nem sequer passou pela cabeça do culto gramático corrigir a frase pro claro, simples, direto e inatacável

Depois de passar, por favor feche a porta.

Não. Gente culta tem q parecer culta. E cultura é uma espécie de complexidade, não é? Então pra quê simplificar se vc pode complicar e parecer culto, ¿não é verdade? (Já deve ter alguém reclamando de meu "pra quê"...)

O DiCa não é um caso único q o Dr Plausível resolveu de repente espezinhar maldosamente. Não. Ele é um exemplo. É um cara ajuizado, digno, com preocupações honestas e diligência exemplar. Só q totalmente despistado. A fazeção de cabeça pela NoCu resulta em milhões e milhões de brasileiros como ele desperdiçando tempo com a forma e deixando o conteúdo à mercê de males sinistros e insidiosos tal como a inexplicitez e a falta de distinções do português, o vírus da hipoplausibilose e a metonímia elíptica.
________________

Resta explicar o título deste artigo, q é o nome "correto" do DiCa, segundo a Norma Culta. Primeiro q 'Dilson' não existe. 'Dilson' é uma metanálise, ou falsa segmentação com aférese, de 'Adilson'. Já 'Catarino', está obviamente errado, pois português não é russo – língua em q o sobrenome varia em gênero de acordo com o sexo de seu dono: ¿vai me dizer agora q o 'Dilson' tem uma irmã chamada 'Délia Catarina'? Não. 'Catarino' é uma corruptela do nome da nobre e já esquecida profissão de caçador de rinocerontes, ou 'caça-rinos'. Por aglutinação e nordestização, o nome virou 'catarrinos', e hoje, após um processo de preguiçação, grafa-se 'catarrino', forma reconhecida como correta pelo padrão culto da língua. É isso.

10 comentários:

Fernando Nocu Dosotros disse...

Eu gosto do que vc escreve, mas "concluE" doeu um pouco NIMIM.

Permafrost disse...

Eu sempre gostei de 'conclue'. E com a fonte Times New Roman, evita confusões com 'concluí'. [Vc nem deve ter notado, mas esta última está com acento no i. Veja a diferença entre conclu_ com i (1) acentuado e (2) não acentuado:

(1) concluí
(2) conclui

Concluo q é melhor grafar 'ele conclue' e 'eu concluí'.]

Fernando Nocu Dosotros disse...

Rapáááá... E não é que você tem toda razão.

Herpes da Fonseta disse...

Acho que você quis dizer "caçador de rinocerontes EMPALHADOS", não foi?

Dilson Catarino disse...

Infelizmente, o Sr. não entende qual a minha missão, tanto na coluna do UOL quanto em meu site: Ambos tratam da Gramática da Língua Portuguesa, da língua padrão. São dicas para os estudantes que se submeterão aos exames vestibulares, que não defendem a linguagem do dia-a-dia, e sim o que é adequado ao português culto. A minha proposta não é defender o engessamento da língua, e sim clarear o caminha dos pobres estudantes brasileiros.
Dílson Catarino.

Permafrost disse...

Gostei de saber q o Sr considerou digna de comentário uma opiniãozinha impopular num texto chato neste blogue esquecido.

O Dr Plausível respeita vosso trabalho - tanto suas premissas auxiliadoras qto vossos métodos e seriedade - e quero crer q entende perfeitamente vossa missão na coluna e no saite. As mazelas da educação brasileira são tantas q uma triagem mínima - tal como é o vestibular - aparece como um grande obstáculo. O auxílio como o q o Sr presta deve ser inestimável pra muitos dos q consideram a universidade uma porta prà felicidade.

Mas [sempre tem um 'mas'] vosso trabalho está inserido num sistema q se utiliza de uma codificação de linguagem (eu diria até um jargão arbitrário) pra impôr artificialmente e a priori uma padronização da língua, uma linha de montagem de frases e possibilidades estilísticas, semânticas e pragmáticas; e, logicamente, uma padronização com os gramáticos no comando. *Eles* é q sabem das coisas, *eles* é q vão ensinar cada brasileiro a falar sua própria língua, seguindo os gostos e predileções *deles*. Vosso trabalho é mesmo necessário; pois ¿como é q os "pobres (!!) estudantes" vão adivinhar o gosto e as predileções dos gramáticos q criam as questões dos vestibulares?

Mantendo as proporções, o ensino de gramática no Brasil se assemelha ao ensino de biologia na antiga União Soviética, onde Moscou permitia apenas a disseminação de teorias biológicas q abonassem a ideologia do Partido Comunista. O Brasil tem até ortografia por decreto.

Mas acho q até mesmo um "pobre estudante" gostaria, além de absorver um pouco de vossa cultura, gostaria se o Sr lhe ajudasse a dar o passinho q falta estimular em tantas e tantas escolas e escolhas brasileiras: ¿o q é q as palavras querem dizer, afinal? ¿será q tem palavra pra tudo? ¿será q tem gramática pra tudo?

O texto comentando algumas vezes em q o Sr "extrapolou" tem duas premissas: (1) faz parte de uma discussão q já dura vários meses entre o Dr Plausível e um leitor cognominado Pracimademoá; (2) serviu, nessa discussão, pra demonstrar como a norma culta desvia o foco do conteúdo prà forma, cegando até mesmo o gramático de enxergar o q o texto *diz*. Clicando nos linques, o Sr pode seguir uma boa parte dessa polêmica com o leitor. Mas um dos principais textos se encontra em outro blogue, lincado abaixo:

http://doispanacas.blogspot.com/2004/02/norma-estulta.html

Dilson Catarino disse...

O senhor tem o direito de discordar de meu trabalho, mas deve fazê-lo para engrandecer a cultura, sem ofensas nem xingamentos; a crítica deve ser realizada civilizadamente. A cortesia é a principal virtude de um educador...

Permafrost disse...

Tenho certeza de que não discordo de vosso trabalho: ele preenche uma lacuna vergonhosa na educação brasileira; é um trabalho honesto, importante e necessário.

Minha altercação (pelo menos no q diz respeito à abrangência de vosso trabalho) é com o próprio vestibular. ¿Por que cargas d'água obrigar, por exemplo, um capiau com patente genialidade em matemática a saber as 'regras' de concordância abonadas pelo dialeto da norma padrão? (E existem capiaus genialíssimos: veja o caso do hindu Ramanujan.) E ¿q direito têm os "cultos" do momento de impôr seu dialeto e perpetrar sanções educacionais a seus contemporâneos? Nenhum: adquirem esse direito do fato de q a norma padrão é um dialeto apoiado pelas forças armadas (segundo M.Weinreich: "A shprakh iz a dyalekt mit an armey un flot." = "Uma língua é um dialeto q tem exército e marinha."). Num contexto em q o vestibular não demonstra a menor "cortesia" com a identidade lingüística dos vestibulandos, vosso trabalho realmente adquire uma importância considerável, e conta com minha admiração.

Sobre as "ofensas e xingamentos" de q o Sr se sentiu alvo, garanto q nenhuma brincadeira pretendeu alvejar a vossa pessoa, nem como pessoa nem como profissional. O alvo é a norma culta. O epíteto "NoCu" tenciona deixar patente a missão da norma "culta": ferrar quem não a domina. Além disso, sou sempre o primeiro a rir de meus próprios tiques e ridicularias, e o mesmo é esperado de meus leitores. O Sr há de convir q muitas das soluções abonadas pela norma padrão são risíveis; portanto, não há nenhuma ofensa ou xingamento pessoal nos textos baseados na sabedoria do Dr Plausível: apenas há uma (quero crer, justa) caracterização da norma "culta" como um dos grandes males do Brasil, um dos muitos obstáculos - senão o principal - q mantêm este triste país na subserviência tecnológica, na ignomínia cultural e numa fossa de auto-estima. Se há observações sobre pessoas como agentes dela, é apenas pra retratá-las como vítimas da hipoplausibilose; raríssimas vezes aparecem como deliberadamente ativos na disseminação desse vírus odioso. No vosso caso, tenho plena convicção de q não é intencional.

amanda disse...

identificar e Passar está frase para o padrão culto da língua
Aprincesa Diana já passou por poucas e boas.Tipo quando seu ex-marido Charles teve um love affair com lady Camille revelado para Deus e todo mundo

Permafrost disse...

¡¡¡HAHAHAHAHAHAHAHA!!!

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